Monday, June 23, 2014

Capítulos Finais de O Rebu

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Data de Publicação: 18/3/1975
Autor: Mister Eco
O REBU DOS POBRES
Está em seus capítulos finais - já gravados - a novela O Rebu. Durante meses, o espectador assistiu a um festival de flash-backs e de outros recursos técnicos, que, com a pretensão de se desenvolver um tema em três tempos, nada mais resultou que procurar encobrir-se a mediocridade desse tema.

Durante uma reunião, digamos, social, o cadáver de um convidado apareceu boiando na piscina. Dizem que a história foi inspirada em fato ocorrido aqui mesmo no Rio, naturalmente sem as situações criadas na novela. Um crime. Quem é o assassino? O autor entrou então no comportamento particular de cada conviva, retornando a vida pregressa, mostrando-o como vive atualmente e, algumas, vezes, prevendo o seu futuro. Conclui-se, assim, que a reunião não era propriamente social mas de mazelas sociais. Daí o desfilar de homossexualismo, de interesses inconfessáveis e de ladrões confessos, de rameiras de luxo. Suprimindo-se o aparato técnico, sobra de O Rebu apenas um crime que, propositadamente, se complica a sua solução, para que sejam justificadas as dezenas de capítulos que o espectador viciado em novelas tem que engolir.

Devo convir, em favor de O Rebu, que certos crimes se perdem em duas ou três linhas do noticiário policial, enquanto outros, inexplicavelmente, ganham foros de grandes acontecimentos. Agora mesmo, estamos assistindo a uma novela real vivida por uma moça de cabelos lambidos e lábios grossos, cuja participação em um ou dois assassinatos se tornou o assunto de todas as rodas. A moça, que já apareceu até em capas de revistas e que não se duvide venha a tomar-se estrela de cinema, teria matado dois dos seus namorados. O crime - ou os crimes - promete repetir a notoriedade e a eterna dúvida do crime do Sacopã, com depoimentos controvertidos, testemunhas que surgem. extemporaneamente e advogados que se mimoseiam mutuamente em entrevistas à televisão.

A TV Rio, através do seu Departamento de Telejornalismo, tem dado banhos de informações e de furos sobre os crimes. A Globo, por sua vez, não fica muito atrás. O seu Jornal Nacional, de alguns dias para cá, passou a ter como fecho de ouro as novidades que vão surgindo, no apurar das ocorrências. Quem matou Almir? Quem matou Vantuil? E eu pergunto: quantos crimes já foram cometidos nesta capital do Estado do Rio de Janeiro, sobre os quais se colocou um silêncio mais pesado do que o Pão de Açúcar ou não mereceram tantas especulações? Lembram-se do outro Almir, o jogador de futebol?

O fenômeno, eu sei, desafia explicações. Mas devo convir também, agora desfavor de O Rebu de Bráulio Pedroso, que o rebu de Maria de Lourdes, a Lou dos seus infortunados noivos - vá lá que o tenham sido - se apresenta muito mais interessante e muito mais dinâmico.

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