Sunday, February 1, 2015

Wagner Montes O Povo na TV

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 22/12/1981

UM ''NOVO HOMEM'' VOLTA AO ''POVO NA TV''

Passado mais de um mês do acidente, que resultou na perda da sua perna direita, o apresentador Wagner Montes volta ao programa O Povo na TV em cadeira de rodas, dizendo que continua na sua luta pela defesa dos bons profissionais da polícia e contra os bandidos e traficantes de tóxico. Três mil pessoas foram ao estúdio da TVS ver o seu ídolo, mas, apesar de terem acesso á emissora, foram contidas por 40 homens do 4° Batalhão da Polícia Militar, de São Cristóvão.

Segundo um dos produtores do programa, a festa era para ser realizada no Maracanãzinho, para que as milhares de pessoas pudessem ver de perto o apresentador, mas por problemas técnicos a emissora foi obrigada a adiar a iniciativa.

De manhã, já era grande o número de pessoas que se amontoavam no pátio da emissora, onde foi colocado um televisor para os telespectadores. No início do programa foram apresentados 10 profissionais que trataram do apresentador durante o mês em que ele esteve internado. O diretor Wilton Franco fez um agradecimento especial aos médicos e ao tratamento dispensados nos Hospitais Miguel Couto e Souza Aguiar.

Às 14h30m Wagner Montes entrou nos estúdios de cadeira de rodas, empurrada por seu pai, Cid Montes, tendo em sua mão um chicote, símbolo de sua campanha contra os marginais. Logo foi ao encontro de Wilton Franco. Abraçados, choraram durante algum tempo. Wagner disse que "no começo da carreira achava que estava com asas muito grandes e já podia voar, mas depois viu que, sozinho, não tinha um terço da força que o diretor do programa tem". "Depois - concluiu -foi nascendo um amor de filho para pai."

A festa, compareceram o Prefeito de Niterói, Wellington Moreira Franco, a ex-Deputada Sandra Cavalcanti, o banqueiro de bicho Castor de Andrade e o ex-Deputado Tenório Cavalcanti. Castor de Andrade disse que não poderia deixar de cumprimentar os amigos. Sua amizade com o apresentador - contou o banqueiro - começou há sete anos. Encontraram-se muito no futebol e no samba.

Muito emocionado, Wagner Montes contou que o empresário Sílvio Santos trouxe da Alemanha o especialista. Hanz Weiser, que lhe fez uma perna mecânica provisória. Daqui a três meses, terá uma perna definitiva. Disse que agora está mais confiante em Deus e que o "importante é viver e para viver preciso do cérebro". ''Enquanto não amputarem meu cérebro, meu coração e a minha língua, continuarei gritando pelo povo no programa" - acrescentou.

Aos 26 anos, criado em Copacabana, Wagner Montes é constantemente ameaçado pelos traficantes. "No programa" - conta - eu denuncio traficantes de tóxicos, dou o endereço pelo ar, estouro bocas de fumo com a equipe da externa, o que provoca uma reação dos grupos ligados ao tóxico". Recebendo um salário mensal de Cr$ 650 mil, dono de uma agência publicitária, a WM Propaganda, Wagner Montes disse que é obrigado a viver constantemente com guarda-costas. "Uma vez o meu carro foi crivado de balas''.

Segundo o apresentador, sua infância foi muito tranqüila. Como primeiro presente, ganhou um revólver estrangeiro e um distintivo de policial. Aos 17 anos resolveu lutar judô e caratê para caçar os ratos de praia. Sua paixão pela vida policial intensificou-se quando foi repórter de policia na Rádio Tupi.

Na opinião da cunhada Kirki Montes, Wagner é um ótimo filho, carinhoso, brincalhão e sensível, não tendo muito a ver com a imagem com que se apresenta diariamente na TV. "Ele é obrigado a andar com guarda-costas, mas é muito teimoso e vive saindo sozinho, indo à praia apenas com seu revólver calibre 38."

Kirki Montes conta que ele reagiu muito bem quando esteve internado e que os mais preocupados eram os familiares. Kirki saiu do programa carregada de cartas a serem respondidas. "Ele lê apenas o nome e manda uma foto e um cartão" - conta a cunhada e confidente. A maioria das cartas vem da Zona Sul.

Às 17h, atendendo a pedido da multidão que o esperava, o apresentador deu uma rápida passagem pelo pátio da emissora. A multidão gritava seu nome. Jovens de 15 a 18 anos choravam, e muitos, exibindo seu retrato, diziam: "Eu te amo". Já as pessoas idosas reclamavam do forte calor e dos constantes apertos, mas se diziam felizes em ver "o meu filho".

Terminada a festa, Wagner Montes, cansado, foi para casa, enquanto as 3 mil pessoas iam se dispersando pela Rua General Padilha, fechada para o tráfego.

Ex-amigo de Maciel Mariscott - que o chamava de "Padrinho" - defensor de uma ação mais repressiva dos policiais no combate à marginalidade, Wagner Montes se considera um novo homem. Segundo seu amigo Marco Antônio, a sua personalidade se resume nesta sua frase: "Mais vale 100 bandidos mortos do que um policial ferido no pé."

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