Monday, August 10, 2015

1981 - Dercy Gonçalves em novela de Sérgio Jockyman

 Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 10/01/1981

DERCY EM ''DULCINÉA'', AGORA COMO ELA GOSTA


A partir do capítulo 41, que deve ir ao ar no próximo dia 22, os telespectadores de "Dulcinéa Vai à Guerra", na Bandeirantes, terão uma boa surpresa: Dulcinéa, a dona do café-teatro Mambembe, terá um comportamento muito mais irreverente, popular, e um linguajar "desbocado", para valer, do jeito que os fãs de Dercy Gonçalves gostam.

Quem decidiu fortalecer ou simplesmente soltar a personalidade da personagem foi Jorge Andrade, dramaturgo que para o canal 13 só escreveu "A Mulher Diaba", terceiro programa da série "Brasil Especial", mas que é respeitado por outros trabalhos no ramo da telenovela (e também, claro, por sua obra teatral). Há alguns anos escreveu para a Globo "Os Ossos do Barão" e a polêmica "O Grito", e depois, para a extinta Tupi, "As Gaivotas".

Convidado na semana passada por Walter Avancini, diretor-geral de novelas da emissora para substituir Sérgio Jockyman, Jorge aceitou e se dedica inteiramente ao trabalho: "Estou mudando tudo. Pretendo aproveitar a capacidade histriônica de Derci e fazer tudo girar em volta dela, que tem um tom de humor magnífico. Vou respeitar a personalidade da atriz, para mim a melhor do teatro brasileiro. De agora em diante, Derci Gonçalves terá o comportamento que deveria ter falando o que pensa. Mas isso vai ser tratado com profundidade."

Jorge Andrade não quer dizer tudo sobre essa reviravolta, mas revela alterações importantes no elenco, ou melhor, inclusões que se tornaram necessárias conforme nasceu sua história. Entram, Maria Fernanda, Benjamin Catan, Sônia Oiticica, Bete Mendes e Hélio Souto: ''Não posso falar sobre seus papéis porque estragaria a surpresa, só digo que Maria Fernanda vai fazer uma suposta nobre portuguesa, que na verdade é uma vigarista internacional. Do elenco anterior alguns saíram, mas porque já não tinham nada a fazer na novela.

De acordo com a sinopse apresentada pela emissora no lançamento de "Dulcinéa Vai à Guerra", no início do mês de dezembro, quando Jockyman já havia escrito metade da novela, um dos objetivos principais era tratar do problema do menor abandonado. Jorge afirma que a centralização da história em Dulcinéa não quer dizer que os outros atores terão menos importância. "Suas personagens são vivas e cada uma tem sua dimensão. A proposta era discutir o problema do menor, mas o fato de colocar meia dúzia de garotos no elenco, não significa isso. Agora dou a importância que o problema tem, através da Dulcinéa, mostro a grandeza, a beleza de sua alma ao fazer tudo pelos meninos, marco a força de uma mulher que aceita um jogo cômico para conseguir Isso. ''

O dramaturgo não quer aprofundar a conversa sobre o que representou a novela até agora, mas crê que ela será mais polêmica: "Como estou mexendo na história, dei outra dimensão ao papel de Agnaldo Raiol, o Tales, um médico que saiu de uma favela. O objetivo, ao tocar no assunto do menor abandonado, é dar informações e discutir a coisa de verdade."

Enquanto membros da família de Sérgio Jockyman, em Porto Alegre, alegam que o autor está acamado, com gripe e sem possibilidade de dar entrevista, aqui Valter Avancini explica sua saída com tranqüilidade: "A bem da verdade, o estilo de Jockyman provocou um equívoco quanto ao melhor aproveitamento de Dercy Gonçalves na novela. Foi só isso, um problema de estilo de texto. Então nos reunimos, conversamos, e ficou tudo bem. Partimos para um novo esquema junto com Jorge Andrade, que tem um espírito que conhecemos, basta lembrar de "Os Ossos do Barão". A previsão é que ''Dulcinéa'' continue até principio de março, com a mesma direção, de Henrique Martins, e quanto a Jorge, há projetos futuros na área dos especiais.

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