Tuesday, September 30, 2014

1988 - Dóris Giesse apresenta o Jornal de Vanguarda

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 11/5/1988
Autora: Cora Rónai
NOVIDADES NO AR, APESAR DO NOME
Modelo, atriz, bailarina, Dóris Giesse é a grande revelação do Jornal de Vanguarda, onde se revela uma apresentadora segura e competente

Atenção, assistentes inertes - é com vocês! Vamos fazer uma experiência e mudar de canal? Todos juntos, girando o botão - isso! - uma, duas, três casas para a direita, ótimo!, assim mesmo, consertem a antena - estão vendo agora? Bom. Esse canal é a Bandeirantes, e é aí que vocês devem aportar todas as noites, às 23h30rnin, se estiverem a fim de se divertir e de fazer a cabeça.

Esqueçam as notícias enlatadas do Jornal da Globo e arrisquem as opiniões do Jornal de Vanguarda: vale a pena. Apesar do nome no mínimo paradoxal (como é que um jornal pode ser de vanguarda se é o clone de outro, lançado com o mesmo nome há vinte e tantos anos?), a idéia é boa, está bem executada e, de um modo geral, não só a turma tem o que dizer como diz bem. De cara, vocês vão encontrar a presença surpreendente de Dóris Giesse - lindíssima, absolutamente segura e muito simpática, com tudo para se tornar em pouco tempo a melhor das apresentadoras da telinha. Um espanto, e uma bela dor de cabeça para o pessoal do 7: já já a Globo está aliciando a moça.

Outro espanto é descobrir, de repente, que coisa mais antiga é ser "moderno". Explico: o Jornal de Vanguarda é dividido em quadros, onde cada um faz mais ou menos o que quer (e o que sabe). Chico Caruso desenha, Marcos Terena dá o recado indígena, Fernando Moraes conta histórias de gente, Glória Alvares vem com novidades estranhissimas. Dóris Giesse faz a ligação entre esses quadros todos, ou complementando a informação, ou apresentando o personagem. E aqui é que se chega à tal da "modernidade", assim mesmo, entre aspas: cada vez que Dóris apresenta um gênio, a gente pode se preparar para o pior. Wally Salomão, tão contemporâneo, tão avançado, está um desastre; Fernando Gabeira, "um jornalista que já nasceu genial" (sic), resumiu sua apresentação a um playback dos Titãs e ao feito extraordinário de descascar e comer uma banana frente às câmaras, coisa que o Tião, chimpanzé ali do zoológico, faz todo dia sem qualquer badalação - e por um cachê muito menor.

Bom mesmo é jornalista competente, categoria que o Jornal de Vanguarda, felizmente, tem de sobra: Washington Novaes, José Augusto Ribeiro, Joyce Pascowitch, Newton Carlos. Augusto Nunes, que entrou logo depois de Gabeira, acentuou o contraste entre as espécies falando direto da redação do Estadão, de gravata e tudo. Não comeu nem uma uva pour épater les bourgeois, mas deu um recado simples e direto. Fausto Wolff, sem qualquer oba-oba (aliás, sem qualquer crédito gravado na imagem -a gente só sabe que era ele porque era ele) fez um comentário claro, objetivo e inteligente sobre a vitória de Mitterrand. É. Profissional é outra coisa!

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