Tuesday, June 4, 2013

1983 - Rede Manchete pelo Brasil

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 19/6/1983
Autor: Benevenuto Netto
MINEIROS, PAULISTAS, CARIOCAS E GAÚCHOS RECEBEM A TV MANCHETE
Em sua primeira semana de presença nas quatro principais Capitais do país, a Rede Manchete teve um desempenho relativamente bom, principalmente no Rio e em Belo Horizonte, melhor nesta aliás que na primeira. Não esquecer que a quantidade de residências com aparelhos de TV nas Capitais gaúcha e mineira é quase a quarta parte da do Rio e a sexta de São Paulo.

Posto isso, eu diria que em sua primeira semana carioca a emissora caçula conseguiu alternar-se entre o segundo e o terceiro lugares na preferência do telespectador. Chegou a ser a primeira duas vezes - durante os filmes Contatos Imediatos e Horizonte Perdido, respectivamente domingo e segunda-feira - e a segunda mais vista, quase sempre. Em alguns horários, o dos desenhos entre 17 e 19 horas, perdeu para a TVS, mas não perdeu a pose. Está bem vista no Grande Rio.

Em São Paulo, platéia mais difícil de conquistar. Tanto que, mesmo no dia da estréia, a Manchete ficava ali em terceira posição e perdia para a Globo e para a TVS, exceto durante a exibição do filme - Contatos Imediatos - o mais visto daquela noite. No decorrer da semana, os paulistas deram à recém-nascida emissora todas as posições. Ela empatou com a Globo, na quarta-feira, horário do filme Júlia, foi a mais vista na terça-feira depois das dez da noite, foi a segunda uma poucas vezes, a terceira idem e quase se posicionou, de maneira geral, no quarto lugar, atrás então da Globo, da TVS e da Record, esta um tanto forte entre os paulistanos.

Em Porto Alegre, terceira cidade em quantidade de aparelhos no país, outra guerra! Ali, a Bandeirantes tem a força que não tem no Rio, a Globo é a Globo e lidera; a TVS disputa com a Bandeirantes e ainda com a TV Guaíba, emissora local, a segunda posição. E a Manchete entra na dança sem ter conseguido sequer, em nenhum horário, a primeira colocação. Absurdo até exigir tanto dela. De qualquer forma é nítida a concorrência que a nova emissora enfrenta em terras gaúchas na luta pelo próprio espaço. E, por enquanto, o espaço que os gaúchos lhe concederam foi mais para terceiro que para segundo, perdendo quase sempre para a Globo e a Bandeirantes de lá.

Finalmente, em Belô, uma certa tranqüilidade. Com apenas quatro canais de TV - Manchete, Alterosa (retransmissora de parte da programação da TVS), Bandeirantes e Globo - a Manchete coloca-se melhor que em Porto Alegre e São Paulo. Estreou em segundo lugar (mas só entrou tarde, na hora do filme) e manteve o mesmo público praticamente durante toda a semana. Chegou a ser a mais vista na quarta-feira, era Júlia outra vez, e atingiu piques bons de até 33,7% no filme de segunda-feira (Horizonte Perdido), e 520 mil mineiros assistindo.

É isso. Mais uma Rede mobiliza o mercado e, com ela, a certeza das diferenças de comportamentos nas várias cidades desta terra. O que serve para o Rio não é necessariamente o que agrada a paulistas e gaúchos. Enquanto os mineiros prestigiaram os gaúchos preferiram o Caso Especial da Globo e as Mulheres da Bandeirantes. E ainda dizem que a TV muda comportamentos e faz a cabeça das pessoas. Faz?

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