Saturday, January 4, 2014

1975 - O Acerto de O Rebu

Amiga TV
Data de Publicação: 16/4/1975
Autor: Artur da Távola
O ETERNO DEBATE

De um lado, o indiscutível: novelas longas demais obrigam os autores a escapar por prolongamentos das tramas paralelas e isso cansa. Mesmo a trama principal fica tão interferida de acontecimentos extras e esdrúxulos que ao fim de um certo tempo o grande público se acostuma com a forma do autor de achar chaves para o prolongamento e imediatamente se toma hostil. Digo isso, pois, além de observar, recebo muita carta apontando este fato como negativo, não as cartas dos eternos descontentes, os bronquinhas inatos desta vida, mas cartas de pessoas que curtem as novelas e entendem seu lado positivo. Este é o lado de parte do público, aquele que participa e quer sempre o melhor. De outro lado estão os canais, com seus problemas. O investimento inicial de cada novela é alto demais para que não haja tempo de recuperação, Cada nova novela representa uma infinidade de frentes que precisam de altas inversões (elenco, equipe técnica, mobilização de equipamento, cenários vestuário, maquilagem, promoção, letreiros, sonoplastia, iluminação, deslocamento de equipes de externas, e até viagens ao exterior onde são feitas algumas cenas etc. etc. etc.). O investimento inicial é compensado e remunerado devidamente só muito adiante. Ora, fazer as telenovelas algo deficitário apenas em nome de uma rapidez, seria condenar o gênero a um retrocesso pior que o de sua longa duração. Por outro lado, ainda não há autores suficientes, por mais que seu número tenha crescido nos últimos quatro anos. É que um autor de telenovela não se forma da noite para o dia. Não basta o cara ser bom escritor, teatrólogo ou dramaturgo.

Não! Escrever para televisão é técnica totalmente diferente das demais formas de comunicação literária. É necessário um período de adaptação e ajuste, que é feito como? No ar, onde malandro não pode errar nem se dar ao luxo de fazer experimentalismo. E ajustar-se no ar e sem poder errar, pois o fracasso de uma telenovela implica um prejuízo enorme, é coisa das mais difíceis e raras. Nessa base, a renovação de escritores especializados vai sendo muito lenta. Isso é tão verdade, que autores de telenovela, mais tarimbados como o Dias Gomes, por exemplo, constantemente declaram que só agora, depois de algumas experiências, sentem-se dominando o meio. Há um terceiro elemento: o grande público consumidor. Este não tem reclamado da duração das telenovelas. Liberto de considerações estetizantes ou literárias, ele se diverte com as complicações (mesmo as artificiosas) da trama. Sua resposta está dada no nível de audiência.

Para pessoas de formação um pouco mais elaborada, o tamanho das novelas é fator de cansaço e bronca. Seu nível de exigência é crescente, pois as novelas são cada vez melhores e elas já tiveram oportunidade de encontrar obras adequadas a seu back ground cultural. E como cada telespectador tem a tendência de universalizar seus gostos e preferências, essas pessoas reclamam. Pessoalmente acho que as novelas não podem ser curtas. Pelo menos por ora. Seria suicídio. Mas creio, igualmente, que elas não precisam se estender demais. Há um meio termo razoável por aí. O Rebu, por exemplo, vai terminar com cento e poucos capítulos. Não foi longa demais e deu certo. É por aí o caminho.

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