Tuesday, September 9, 2014

1991 - Jece Valadão em O Dono do Mundo

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 18/5/1991
Autor: Paulo Gramado
O MACHÃO AGORA TEM BOM CARÁTER
Jece Valadão em 'O dono do mundo'

Jece Valadão virou bonzinho em sua volta à TV, após um afastamento de sete anos. Agora, integrando o elenco da próxima novela das 20h30m, "O dono do mundo", ele faz o papel do "bom homem" Tabajara - o que contraria a regra de sempre interpretar personagens sem nenhum caráter. O fato de fazer constantemente papéis de vilão acabou lhe rendendo títulos como cafajeste e machão.

- Desta vez faço um personagem bonzinho. Estava com muitas saudades da televisão. Este esquema de gravação, ensaios e externas me atrai bastante - conta Jece.

Em "O dono do mundo", Jece Valadão é o pai de Valter (Tadeu Aguiar), um respeitável profissional da área de informática que está de casamento marcado com Márcia (Malu Mader). O ator conta que Tabajara tem o maior orgulho do filho, louvando o fato de este ter conseguido encontrar uma mulher virgem para se casar. Mal sabe ele que o rapaz será traído pela mulher em plena lua de mel. Apesar de contente com o retorno à televisão, Jece se diz muito chateado com a morte prematura do personagem, que vai ser assassinado no 30. capítulo da história:

- Tabajara foi prejudicado com as mudanças promovidas pela direção da novela. O personagem perdeu toda a razão de existir, porque seu elemento de conflito, uma namorada negra, foi tirado da novela antes mesmo seu início. Acredito que o Gilberto Braga tem talento suficiente e vai saber contornar esta situação, que tirou a força do personagem.

A última participação do ator em novelas foi em "Transas e caretas", de Cassiano Gabus Mendes, em 1984, na qual fez o papel de Marcos. Durante o período em que ficou afastado da TV, além de algumas peças teatrais, Jece Valadão dedicou-se fervorosamente ao projeto "Ticket cultural", lançado há quatro anos em São Paulo. Criado em cima da Lei Sarney, o projeto era operado da seguinte forma: empresários compravam os tíquetes a preços baixos, ganhavam com incentivos fiscais e os repassavam, a preços acessíveis, para os funcionários:

- Era igual ao tíquete alimentação. Só que, ao invés de alimentar o estômago, alimentava o espírito. Com o Plano Collor e o fim da Lei Sarney, o projeto foi inviabilizado e está muito devagar.

No comments:

Post a Comment

Followers