Saturday, December 20, 2014

1980 - A Defesa de Chacrinha

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Data de Publicação: 24/10/1980
 [carta]
CHACRINHA SE DEFENDE

Não estamos querendo defender interesses pessoais. Apenas temos também o direito de opinar, criticar e aplaudir, já que somos profissionais. Fazemos parte da Produção do Chacrinha - portanto, é um direito que nos assiste defender o nosso trabalho e, particularmente - sem patronalismos - o apresentador e animador de TV Abelardo Chacrinha Barbosa, figura principal dos programas que produzimos, Buzina do Chacrinha e Discoteca do Chacrinha.

Em primeiro lugar, vamos responder a carta de um leitor que disse que "Chacrinha ultimamente tem dado cada furo que ninguém está gostando". O reclamante referia-se ao concurso que elegeu uma chacrete para o elenco chacriniano. A vencedora deste concurso foi contratada - uma moça muito bonita, por sinal. Só não continuou fazendo parte do nosso elenco de bailarinas porque a mesma não pegou a coreografia, apesar de termos feito todos os esforços, pagando inclusive aulas de dança para ela. Mesmo assim, não deu certo, pois ela só sabe sambar, e em nossos programas a moça tem que ser eclética.

Na mesma carta o leitor se referiu aos alunos de vários colégios de São Paulo que lotam o auditório dos nossos programas, dizendo que "eles vão lá para fazer bagunça". Peia primeira vez na história da TV, alunos dos colégios mais sofisticados e importantes do País fazem parte do nosso auditório e se misturam ao povão, fato que deixou o Velho Guerreiro muito contente, chegando até a comentar com a produção: "as reações humanas são iguais em todas as camadas sociais".

A segunda carta foi de uma falta de imaginação e ausência de observação fantásticas. O leitor protestou contra os programas do Chacrinha, começando a carta assim: "o Velho Guerreiro - não sei se já está ficando gagá - simplesmente apresentou o conjunto The Fever's sem o seu crooner. E o mais gozado é que na música ouvida pelo telespectador em casa, havia crooner - só que ele não estava no palco".

O leitor caiu em contradição quando disse que havia crooner, só que ele não estava no palco. Não dá para entender.

Para que o leitor fique informado, vai aí uma dica: o crooner do conjunto The Fever's não é mais o Almir, e sim o Michael Sullivan.

Também fala tanto na carta que "o playback sempre existiu e sempre existirá, mas está tirando o emprego do artista brasileiro, pois dispensa orquestra".

Este leitor de UH e telespectador dos nossos programas deve observar mais para poder analisar. Playback, meu caro amigo, é usado em todos os programas de TV do mundo. Por outro lado, poucos têm o previlégio de ter uma orquestra, e os nossos programas têm, fazendo parte dela 13 músicos.

Quando este mesmo leitor usa o termo gagá, a nossa resposta é a seguinte: "quem dera você chegar aos 63 anos de idade (se já não chegou) e ter a lucidez de Abelardo Chacrinha Barbosa, que não é um autômato, e sim um homem responsável, que completou, recentemente, 40 anos de comunicação. - [ass.] - Emília Pires, Produção do Chacrinha.

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