Tuesday, March 18, 2014

1978 - BBC Á Beira da Falência

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 2/11/1978
Autor: Robert Dervel Evans
BBC À BEIRA DA FALÊNCIA
Concorrência comercial está matando a televisão oficial inglesa


Londres - A British Broadcasting Corporation está com sérios problemas. Funcionando com um déficit de 12 milhões de libras, estará na bancarrota dentro dos próximos três meses se o Governo não autorizar um aumento nos impostos de serviço, dos quais a empresa depende quase inteiramente. Foi o que anunciou esta semana Alisdair Milne, gerente administrativo da BBC, que disse à imprensa que sua corporação está perdendo pessoal técnico e especializado em números crescentes para as companhias de rádio e televisão comerciais.

Com um ou mais aparelhos de televisão em todos os lares britânicos, o nível anual da taxa de serviço, que é hoje de 21 libras - a BBC pede um aumento para 30 - tem implicações políticas. O Primeiro-Ministro Callaghan teme que seu Partido Trabalhista perca votos, num ano de eleições, autorizando um aumento de 50% numa época em que ele afirma que a taxa de inflação foi posta sob severo controle, ficando a menos de 9%.

Em contrapartida, as companhias comerciais de televisão, cujas rendas provêm exclusivamente da publicidade, desfrutam de excepcional prosperidade. Lorde Grade e sua Associated Television Company (ATV) - hoje rebatizada de Associated Communications Corporation, após a fusão com o grupo EMI, chefiado por seu irmão Lorde Delfont - anunciou um investimento britânico de 100 milhões de libras na produção de 22 novos filmes para a televisão e o cinema.

Entre os astros que ele contratou para suas produções estão Orson Welles, Farrah Fawcett-Majors, Sophia Loren, Roger Moore, Bob Hope, Kirk Douglas, David Niven, Marcello Mastroanni, Mel Brooks e Elliott Gould. Entre os diretores e produtores, Franco Zeffirelli, Ingmar Bergman, John Schlesinger, Lina Wertmuller, Stanley Donen e Allan Carr, que fez fama com o filme Nos Tempos da Brilhantina.

Os dois Lordes do mundo do entretenimento britânico Chegaram à Inglaterra como imigrantes judeus, ainda crianças. Chamavam-se então Grabowsky, nome que foi posteriormente anglicizado para Grade. O êxito deles levou-os aos títulos 'nobiliárquicos, e passaram a ser Lorde Grade e Lorde Delfont. Após consolidarem seu domínio nos campos do cinema e da televisão na Grã-Bretanha, eles invadem agora o mercado americano, o mais rico do mundo.

Para isso, formaram sua própria organização distribuidora, chamada Associated Film Distribution Corporation, já uma força nos mercados americano e canadense. Entre seus diretores, estão Martin Starger, presidente das Transatlantic Enterprises, de Lorde Grade, que se destacou antes em produções da TV americana (Roots, por exemplo), e Jacob Rothschild, diretor do fundo de investimento Rothschild. O ambicioso programa de Lorde Grade, com seu elenco de astros e estrelas para consolidar sua posição no mercado americano, incluirá um filme sobre a cantora de ópera Maria Callas, dirigido por Zeffirelli, e adaptações cinematográficas dos romances Raise the Titanic, Chinese Bandit, Green Ice e The Scarlatti Intheritance.

A carreira de Lorde Grade não é muito diferente da de Lorde Thomson, mas em sentido inverso. O falecido Roy Thompson chegou à Inglaterra, vindo do Canadá, já sexagenário, para investir os milhões de dólares que ganhara com jornais e televisões americanos e canadenses em atividades idênticas na Grã-Bretanha. Terminou como proprietário do Times, do Sunday Times, de uma lucrativa companhia de televisão na Escócia, e de uma importante participação nos campos de petróleo do Mar do Norte. Lorde Grade é ainda mais aventureiro. Tem 72 anos ao embarcar na conquista do mercado cinematográfico na América do Norte.

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