Friday, October 23, 2015

Nova Logomarca da Bandeirantes

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 06/04/1981

O ''OLHO'' DA BANDEIRANTES

SÃO PAULO - Primeiro foi um pavão, símbolo adequado, mas muito figurativo. Mais figurativo ainda era o pequeno bandeirante, parecido demais com o indiozinho da Tupi. Finalmente, uma agência de publicidade criou o "olho", até hoje o símbolo da Rede Bandeirantes de Televisão, mas agora o olho (antigamente, duas salsichas envolvendo uma bola) ganhou novo design.

O símbolo já está no ar, a anunciar a nova programação, principalmente a do Departamento de Jornalismo, que vai estrear amanhã, em Rede. E também tem um autor: o designer, diretor de arte, arquiteto e artista plástico paulista Sérgio Fridman Roberg, que impôs seu conceito, mesmo concorrendo com pré-projetos de famosos desenhistas industriais brasileiros, como Aloísio Magalhães e Alexandre Wollner.

O novo visual da Bandeirantes começa justamente com o esquema de reformulação iniciado a partir da compra de 17 milhões de dólares em equipamentos na Europa e coroado com a contratação de Walter Clark como o novo diretor-geral da Rede de Televisão. O logotipo, segundo explicou Sérgio Roberg, vai ser usado em tudo o que refletir a empresa, desde os veículos, até vinhetas, fachadas, papelaria, uniformes de funcionários etc. Segundo ele, "a idéia é a de se criar um verdadeiro programa de identidade visual como todas, as grandes corporações têm".

- A idéia inicial era a de se mudar completamente o visual existente, mas foram realizadas pesquisas que indicaram que a Bandeirantes tinha um bom conceito junto ao público. uma imagem de confiabilidade e que se ainda não tinha conseguido uma boa programação, ela sem dúvida viria. Por isso, optei por um aperfeiçoamento do visual existente - contou Roberg.

O símbolo anterior da Bandeirantes, além do aspecto de salsicha, tinha o problema de ser muito semelhante ao da Globo. Além disso, era considerado de difícil reprodução e não tinha um fácil significado aparente. As letras usadas para a identificação, em caixa alta, eram consideradas muito pesadas. Por isso, Roberg fez o título em caixa baixa sob um olho mais fácil de ser reproduzido.

- O primeiro passo foi estabelecer um conceito. A idéia era a de se aproximar o vídeo do espectador, que já está cansado de ver um mundinho separado do dele, piscando (Globo). Daí a idéia do olho, porque assim o vídeo cria vida, está observando o observador, dialogando com ele, Junto à idéia foi somado um lettering (letreiro) de formas modernas e arrojadas - disse o designer.

Para chegar à solução final, Sérgio Fridman Roberg fez mais de 370 modelos e passou três meses tentando aperfeiçoar o desenho, procurando uma forma de aproximá-lo cada vez mais do conceito que julgava acertado. Para fazer isso, contou com a experiência de quem trabalhou, como diretor de arte de agências 'de publicidade, obteve premiações internacionais como desenhista industrial e viu muitos trabalhos seus publicados em livros e revistas especializadas da Europa e dos Estados Unidos.

Sérgio Fridman Roberg foi o primeiro designer brasileiro a exportar um projeto de desenho industrial inteiramente realizado no Brasil, o da K.A. International Corp., levado para 27 países de sete idiomas diferentes. Criador de embalagens, tem escritório em São Paulo.

1981 - Jornalismo da Bandeirantes

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 16/08/1981
Autor: Alberto Beuttenmuller
A BANDEIRANTES É NOTÍCIA
Seis horas diárias de jornalismo no vídeo

SÃO Paulo - A TV Bandeirantes parece ter descoberto no jornalismo e na realidade do cotidiano seu principal veio para alcançar o todo-poderoso Ibope e vencer a guerra, a cada dia mais acirrada, com sua principal rival - é a TV Globo. Assim, a emissora paulista dividiu sua estratégia em três segmentos - telejornalismo, divisão de realidade e divisão de ficção (novelas). Para conseguir chegar a bom termo nessa sua campanha, depois da contratação de Walter Clark, uma espécie de Napoleão da TV brasileira, graças ao sucesso alcançado na Globo, chegou a vez de Sérgio de Souza, anteriormente responsável pelo Fantástico, e agora novamente às voltas com um programa semelhante, onde se mesclam música, humor e jornalismo. Na última quarta-feira, era a vez de José Trajano assumir o departamento de esportes da rede, dizendo que o enfoque principal da emissora será para o esporte amador, "aliás tradição que a Bandeirantes vem mantendo, com as coberturas de basquete, vôlei, Fórmula-1, entre outros eventos desportivos."

A abertura política do Presidente Figueiredo, segundo Joelmir Betting, "é a grande oportunidade que nós, jornalistas, temos de conquistar a televisão brasileira, criando o hábito, no espectador, da informação e do comentário político e econômico". Joelmir Betting descobriu-a e aproveitou-se da informação do dia-a-dia para fazer seus comentários econômicos numa linguagem simples, criando assim um tipo novo de telejornalismo. Após a notícia, lida pelo fluente e sóbrio Ferreira Martins - outro profissional que a Globo perdeu para a Bandeirantes - Joelmir explica como aquele manchete ira afetar o bolso do espectador, em apenas 40 segundos. A Bandeirantes terá, a partir de agora, cerca de seis horas diárias de jornalismo, seja noticiário, sob o comando de Sílvia Jafet, seja reportagem, agora sob comando de Sérgio de Souza, diretor do Departamento de Realidade, responsável por Cidade Aberta, Canal Livre e os novos programas. Paulo Mário Mansur continuará sendo o diretor responsável pelo Departamento de Telejornalismo de toda a Rede Bandeirantes, além de articulador da nova estratégia.

Paulo Mário Mansur passou 10 anos na Globo, entre São Paulo e Rio, nos seus 21 anos de jornalismo, notadamente o de rádio e TV. Em jornal, só trabalhou no Diário do Comércio e na Folha de S. Paulo. Em sua nova função de diretor responsável por todo o telejornalismo da Rede Bandeirantes, ele explica que "houve um deslocamento na programação do lazer para o jornalismo. Assim temos o noticiário do cotidiano, o Jornal Bandeirantes, O Repórter e os vários Atenção. Agora, teremos ainda reportagens nos demais programas, como Cidade Aberta e nos programas que estão sendo criados em equipe. Iremos reformular a programação da para torná-la mais ágil, logo após recebermos os novos equipamentos de tape, quando poderemos sair com a camará na mão. Toda essa mudança de salas deve-se à criação da Central Técnica de Jornalismo, onde ficará toda a estrutura jornalística da Bandeirantes. As redações ficarão agrupadas, mas independentes entre si".

Pelas mudanças, sente-se que até a novela Os Adolescentes, de Ivani Ribeiro, em fase de gravação, e que entrará em setembro no ar, terá um cunho realista e atingirá a juventude e seus problemas psicológicos. Essa novela segue a linha de realismo da emissora.

Instalado no quarto andar da Bandeirantes, em sua sala atapetada - só no quarto andar existem tapetes na emissora -Walter Clark parece mais um jogador de xadrez que, a cada momento, mexe uma peça em busca do xeque-mate. Sua advertência é de que toda essa mudança "não será a toque de caixa, pois ha muito por fazer. Creio que dentro de dois anos (embora isso também seja perigoso dizer, a emissora estará em pleno funcionamento. Pretendemos fazer um programa de entrevistas, às 23h, sempre em debates com convidados. Mas precisamos ainda acertar a programação da tarde e da nova faixa das 20 às 22h. Como se vê, há muito ainda para se fazer."

Walter Clark é cuidadoso quando fala dos novos planos, pois sabe que em televisão só vale aquilo que o espectador vê e que tais modificações sempre acontecem com lentidão. Mas a Bandeirantes continua com novidades, incluindo-se a possibilidade de contratar Osmar Santos, o mais famoso locutor de futebol do país e que pertence aos quadros da Rádio Globo. Ninguém quer comentar o fato, pois, de certa maneira, Osmar Santos pertence à Organização Globo e, por isso mesmo, pode haver alguma dificuldade para sua contratação. Sabe-se que há um emissário cuidando disso, segundo informaram Paulo Mário Mansur e outros funcionários da Bandeirantes.

Sérgio de Souza já se encontra na Bandeirantes há uma semana. O namoro, como se vê, acabou em casamento, pois de há muito a Bandeirantes queria tê-lo em seus quadros. Seus planos são contados aqui com certa cautela, a mesma cautela sentida em Walter Clark, o que demonstra uma certa sintonia de atitudes entre os dois amigos. O principal projeto é um programa semelhante ao Fantástico da Globo, onde se irão mesclar humor, música e jornalismo. O maestro Júlio Medaglia será o responsável pela parte musical. Para o setor de humor, estão pensando em Millôr Fernandes, embora isso pareça mais um sonho para Sérgio de Souza, já que todos acreditam ser bastante difícil a vinda do humorista. Para o horário das 20h às 21h30m, haverá uma programação baseada em reportagens, alguma coisa gravada e acontecimentos recentes, mas também mesclados a música e humor, pois a Bandeirantes acredita que há público para esse horário. "Nem todos vivem de novelas", como diria Joelmir Betting.

O programa Cidade Aberta, um tanto descosido, sem ritmo, que se vai arrastando tarde afora, sofrerá mudanças básicas, segundo informou Sérgio de Souza, que agora dirige a própria Rose Nogueira, a responsável pelo programa. O visual também deverá sofrer modificações, já que ninguém mais agüenta essas salas de espera de consultório médico em que se tornaram esses programas. Sérgio de Souza tem muito cuidado no que fala, pois as coisas ainda estão em projetos e "precisamos usar de muita criatividade para compormos determinadas coisas e compormos outras". Um projeto que deverá merecer bastante atenção de Sérgio de Souza será o programa de 23h, de debates, diariamente, mas que ainda não tem data certa, pois estão no campo da discussão de como será, quais os temas a serem abordados, qual a linguagem. O esporte, departamento que estará também sob o comando geral de Sérgio de Souza, passará por algumas modificações. A principal é o novo diretor - José Trajano - um editor esportivo com passagens nos principais jornais e revistas brasileiros. Trajano fez questão de frisar que sua linha será de total apoio ao esporte amador - basquete, vôlei, etc., sem se esquecer, obviamente, dos grandes acontecimentos do esporte profissional, como automobilismo, principalmente a Fórmula-1.

O jornalista Joelmir Betting é, sem dúvida, o padrão do telejornalismo da Bandeirantes. Sóbrio, com uma linguagem exemplar e fácil, sem perder o estilo fluente, consegue dar seu recado econômico de maneira que todos entendam. "A TV deixou de ser teatro de variedades para ser teatro de revistas. Depois passou a ser uma vitrola mágica (tempo dos festivais) e acabou cineteatro, com filmes e novelas. Agora chegou a vez de tornar-se informação e realidade." Joelmir Betting acredita que precisamos aproveitar a abertura política e a crise econômica, que obrigaram a todos ficarem atentos ao noticiário, e partirmos para a informação jornalística. Segundo ele, tentar passar 20 notícias em 15 minutos é dar "informação de isopor", pois ninguém fixa nada. O ideal é colocar seis notícias importantes e comentá-las. Depois da manchete, sempre vem o comentário econômico. Assim, o telespectador fica sabendo "o que influirá economicamente em seu bolso, por exemplo, o tiro que o Reagan tomou nos Estados Unidos." Joelmir Betting acredita que o telejornalismo, aos poucos, está deixando de ser uma janela de novela para ter seu próprio valor e sua linguagem. "Precisamos criar o hábito do debate, do comentário político e econômico, com uma linguagem fácil, que todos entendam". Betting conseguiu ganhar a confiança do espectador, pois se um Ministro tentar esconder alguma coisa, ele não se faz de rogado e toca na ferida. Há pouco tempo deixou todo mundo preocupado quando disse que o gasto com o uso do automóvel deixou de ser 6% para uma família composta de casal jovem e dois filhos com menos de 10 anos, índice de 1970, para, em 1980, atingir 17%. Essa foi a crise do automobilismo brasileiro, mas ninguém quer entender. As famílias estão procurando gastar menos com o uso de seus carros, por isso está havendo desemprego e as fábricas terão de baixar seus índices de produtividade. Afinal, o Brasil é um país pobre e não têm sentido tais gastos. Talvez esta crise seja realmente a saída para a realidade. "Atualmente", complementa o comentarista econômico, "o gasto com o uso do automóvel é o terceiro item que mais pesa na família, são dados colhidos em fontes seguras", diz ainda. "Como a família brasileira está bloqueando o carro, deixando de usá-lo - atualmente uma família tem um carro e meio, jamais três ou quatro como era no passado - houve a crise de São Bernardo. O uso do carro ficou caro."

Com essa linguagem simples, sem arroubos, sem palavras rebuscadas, Betting consegue prender o espectador em seu comentário econômico, caso único no jornalismo nacional e hoje modelo de todos os comentaristas, que estão deixando de lado os nomes para falar abertamente. Hoje, ele escreve para 22 jornais (cerca de 1 milhão de pessoas), fala em rádio (2 milhões de ouvintes) e na Bandeirantes, para 12 milhões de pessoas em todo o Brasil, vendo-o e ouvindo-o atentamente. E a Bandeirantes começa a ser opção maior para aqueles que queiram fugir da noveletas, em busca de uma programação mais inteligente - este é o desejo de todas da emissora, segundo Betting.

Globo rouba toda equipe de humor de Sílvio Santos

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 20/12/1981

A TVS SE VÊ FORTE AO PERDER ''REAPERTURA''

A contratação, pela TV Globo, de toda a equipe do programa Reapertura, que a TVS transmite nas noites de quarta-feira, não representa qualquer perda substancial para a emissora do animador Sílvio Santos. Pelo menos é o que afirma o diretor do Sistema Brasileiro de Televisão, Moyses Weltman. Ele anuncia uma nova atração na TV S, já para o início de 1982: a Turma da Mônica - Mônica, Cebolinha, Cascão e outros - do artista Maurício de Souza, autor da mensagem de fim de ano da emissora.

- O Reapertura - diz Moyses -é exibido apenas uma vez por semana. Sua ausência, assim, não significará uma alteração importante na nossa programação. Além disso, haverá tempo para uma substituição adequada, pois o contrato dos artistas, técnicos e operadores - a Globo só faltou levar o rapaz que serve cafezinho - vai até março. E eles, como bons profissionais, vão cumpri-lo até lá.

Com uma tranqüilidade assegurada pelo segundo lugar em audiência no Rio e em São Paulo, Moyses Weltman assegura que já se foi o tempo em que a TVS, dependia de um ou dois programas. E, pesquisas do IBOPE nas mãos, mostra os números com os quais a Globo tem de se defrontar.

No caso do Reapertura garante - a perda é muito mais de caráter sentimental do que comercial.

A filosofia de programação da TV S permanecerá a mesma, segundo o diretor do SBT:

Continuaremos dando espaço ao artista brasileiro, lançando novos talentos e relançando antigos profissionais.

Weltman diz que os salários oferecidos pela TV Globo à equipe de Reapertura são irresistíveis. E cita exemplos: Paulo Celestino via ganhar Cr$ 1 milhão, Geraldo Alves Cr$ 600 mil, Tutuca Cr$ 400 mil e assim por diante:

- Nós não quisemos entrar no leilão que se caracterizou em determinado momento.

As propostas da emissora revela concorrente em foram feitas - revela Weltman - em novembro, quando Reapertura completava um ano e três meses de apresentação:

- O programa se transformou num sucesso, em nossos termos. A Globo, todo-poderosa, tem o maior elenco de artistas. No humor, tem Chico Anísio, Agildo Ribeiro, Jô Soares. Por que levaria os nossos humoristas, os que há um ano e meio estavam na rua da amargura, fazendo greve para receber os salários atrasados em outra emissora? Ela passou o maior recibo do crescimento da TVS, está incomodada porque até há pouco tempo não tinha concorrente.

Dizendo que a imprensa foi irônica com esses humoristas quando a TVS os contratou, chamando-os de "rebotalho da Tupi", Weltman ressalta que a contratação simultânea de todo um elenco é coisa difícil de acontecer:

- O caso mais parecido ocorreu no início da década de 60, quando a TV Excelsior, com o dinheiro da exportação do café, levou metade da TV Rio em 24 horas. O mais recente é o da contratação dos Trapalhões, levados da TV Tupi para a Globo.

A TVS, segundo Weltman, não pretende uma revanche. Não pensa em tirar ninguém da Globo, embora saiba que lá há profissionais que, mesmo contratados, não atuam.

Não vamos entrar na loucura de inflacionar salários ou propiciar leilões.

1981 - Jogo da Vida

O Globo
Data de Publicação: 08/11/1981
Autor: Artur da Távola
JOGO DA VIDA - PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Telenovelas são um mistério, ainda, por mais que se lhe conheçam muitas peculiaridades, fórmulas etc. Umas pegam de imediato; outras, demoram a pegar; terceiras, jamais pegam.

Parecem pessoas. Há pessoas imediatas: logo passam os elementos de sua simpatia. Há pessoas mediatas, aos poucos sendo descobertas pelos demais. Há pessoas que jamais transmitem elementos favoráveis ao julgamento empático.

"Jogo da Vida" já havia "pegado" no segundo capítulo. Ao fim da primeira semana já incendiara o interesse do público. Isso de "pegar", em telenovela independe de qualidade, proposta, elenco, direção, etc. Uma grande parte de seus mecanismos de comunicação ainda são secretos.

"Brilhante", por exemplo, só agora começa a "pegar". Tem ótimo elenco, direção, boa história, produção, mistério, elementos clássicos do folhetim, tem tudo. Mas custou a pegar. "O Amor é nosso" idem, inclusive uma proposta de alta qualidade e seriedade. Jamais pegou. "Marron Glacê" foi pegando aos poucos e ao fim incendiara o interesse dos telespectadores.

"Jogo da Vida" "pegou" de imediato. Tenho procurado estudar esse fenômeno. Não tenho, ainda, respostas prontas. Parece-me ser algo ligado a uma imediata assimilação empática dos personagens. O grande público não resiste muito tempo sem definir simpatias, antipatias, preferências, identificações fáceis do papel e dos símbolos representados pelos personagens.

E necessário que os símbolos representados pelos personagens estejam dentro dos marcos de expectativa e conhecimento dos telespectadores.

Outro elemento fundamental pa. ra a novela "pegar" de imediato é começar não no começo mas no meio de uma história. Exemplo: a separação de Jordana (Glória Menezes) e o marido (Paulo Goulart) com que não é casada mas vive há mais de vinte anos. Esta separação já está em fase de acabamento quando a novela começa. As histórias pegam assim pelo meio, aquecem a trama. Idem, o caso de ''Badaró" (Carlos Vereza) que já aparece fugindo da policia. Idem o da irmã dele (Rosamaria Murtinho), que não quer que se saiba ser da família de um marginal.

O fato de "pegar" rápido, porém, não diz dos méritos totais de uma novela. É um dos elementos. Os demais surgirão (ou não) do andamento da obra. É cedo para analisar.

Sylvio de Abreu, o autor, mesmo quando apenas substituía outros, como aconteceu quando do enfarte de Cassiano Gabus Mendes, no meio de "Plumas e Paetês", revelara-se, já um ótimo construtor de situações cômicas. Isso ressalta no clima solto e alegre, indispensável para o agrado do telespectador das sete da noite.

Os atores estão muito bem. Talvez Paulo Goulart ainda tenha que definir a linha de seu personagem. Percebe-se o ótimo ator tateando entre fazê-lo caricato ou apenas levemente cômico e algo romântico (a mim me parece melhor este caminho). Lúcia Alves anda querendo repetir a Veroca de "Plumas e paetês". Deve cuidar. Carlos Vereza e Cláudio Correia e Castro já estão sensacionais no papel. Conseguiram compor os personagens de imediato. Isso é essencial. Maitê Proença parece que tomou vitaminas. De "As três Marias" (novela na qual estreou na Rede Globo) para agora, deu impressionante salto de beleza e densidade de atuação. Ótima, igualmente, desde o primeiro capitulo em que apareceu. Elizangela como a menina sonsa que se faz e boba.

Talentosíssimos os letreiros. Cenografia e vestuário muito bons.

TV Guaíba - Fala Produtor

Folha da Tarde
Data de Publicação: 31/10/1981

''A PRODUÇÃO É A ESPINHA DORSAL DE UM PROGRAMA''

Maria Helena é produtora do quadro de Fernando Vieira no Guaíba ao Vivo, que a TV2 apresenta de segunda a sábado, a partir das 19h30min.

Maria Helena trabalha há dois anos e meio em rádio, onde vem acumulando experiência em vários setores: começou com reportagem geral, passou pela economia, aeroporto e politica.

Atualmente, para poder conciliar rádio e televisão fazer reportagem geral. Para ela, é importante trabalhar tanto em rádio quanto em televisão mas "a tv oferece mais condições de futuro - já que o rádio está um pouco estático - a tv é mais envolvente e é onde o mercado de trabalho também é maior, inclusive por exigir um número maior de tarefas."

Com relação ao quadro de Fernando Vieira, Maria Helena o considera gostoso de produzir, "é movimentado, exige bastante criatividade e é uma coisa que tem muito a ver comigo''.

Além de fazer a produção do quadro, Maria Helena faz as externas e todo o trabalho de edição, acompanhando o desenrolar do programa. Talvez por todo esse acompanhamento é que Maria Helena considere mais que o rádio, embora pense que este crie que a TV acrescenta um embasamento essencial para a profissão de jornalista.

Atualmente, Fernando está realizando um concurso que vai sortear dez cartas para receberem uma viagem ao Rio de Janeiro (fim-de-semana com direito a ingressos aos shows de Roberto Carlos, no Canecão e Simone).

Também está em andamento - e as inscrições encerram no próximo dia 15 - um concurso para modelo fotográfico, em que as vencedoras irão apresentar o programa durante uma semana com Fernando Vieira, vão receber um guarda-roupa completo da marca LEE, e mais outros prêmios, que serão conhecidos posteriormente.

TRABALHO ANÔNIMO - Na opinião de Maria Helena, "o trabalho de produtor é um trabalho anônimo, que serve para embalar não só o apresentador, mas todo o programa. Para mim a produção é a espinha dorsal de um programa, embora muitas vezes ela seja ignorada pelo telespectador. Tem muita gente que não sabe que dentro de uma emissora de televisão é necessário produzir, montar, editar, etc, etc, etc. É muito fácil ver o programa todo prontinho como chega ao telespectador, mas para nós é o resultado extremamente gratificante de um trabalho de horas e horas"

1981 - Eduardo Mascarenhas na TV

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 27/10/1981
Autora: Maria Lúcia Rangel
A INTIMIDADE PARA MILHÕES DE ESPECTADORES

Na casa dos pais do psicanalista Eduardo Mascarenhas, nunca se conheceu a depressão. O clima sempre foi de permanente vibração pela vida. Seu avó, precursor talvez do temperamento de neto, era chamado de "mosquito elétrico". Mas não foi exatamente um mosquito elétrico que aguardava, minutos antes de entrar no ar, a estréia do programa Interiores. No apartamento da Lagoa, cercado de um grupo de amigos, garçons passando todo o tempo champanha gelado e canapés, Eduardo Masceranhas demonstrava, pelo olhar ansioso, a insegurança normal de quem se está dedicando a uma nova profissão. Circulou entre a sala e o quarto - onde colocou estrategicamente as duas televisões coloridas - tentando captar os comentários - poucos - dos amigos durante a transmissão. Encerrado o programa, os telefones espoucaram e ninguém se furtou a falar de Interiores. A aprovação foi quase geral, inclusive da própria entrevistada, Danusa Leão que, abraçando o anfitrião, comentou: "A única coisa da qual você vai depender é de pessoas que digam as coisas, porque você nos coloca inteiramente à vontade." Tão à vontade que Cacá Diegues, já entrevistado - Eduardo já tem 10 programas prontos - afirmou ter achado a experiência fascinante: "Nunca ninguém havia conseguido abordar a minha vida pessoal como ele."

- Realmente, fiquei tenso logo que o programa foi para o ar - admite Eduardo em meio à festa. -Posteriormente, fui sentindo que alcançava os propósitos pretendidos por Fernando (Barbosa Lima), Maurício (Shermann) e eu, ou seja, urna linguagem televisiva.

O diretor de cinema Neville D'Almeida brinca ser Eduardo "o J. Silvestre da alma", enquanto um jornalista afirma que "o bom entrevistador tem que ser psicanalista." Eduardo ri:

- Fiquei feliz, sim, quando percebi que tinha possibilidade de fazer Danuza falar o que podia. E também quando senti que minha presença era vivificadora e vivenciadora das possibilidades reais do entrevistado. Eu não estava nem encaminhando, nem intimidando, a pessoa que estava comigo, mas funcionando rigorosamente como psicanalista, aquele que se retrai para possibilitar a vida, que silencia para possibilitar a fala.

Foi exatamente este o ponto comentado por Roberto D'Avila, o entrevistador de Canal Livre, na TV Bandeirantes:

- Gostei de Interiores exatamente porque não poderia ter sido feito por um jornalista. Mascarenhas, além das perguntas, fez comentários. Se o programa não chega a ser psicanalítico, trata do existencial.

Para Eduardo, a diferença fundamental entre o jornalista e o psicanalista é, exclusivamente, de media:

- Na realidade, o clima do programa é o mesmo de um consultório psicanalítico, ao nível possível de uma transmissão televisiva.

O ambiente vermelho representa o interior, o sangue, a vida, o útero - idéia de Maurício Shermann. Já a lembrança dos dois tempos é de Mascarenhas, assim como õ verde que indica os intervalos, "anúncio da esperança". Interiores, ele admite, é simbólico todo o tempo:

- É mais uma tentativa de trazer o interior de Ingmar Bergman - apesar de ele não ser um apaixonado pelo diretor sueco - nórdico, para o interior embodeado brasileiro, esperançoso, caloroso, alegre e tropical. O importante é conseguir o nível de revelação profunda sem deboches, sem climas pornochanchadescos, sem imprensa marrom, sem escândalo, sem perguntas maliciosas, sem armadilhas ou intrigas. É uma demonstração de que, através do respeito, muito mais do que através da malícia, se pode alcançar a verdade e os níveis mais profundos da vida.

E, se em sua opinião, o psicanalista é o jornalista da alma, há certos aspectos para ele difíceis de abordar: "Não existe apenas a alma."

Uma das poucas críticas dos amigos foi quanto ao ritmo do programa, um pouco lento. O cineasta Arnaldo Jabor considera que está exatamente aí a maior qualidade de Interiores:

- Ele devolve à televisão o espaço democratizado para a pessoa falar como quer e não dentro da tiranis do timing. Porque há certos ritmos narrativos que são totalmente fascistas.

Jabor parodia o critico francês Luc Moullet, que diz ser a moral uma questão de travellings:

- Eu acho que a liberdade é uma questão de ritmo e de espaço livre. Você não pode circunscrever uma idéia a um tempo pré-determinado. Outra coisa importante é que a vida social, atualmente, tem que ser psicanalizada. E o Eduardo está fazendo a psicopatotologia da vida cotidiana brasileira. Isto por si só já é importante.

A psicanalista Eleonora Barbosa Mello também foi tomada por esta impressão. Ela considerava praticamente impossível Mascarenhas ocupar uma função psicanalítica:

- E durante todo o tempo, o que mais notei foi seu compromisso grande com a verdade. Ficou mais na escuta do que procurando aparecer como estrela. Foi um belo programa sobre uma mulher e acho que os demais também darão certo.

A visão profissional do cineasta Cacá Diegues registrou o surgimento, pela primeira vez na televisão brasileira, de um programa baseado na montagem:

- Tenho medo de dizer a palavra "cinematográfico" porque não existe diferença entre cinema e televisão. A TV é outra forma de fazer cinema. Além disso, durante uma hora, não assisti a um psicanalista, mas a um astro da televisão, uma pessoa transando este veículo.

Chamaram atenção dos cineastas presentes na casa do psicanalista os enquadramentos corretos, a cabeça dourada da entrevistada que em certos momentos parecia estar apoiada na moldura do aparelho e as mãos de Mascarenhas. Em meio às despedidas, Rui Solberg, profissional de audiovisuais, fez o comentário bem-humorado: "Enfim, alguém nos fez justiça." Falava mais como homem do que como profissional. Danuza havia se mostrado toda feminina. Nem um pouco feminista.

1981 - Primeira Novela de Sylvio de Abreu.

 O Globo
Data de Publicação: 25/10/1981

UMA NOVELA DIVERTIDA QUE PODE ATÉ CHEGAR À LOUCURA!

A partir de amanhã, às 19 horas, a Rede Globo vai mostrar uma nova trama, que valoriza o ser humano, encara seus problemas com muito humor e tem como regras fundamentais a luta, a esperança e a coragem. Seu nome: "Jogo da vida". A idéia básica surgiu de um conto - já publicado de Janete Clair. Juntos, Janete e Sylvio de Abreu criaram a sinopse. Dai para frente, sem perder o contato com a autora - ''se eu tenho a possibilidade de recorrer a ela, por que não?" -, Sylvio desenvolveu sua novela, a quarta que escreve para a TV. Entre suas propostas iniciais, está a de dividir a história em três fases. As duas primeiras, ele define como uma comédia humana, "uma grande preparação psicológica, em que os personagens se transformam em gente de verdade". A terceira já será uma comédia maluca mesmo, onde o autor fará as pessoas "enlouquecerem atrás de uma herança desaparecida".

A estréia de amanhã traz novidade em termos de novela: é a primeira vez que um autor - Sylvio de Abreu trabalha a partir da idéia de outro - Janete Clair. Ainda de férias, Janete aproveita seu tempo para brincar com o único neto, Ricardo, de 1 ano, enquanto se prepara para viver uma experiencia inédita em sua carreira: ser apenas espectadora de um trabalho seu.

- Vai ser ótimo acompanhar "Jogo da vida" sem nenhuma preocupação de autora. Nunca havia feito uma coisa assim. Sempre levo meus trabalhos até o fim. Mas o Sylvio é competentíssimo e achou o tom ideal para transformar minha história em uma novela alegre e de ritmo rápido, como convém ao horário das sete.

No original, eram apenas oito os personagens. Sylvio criou muitos outros e desenvolveu suas tramas. No centro de tudo, um casal, que se separa assim que a novela começa: Silas e Jordana. Neles, especialmente, o autor fundamenta a "questão feminina", que será um dos pontos mais destacados na história:

- "Jogo da vida" é uma novela para a mulher. O homem, inclusive, adquire um certo papel de vilão. Comparando o Silas e a Jordana, ele é o vilão e ela é a mocinha. Mas ela também tem erros. Submeteu-se ao marido, atrelou sua vida à dele durante 18 anos de convivência. Os dois começaram juntos, pobres. Jordana ajudou Silas a subir, mas não se ajudou. Ele procurou se aprimorar, estudou, enquanto ela continuou valorizando o passado. Até ser abandonada, aos 42 anos, por causa de uma menina de 20, que sabe se comportar, se vestir, e é uma boa presença para Silas, melhora seu status.

Entra aí o valor principal deste jogo: a luta Sozinha, Jordana é, força,da a se refazer, procurar caminhos próprios, reformular seus valores. Acaba indo trabalhar com d. Mena, uma velhinha excêntrica, e solitária, dona de grande fortuna, mas que vive num cortiço.

- Quatro sobrinhos que a abandonaram são o que resta de sua família. Eles não sabem que ela tem um milhão de dólares escondidos, além de um velho casarão. Quando os personagens descobrem a existência desse dinheiro, partem para a caça. A novela vira uma comédia louca!

Mas isto só vai acontecer lá pelo capítulo 100, segundo Sylvio. Até lá, sua maior preocupação é humanizar os tipos que criou:

- A novela é engraçada, mas com um outro tipo de humor, Mais próximo dei neorealismo, onde eu posso simular o singelo, o mágico, o simples. Existe uma intenção, é claro, um ponto de partida bastante sério. Lógico que tenho propostas! Mas elas aparecem dentro da comédia. E, para a gente achar uma coisa engraçada e ao mesmo tempo séria, é preciso acreditar nos personagens. Por isso, estamos tentando colocar humanidade dentro dos personagens. Quando o público passar a aceitá-los, eu posso partir para a comédia maluca. Faço as pessoas enlouquecerem atrás do dinheiro. Se eu pusesse isso de cara, no início da trama, ia fazer uma novela de brincadeira, cairia no erro de uma comédia superficial. Então optei por fazer primeiro uma preparação psicológica dos personagens, para o público entender o que cada um quer. Um verdadeiro quem é quem.

Em cima deste "quem é quem", Sylvio mexe com faixas etárias e sociais diferentes. Das histórias da mulher de classe média, de mais de 40 anos, e da velhice de d. Mena, surge a problemática dos jovens, que vão habitar o velho casarão, transformado em pensionato por Jordana. E é claro que o autor não pára por aí:

- Outro destaque é o Etevaldo, um homem de cerca de 60 anos, que sofre do coração e acredita que vai morrer. Tem a Beatriz, que não assume a vida, a filha, o amor, e vive sozinha, passiva. E também a Loreta, que já é um outro tipo de mulher. Os personagens femininos têm grande força na novela.

Mas é quase impossível falar de todos. Para cada um, Sylvio tem uma proposta, onde pretende discutir meros temas. Pau. lista, 38 anos, diretor e autor de roteiros cinematográficos, ele só faz questão de frisar que seu trabalho não tem a pretensão de se aprofundar em termos sociológicos:

- O que eu quero é levar "Jogo da vi" da" com muito humor, escrever uma história divertida de assistir. Eu acho que, para fazer uma novela que diga alguma coisa, não preciso, necessariamente, escrever uma obra sisuda. Posso ser profundo, mesmo na diversão.

PRINCIPAIS PERSONAGENS

Conhecedor de seu trabalho, Sylvio de Abreu sabe que, "no decorrer de uma novela, mil coisas podem acontecer". Por enquanto, tudo que tem é "uma história, um monte de personagens e uma trilha que eles estão seguindo, mas nada pode ser planejado com rigidez". Quer dizer, muita coisa pode mudar em "Jogo da vida" mas, basicamente, os tipos que ele criou serão assim:

- Jordana (Glória Menezes) - Alegre, extrovertida, boa mãe, amigo e excelente caráter, diz tudo que lhe vem à cabaça. Depois que enriquece, se inibe um pouco, com medo a cometer alguma gafe, mas mesmo assim comete várias. Esforça-se para melhorar e acompanhar a ascensão do marido, mas não consegue. Quando ele a abandona, sofre muito, pois o ama com grande intensidade. Só volta a ser otimista quando começa o construir um pensionato.

- Silos Ramos Cruz (Paulo Goulart) - Marido de Jordana. É simpático, educado e, ao mesmo tempo, machista, egoísta e ciumento. Só pensa em si e no seu próprio bem-estar. Depois que subiu na vida, passou a acreditar muito nos aparências. Freqüenta ótimas ambientes, tem amizades influentes e sente uma certa vergonha da esposa. Decide abandoná-la por absoluto e completo paixão por uma jovem de 20 anos, Carla.

- Lívia Ramos Cruz (Débora Bloch) - Filho de Jordana a Silas. Foi pobre na infância e não quer deixar de aproveitar tudo que o dinheiro pode oferecer. Admira o pai e gosta da mãe, embora preferisse que ela fosse diferente. Sofre com a separação dos dois e custa a aceitar a ligação de Silos com uma de suas melhores amigas.

- Oswaldo Ramos Cruz (Gracindo Júnior) - Irmão de Silos e seu testa-de-ferro nos negócios. Homem bom, até meio ingênuo, é mais tolerante com sua mulher do que Silos com Jordana.

- Rosana Ramos Cruz (Maria Zildo) - Mulher de Oswaldo. É o oposto de Jordana, a quem admira. Não faz muito boa idéia dos homens em geral. Confia desconfiando. Extremamente ciumento, está sempre atento ao marido, pois não quer perdê-lo de jeito nenhum. Cuida do cosa o do filho, Valdinho (Felipe Saddy), sem exageros. Trabalha numa empresa, como assistente social.

- Filomena Madureiro (Norma Geraldy) - É a grande chave da novela, conduzindo, desde o inicio, o fio principal da história. Desequilibrada, exótica, excêntrica, veio de família pobre, mas casou com um conde alemão. Só que ninguém acredita nela. Sente uma profunda magoa por ter sido abandonado pelo que lhe resta da família. Seu sonho é reabrir o pensionato, no antigo casarão que tem, poro fazer com que as mulheres voltem a ser femininas, embora acredite que elas têm todo o direito de conquistar um lugar melhor no sociedade.

- Beatriz Madureira (Débora Duarte) - Sobrinha de d. Mena, mãe de Ingrid (Cássia Fourreaux). Mulher difícil, introspectiva e amarga. Não se cuida, vive por viver. Culpa a todos por suas fraquezas. Com a volta do filho, que morou muitos anos no exterior, vai tentar recuperar o tempo perdido.

- Lafaiete Madureira (Carlos Vereza) - Sobrinho de d. Mena, mais conhecido como Badaró. Trapaceiro, sentimental e absolutamente ladino. Procurado pela polícia, por inúmeros delitos. Típico pequeno vigarista, sempre pulando na corda bomba. Quando descobre que sua noiva está casada com um homem rico, resolve dar o golpe de sua vida.

- Loreta Pires de Camargo (Rosamaria Murtinho) - Sobrinha de d. Mena, irmã de Lafaiete. Tem um filho, Eduardo (Ernesto Piccolo), é casado com um homem rico o detesta que lhe lembrem que vem de família pobre. Gostaria de apagar o passado. Não quer nem ouvir falar nos nomes do irmão contraventor e da tia, até saber que ela tem dinheiro. É esnobe, chique e muito bem relacionada no society.

- Álvaro Pires de Camargo (Mouro Mendonça) - Marido de Loreta, pertence a uma família tradicional. Como sempre foi rico, não tem os esnobismos da mulher. Sente um carinho especial por d. Mena o tem pena de sua solidão. Gostaria de encontrá-la, mas Loreta não permite. Na juventude, teve uma ligação muito forte com Guida Rivera. Hoje, é seu amigo, mas ainda não se perdoa de não ter casado com ela, cedendo às pressões familiares.

- Carla Barros (Maitê Proença) - Mimada pelos pais, pertence à classe média baixa, mas foi criado com todos os gostos e conforto das classes mais altas. Sempre teve de tudo o foi preparado para um casamento rico, o que vai conseguir através do relacionamento com Silos. Exigente, sabe que a beleza é um triunfo e usa a sua sem pestanejar. Fútil, alegre e de bom gosto, não é mau-caráter. Apenas sabe aproveitar as oportunidades que aparecem.

- Cacilda Barros (Suely Franco) - mãe de Carla. É despachada, ambiciosa e sempre sonhou com um bom futuro para a filha. Vive discutindo com os vizinhos, é meio reclamona, mas simpática. Usa e abusa da chantagem sentimental para conseguir o que quer.

- Celinho Barros (Ary Fontoura) - Pai de Carla, marido de Cacilda, é o oposta do mulher. Caladão, amigo, não entende como ela consegue arrumar confusão até com o verdureiro. Trabalho numa repartição público há muitos anos e tem como hobby fazer arranjos musicais para bandos do interior. Aliás, foi maestro de uma em sua cidade, antes de se mudar para a capital paulista.

- Adriano Barros Solos (Carlos Augusto Strazzer) - Afilhado de Celinho, advogado, veio do interior para completar seus estudos em São Paulo. É homem de muitas mulheres, está sempre bem acompanhado. Quando se sentir apaixonado por Lívia, vai se achar meio ridículo, gostando de uma garotinha.

- Dr. Etevaldo de Alencastro (Cláudio Corrêa e Castro) - Banqueiro riquíssimo, acredito que tem poucos meses de vida. Quando conhece Clarita, apaixono-se como nunca, uma verdadeira obsessão. Seu relacionamento com ela terá o efeito de um elixir da juventude, mas também trará conflitos.

- Clarita Madeiros (Lúcia Alvos) - Noiva de Rodará, telefonista de uma grande empresa, vai acabar casando com Etevaldo. Sentimental ao extremo, chora até com os recados românticos que ouve ao telefone, no trabalho. Obsecada por vestido de noivo, tem como um de seus divertimentos prediletos assistir a casamentos nos sábados à tarde. A volta de Badaró será um tormento para ela.

- Zelito Bonalutti (Roberto Azevedo) - Enfermeiro, confidente e grande amigo de Etevaldo, é quem tem a incumbência de aproximar Clarita do patrão. Depois do casamento dos dois, trata bem de Clarita, pois percebe que ela gosta realmente do marido.

- Manoel Vieira de Souza (Gianfrancesco Guarnieri) - Dono da padaria da rua em que mora Jordana, por quem é apaixonado. Sincero, ingênuo e sonhador, nasceu em Portugal, mas ama o Brasil, pois foi aqui que cresceu, lutou e conseguiu vencer. É alegre no serviço e muito querido no bairro. Não tom coragem de confessar sua paixão, mas vai ajudar Jordana a abrir o pensionato. Tem grande amor por seu filho de criação, embora implique com algumas de suas atitudes.

- Jerônimo Vieira de Souza (Mário Gomes) - Filho adotivo de seu Vieira, a quem adora. Seu apelido é Gero. Trabalha na padaria, sabe atender os fregueses e é um verdadeiro gala das domésticas do região. Sai com uma por dia. Vive metido em encrencas por causa de mulheres. Tipo gozador, que mexe com todo mundo, vai se transformar no terror das meninas do pensionato.

- Mariúcha (Elisângela) - Filha de uma amiga de Rosana, vem do interior para ficar em sua casa. À primeiro vista, parece uma santa, sempre disposta a ajudar e elogiar as pessoas. No íntimo, é extremamente o oposto. Má, não tem o menor escrúpulo para conseguir tudo o que quer. Usa a mentira como sua grande arma e o rosto de menina como escudo.

- Doris Gumm (Kate Lyro) - Eficiente professora de inglês, chegou há pouco tempo dos Estados Unidos. Dá aulas particulares para Eduardo, filho de Álvaro e Loreta, que costuma vê-la em sonhos de forma provocante, nas situações mais absurdas. É amiga de Beatriz e será uma das do pensionato.

- Guida Rivera (Íris Bruzzi) - Já foi vedete famosa no passado e quase casou com Álvaro. Hoje, sente-se frustrada por ter que trabalhar em pequenos shows noturnos, depois de ter sido uma grande estrelo do teatro de revista. É mulher de muitos segredos.

- Aurélia Creonte (Renato Franzi) - É a locatária de d. Mena, proprietária do cortiço onde a velha senhora aluga um quarto. Mulher esperto, cheio de planos mirabolantes, não perdoa um dia de atraso no pagamento de seus inquilinos. Só Filomena consegue enrolá-la e, por isso, ela tem raiva da velha. Não acredita que Mena tenha dinheiro e, para conseguir o pagamento do aluguel do quarto, começo o vender suas coisas às escondidas.

- Arnaldinho Rombo (Ricardo Petraglia) - Professor de etiqueta do pensionato de Jordana. Muito tímido e recatado, mas só no ambiente de trabalho. Assim que termina suas aulas, torna-se um farrista do pior espécie. Grande freqüentador do noite, é também admirador entusiasmado de Guido Rivera.

- Flávia (Angelina Muniz) - Aluna do pensionato, mente que veio do interior, mas é de São Paulo mesmo. Quer aprender boas maneiras, línguas, etiqueta, tudo que o pensionato pode ensinar. Como não tem dinheiro para isso, arruma emprego como uma dos moças do show de Guida. Tem sonhos de casar e melhorar de vida, mas não acha possível que isso aconteça, se continuar morando com a família. Terá ligação afetiva com Jerônimo, mas vai sofrer ao descobrir que ele não é o tipo que idealizou.

Eliana (Tássia Camargo) - Filha de um fazendeiro riquíssimo do Paraná, vai estudar no pensionato. Muito livre e alegre, torna-se amigo de Lívia. Seus pais são muito severos e, de vez em quando, vão ao pensionato, para ver como tudo funciona ali. Terá ligação forte com Jerônimo, mas cheio de obstáculos.

QUEM É QUEM

GLÓRIA MENEZES - Jordana

PAULO GOULART - Silas Ramos Cruz

DÉBORA DUARTE - Beatriz Madureiro

CARLOS AUGUSTO STRAZZER - Adriano Barros Cruz

GRACINDO JR - Oswaldo Ramos Cruz

MARIAZILDA - Rosana Ramos Cruz

MÁRIO GOMES - Jerônimo

LUCIA ALVES - Clarita Medeiros de Alencastro

MAITÊ PROENÇA - Carla Barros

ARY FONTOURA - Celinho Barros

SUELY FRANCO - Cacilda Barros

ELIZÂNGELA - Mariúcha

RICARDO PETRAGLIA - Arnaldinho Romão

DÉBORA BLOCH - Lívia Ramos Cruz

ÍRIS BRUZZI - Guida Rivera

RENATA FRONZI - Aurélia Creonte

KATELYRA - Doris Gumm

SONIA MAMEDE - Odete

ROBERTO AZEVEDO - Zelito Bonaiutti

ANGELINA MUNIZ - Flávia

ERNESTO PICCOLO - Eduardo Pires de Camargo

CÁSSIA FOUREAUX - Ingrid Madureira

ROSAMARIA MURTINHO - Loreta Pires de Camargo

MAURO MENDONÇA - Álvaro Pires de Camargo

NORMA GERALDY - Filomena Madureiro

CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO - Dr. Etevaldo de Alencastro

GIANFRANCESCO GUARNIERI - Manoel Vieira de Souza

CARLOS VEREZA - Lafaiete Madureira

FELIPE SADDY - Valdinho Ramos Cruz

TÁSSIA CAMARGO - Eliana

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