Tuesday, November 5, 2013

Mário Gomes, a safena de Paulo Ubiratan

Jornal do Brasil
 10/5/1988
Autora: Márcia Cezimbra
MÁRIO GOMES, UMA VOLTA POR CIMA 

 
O ator Mário Gomes virou novamente notícia há um mês, no papel de uma das quatro safenas do diretor global Paulo Ubiratan, uma homenagem às confusões que teria aprontado nas gravações da novela Vereda tropical, em 85. Não foi por esta fama de criador de casos, porém, que a segunda safena de Ubiratan - a primeira é Tônia Carrero - viverá um dos protagonistas da novela Olho por olho, da Manchete. O diretor da próxima novela, Ari Coslov, explicou que o ator não foi contratado por ter um nome de mídia certamente congelado na Globo, mas por ser "perfeito" para o personagem. "Tudo foi acertado antes da história da safena", diz. O diretor revela que se cuida muito, tem um ótimo astral e jamais teria medo que Mário Gomes lhe provocasse uma ponte de safena. "Se eu tiver, eu assumo. Não vou culpar ninguém".

Mário Gomes será o Máximo. A safena da Globo virou um safadinho na Manchete. Máximo explora homossexuais e velhas ricas para sobreviver na cidade grande, desde que foi expulso do campo por uma crise agrária. Ele é um dos quatro filhos de Ana Falcão e vai dividir a namorada prostituta Paula (Beth Goulart) com o irmão Caio (Caíque Ferreira). Olho por olho promete mais graça do que Guerra dos sexos, de 84, quando Nando (Mário Gomes) disputava o amor de Juliana (Maitê Proença). A carreira iniciada em 72 na novela educativa Bicho do mato foi interrompida, com o gelo da Globo, no seu melhor momento, logo depois de ter interpretado o personagem Lucas, da Vereda.

Mário Gomes é hoje a própria autocrítica de sua performance "imatura" em Vereda. Filho único, muito mimado pela mãe Virgínia, o ator reconhece que fez do trabalho a sua família e, talvez, segundo ele, tenha tratado diretores e produtores com a mesma intimidade e exigência que sempre caracterizou a relação com seus pais. "Eu fui uma criança rebelde e ainda me agarro ao meu Peter Pan. Tenho um lado que não quer crescer, mas a análise me ajudou muito", revela. Esta impulsividade infantil no trabalho talvez tenha deixado, na sua opinião, "as pessoas de saco cheio". Nada, porém, justifica para o ator o veto da Globo a um nome que acabava de provar o sucesso. Tampouco tem se preocupado com a homenagem como uma das safenas de Ubiratan. "No início fiquei magoado, mas deixei para lá. Não sou culpado da safena dele, agora me sinto até importante com a distinção", diz.

Outro motivo para o apelido de safena seria o estouro como galã. "O sucesso me subiu à cabeça", diz em tom tão sincero que, se Ubiratan tivesse um bom coração, arrancaria de vez a safena Mário Gomes. Ele comenta que, no auge da fama, talvez tenha tentado interferir demais no trabalho dos diretores de Vereda, Guel Arraes e Jorge Fernando, dois rapazes que acabavam de chegar numa casa onde Mário Gomes atuava há 13 anos. "O sucesso é uma coisa muito difícil de administrar, ainda mais sem ajuda de ninguém", diz.

O preço foi alto para um sujeito obcecado pela vida artística."Sou determinado e persistente. Botei na cabeça que seria ator e acabou", diz. Não seria o poder da Globo que derrubaria o seu poder de virar artista. O ator congelado decidiu cantar e aproveitar o tempo livre de três anos para namorar firme - "agora acabou" - e montar a banda Ilegal, sem gravadora definida, mas com um pé na fama: Mário e o parceiro Luciano Lúcio assinam uma música ainda sem título da trilha do filme Lili Carabina e outra na própria Olho por olho, um funk que diz "quando a gente transa, tudo balança". A banda Ilegal, formada por Luciano, Fábio Holtz, Pedro Montagna e Marcelo Macedo, se apresenta esporadicamente em shows em Minas Gerais e no Paraná.

Outra saída para livrar o artista do destino de safena de Ubiratan foi a moda. Mário Gomes montou a MG Confecções, de camisetas, que lançará no mercado como uma etiqueta especial do personagem Máximo. "Está no contrato que vou usar minhas camisetas e espero que a Manchete também balance com a nossa transa. A banda é fiel, dedicada e está no ponto. Alguma coisa tem de balançar, senão eu balanço mesmo sozinho", diz.

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