Saturday, March 15, 2014

1969 - Super Sílvio Santos

Revista: Realidade
Data de Publicação: 1/9/1969
Autor: Nemércio Nogueira
O SUPER SÍLVIO

O que está acontecendo com a televisão comercial brasileira? Talvez ele possa dizer: é um dos seus profetas e está sentado à mão direita do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística); é um dos favoritos do público e super-herói da tevê, feito à sue imagem e semelhança

Infelizmente, senhoras e senhores, não temos imagem para que todos possam ver o que está acontecendo aqui. Mas, pelo som (e naturalmente, através da nossa transmissão), podem fazer uma idéia do espetáculo maravilhoso a que estamos assistindo. Era o que dizia a gente da rádio, vinte anos atrás. Então veio a televisão.

Eles se passaram para a tevê com armas (inadequadas) e bagagem (insuficiente). Hoje costumam dizer que infelizmente, senhoras e senhores, não temos imagens a cores para que todos possam realmente ver o que está acontecendo aqui. Mas, pelo som (e, naturalmente, através da nossa imagem), podem fazer uma idéia do espetáculo maravilhoso a que estamos assistindo.

Do jeito que a coisa vai, a televisão a cores não demora. E a turma vai dizer que, infelizmente, senhoras e senhores, não transmitimos ainda em três dimensões - ou os cheiros, quem sabe? -, para que todos possam realmente ver e sentir o que está acontecendo.

Afinal, o que é que está acontecendo com a televisão comercial brasileira, acusada de ser um instrumento contra a cultura do povo? Talvez ele possa responder. Senhoras e senhores, é com prazer que apresentamos Sílvio Santos, o Super-Sílvio, que é um dos profetas da tevê comercial, está tranqüilamente sentado à mão direita do IBOPE, é um dos grandes favoritos do auditório e do chamado público de casa, e que (sem dúvida) foi feito e cresceu à imagem e semelhança da tevê, com todas as suas qualidades e a maior parte dos seus defeitos.

No domingo, 20 de julho, quando o homem botou pela primeira vez o pé na Lua, a televisão estava lá, transmitindo diretamente e com uma imagem perfeita, apesar dos 400 000 quilômetros de distância. O índice de audiência foi a um bom nível: 41,4% das pessoas que têm tevê estavam assistindo ao espetáculo, enquanto 20% dos aparelhos permaneciam apagados. Os técnicos em pesquisa e estatística calculam que 5,5 milhões de telespectadores brasileiros assistiram ao vivo o feito inédito, só contando o público de São Paulo, do Rio e das cidades vizinhas.

Só a chegada à lua conseguiu ter mais audiência que os programas de Sílvio Santos - Na mesma semana, sem ir à Lua, Sílvio Santos conseguiu em São Paulo uma audiência apenas 1% menor (40,4), na sexta-feira, com o programa Cidade contra Cidade. E no domingo o IBOPE marcou 35,8 para o Programa Sílvio Santos, que ficou com o segundo e o terceiro lugares entre os programas de maior audiência, perdendo apenas para a transmissão da aventura da Apollo 11.

Quem é este Sílvio Santos, muito mais popular do que o Topo Gigio (que custa milhões e marcou 33,5%). mais sensacional do que o seriado Missão Impossível (32%), com mais magnetismo do que o Chacrinha (que só atraiu 28,4%), e mais romântico do que Nino, o Italianinho (25,8%)?

- Eu? Eu sou um homem comum, que sempre se esforçou para viver sozinho. Sempre fui ultra-independente.

Sílvio nasceu no dia 12 de dezembro de 1935, na Travessa Bem-Te-Vi. É carioca da gema. Estudou na Escola Celestino da Silva, em seguida foi para a Escola Amaro Cavalcanti. Pouco depois precisava trabalhar, ganhar dinheiro, aos doze anos já era camelo nas ruas do Rio. Vendia de tudo, da caneta tão mais barata e tão melhor do que a Parker às carteiras para título de eleitor, muito mais em conta do que qualquer loja do ramo. Com um olho nos fregueses e outro no "rapa", falava, falava, falava. E vendia, sempre com um largo sorriso.

- O sorriso é a melhor arma para inspirar confiança. O homem que sorri é um homem confiante, de quem toda gente gasta.

Hoje, aos 33 anos, ele tem fama de ser o homem mais rico da televisão brasileira, sempre falando muito (seus programas duram até dez horas) e sorrindo. Ainda é um camelô - e é ele mesmo quem diz isso. Continua na defensiva, como no tempo em que os camelôs eram perseguidos, presos e levados para o Depósito de Presos da Central de Polícia.

Naquela época, Sílvio tinha um trunfo: era menor de idade, já era simpático, quando o carro da fiscalização chegava e ele não tinha tempo de correr, tentava "enrolar o rapa". Falava manso, sorrindo sempre. Se não dava resultado, jogava a clientela, o povo contra os fiscais, falando alto, dizendo que era honesto, precisava ganhar a vida, a polícia não deixava, preferia que ele fosse ladrão.. .

- Sempre fui de falar, e sempre fui louco por dinheiro.

Um dia, o chefe da repressão aos camelôs, Renato Meira Lima, viu Sílvio Santos trabalhando. Já sabia quem era o garoto que causava tanto trabalho aos seus fiscais. Deu alguns conselhos e um cartão de apresentação para Jorge de Matos, dono do Café Globo e da Rádio Guanabara. Sílvio foi inscrito em um concurso de locutores, ganhou o primeiro prêmio, foi contratado: 1200 cruzeiros (dos velhos) por mês.

- Preferi ser camelô. Eu fazia 3 000 por mês. (Cada caneta custava 20 cruzeiros velhos ao freguês, e eram pagas a 160 a dúzia, no atacado.)

Mas chegou a hora do serviço militar. Não dava para ser camelô com o cabelo cortado à escovinha. Sílvio entrou para a escola de paraquedistas e montou a "primeira emissora marítima do Brasil". Era um serviço de alto-falantes, numa das barcas de Niterói. Transmitia músicas e anúncios. Um dia, a barca foi para o estaleiro e Sílvio para São Paulo.

Montou um bar, perto da Rádio Nacional. Pouco depois era locutor de rádio, ganhando 5 000, dos velhos. Com menos de um ano de casa, porém, foi mandado embora: deu uma entrevista dizendo que os diretores não entendiam coisa alguma de rádio, só tinham audiência por sorte. Pior ainda: confessava que não saia de lá só porque queria fazer clientela para o bar (Nosso Cantinho) entre os colegas e amigos.

Desculpado, a pedido dos amigos, vendeu o bar por 240 000 cruzeiros e lançou uma revista de palavras cruzadas e charadas.

- No bar, eu não podia fazer publicidade.

E começou a melhorar de vida, sem sair da Rádio Nacional, onde até hoje tem o programa de maior audiência no Brasil (18%, enquanto o segundo colocado, uma novela, tem só 10%).

Em 1958, Sílvio tinha que fazer de tudo para sobreviver: fabricava folhinhas, aceitava qualquer ponta na televisão, trabalhou até em circo, organizou caravanas artísticas pelo interior, fez uma campanha política em troca de um jipe, foi ajudante de animador no programa Praça da Alegria, que Manoel de Nóbrega tem até hoje.

Foi Nóbrega quem chamou Sílvio Santos para trabalhar na sua firma, o Baú da Felicidade, que funcionava no porão de um prédio em reforma, sem arquivos, um caixote servindo de mesa. Sílvio trabalhou com entusiasmo. Em 1961, Nóbrega vendeu sua parte e deixou o sócio sozinho. Hoje, o Baú tem 600 mil clientes, 2 200 empregados, 25 lojas, centenas de representantes, 84 carros, precisa até dos serviços de um computador eletrônico.

Paralelamente ao crescimento do Baú, Sílvio montou uma agência de publicidade, uma construtora, uma indústria de televisores. Comprou tempo na televisão e passou a fazer os seus próprios programas.

O Baú paga tudo. E o que é o Baú?

Uma firma de crédito que vende carnês. Quem compra paga 4 cruzeiros novos por mês, durante catorze meses. E concorre (se estiver em dia) a sorteios pela Loteria Federal (a última extração de cada mês). Dando o número do seu carnê no primeiro prêmio, pode ganhar uma casa, um apartamento ou um automóvel. O segundo prêmio vale 1 milhão (dos velhos) em mercadorias. O terceiro dá direito a um refrigerador ou a uma alta-fidelidade. O quarto vale a máquina de lavar ou um televisor.

Cada cliente pode comprar quantos carnês desejar. Depois de tudo pago, mesmo sem ser sorteado, ele não perde: ganhou a economia que fez, podendo retirar o equivalente ao dinheiro empatado em qualquer loja do Baú (tudo: de sapatos e roupas a eletrodomésticos, de cama-e-mesa a copa-cozinha, mais de trezentos artigos diferentes).

Mas, em vez de comprar um carnê, o cliente pode, se preferir, abrir um crediário para comprar seja o que for, em 36 meses, recebendo também um talão numerado que concorre ao sorteio dos mesmos prêmios.

"Dizem que o que eu faço na tevê é rádio com imagens. Mas é isso mesmo que o público quer" - Dizem que o meu programa é comercial. E que eu faço na televisão rádio com imagem. É verdade. Mas é isso mesmo que o público quer E ninguém conhece o público como eu conheço. Eu pesquiso, gasto dinheiro procurando saber o que é que ele quer, o que não quer. Não sou eu quem está por fora, são os que falam sem saber.

há dezenove anos, quando a televisão brasileira nasceu, a goiabada Peixe patrocinou o programa inaugural: um musical, sem Ari Barroso, Lamartine Babo, ou Pixinguinha, sem Dorival Caymmi, sem Sílvio Caldas, sem Francisco Alves sem Elizabeth Cardoso, sem samba. Começou com a chamada atração internacional, no caso Frei José Mojica, cantando uma hora de boleros.

Ninguém estava preparado para televisão, nem ficou preocupado com a novidade. Televisão, para a gente de rádio, era uma coisa simples, rádio com imagem. E foi assim mesmo que o esquema começou a funcionar, exatamente com a gente de rádio, os mesmos programas, as mesmas atrações.

Apenas uma insignificante minoria foi estudar o assunto. A maioria tinha que trabalhar no rádio e na tevê, não sobrava tempo para mais nada. No máximo, um tempinho para ir aos Estados Unidos ter idéias, ver o que é que estavam fazendo por lá.

Mas a televisão cresceu rápido, ficou forte, ganhou muito dinheiro, e a própria estrutura comercial desviou os esforços dos que tentaram melhorar o nível cultural da tevê.

- O que a crítica não percebe - diz Sílvio - é que a televisão é um reflexo da realidade brasileira. Eu fabrico televisores e vendo, só em São Paulo, quinhentos por mês, a 30 cruzeiros novos, sem entrada, sem mais nada. Eu sei quem é que compra: o antigo público de rádio. Hoje em dia, quem não tem televisão não tem coisa alguma. O aparelho de tevê substituiu a máquina de costura como elemento indispensável em um casamento. E é para este público que devemos fazer televisão, se é que a audiência tem importância.

A conclusão só pode ser uma: num país em que a maioria dos aparelhos de tevê está nas mãos de pessoas mal informadas, a preocupação principal da tevê foi ser comercial, ganhar dinheiro, ter audiência em termos de quantidade. A tal ponto que, sem querer, o IBOPE passou a ditar as regras do jogo, um jogo de números, onde a letra não entra. Quem tem público continua; quem não está com as massas fica de fora, seja quem for. O que realmente importa não é o que se diz, como se diz, por que se diz, quando ou onde. O que importa é saber quantas pessoas estão ali para serem oferecidas ao anunciante. Se o esquema está funcionando, para que discutir com os ouvintes? Enquanto a máquina der dinheiro, está tudo bem.

A tevê é um gigante tímido, acanhado: um supercamelô que só se preocupa em vender produtos - Sílvio também é criticado (como toda a televisão comercial) por ser um improvisador.

- Sou - confessa ele. - Como todo brasileiro que se preza, eu me adapto a qualquer circunstância. Mas isso é fundamental para quem quer conseguir alguma coisa na televisão e na vida.

Na televisão contam uma anedota, que é verídica:

Jaci Campos, produtor e diretor de tevê (Câmera Um, por exemplo), chamou um amigo nos primeiros tempos da televisão para ser seu iluminador.

- Eu? Mas eu não entendo nada de televisão, nem de iluminação.

E Jaci, tranqüilo:

- Não tem importância; você tem boa vontade, é vivo, aprende rápido. Se aparecer algum problema, você improvisa.

Sílvio Santos sabe muito bem que assim tem sido na história da televisão. A frase mais comum entre os técnicos é ''ninguém nasce sabendo". E o aprendizado, ainda hoje, é a prática, o trabalho, a capacidade de improvisar" até de inventar, e o erro.

Limitada no tempo e no espaço, a televisão comercial brasileira abriu mão da sua força como canal de comunicação e hoje é um gigante tímido" acanhado" um supercamelô cujo único objetivo é vender. Com uma notável capacidade de prender, interessar, viciar e comunicar, ela prende e vicia, mas não interessa nem comunica porque a estrutura comercial só está preocupada (salvo casos isolados e raros) com o auditório e a audiência. Com o auditório que anima o animador e com a audiência que dá pontos no IBOPE.

É preciso não confundir audiência com público de casa: a audiência é importante, mas é sobretudo ao público de casa que se dirige a publicidade, gravada dois tons acima (porque, de outro modo, pode ser que ninguém dê ouvidos a ela, geralmente mal produzida). Esse público é freqüentemente desrespeitado com o atraso dos programas (sem que alguém apareça para se desculpar); é impedido de optar, porque os horários são divididos em faixas sem imaginação (a hora de novela em todos os canais, assim como hora de humor é hora de humor).

A propósito de humor, um leitor da revista Intervalo, especializada em televisão, escreveu para informar que sabe uma porção de anedotas sujas, velhas e sem graça. Perguntando: "Será que eu poderia ser aceito como produtor humorístico numa emissora de televisão?"

Até mesmo quem tem formação profissional sofre as limitações da engrenagem comercial: por que perder tempo com programas não comerciais, que não dão audiência? Então, o falecido cronista Antônio Maria chegou um dia com o texto de um programa de humor e o produtor reclamou imediatamente do autor:

- Está bom demais para o nosso público. É preciso descer o nível.

Antônio Maria refez. Novo pedido para refazer. Na terceira vez, ele jogou os originais na mesa do homem:

- Está aí; pior eu não sei fazer.

Diz Sílvio Santos que ''não é problema de pior ou melhor. É problema de atingir ou não a massa". E explica:

- No meu programa há uma parte com perguntas e respostas. Se em dez perguntas o telespectador não conseguir responder pelo menos seis, ele vira o botão, vai ver outra coisa, diz que o programa está ruim. Mas, se ele responde as dez, fica bem com a mulher, com os filhos, com ele mesmo, e fica satisfeito comigo, com o programa, dá audiência, entende?

Sílvio compreende perfeitamente que, improvisada em juiz de gosto popular, a gente da televisão não se preocupa em estudar os mecanismos de reação do público. Não vê que, nas novelas, o público foge do dia-a-dia, dos problemas existenciais, na certeza de que toda aquela desgraça terminará bem e que o bom (cada um de nós é sempre bom para si mesmo) será premiado no último capítulo - o único que realmente importa. Não vê que, além disso, o público está atraído pela ação, pelo mistério, pela matéria de interesse humano, o amor, a luta, o contraste. E que tudo isto pode ser oferecido de outra forma, sem ser preciso fazer novela ruim.

Não será evidente que o que atrai na luta-livre - que todos sabem ser uma luta arranjada - é simplesmente a possibilidade de descarregar agressividade contra o ''vilão", pela antecipada identificação do vencedor, o "mocinho"?

A absoluta falta de interesse cultural, de estudo, a submissão completa ao interesse comercial (também discutível) é que leva os improvisadores às soluções mais simples: novela, luta-livre e programas humorísticos baseados em personagens fixas e situações imutáveis na sua substância. Não percebem o perigo que representa para o público esse gênero de humor onde já se sabe, de antemão, o que vai acontecer. É bem verdade que os viciados em tevê acompanham o programa e entendem tudo, o que Lhes dá satisfação pessoal. Mas é grande risco para pequena satisfação, entender onde não há nenhum problema de entendimento.

O grande perigo da tevê comercial é criar um homem supercivilizado e subprimitivo - Marshall McLuhan - um especialista em comunicação de massa - chama a atenção para o grande mal da televisão comercial: massificar sem informar; embotar o espírito empreendedor, limitar a curiosidade e reduzir o interesse vital. Diz ele que, ao ultrapassarmos a escrita, evocamos um homem supercivilizado e subprimitivo.

Diz Sílvio Santos:

-Tentei fazer programas de nível melhor, mas não deu certo. Programas sérios, de debates, não fizeram público. A verdade é que a tevê é uma arena. O público hoje é quase exclusivamente composto pelos antigos ouvintes de rádio. Quem critica não sabe, mas para nós não há salvação. A luta pela audiência é feroz e ninguém trabalha para perder dinheiro. Se a televisão é comercial, e só, a única preocupação tem que ser mesmo ganhar dinheiro.

Isso ele faz; e bem. Este ano pagou 2,2 milhões de cruzeiros novos de imposto de renda (2,2 bilhões de cruzeiros velhos). Se, para tanto, chega a fazer concurso para escolher o nome mais feio do Brasil (Tropicão de Almeida, entre os homens, e Cólica de Jesus, entre as mulheres, numa injustiça a Magnésia Bisurada do Patrocínio), isso é apenas um detalhe. Na linha de mostrar o mais gordo, o menor, o mais bigodudo, nada escapou. Depois, trazendo do interior duas cidades de cada vez, institucionalizou o que há de mais interiorano, no mau sentido: o menino que sobe no tronco de cabeça para baixo; a filha-de-não-sei-quem que não é a mais bonita da cidade mas que é quem tem prestígio para representá-la como miss; o treinador-de-cavalos-que-diz-morre-e-o-cavalo-deita, diz olha-o-fotógrafo-e-o-cavalo-sorri; esse tipo de coisa que é assunto de sábado no Grande Ponto e constitui uma das fontes do orgulho municipal.

Também é verdade que ele dá casa, carro, refrigerador, alguns milhões em utilidades domésticas, além de vinte, trinta, até mais milhões toda semana para Santas Casas dessas cidades. Mas ele sabe que isso também é detalhe. Tanto, que prevê:

- Não acredito que esse tipo de programa vá durar muitos anos. O Brasil não pode ficar sempre assim e próprio público acaba cansando. Mas, enquanto a estrutura da televisão comercial não mudar, enquanto os índices de audiência continuarem prevalecendo, enquanto o público não exigir mais, a televisão não melhora. Porque não precisa, não quer nem pode.

No dia em que mudar, Sílvio não sabe como estará, o que vai fazer. Mas, se quiser, pode fazer boa televisão. Ele sabe como. Só não faz porque não compensa e, ao contrário, está provado que dá prejuízo.

A curto prazo, qual seria a solução?

É difícil dizer. Mas, se as emissoras fizessem frente única e estabelecessem um nível mínimo de qualidade, recusando o ruim, mesmo pago, pode ser que desse certo. O problema é que tudo no Brasil acontece devagar. Nossa televisão também vai mudar no mesmo ritmo, conforme o público for mudando, progredindo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as emissoras de tevê limitam-se a transmitir programas. Não produzem, não têm cast, só vendem seu tempo. Os produtores são independentes, têm os seus estúdios, seus técnicos, seu auditório, até seu público. O produtor faz o seu programa e leva à emissora, pronto, perfeito, muito bem acabado, propondo negócio: a compra de tempo para transmiti-lo (sob patrocínio que o próprio produtor trata de arranjar). A direção comercial faz o negócio, submetendo-se à apreciação do diretor artístico que pode, inclusive, vetar o negócio se não gostar do nível do programa. Então, o que acontece é que o pessoal trata de produzir o melhor possível, para comprar o melhor horário, ganhar mais dinheiro, não se arriscar ao prejuízo de ficar com um programa ruim na mão, sem ter quem transmita. E a estrutura lá também é comercial, só que a audiência é medida segundo a quantidade e a qualidade. Isto é: às vezes, importa mais a qualidade do público, a sua capacidade intelectual e de compra, do que o número. Aqui, nós ainda estamos na fase da quantidade.

Moral da história, segundo Sílvio: cada público tem a televisão que merece - Moral da história, segundo Sílvio Santos: o dia em que o nosso público for mesmo maravilhoso, a televisão também terá que ser maravilhosa.

No comments:

Post a Comment

Followers