Sunday, February 1, 2015

Wagner Montes - O Sucesso

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 19/9/1982
Autora: Débora Chaves
SER JOVEM, TER DINHEIRO E LUTAR COM BANDIDOS: EIS A RECEITA DO SUCESSO PARA WAGNER MONTES

"Justiceiro e valente" como seu padrinho - o Homem de Ouro do Esquadrão da Morte, Mariel Mariscot - o apresentador de televisão Wagner Montes se diz um enviado dos céus para proteger os pobres e desvalidos, um representante do povo, que certamente o elegerá para deputado- federal em 1986, quando sua candidatura for lançada pelo PDS.

Foi com o Mariel que eu aprendi a ser macho, a não fugir do perigo, a achar que bandido é frouxo e, acima de tudo, que flor se recebe com flor e bala com bala. Todo mundo tem direito a errar na vida, mas assaltante à mão armada, traficante e estuprador reincidente têm mais é que morrer -a firma.

Apresentador do programa O Povo na TV, da TVS, Wagner, 27 anos - foi manequim e lutador de judô antes de entrar para o jornalismo através da Rádio Tupi - perdeu metade de sua perna direita num acidente com sua mototriciclo, em novembro do ano passado, mas já está pensando em encomendar novo triciclo, desta vez azul-metálico, ao invés da fatídica cor violeta.

Entusiasta da pena de morte com execução sumária, como as do Esquadrão da Morte - "já matei muito marginal sim, mas se você escrever isso eu desminto" - Wagner credita seu sucesso ao exemplo de bondade que transmite pela televisão. Segundo ele, sua popularidade está no fato de ser jovem, ter uma situação financeira e emocional estáveis e dedicar 24 horas do seu dia às pessoas menos favorecidas.

Cercado por um séquito de guarda-costas - são 12 no Rio e São Paulo - todos policiais militares, que trabalham para ele nas folgas, Wagner não anda sozinho e, mesmo quando dirige seu Mercedes dourado, ano 74, está sendo vigiado à distância por seus outros dois carros, um Opala e um Corcel II, especialmente comprados para sua segurança particular.

- Antes eu não queria comprar um carro conversível porque achava que ia ser fácil demais para um cara me dar um teco na cabeça, mas mudei de idéia. Já dei muita oportunidade de me matarem e nada aconteceu. Desisti também de ter casa e agora só moro em hotéis: malandro mora andando, não tem paradeiro fixo - explica.

Com uma ascensão meteórica na televisão - "há três anos, no Aqui e Agora, da TV Tupi, eu tirava Cr$ 3 mil e, agora, com O Povo na TV, ganho Cr$ 1 milhão 500 mil" - Wagner terá até mesmo um programa próprio, Wagner Montes, o Chicote do Povo, na TVS, com estréia prevista para o final do ano.

- Eu só estou esperando chegar o equipamento para externas. Sílvio Santos já me deu sinal verde para estrear a qualquer hora. Será um programa semanal, de urna hora e meia, com reportagens sobre blitz policiais, entrevistas dentro de presídios, levantamentos de erros judiciários e casos como o da menina Aracelli - descreve.

Formado em Direito, Wagner tentou, por duas vezes, entrar na vida policial, mas perdeu nos concursos para a PM e polícia civil. "Você pode escrever aí que eu já fui visto agindo em várias blitz na Baixada Fluminense, mas, policial eu não sou, não. Quem sabe um dia, né?",

Wagner se contradiz: declara que anda com um revólver, calibre 38, "cano duplo, reforçado", mas depois não resiste à vaidade de mostrar uma submetralhadora, com pente para 22 balas.

- É que eu não posso ficar falando isso por aí. E tem mais: este fio de náilon que carrego comigo é para estrangular gente - mostra, abrindo um pequeno arsenal dentro da bolsa.

Dono de uma agência de publicidade, a Wagner Montes Produções, o apresentador garante que já está rico. Recheado de jóias - ele foi roubado em Copacabana, e mais de cem policiais subiram o morro do Pavãozinho para resgatar seus colares e pulseiras - Wagner afirma que todos os seus 12 auxiliares ganham acima de Cr$ 90 mil e têm casa própria.

Ainda puxando da perna - a amputação foi acima do joelho - Wagner garante que está com a vida normalizada.

- Já estou andando de bicicleta, montando a cavalo e para ir à praia é o maior sarro. Eu chego com a perna mecânica, que tiro na areia para colocar dentro meu cigarro e óleo de bronzear, enquanto caio na água. Depois, na hora de ir embora, eu encho a perna com água e, já na calçada, lavo o meu pé e recoloco a perna. Todo mundo olha - comenta.

Se no dia-a-dia o acidente não lhe modificou os hábitos, tampouco sua vida sentimental foi alterada. Wagner continua solteiro - "livre como o vento e solto como a liberdade" - e cheio de garotas que, segundo ele, não lhe dão descanso. Para quem duvida da eficácia de sua virilidade ele desfia a tese de que "o sangue que circula nessa área leva muito menos tempo para ir ao joelho e voltar do que se fosse até o pé como antes. É só comprovar", sugere.

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