Saturday, December 20, 2014

1982 - Quebra-quebra por causa do Chacrinha

Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 3/2/1982

PRODUTOR NEGA RESPONSABILIDADE

''Quem deve explicações ao público é o empresário João Cambur. Foi ele quem contratou o show, disse que pagaria e não pagou. Esse cara deveria ser preso", afirmou ontem Dinaldo Diniz, produtor de shows do apresentador de TV Abelardo Barbosa, o Chacrinha, a respeito dos incidentes de sábado em Avaré, que resultaram na depredação do Ginásio de Esportes Municipal. Chacrinha deveria realizar ali a sua "discoteca", mas depois de algumas horas na cidade resolveu voltar para São Paulo sem apresentar o espetáculo, ó que provocou a reação das 1.500 pessoas que o aguardavam.

Segundo o radialista Carlos José, que divulgou o show pela rádio Avaré e quase foi linchado pela multidão, o produtor Dinaldo Diniz foi até o ginásio um pouco antes da hora marcada para a "discoteca" e arrecadou o dinheiro que existia - Cr$ 191 mil. Ontem, entretanto, Diniz respondeu: "Ele que prove que eu peguei essa quantia. Eu recebi apenas Cr$ 130 mil e assinei um vale nesse valor, com a presença de testemunhas. Aliás, com a rádio nós não tínhamos compromisso nenhum." O contrato, ressaltou Diniz, era com o empresário paulista João Cambur, com quem a produção do Chacrinha já realizara dois shows anteriores.

"Esse empresário nos devia Cr$ 151 mil, do último show que realizamos com ele, em Caieiras. E garantiu que saldaria a divida em Avaré, quando também pagaria o show programado na cidade, de Cr$ 250 mil. As 20 horas fui para o ginásio preparar o show, que seria ás 21 horas. Procurei saber como estava o comparecimento de público - porque tinha chovido e ele cobrou Cr$ 300 o ingresso único - e ele me disse que tinha vendido Cr$ 130 mil. Então perguntei se ele possuía talão de cheques e como a resposta foi negativa eu quis saber como ele iria nos pagar. Ele disse que seria com a renda de bilheteria", disse Diniz.

Nesse instante, segundo Dinaldo Diniz, o empresário lhe entregou os Cr$ 130 mil, "que nem pagam o show anterior". Chacrinha então adiou por uma hora o inicio do espetáculo, aguardando a venda de ingressos na bilheteria. "Esperamos, mas o dinheiro não foi arrecadado. O que nós tínhamos a fazer? Eu queria saber quem trabalha de graça. Se fosse um show beneficente, como costumamos fazer, tudo bem. Mas beneficente para eles?"

Ainda segundo o produtor, "a primeira falha deles" ocorreu logo pela manhã, quando não apareceu o conjunto," previsto no contrato", para os ensaios. Além disso, ele garante que a dívida de João Cambur é maior do que se supõe, pois há despesas de transporte, no valor de Cr$ 45 mil. Um dinheiro que Chacrinha e sua produção não têm esperanças de receber: "Ele não tem condições de pagar, isso já está provado. Tivemos um prejuízo."

Segundo Paulo Roberto Nunes Tinoco, produtor-executivo de Chacrinha em São Paulo, "essa é a primeira vez que isso acontece" e o apresentador "jamais iria até Avaré para não fazer o show". Sobre as declarações dos divulgadores na cidade ( acusando Chacrinha de "extremismo e falta de responsabilidade"), ele acredita que são apenas para "justificar o próprio erro".

De qualquer forma, estranha-se que o Velho Guerreiro tenha concordado em realizar um terceiro show com Cambur, se já existia uma divida anterior. Mas Dinaldo Diniz tem uma explicação simples: "Nós sempre pedimos um adiantamento e para ele não pedimos. Nós confiamos. Foi esse o nosso erro." Quanto a Chacrinha, não foi possível localizá-lo ontem, no Rio ou em São Paulo. Diniz disse apenas que ele estava "descansando", depois da gravação de um programa.

No comments:

Post a Comment

Followers