Monday, May 27, 2013

1985 - Abril e Gazeta de novo

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 19/6/1985
Autor: Alberto Beuttenmuller
EDITORA ABRIL & TV GAZETA
Duas horas diárias só para São Paulo

A Editora Abril iniciará, em meados de julho próximo, uma programação diária na TV Gazeta, Canal 11 de São Paulo ''especificamente para essa cidade e os 37 municípios vizinhos com uma nova proposta, a TVA, ou seja, a TV por assinatura, visando apenas ao anunciante e ao espectador local, sem a menor preocupação nacional e fugindo da rede de televisão, um mercado saturado pelas já existentes." A explicação é do diretor geral do projeto Vídeo Brasil, Roger Karman.

A programação com ênfase no jornalismo tem o título provisório de São Paulo na TV.

Será de segunda a sexta-feira, das 20h30min às 22h45min, exceção feita às quintas-feiras, cujo horário será das 20h30min às 22h15min. Aos sábados, a programação da Abril Vídeo ocupará a TV Gazeta das 21h às 23h e aos domingos das 20h às 22h.

A primeira hora será essencialmente jornalística, com comentários, fatos curiosos, lazer cultural. A segunda hora será toda para o entretenimento, procurando fornecer informações não dadas pelos demais canais. O primeiro programa está sendo escrito por Mário Prata, para os dias da semana. Aos sábados e domingos, a programação será voltada para o musical, o teatro, o cinema, espetáculos em geral. Serão destacadas pessoas, entidades, da vida paulista. O programa terá o título sugestivo de No Coração de São Paulo, "um programa apaixonado por São Paulo", palavras de Roger Karman, da Abril Vídeo.

O público a ser atingido pela nova emissora é o da classe A e B, que "vem perdendo terreno na televisão brasileira", segundo Karman.

A TV Gazeta possui uma das melhores imagens de São Paulo, pois fez um acordo com a Globo, cedendo o espaço do alto de seu prédio na Avenida Paulista, o ponto mais alto de São Paulo, para a antena da TV Globo. Em troca, colocou sua própria antena no suporte da emissora carioca, obtendo assim a mais nítida imagem paulistana. Para preencher o resto da programação, a Gazeta está fazendo acordos com outros produtores independentes, como é o caso do jornal Gazeta Mercantil, que colocará no ar programas após os da Abril, diariamente.

Explicando a opção da Abril por uma programação voltada para os interesses locais, Karman afirma que o "mercado de publicidade no Brasil não tem condições de suprir mais uma rede nacional, mas tem possibilidade de trabalhar dentro de uma outra proposta, como a nossa, com um mercado localizado. A briga entre as cinco redes, daqui para frente, será feia. Não queremos, por isso mesmo, tomar o lugar de uma delas, mas sim propor algo independente".

A Abril não está na briga. Queremos fazer TV em outra modalidade, correr numa pista paralela. Não nos importa o que o Ceará, por exemplo, pensa em relação a determinado assunto, mas sim o que São Paulo pensa nesse momento. Queremos privilegiar São Paulo, como cidade e como mercado.

A opinião geral dos assessores da Abril Vídeo - entre os quais se incluem Homero Icaza Sanchez, no ramo publicitário (mercado e hábitos de audiência), Luís Fernando Mercadante (ex-Globo, jornalismo), Fernando Faro (entretenimento), Chico Santa Rita (ex-Globo), Paulo Markum (ex-Globo), Antônio Abujamra (exBandeirantes, direção dramática) - é de que o videocassete está modificando os hábitos do telespectador, criando inúmeras alternativas para o futuro.

A Globo poderá continuar com a liderança, mas haverá uma faixa mais ampla de televisões alternativas. Creio que o Walter Clark queria fazer isso na Bandeirantes, mas não conseguiu implantar ali o sistema de "audiência qualificada" - observa Karman.

Nos últimos 45 dias, a Abril Vídeo vem tentando montar uma programação que traduza sua estratégia em termos de mercado, principalmente observando os hábitos de audiência, além da parte técnica.

No fundo, estamos inventando a TV por cabo sem o cabo, que, aliás, nos custaria muito. Trabalharemos em UHF, que é mais barato que a TV a cabo, notadamente o cabo coaxial, que só rios Estados Unidos deu certo. Creio que a TV por cabo para o Brasil só dará certo se ultrapassarmos a fase do cabo coaxial, implantando logo o de fibra óptica, que possui maior número de canais, em relação ao coaxial. Estamos esperando, para implantar o projeto, que o Governo aceite a TV por assinatura -- a TVA - que, como trabalha em VHF, só será recebida pelo assinante, ou seja, quem operar na faixa de UM - explica Karman.

Outro aspecto que está modificando a "cabeça das pessoas" em termos de televisão, segundo ele, é a recepção familiar via satélite, por enquanto possível nos Estados Unidos, mas que estará em breve no Brasil. Nos Estados Unidos, um telespectador, pelo preço de mil dólares (Cr$ 500 mil), consegue ter um programa a domicílio, via satélite - o DBS - Directed Broadcasting Salt.

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