Monday, June 23, 2014

Sérgio Jockyman Escreve Novela

Amiga TV
Data de Publicação: 16/4/1975
Autor: Rogaciano Freitas
AGORA VAMOS RIR DOS PETRODÓLARES


Um sheik movimenta Ipanema para fazer a nova novela da Tupi

O apartamento 101, do edifício nº 8, na Praça Belfort Vieira, em Ipanema, foi transformado em camarim, guarda-roupa e sala de maquilagem, enquanto as ruas e praias daquele bairro da Zona Sul carioca são tomadas pelos caminhões de externas da Rede Tupi de Televisão, Canal 4 São Paulo. Isso acontece às segundas, terças e quartas, semana sim outra não, para gravações externas da novela O Sheik de Ipanema, que estréia dia 16 de abril. Sérgio Jockyman, o autor, pretende criar nesta novela o mesmo espírito alegre e descontraído de O Machão, também de sua autoria. "A intenção de uma novela desse tipo é satirizar. Fazer rir um pouco desta caçada internacional aos petrodólares. Será uma espécie de fábula sobre a cobiça humana. A história se inicia com um empresário falido que, querendo tirar dinheiro de um bicheiro (também em vias de falir com a oficialização da zooteca), usa sua noiva como atriz. Como a moça, Jajá (Teresa Sodré) não tinha talento, coloca-a para fazer strip-tease. O bicheiro manda seu capanga, Bigorna (Carlos Koppa) assistir à estréia e, quando este o avisa que a noiva está nua no palco, Rocão, o bicheiro (Laerte Morrone), invade o teatro e resolve acabar com o empresário, Dino (John Herbert) e com o ator principal, Sheik (Luís Gustavo). Sheik e Jajá fogem para a residência de um milionário falido, Zezinho (Cazarré), que, por coincidência, espera a visita de

um sheik de verdade. Zezinho, míope, confundo um pelo outro. Começam, então, as confusões que, durante a novela, vão envolver os personagens, todos interessados nos petrodólares do suposto sheik. Surgem dois grupos em busca dos milagrosos petrodólares. Um liderado por Dodô (Nílton Prado) e outro, por Bóbi (Geraldo dei Rei), um ex-galã. Todos se dão mal quando chega o sheik verdadeiro. A preocupação portanto, é satirizar os espertalhões sem intenções ocultas."

Luís Gustavo acha maravilhoso vir gravar no Rio. ''Já gravei aqui na época do Beto Rockfeller. Além disso, Sheik é um personagem muito interessante. Estou gratificado duas vezes. Pelo papel que recebi e pelas sucessivas viagens que faremos entre Rio e São Paulo.''

Teresa Sodré acha Jajá ou Jandira, uma costureira da Zona Norte, "um barato". Tanto Rocão (Laerte Morrone), o noivo bicheiro, insiste, que ela acaba tentando a vida artística. É um personagem delicioso de interpretar''.

Luís Galon, que dirigiu O Machão, também está dirigindo O Sheik de Ipanema. "Uma novela engraçada, cheia de conflitos e situações, gostosa de dirigir, com uma equipe técnica sempre atenta e um elenco mais de amigos do que colegas. No duro, somos urna família."

O Final de O Rebu

Última Hora
Data de Publicação: 8/4/1975
Autor: Mister Eco
O JOIO E O TRIGO
Tirante os filmes, que de anos para cá se tornaram o forte da programação da TV Rio, alguns dos quais já se tornaram irritantes de tão repetidos em curtos prazos, a programação do Canal Treze vai aos poucos expandindo-se em outras realizações, tais como as que integram a sua faixa chamada "Sem Barreira". O futebol, paixão das massas, e outros esportes, também vêm merecendo a melhor e a maior atenção entre todas as nossas emissoras. Há projetos em curso, inclusive o já anunciado lançamento de um programa comandado por Carlos Magalhães, nome do qual - a ignorância deve ser minha - jamais ouvi falar.

O Sistema Brasileiro de Comunicação, entretanto, foi fundado com base na notícia e na informação, ou seja, no telejornalismo. O seu departamento especializado, sob o comando vibrante e dinâmico de Jean Pouchard - os termos são esses mesmos, sem qualquer exagero, considerando-se não somente a tradição do colega jornalista, mas, e principalmente, os obstáculos e as precariedades contra as quais luta e supera - aquele departamento, dizia eu, está funcionando. E muito bem dentro de suas possibilidades - sempre é bom frisar-se esse aspecto ainda de carência de recursos por que passa a emissora.

Integrado por uma boa equipe de profissionais, o departamento dirigido por Jean Pouchard é, sem dúvida, o ponto maior da programação da TV

Rio e uma promessa alentadora do muito que ainda poderá realizar, quando as condições lhe forem mais favoráveis. E de todos os seus cometimentos - Jornal da Tarde, Agora e Repórter Espetacular - também sem dúvida o Jornal Maior é o grande destaque.

Com a locução correta, sóbria e precisa de Carlos Bianchini, Ronaldo Rosas e Anita Taranto, que se evidencia inclusive na própria imagem física sem intuitos glamurizantes, Jornal Maior vem-se impondo como um dos nossos melhores noticiosos, se não o melhor. E explico. Carências à parte, notadamente de um maior número de elementos visuais, de notícias estrangeiras realmente importantes, Jornal Maior prepondera pela qualidade do texto. Ele é redigido especificamente para a televisão. Como tal, não se perde tempo com blablabás inúteis, não se gastam palavras supérfluas. Penteia-se. Enxugam-se caprichadamente as notícias e as informações. O seu setor de reportagem, por exemplo, nesse rebu dos pobres que envolve estranhíssimos personagens dos motéis da Barra da Tijuca, tem dado verdadeiros banhos de jornalismo desapaixonado. Essa agilidade do Jornal Maior é que lhe confere, no meu fraco entender, as galas de um bom noticioso e de um bom informativo. Afinal, qualquer jornal, impresso, falado ou televisado, não pode e não deve ser ele todo feito, ponta a ponta, de editoriais.

Mudanças no Fantástico - Vai Acabar?

Amiga TV
Data de Publicação: 12/2/1975
Autor: Pedro Porfírio
O SHOW NÃO PODE PARAR. É FANTÁSTICO
A decisão de fazer mudanças provocou boatos de que o programa ia acabar

De repente um boato tomou conta dos corredores da TV Globo: Fantástico, um dos mais importantes programas da televisão brasileira vai acabar. Mas a boato não será confirmado: o show da vida vai continuar e promete melhorar com uma série de modificações que já estão sendo estudadas pela equipe do programa. Aqui você vai saber como será o novo Fantástico.

''Nunca se falou em parar o Fantástico. O que se cogita é de mudá-lo um pouco, pois nenhum programa pode permanecer muito tempo na televisão sem renovar-se. As primeiras mudanças ocorrerão já depois do carnaval. O programa terá novas atrações, com uma maior participação da música popular brasileira. Só a partir de agosto, quando completar dois anos, ele sofrerá mudanças substanciais."

José Itamar de Freitas não pára. Como toda a equipe do Fantástico, ele não tem nem mesmo folga semanal. O programa, responsável por uma elevação no nível da televisão brasileira, tem a mão-de-obra de um especial semestral. ''São duas horas de atrações baseadas essencialmente em material jornalístico, embora o Fantástico seja em essência uma colagem do cotidiano, o que implica uma espécie de síntese da própria programação da Globo.''

A notícia de que o Fantástico estaria para acabar, apesar de ter sido considerado um dos melhores programas de 1974 e da elevação do índice de audiência em janeiro - chegou a 70 em Belo Horizonte - correu nos corredores da Globo a partir de uma reunião em que a própria equipe fez uma crítica bastante aprofundada do programa. "Nós sabemos que há deficiências a serem corrigidas agora, mas estamos conscientes de que, no geral, conseguimos um programa eclético que satisfaz a todas as classes - embora nem todos os espectadores o vejam do começo ao fim".

Para o editor do Fantástico há uma espécie de divisão do programa em função dos grupos de audiência. A primeira parte, por exemplo, é vista por cerca de 800 mil crianças do Rio e São Paulo. Mas esse público não vê além da primeira parte, sendo substituído por outro, que se interessa menos pelos assuntos iniciais.

A palavra oficial da Globo, através de sua Assessoria de Comunicação, é de que em nenhum momento o programa foi questionado em nível de extinção. Pelo contrário, a tendência será reforçá-lo inclusive com pessoal novo a partir de março. A saída de Manoel Carlos, por exemplo, não tem nenhuma repercussão no ritmo de trabalho, uma vez que Maurício Shermann, também diretor, permanece à frente da equipe.

Mesmo com as anunciadas reformulações de pós-carnaval, a equipe considera que cometeria um grande erro ao acomodar-se. Por sua natureza, o Fantástico projeta e esgota fórmulas e atrações com maior rapidez, exigindo um senso crítico e de avaliação muito apurado de parte do seu pessoal.

Essa constatação, que leva a equipe a um esquema de permanentes reuniões de criação é considerada essencial por Alfredo Souto de Almeida, professor de televisão da PUC. Em sua opinião, o índice de renovação do Fantástico deve ser maior na medida em que hoje ele já não dispõe dos elementos de impacto de suas primeiras edições. "Embora seja um dos programas mais respeitáveis da televisão brasileira, responsável por uma nova mentalidade em show, o Fantástico pode e deve melhorar ainda, principalmente do ponto de vista técnico, em relação ao tempo que dispensa a cada um dos seus assuntos. Por estar em mãos de uma equipe sumamente competente, estou convencido de que os problemas constatados já foram localizados e serão resolvidos naturalmente. O que é importante destacar - como tenho feito para os meus alunos, é que o Fantástico significou - e significa - um marco na programação de televisão no Brasil''.

Capítulos Finais de O Rebu

 Última Hora
Data de Publicação: 18/3/1975
Autor: Mister Eco
O REBU DOS POBRES
Está em seus capítulos finais - já gravados - a novela O Rebu. Durante meses, o espectador assistiu a um festival de flash-backs e de outros recursos técnicos, que, com a pretensão de se desenvolver um tema em três tempos, nada mais resultou que procurar encobrir-se a mediocridade desse tema.

Durante uma reunião, digamos, social, o cadáver de um convidado apareceu boiando na piscina. Dizem que a história foi inspirada em fato ocorrido aqui mesmo no Rio, naturalmente sem as situações criadas na novela. Um crime. Quem é o assassino? O autor entrou então no comportamento particular de cada conviva, retornando a vida pregressa, mostrando-o como vive atualmente e, algumas, vezes, prevendo o seu futuro. Conclui-se, assim, que a reunião não era propriamente social mas de mazelas sociais. Daí o desfilar de homossexualismo, de interesses inconfessáveis e de ladrões confessos, de rameiras de luxo. Suprimindo-se o aparato técnico, sobra de O Rebu apenas um crime que, propositadamente, se complica a sua solução, para que sejam justificadas as dezenas de capítulos que o espectador viciado em novelas tem que engolir.

Devo convir, em favor de O Rebu, que certos crimes se perdem em duas ou três linhas do noticiário policial, enquanto outros, inexplicavelmente, ganham foros de grandes acontecimentos. Agora mesmo, estamos assistindo a uma novela real vivida por uma moça de cabelos lambidos e lábios grossos, cuja participação em um ou dois assassinatos se tornou o assunto de todas as rodas. A moça, que já apareceu até em capas de revistas e que não se duvide venha a tomar-se estrela de cinema, teria matado dois dos seus namorados. O crime - ou os crimes - promete repetir a notoriedade e a eterna dúvida do crime do Sacopã, com depoimentos controvertidos, testemunhas que surgem. extemporaneamente e advogados que se mimoseiam mutuamente em entrevistas à televisão.

A TV Rio, através do seu Departamento de Telejornalismo, tem dado banhos de informações e de furos sobre os crimes. A Globo, por sua vez, não fica muito atrás. O seu Jornal Nacional, de alguns dias para cá, passou a ter como fecho de ouro as novidades que vão surgindo, no apurar das ocorrências. Quem matou Almir? Quem matou Vantuil? E eu pergunto: quantos crimes já foram cometidos nesta capital do Estado do Rio de Janeiro, sobre os quais se colocou um silêncio mais pesado do que o Pão de Açúcar ou não mereceram tantas especulações? Lembram-se do outro Almir, o jogador de futebol?

O fenômeno, eu sei, desafia explicações. Mas devo convir também, agora desfavor de O Rebu de Bráulio Pedroso, que o rebu de Maria de Lourdes, a Lou dos seus infortunados noivos - vá lá que o tenham sido - se apresenta muito mais interessante e muito mais dinâmico.

José Lewgoy em O Rebu

Amiga TV
Data de Publicação: 12/2/1975
Autor: Pedro Porfírio
O DESTINO DO ATOR É SER POBRE
Popular no cinema, mas sem muitas chances em novela em seus 25 anos de carreira, José Lewgoy acha que com O Rebu chegou sua melhor oportunidade em TV

''Já falei demais e já arranjei muitos problemas. Hoje, estou mais preocupado é com O Rebu. Se quiser que eu fale do Braga, aí eu falo sem freios. Porque estou gostando muito do meu trabalho nessa novela.'' Ator de muitos prêmios, meia centena de filmes e uma experiência internacional que lhe valeu vários contratos no exterior, José Lewgoy está preocupado neste momento com o barulho de vizinhos rio Tambá, o folclórico edifício carioca entre o Leblon e São Conrado, onde mora sozinho, sem fazer dramas por isso. Ex-diretor do sindicato da classe, ele parece um homem cansado, mas nem por isso amargurado. ''Quando me perguntam se fiquei rico ao cabo de 25 anos de trabalho, inclusive na fase em que se podia viver só de cinema, eu respondo que o destino do ator brasileiro é ser pobre, mesmo porque o ator brasileiro é um eterna desempregado." No papel de Braga, em O Rebu, Lewgoy procura curtir ao máximo O que considera a sua melhor oportunidade em televisão. sabe o que quer." Ele pronuncia suas definições com um ar de jovem que joga todo o seu futuro no trabalho que faz e escamoteia com bastante categoria as frustrações que a TV já lhe proporcionou, deixando de lembrar por exemplo, que, ao ser chamado para uma novela de Glória Magadá, a última da fase lacrimejante da Globo, ela lhe perguntou se ele era ator.

Popularizado no Brasil inteiro como o bandido típico do cinema nacional, procura, desde muito tempo, libertar-se dessa figura. "Sou um ator e acredito que sou versátil." Mas não foi procurando afirmar essa versatilidade que fez papel de travesti em um filme. "Em matéria de cinema, não escolho, porque sou profissional e considero válidas todas as experiências que fiz." Caracterizando-se basicamente como um ator cinematográfico, Lewgoy só foi descoberto pela televisão para integra a equipe do primeiro grande telejornal da Excelsior. Ele tinha voltado de uma boa temporada na Europa, onde fez 6 filmes e encontrou, em 1964, uma outra realidade no Brasil. Nem por isso deixou de acompanhar a evolução da TV brasileira. "O Rebu vem inovando não só na temática, mas também na própria linguagem, o que tem deixado uma parte do público perplexa. Considero a experiência dessa novela um marco na televisão brasileira e acho que não se melhora nada sem se correr risco. A perplexidade se deve apenas ao fato de que o público não estava habituado a esse tipo de narrativa." Independente disso, ele acha que o seu papel tem lhe permitido fazer um bom trabalho. "Não é fácil. A linha do papel é propositadamente discreta. Eu estou tentando fugir dos vícios da TV, vícios determinados pela própria técnica de gravação em três câmaras com ação simultânea. Em termos pessoais, tudo isso compensa: Braga 9 o meu grande sucesso na televisão." Lewgoy insiste em fixar-se neste tipo de preocupação - como fazer melhor seu trabalho. Ele não quer comentar, agora, o que disse em outras épocas sob outras circunstâncias. Aos 54 anos, com um curso superior de Economia e dois anos de estudos na Escola Dramática de Yale, nos Estados Unidos, não parece um homem feliz. Mas também não parece infeliz. Falando pausadamente, não esconde que hoje é calculista, seco e impaciente e não lamenta a solidão. "Ela está em mim por uma opção pessoal e não por acidente. Isso não quer dizer que seja um homem sem amigos." Talvez seja por isso, por seu pragmatismo, que escolhe palavra por palavra ao explicar, mais uma vez, sua posição de coadjuvante numa televisão que teria muito o que aprender com ele. "A TV tem urna grande disponibilidade de atores e a escolha do elenco está sujeita às injunções mais diversas. Talvez, por isso, tenha demorado a grande oportunidade de que precisava. Ou talvez também eu tenha entrado numa faixa de idade em que há menores oportunidades." Mas quando fala de sua própria personalidade, seus olhos brilham e sua calma desaparece: "Criou-se uma espécie de lenda em torno de mim, como se eu fosse um ator difícil e temperamental. Isso não tem nada a ver. Sou apenas um ator profissional sem paciência." Em compensação, ele não se queixa dos percalços numa carreira que, por brilhante, deveria lhe valer uma melhor posição financeira ou, pelo menos, a realização do seu sonho de comprar uma fazendinha no Rio Grande do Sul. "Sou de uma época em que os orçamentos eram baixos e se ganhava relativamente pouco, mesmo que tivesse um grande papel."

Embora tenha encontrado na TV uma boa oportunidade, Lewgoy ainda tem muito o que fazer no cinema. "Esta me parece um ano de boas perspectivas para o cinema brasileiro. A orientação da Embrafilmes leva a esperar que será mantido um bom nível de produção. O filme brasileiro ganhou definitivamente o seu público. Produções como A Estrela Sobe e O Marginal indicam, pelo sucesso que fizeram, um aprimoramento do gosto do espectador brasileiro." Na pauta de Lewgoy, o teatro não entra, pelo menos agora. Mas Isso não representa um preconceito contra o palco. É que a preocupação pela novela e sua paixão natural pelo cinema estão pesando mais. ''Braga - insiste - eu tenho sob controle. É aquele sujeito para quem os fins justificam os meios. Braga tem um propósito e está diante de um jogo: já não é o dinheiro que lhe interessa, mas ganhar o jogo." Assim também, Lewgoy, um dos mais respeitados valores do cinema brasileiro, parece também empenhar-se num outro tipo de jogo que não define, porque talvez não tenha consciência dele em toda a sua profundidade. Mas é um jogo que ele, em compensação, está procurando travar com dignidade - o jogo da sobrevivência de um ator.

Tereza raquel em O Rebu

 Amiga TV
Data de Publicação: 8/1/1975
Autor: Pedro Porfírio
TERESA: UMA PAIXÃO COM O REBU
Com 17 anos de carreira, ela já é até nome de teatro, mas em novelas está estreando, empolgada com seu novo trabalho

Apesar dos seus 17 anos de teatro, com todos os prêmios do Rio e São Paulo, ela é uma iniciante em novela. ''A TV é uma estréia diária e a estréia é o dia mais tenso e mais difícil na vida de um artista teatral". Teresa Raquel, redescoberta pelo cinema em Amante Muito Louca, não tinha qualquer preconceito com novela. "Apenas, nas vezes em que se cogitou da minha contratação, não se chegou a um acordo''.

No papel de Lupe, uma extravagante burguesa, Teresa Raquel não esconde seu deslumbramento pessoal com O Rebu. "O texto de Bráulio Pedroso é de alto nível e chega a ser perfeito, não apenas pelo mistério, que envolve também os atores, mas pelo diálogo, pela seqüência e pelo tempo de cada cena. Eu, que nunca tinha representado Bráulio em teatro, estou apaixonada por esta novela."

Esta paixão para Teresa é nova. Ela mesma nunca viu uma novela até o fim. "O problema é que sempre trabalhei à noite e nunca tive tempo para ligar a televisão. Além disso, há novelas e há novelas. O que se escreve hoje, pelo que sei, não tem nada a ver com o que se escrevia há uns quatro anos. A novela de hoje é uma peça projetada ao nível do grande público, sem as concessões pequenas e as apelações de antes. Isso explica não só a crescente participação de artistas que até então evitavam a TV, mas, sobretudo, de um público de excelente formação cultural, que se interessa pelo desenvolvimento de uma novela inteligente."

O deslumbramento de Teresa, principalmente pelo personagem que interpreta, pode ter mudado sua posição em relação à TV, que ela só procurava quando estava sem trabalho, mas não chega ao ponto de envolvê-la no processo de gravação da novela, em comparação com o ensaio da peça. "Eu não tinha muitas ilusões quanto ao caráter do trabalho, que não permite que aprofundemos, que possamos dar tudo de nós a um personagem. Mas não esperava que o seu ritmo fosse tão intenso, tão escravizante. Isso é uma loucura. Novela, como é feita no Brasil, é um exercício puramente brasileiro. Só um ator brasileiro, com seus recursos inesgotáveis, seu histrionismo incomparável, tem condições de realizar com êxito e com um bom saldo critico um trabalho de interpretação como o que se faz na TV.

Na televisão, o que eu sinto é que todo o peso da novela está em cima do ator. Não há condição para o diretor imprimir ao trabalho interpretativo sua própria visão. Ele fica preso a uma mesa de cortes, mais preocupado com as câmaras do que com o desempenho individual do ator. E o que se poderia chamar de um diretor eletrônico de um espetáculo. O que se poderia chamar de ensaio é apenas o período curto em que o diretor marca a novela, diz onde devemos ficar, por onde devemos entrar. Não há a menor condição de aprofundar esse relacionamento. E isso faz com que o ator procure, ele próprio, posicionar-se diante do personagem e da novela. Nesse ponto, a experiência teatral é decisiva: ninguém pode se lanças na televisão sem passar pela escola do teatro. Quem conseguiu sucesso sem fazer este estágio é porque é gênio mesmo.

Para Teresa Raquel, ''a interpretação em TV é mais à flor da pele. A novela colhe mais o flagrante, o momento. Há que se abrir mais rapidamente, entregar-se mais emocionalmente ao trabalho. Temos informações gerais sobre o personagem e a novela, mas isso é o suficiente apenas para que passemos a trabalhar intuitivamente, participando de um jogo de surpresas que transforma cada capítulo numa nova estréia. Mesmo quando uma cena é repetida, nós não nos repetimos. E essa e, a meu ver a característica básica da interpretação de uma novela - a câmara grava um trabalho de um momento e não o momento de um trabalho''.

Em sua opinião, o cinema é mais fácil na medida em que "para ca da cena há um espaço de elaboração maior, mbora condicionado ao tempo em que se prepara a luz. Além disso, sabemos de todo o filme, o que acontecerá na última cena. Nos posicionamos em relação a todo o contexto e não em relação à parte do contexto, como acontece em novela.

O que estou fazendo não é uma queixa, mesmo porque estou assimilando todo esse trabalho na televisão. O que não pretendo é dar um colorido falso a uma experiência que me ocorre agora, 17 anos depois de optar pela carreira artística. Quanto ao juízo crítico do meu próprio desempenho, acho que não tenho reparos a fazer. Desde o primeiro momento, identifiquei o meu personagem e ele passou a habitar meu interior sem qualquer resistência. Quando o interior da gente está devidamente habitado, a ação corporal, a expressão e os movimentos correm livremente, sem problemas. O que exige que estejamos permanentemente ligados à próxima cena é o caráter de estréia a que já me referi".

Teresa tem procurado assistir à novela para avaliar seu trabalho. "Este é o ponto mais positivo de uma novela. Fora o filme, que já vejo depois que não há mais a fazer, não havia como ver o meu desempenho. Agora, posso sentar numa poltrona e julgar o que fiz, embora consciente de que pouco posso fazer para mudar, considerando os meios e o tempo de que dispomos."

Ela reconhece também que a televisão populariza o artista de teatro, levando-o ao grande público. "E a relação entre o artista de TV e o público é bastante diferente da que o de teatro tem. Já estou recebendo cartas de várias partes do país, o que não ocorria quando fazia só teatro. Em geral, as pessoas se referem a filmes de que eu participei, mas não comentam peças. A carta é uma instituição típica do público de televisão.''

Teresa admite que não escondeu sua condição de principiante em novela, comportando-se como tal. Procurei saber das coisas com o Lima Duarte e o Ziembinski, que me deram muita luz no começo. Eles definiram com muita clareza como fazemos uma novela e me abriram os olhos sobre a sua natureza. O ambiente aqui é maravilhoso. As pessoas procuram espontaneamente apoiar umas às outras, conseguindo, como no teatro, passar muita coisa para a outra, apesar das condições em que gravamos. Para mim, pessoalmente, o fato de não ser a produtora, mas uma colega de trabalho, ao contrário do que acontece no teatro, tem sido um alívio.''

Teresa acha ainda cedo para pensar o que fazer depois do Rebu. "A única coisa que sei é que, enquanto estiver fazendo esta novela, não posso nem pensar em ensaiar uma peça. Primeiro porque não é aconselhável; depois porque estou gostando muito dessa loucura."

O Rebu, Novela de Vanguarda

 Amiga TV
Data de Publicação: 18/12/1974
Autora: Luzia Elisa de Sales
BRÁULIO: PLANOS PARA RENOVAR

Autor de Beto Rockfeller, O Cafona e vários Casos Especiais, Bráulio Pedroso é considerado um grande inovador de textos para televisão. Agora, com O Rebu, ele aparece novamente reformulando, mostrando "a realidade do ser humano em três planos": o real, o subjetivo e o flashback. O real mostra o desenrolar das diligências do delegado (Édson França) para descobrir o criminoso. O subjetivo despe os personagens, mostrando-os como são na realidade. E o flashback focaliza fatos ocorridos e que são de grande importância na elucidação do crime. Para Bráulio, "não existe um fato estanque na novela. A realidade se funde no passado, no presente e no futuro. Toda pessoa sofre Influência do seu passado, do seu psiquismo e do que Isto representa para seu futuro. Daí eu ter usado este recurso, que é novo em se tratando de novela".

Bráulio fala de todos os seus personagens com igual entusiasmo, porque se acostumou a viver com eles. "Não posso destacar um isoladamente. Bons ou maus, eu os criei e sendo assim gosto de todos indistintamente."

Desde o início da novela todos perguntam a Bráulio: Quem morreu? Quem matou? Ele dá uma dica: "Não é difícil descobrir o assassino. Quem está atento ao desenrolar da novela, Já começou a deduzir, por eliminação, os que têm interesses em Jogo. Um deles é o assassino. A vítima não vai demorar a ser apontada."

O Rebu, Personagem Central - 1974

Amiga TV
Data de Publicação: 11/12/1974
Autor: Arnaldo Risemberg
ZIEMBINSKI: MISTÉRIO NO REBU

Ele acha que Conrad Mahler, seu personagem na novela de Bráulio Pedroso, é extremamente complexo e ignora a personalidade de Cauê, o jovem que adotou, e para quem pretende deixar toda sua fortuna

Para Ziembinski, não tem personagem mais importante que o seu dentro de O Rebu. ''A meu ver, a figura de Mahler é de grande importância para o desenrolar da novela.'' Sete meses depois de O Semideus, Ziembinski, diretor da Divisão de Novelas da TV Globo, volta às novelas, vivendo Conrad Mahler, o anfitrião da festa onde acontece o rebu da descoberta de um cadáver.

''Sem levar em conta o fato de ser o dono da festa, Mahler é um personagem extremamente complexo. Descendente de uma respeitável família européia, Mahler envolveu-se, durante sua juventude, num conflito amoroso que resultou na morte de seu melhor amigo, durante um duelo provocado por ele próprio. Depois de inúmeros atropelos e dificuldades, tendo que fugir de seu país devido ao crime que havia cometido, pois lá o duelo era considerado ilegal, Mahler veio parar no Rio, praticamente sem meios de subsistência, pois, com vinte e poucos anos, não tinha nenhuma profissão definida. As únicas coisas que contavam a seu favor eram a refinada educação para um rapaz de sua idade, o traquejo social, o conhecimento de alguns idiomas, sua força de vontade e o enorme desejo de vencer na vida, custasse o que custasse. Nessas condições, o jovem Mahler se fez adulto, comendo o pão que o diabo amassou e tentando, de qualquer maneira, agarrar-se às suas pretensões. Com muita força interior e a recusa em entregar-se, Mahler conseguiu, através de todos os meios, nem sempre muito honrosos, ganhar meios para a sua subsistência e, mais tarde, tornar-se extremamente poderoso. Solitário, afastado da vida social e descrente da humanidade, Mahler se angustia com a própria solidão, ao mesmo tempo em que constata o poder improdutivo de sua fortuna. Perdido entre as paredes de sua mansão, o único consolo que encontra é na companhia do jovem Cauê, a quem mais tarde pretende entregar toda a sua fortuna. Essa esperança preenche a vida de Mahler e faz-lhe parecer diferentes os momentos da vida de casa. Mesmo assim, ele ignora a personalidade daquele a quem resolveu dedicar sua vida. Será que a velhice de Mahler vai correr sossegada? Será que Cauê pensa da mesma forma que seu tutor ou visa a outras coisas?"

Gostando d'O Rebu? - 1974

Amiga TV
Data de Publicação: 11/12/1974
Autor: Artur da Távola
AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE O REBU
Já dá para as primeiras impressões de O Rebu. Há um mês no ar, adquiriu as linhas gerais de sua caminhada. Desde logo ressalta o fato comum às novelas de Bráulio Pedroso: a inquietação do autor, sempre em conflito com fórmulas já consagradas e estabilizadas.

Bráulio paga e pagará, sempre, o preço dos renovadores: a incompreensão e a resistência, além, é claro, do risco de colocar o carro adiante dos bois, ou seja, fazer coisas muito bacanas mas um pouco adiante da possibilidade de assimilação pelo grande público, como ocorreu em O Bofe, por exemplo. A exata conta entre a renovação possível e desejável e a capacidade de se comunicar com faixas indiscriminadas de público, eis o desafio com que se defronta.

Nas primeiras semanas de O Rebu, parte do público acostumado à estrutura linear de novelas presididas por uma lógica simples e personagens bem definidos, andou assustando a muita gente. Além da complexidade dos personagens havia o fato de o autor trabalhar com três tempos bem distintos: a noite da festa; o dia seguinte quando o crime já houve e a polícia investiga; e o terceiro tempo, o mais complexo, aquele que se refere ao passado dos personagens.

Mas esse susto e a resistência de parte do público desacostumado a algo que o retire da digestiva passividade, pouco a pouco foram cedendo ao interesse motivado pelo mistério e pela boa narrativa, no melhor estilo do gênero policial. Eu diria: é uma novela policial-existencial. A prova dessa aceitação está nos índices de audiência conseguidos no Rio, aí pela casa dos 40 pontos, ótimo para o horário.

Um dos fatores desse êxito, seguramente, foi a direção de Avancini, nos capítulos iniciais, dando o tom e o clima da obra. O tratamento dos personagens, as roupas, o ritmo, a linguagem visual e a atmosfera tensa e carregada, conseguida logo aos primeiros capítulos por Avancini, mostraram que estaríamos frente a uma novela com climas interiores totalmente diferentes da grande média do gênero.

Não conseguiu, nem poderia ter conseguido, nas três primeiras semanas, um pleno aproveitamento dos atores. É cedo ainda. Bete Mendes custou a entrar em todo o mistério de seu personagem (vai entrar breve e precisa aprender a falar fechando os lábios. Está falando sem tocar o lábio de cima no de baixo, o que é uma proeza, mas empobrece a clareza e a expressão); Mauro Mendonça ainda não mostrou grandes variações de sua interpretação anterior; Buza Ferraz (Cauê) vai muito longe, pois é expressivo e tem talento, mas ainda está inseguro e fazendo caretas; Rodrigo Santiago, o Quico, é até agora a grande revelação de ator Jovem; igualmente o Édson França ainda não recebeu as instruções devidas sobre o personagem e vacila entre ser o Édson França ou ser o detetive. Já os monstros sagrados estão dando um baile de interpretação, particularmente Ziembinsky, Teresa Raquel, sensacional e muitos furos acima e além do personagem, e a belíssima Isabel Ribeiro, grande e densa atriz, a maior aquisição de nossa TV em 74. Isabel Teresa igualmente muito bem e é claro o naturalmente tenso e conflitivo Carlos Vereza. Com grande alegria estou vendo Maria Cláudia, agora sim contida, sem fazer a cara da frase, compondo muito mais o personagem que cada cena onde ele aparece. Progresso. Não poderia deixar de aludir á dupla Lima Duarte e Iara Cortes. Excelentes. Se o Lima anda receoso de acharem que ele está repetindo o Zeca Diabo, pode perder o receio. Não está. Já entrou no Boneco e agora é desenvolvê-lo com o talento que Deus lhe deu. Já Iara Cortes, ótima atriz, está tendo uma oportunidade que nunca a TV lhe deu. Vai aproveitá-la, pois cancha e talento não falham quando encontram um bom personagem.

E isso aí. A novela agora está sob a direção de Jardel Melo. Pessoalmente, acho um erro da Globo isso de ficar trocando de diretores, sem deixar nenhum deles realizar sua obra. O Avancini começa, entrega a outro, depois volta, depois pega a novela nova e assim por diante. Esse troca-troca não tem dado bons resultados. Independente disso, tudo me leva a confiar em Jardel Melo, a julgar pelo que é como ator (Seu Machado, de O Espigão) e pelo que já fez em televisão, principalmente em São Paulo.

O Rebu - 1974


O Globo
Data de Publicação: 7/12/1974
Autor/Repórter: Artur da Távola
''O REVBU'': UM CONVITE PARA DEBATE
Não, eu não agüento mais!

Confesso que não agüento mais receber cartas, telefonemas, conversas, papos, palpites, ibopes, ibofes, pareceres, aplausos, xingamentos, tertúlias, saraus, cochichos, despachos, opiniões, análises, sugestões, manifestações, abaixo-assinados, comentários, desvarios, despautérios, ponderações, papo careca, sutis observações, teorias, reações etc. sobre "O Rebu".

Em toda a minha vida de cronista, nunca recebi tanta opinião contraditória e diferente sobre um obra. Ao mesmo tempo em que não tenho como enfrentar essa aluvião de impressões, raras vezes recebi tanto retorno inteligente sobre urna novela. Particularmente as cartas e alguns papos pessoais, a mostrar que Bráulio conseguiu atingir o ideal de tirar o telespectador de sua passividade fruidora e digestiva e jogá-lo a participar criticamente de uma obra.

Isso é um mérito, É uma sacudida no gênero. É claro que comecei o artigo brincando, só para motivar o leitor. Vibro com esse ''feed-back".

Bráulio Pedroso, o autor, deve estar satisfeito e temeroso. Temeroso porque a audiência média caiu um pouco nas últimas semanas (terá ele temor por isso?). E satisfeito porque o verdadeiro Rebu está se dando entre os telespectadores, ouriçadíssimos com sua obra.

Os argumentos são mil: é uma obra desonesta porque feita para diversão pessoal do autor, contra a lógica do prazer do telespectador que liga a Tevê para se distrair e está sendo ignorado em seus gostos e preferências; é chata; o povo, não entende o flash-back; tem pouca ação: não acontece nada; os diálogos são pretensiosos e/ou intelectuais demais: há close ups demais; ninguém presta na novela; dá sono.

As defesas, mil também, são: grande ritmo interior; atmosfera densa e diluente desfazendo ilusões pequeno-burguesas; grande estudo ambição humana; excelente análise psicológica do homem e da mulher em transes extremas de sua patologia; ótima trama policial. irritando mas agarrando as pessoas; bom tratamento televisivo; diálogos muito acima da média: alguns desempenhos de alto nível; televisão digna de qualquer país do mundo por mais culto que seja; e por aí vai.

O fato e que a estimulação de observações inteligentes como ás que recebido (sobre televisão sempre ouço mais do que falo, para aprender as pessoas com elas mesmas), falam em favor da novela,

O que está, no fundo, em questão é se o andamento tradicional das novelas em capítulos de três partes diárias, bem como sua estrutura de duração, geram um "tempo dramático" que se coaduna com o "tempo" do gênero policial suspense.

Se são compatíveis esses dois tempos, Bráulio vai conseguir muito. Se não for, vai enriquecer mais ainda sua experiência de artesão, mas sem ter sido compreendido (ou sem, compreender o público).

A outra questão se refere à ação externa, É ou não passível telenovela apenas com ritmo interior, sem acontecimentos expressos através da ação física dos personagens? É? Não é?

Em vista disso tudo quero propor uma coisa, daqui desta colunata sem jaça nem bico de papagaio: um debate sobre "O Bofe''. Sm, um debate público. Se os meninos da Globo toparem eu me ofereço para funcionar como mediador. Sairei de meus cuidados e achaques para fazê-lo com o maior prazer. Acho que seria legal para a Rede Globo.

Proponho que dele particípem. o Bráulio Pedroso, o Daniel Filho e o Homero Sanchez, além do Diretor da obra, o Jardel Mello. Se esse pessoal da emissora topar, a gente pediria emprestado o auditório aqui de "O GLOBO", convidaria o público e a imprensa.

Creio que um debate assim mostraria definitivamente a enorme importância cultural da telenovela (apesar de lhe negarem status) e contribuiria para esclarecer muita coisa. Fico no aguardo do Daniel Filho aceitar (avise-me) para pedir emprestado o auditório. Mas o Bráulio tem que vir. Sua presença é importantíssima. Não estaríamos inaugurando assim uma prática saudável e cultural?

Followers