Sunday, February 1, 2015

Wagner Montes no 190 Urgente

O Globo
Data de Publicação: 28/9/1997

POUCO SANGUE, MAS MUITA POLÊMICA

Vou deixar de ser o chicote do povo para ser a voz do povo". Assim Wagner Montes adianta como quer ficar conhecido no comando do programa "190 urgente", da CNT. Ele assume amanhã, às 17h40m, o lugar antes ocupado por Carlos Massa, o Ratinho, que estreou sua sanguinolenta atração na Rede Record segunda-feira.

O "190" foi reformulado para que Wagner comandasse o jornalístico. Ganhou novo cenário e dois quadros novos, um sobre pessoas desaparecidas e outro de defesa do consumidor. As reportagens policiais continuam sendo o carro-chefe do programa.

- Mas vamos cobrar um retorno das autoridades. Vai ser como nos jornais impressos. Não vamos fazer a matéria num dia e no outro nem falar mais sobre o tal assunto. Teremos um resumo da reportagem da véspera e diremos o que aconteceu depois que ela foi ao ar, se alguém tomou alguma providência... Na defesa do consumidor faremos questão de ouvir os dois lados - diz Maurício Cavalcante, idealizador e diretor do "190".

Para Wagner Montes, o quadro de defesa do consumidor vai além das câmeras.

- Vamos resolver os problemas de todos que entrarem em contato com a produção, não só daqueles que irão ao ar - afirma o apresentador. - Deixei o lado vulgar para trás e subi na vida. Aprendi que jornalismo não se faz com agressividade. Aos sábados vamos apresentar até uma agenda cultural. Esta vai ser uma versão light do "190".

Para Maurício Cavalcante, apesar do formato, a principal mudança está no próprio Wagner Montes:

- Ele é mais ponderado que o Ratinho, que é explosivo. Além disso, teria embasamento cultural para fazer críticas.

- Ele é limitado, eu não - alfineta Montes, que em 79 já apresentava o programa policial "O povo na TV" (na época era protegido por seguranças e tinha medo de levar um tiro na rua).

O jornalista garante que não vai abrir mão do estilo polêmico que o popularizou. No ano passado, quando fazia parte da equipe do "Aqui agora", do SBT, o programa foi reformulado para apostar num jornalismo mais discreto e o então editor-chefe, Paulo Patarra, declarou que seria difícil conter o ímpeto de repórteres como Montes. Apesar de ser conhecido pelas boas doses de sensacionalismo, o apresentador diz que não vai "pegar pesado":

- Não quero que se mostre mais defunto em close. Se tiver que mostrar, que seja coberto. É o mínimo de respeito que temos que ter - finaliza. 

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