Monday, June 23, 2014

Mudanças no Fantástico - Vai Acabar?

Amiga TV
Data de Publicação: 12/2/1975
Autor: Pedro Porfírio
O SHOW NÃO PODE PARAR. É FANTÁSTICO
A decisão de fazer mudanças provocou boatos de que o programa ia acabar

De repente um boato tomou conta dos corredores da TV Globo: Fantástico, um dos mais importantes programas da televisão brasileira vai acabar. Mas a boato não será confirmado: o show da vida vai continuar e promete melhorar com uma série de modificações que já estão sendo estudadas pela equipe do programa. Aqui você vai saber como será o novo Fantástico.

''Nunca se falou em parar o Fantástico. O que se cogita é de mudá-lo um pouco, pois nenhum programa pode permanecer muito tempo na televisão sem renovar-se. As primeiras mudanças ocorrerão já depois do carnaval. O programa terá novas atrações, com uma maior participação da música popular brasileira. Só a partir de agosto, quando completar dois anos, ele sofrerá mudanças substanciais."

José Itamar de Freitas não pára. Como toda a equipe do Fantástico, ele não tem nem mesmo folga semanal. O programa, responsável por uma elevação no nível da televisão brasileira, tem a mão-de-obra de um especial semestral. ''São duas horas de atrações baseadas essencialmente em material jornalístico, embora o Fantástico seja em essência uma colagem do cotidiano, o que implica uma espécie de síntese da própria programação da Globo.''

A notícia de que o Fantástico estaria para acabar, apesar de ter sido considerado um dos melhores programas de 1974 e da elevação do índice de audiência em janeiro - chegou a 70 em Belo Horizonte - correu nos corredores da Globo a partir de uma reunião em que a própria equipe fez uma crítica bastante aprofundada do programa. "Nós sabemos que há deficiências a serem corrigidas agora, mas estamos conscientes de que, no geral, conseguimos um programa eclético que satisfaz a todas as classes - embora nem todos os espectadores o vejam do começo ao fim".

Para o editor do Fantástico há uma espécie de divisão do programa em função dos grupos de audiência. A primeira parte, por exemplo, é vista por cerca de 800 mil crianças do Rio e São Paulo. Mas esse público não vê além da primeira parte, sendo substituído por outro, que se interessa menos pelos assuntos iniciais.

A palavra oficial da Globo, através de sua Assessoria de Comunicação, é de que em nenhum momento o programa foi questionado em nível de extinção. Pelo contrário, a tendência será reforçá-lo inclusive com pessoal novo a partir de março. A saída de Manoel Carlos, por exemplo, não tem nenhuma repercussão no ritmo de trabalho, uma vez que Maurício Shermann, também diretor, permanece à frente da equipe.

Mesmo com as anunciadas reformulações de pós-carnaval, a equipe considera que cometeria um grande erro ao acomodar-se. Por sua natureza, o Fantástico projeta e esgota fórmulas e atrações com maior rapidez, exigindo um senso crítico e de avaliação muito apurado de parte do seu pessoal.

Essa constatação, que leva a equipe a um esquema de permanentes reuniões de criação é considerada essencial por Alfredo Souto de Almeida, professor de televisão da PUC. Em sua opinião, o índice de renovação do Fantástico deve ser maior na medida em que hoje ele já não dispõe dos elementos de impacto de suas primeiras edições. "Embora seja um dos programas mais respeitáveis da televisão brasileira, responsável por uma nova mentalidade em show, o Fantástico pode e deve melhorar ainda, principalmente do ponto de vista técnico, em relação ao tempo que dispensa a cada um dos seus assuntos. Por estar em mãos de uma equipe sumamente competente, estou convencido de que os problemas constatados já foram localizados e serão resolvidos naturalmente. O que é importante destacar - como tenho feito para os meus alunos, é que o Fantástico significou - e significa - um marco na programação de televisão no Brasil''.

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