Monday, July 24, 2017

Bafão na Pampa

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 18/04/1985

PRATES DA SILVEIRA É ESCOLTADO PARA SAIR DE PROGRAMA NA TV
Porto Alegre - Só com proteção policial foi que o ex-presidente do Grupo Sul Brasileiro, Coronel R/1 Hélio Prates da Silveira, conseguiu sair da Televisão Pampa, após participar do programa Pampa Debate, no qual abordou a crise da instituição. Mesmo assim, os bancários do Sul Brasileiro, que faziam manifestação na saída da emissora, jogaram dezenas de ovos e tomates no carro de Silveira, que fugiu rapidamente do local.

O incidente ocorreu no início da madrugada de ontem, após Silveira participar, com outro ex-diretor do Sul Brasileiro, Alceu Francisconi, do programa na Televisão Pampa (afiliada à TV Manchete), coordenado pelo jornalista Rogério Mendelski. No programa, Silveira voltou a responsabilizar o ex-Ministro Delfim Neto pela intervenção no Grupo, já que o Ministro aceitara um aporte de recursos de 62 milhões de dólares, por parte do Citibank, mas, antes que a negociação fosse concluída, divulgou a intervenção.

Na época, um dia antes da intervenção, Delfim Neto disse que o rombo do Sul Brasileiro era de Cr$ 115 bilhões e o Governo federal não aceitou um aporte de 300 milhões de dólares do Citibank, pois daria o controle acionário a um banco estrangeiro. Silveira disse que na reunião ficou acertado o aporte de 62 milhões de dólares, e que Delfim chegou a abraçá-lo dizendo que estava tudo certo. Segundo seu relato, foi, então, ao Rio de Janeiro e acertou com o advogado do banco norte-americano a liberação imediata dos recursos.

Ao tentar comunicar o fato, já acertado, a Delfim, o Coronel Hélio Prates ficou sabendo que o Ministro viajara a São Paulo. Tentou localizá-lo, sem sucesso, em vários locais, inclusive pelo rádio do jatinho em que Delfim viajava. Logo depois, o Governo anunciava a intervenção. Alceu Francisconi, por sua vez, admitiu que somente no primeiro ano, em 1973, o Sul Brasileiro fechou tranqüilamente seu balanço; nos anos seguintes, sempre houve dificuldades no fechamento dos balanços.

Perguntado por Mendelski sobre como via as notícias de que estava sendo solicitada pelo Governo sua prisão preventiva, o Coronel Hélio da Silveira reclamou: "E um absurdo que na Nova República, que fala tanto em direitos humanos, o Governo fale em me prender, se não há nenhuma acusação formal contra mim, não fui chamado, nem fui citado ainda. Mas estou tranqüilo". No final do programa, a Brigada Militar foi obrigada a colocar vários policiais para custodiar a saída do carro do Coronel Silveira e, mesmo assim, foram jogados ovos e tomates contra o veiculo, enquanto os bancários gritavam "ladrão".

No comments:

Post a Comment

Followers