Tuesday, June 4, 2013

1985 - Previsões para a TV brasileira

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 3/1/1985

BRASILEIROS NA TV

Não há sinais no horizonte de mudanças importantes no panorama da televisão brasileira. São pouco prováveis reviravoltas no perfil de audiência e a divisão do bolo das verbas publicitárias. Ao que do indica, a TV Globo continuará a abocanhar a maior parte do público e as outras redes brigarão pelas sobras, algo em torno de 30%, 35% dos espectadores. Uma briga dura, com melhores chances para a TV Manchete e TV Bandeirantes, que vão cruzar armas na disputa das faixas A e B1.

Para a TV Globo, 1985 é um ano atípico, repleto de atrações especiais que comemoram seus 20 anos no ar. Muitos filmes que foram sucessos de bilheteria, shows musicais e a retomada dos festivais de música popular fazem parte da programa-o. Os maiores investimentos da emissora, no entanto, estão sendo canalizados para a área de minisséries que, já neste ano, rendeu bons dividendos em termos de audiência e prestígio. A safra de seriados da Globo é de primeira linha, tratados como superproduções. A emissora escolheu grandes escritores nacionais como Guimarães Rosa, Érico Veríssimo e Jorge Amado e arregimentou a nata de seu elenco para o projeto.

Dessa programação fazem parte Grande Sertão, Veredas, O Tempo e o Vento e Tenda dos Milagres.

Uma boa escolha da emissora que já vem penando, nos últimos tempos, com a escassez de bons textos nacionais na área de novelas. Tanto que se preocupou em formar um grupo de criação, entregue a Dias Gomes, com o objetivo de revitalizar a dramaturgia brasileira para a televisão.

O jornalismo será a pièce de resistente da TV Manchete em 1985. A emissora está com uma média diária de cinco horas de noticiário, mas o projeto é terminar o próximo ano com nove horas por dia. Numa primeira fase será criado um jornal no início da tarde, preenchendo o horário do meio-dia às 2 horas da tarde. Além do jornalismo, a TV a TV Manchete tem a firme disposição de continuar os investimentos em minisséries e já está construindo um estúdio em Água Grande, perto das oficinas de da gráfica, em Lucas, desafogando as instalações do Russell.

Outra área de atenção especial da Manchete será a de musicais, com uma linha de shows inaugurada com Gal Costa, no dia 5 de janeiro. A programação infantil importada, um recurso para rechear a programação que não podia ser atendida por produções próprias, passará por um corte profundo, diminuindo de cinco para cerca de duas horas diárias. No mais, a emissora perseguirá seu principal objetivo que é agradar o público A e B1.

Na TV Bandeirantes, o próximo ano será de esforço, muito esforço. A emissora quer recuperar uma audiência perdida a partir de 1979 quando, seguindo sugestão das agências de publicidade, que consideravam sua programação muito elitista, enveredou pelo caminho das novelas. A primeira, Cara a Cara, deu certo, os índices aumentaram. Mas parou por aí, as outras foram retumbantes fracassos.

Essa audiência mais popular buscada com as novelas foi parcialmente sustentada pelo reforço da programação esportiva. E, nela, a TV Bandeirantes continuará a investir no próximo ano, assim como no jornalismo, descuidado nos últimos tempos. A reconquista do público mais exigente a emissora pretende conseguir com muitos especiais musicais. O início desse projeto foi o especial com Chico Buarque de Holanda, no final do ano, que custou cerca de Cr$ 230 milhões, o maior desembolso da Bandeirantes em 1984.

A TVE deverá continuar no mesmo rumo que tomou este ano: valorização da programação educativa, sem concessões para atrações comerciais. A TVS não teria motivos para grandes mudanças, assim como a Record. Ambas têm o público que lhes é adequado, as faixas mais populares que consomem os produtos anunciados nela emissora, especialmente o Carnê do Baú da Felicidade, de Sílvio Santos. Mesmo assim, a TVS tem planos de melhorar seu jornalismo, uma área que já recebeu investimentos em 1984. Fincando nas classes C e D - houve época em que batia a audiência da Globo nas tardes de domingo - a TVS não deverá brigar com a Manchete e Bandeirantes por um público mais exigente. Deverá oferecer uma maior variedade de programação para seu espectador tradicional.

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