Thursday, June 6, 2013

1992 - Mais um programa do Gugu

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 29/3/1992
GUGU LANÇA TERCEIRO PROGRAMA MAS AMEAÇA DEIXAR O SBT O ANO QUE VEM
O elevador que liga dois dos quatro pavimentos da casa do animador e empresário paulistano Gugu Liberato, erguida no exclusivo condomínio de Alphaville, na Grande São Paulo, não foi instalado só como amparo à sua preguiça de subir escadas. Por uma distorção do pensamento, Gugu visualizou a velhice. "Eu me vi lá na garagem, velhinho, sem forças para subir até o meu quarto, olha que loucura", admira-se. Se Gugu usa da imaginação para fazer algumas previsões lúgubres, esta mesma efervescência de idéias o colocou num patamar privilegiado.

Além de estar à frente de quatro empresas, o animador tem novas cartadas em mente enquanto comanda dois programas semanais no SBT: o bem sucedido Sabadão sertanejo, às 22h30 de sábado, e o recém estreado Super paradão, domingo, ao meio dia. No próximo dia 12, ainda sem horário definido, ele lança um novo petardo em busca da audiência. Baseado no programa Sem.fronteiras - sucesso nos países europeus de sotaque latino -, Gugu coloca no ar o similar Nações unidas. ''Será um programa de competições'', adianta. ''Na Europa elas são feitas entre países, mas como aqui é muito grande faremos as gincanas com as diversas colônias de estrangeiros."

Os planos não se esgotam. Gugu recebeu de uma emissora de televisão de Porto Rico a proposta tentadora de animar um programa de competições diário. ''Eles me ofereceram casa e um salário mensal de US$ 20 mil, mas eu não quero me mudar para lá", afirma. ''Só que não descarto a hipótese de fazer um programa semanal". A estrela loura de Gugu pode lhe reservar outras surpresas. Ele está em entendimentos com televisões da Argentina, Venezuela e de Miami - que tem uma estação dirigida à colônia latina - e, para se fazer entender em todos esses locais, três vezes por semana Gugu agenda duas horas de aulas particulares de espanhol com um professor colombiano. ''O sotaque colombiano faz uma intermediação entre o espanhol e o argentino", explica.

O contrato de Gugu com o SBT termina em fevereiro de 1993 e, pelo que se comenta nos bastidores, aquele que foi apontado por Sílvio Santos como o seu sucessor já não desfruta da mesma proteção. A direção do SBT quer reestruturar a programação e mexer no playground televisivo de Gugu. ''Eu não concordo'', fulmina ele. ''Se houver um consenso, eu fico, caso contrário saio".

LUCRO COM BANANAS E DUPLAS SERTANEJAS

A agitação de Gugu não se restringe à televisão, veículo que massageia sua vaidade. Aos 33 anos, o cidadão Antônio Augusto Liberato acumula responsabilidades de empresário. Só no ano passado contabilizou quase uma centena de horas de vôo para o exterior, onde foi tratar de negócios. E dele a Dominó Comércio Internacional, exportadora de suco de banana, tremoços e ameixa seca. A empresa, que concentra as atividades em Portugal, em breve vai se fundir com a Farm, uma holding de capital belga e português que já exporta para o Brasil. "Com a incorporação passo a ter 20% da holding'', exulta.

Pode parecer estranho quem se formou em jornalismo ter faro preciso para os lucros. Gugu confessa seus antecedentes: os avós portugueses eram donos de um armazém chamado Secos e Molhados São Luiz. "O comércio está no sangue''. No Brasil, aquele de quem o presidente Collor é admirador - ele foi recentemente recebido na Casa da Dinda - mantém mais três empresas e outra em formação. A mais conhecida é a Promoart, agência de eventos que mantém sob sua tutela dez artistas, como o grupo Polegar e várias duplas sertanejas, atuais galinhas de ovos de ouro, principalmente nas mãos de Gugu. Com a estrutura da Promoart ele engrena a Consult Vídeo, uma prestadora de serviços de mídia televisiva que divulga artistas dele e de outras companhias.

Num contato próximo e de frente, não raro Gugu esboça um olhar carente, quase adolescente. Esta talvez tenha sido uma de suas armas para construir seu pequeno império. Graças a um esperto contrato com Sílvio Santos, por exemplo, ele comercializa o espaço de seus produtos no SBT através da GPM (Gugu Produções e Merchandising), em associação com o empresário de show-business Beto Carrero. ''Tenho necessidade de movimentar coisas novas'', diz. Com esta ânsia, muito em breve Gugu promete uma tacada de peso. Comprou uma área de 7.500 metros quadrados, entre Alphaville e Tamboré, onde pretende montar uma produtora de vídeo com auditório e palco. ''Eu me baseei numa solução da televisão alemã, e o auditório é variável de acordo com a necessidade'', explica.

VICIADO EM TRABALHO ESQUECE A PISCINA

Gugu espraia também suas atividades pelas áreas fonográfica e de editoração. Já foi transformado em personagem de história em quadrinhos da Editora Abril, hoje publicada na revista Sabadão sertanejo, da Editora Azul, na qual tem polpuda participação. Numa associação com a Warner e a Continental, lançou duas coletâneas sertanejas de sucesso: Sabadão sertanejo, que vendeu 200 mil cópias, e Bailão do Gugu, que chega perto das 60 mil cópias. Mesmo aumentando os dígitos de sua conta bancária, Gugu esnoba alguns prazeres do dinheiro. Até hoje ele só mergulhou duas vezes na cinematográfica piscina da sua casa de Alphaville, ro ea a por um deslumbrante jardim estilo oriental, com uma cachoeira que despenca por um véu de pedras num pequeno lago habitado por pequenas carpas. ''Fiz uma churrasqueira e um forno a carvão que até hoje não usei'', lamenta.

Alheio a badalações, Gugu deu uma única festa em sua nova casa. Todo mundo se divertiu. "No Final eu não sabia como conter o sono", relembra. Aparentemente tão comportado como a imagem de eterno garoto que faz questão de conservar, o animador-empresário diz beber pouco, mas confessa um pecado irreversível: a gula. ''Como de tudo, adoro torresmo, leitão a pururuca". Quando está de folga, se planta em frente à televisão e devora quilos de chocolate e pedaços de bolo. Com tamanha compulsividade, Gugu arredondou a silhueta e mais uma vez trava uma batalha com a balança. No momento toma comprimidos para queimar calorias e fica vesgo só em pensar nas guloseimas que não pode engolir.

''Eu preciso me manter ocupado, sou viciado em trabalho'', define-se. Para não virar um workaliolic incorrigível, Gugu estabeleceu momentos sagrados de lazer, desfrutados somente quando vai para o Guarujá, no litoral paulista. Ele mantém uma casa com piscina na praia da Enseada, que logo será substituída por uma mais hollywoodiana na encosta de outra praia, também no Guarujá. ''A felicidade para mim é um desejo'', assina. ''É um desafio que move o ser humano, se não for assim tudo fica muito monótono''.

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