Sunday, May 19, 2013

1976 - Gabriela ou Saramandaia?

Amiga TV
Data de Publicação: 30/6/1976
Autor: Ilvaneri Penteado
SARABRIELA NÃO! E MANDAIA MESMO
Saramandaia já nasceu polêmica. Desde o primeiro capítulo provocou as mais desencontradas opiniões, principalmente entre os críticos de TV. Em termos de IBOPE, porém, ela já ultrapassou, em audiência, a própria Gabriela, com a qual é freqüentemente comparada. Com ressurreições, estouro de gorda, noctívago o que se transforma em lobisomem, homem com formigas saindo pelo nariz, ela se impõe como a primeira experiência calcada no realismo fantástico da televisão brasileira. E Dias Gomes responde às críticas com a frase que usa para explicar o noctívago Aristóbulo: "Não sei porque estranham que ele não durma há nove anos; tem gente que ainda não acordou."

E Válter Avancini, diretor de Saramandaia, confia no texto de Dias Gomes, no elenco e principalmente na nova proposição que a novela apresenta: "O que é realismo fantástico?

Bem, em literatura se vulgarizou uma visão maior da realidade dando-lhe o nome de realidade fantástica. Em televisão essa visão vai além do nível comum, dos personagens e do comportamento humano. Por exemplo, se apresento o Coronel Zico Rosado, que estratifica o comportamento repressivo, violento e retrógrado, já não estou mostrando um sujeito que tem formiga no nariz? É então uma visão maior do que da pequena realidade. Dizem alguns que ele é repugnante, mas é exatamente isso que pretendo."

Saramandaia foi acusada de ser apenas uma imitação de Gabriela. Avancini responde: "Essa colocação é falsa. Na verdade, as duas novelas têm como cenário o mesmo ambiente, foram gravadas no mesmo local, em Guaratiba. Mas é só. Estão sendo muito injustos com a Sônia Braga". É óbvio que ela deva lembrar a Gabriela, pois a sua cara e seu corpo não mudaram. Mas seu comportamento interno não tem nada a ver com seu papel anterior. Falam também do sotaque, quando isso é apenas um detalhe. Eu não busco o sotaque e sim definir uma unidade de som; é apenas mais um elemento do espetáculo. A crítica foi feita por determinadas áreas que discriminam e rejeitam o regionalismo brasileiro. Quem poderia fazer restrições - como o público nordestino aceita o sotaque de Saramandaia".

O elenco também defende a novela. Juca de Oliveira - o Gibão, que é dotado de percepção extra-sensorial - vai mais longe e diz que a crítica, com exceções, não está preparada para analisar fatos estéticos: "A nossa realidade é em si, tão fantástica que o Dias Gomes poderia dizer que não faz uma novela fantástica; a realidade que o é. Para mim, o realismo fantástico é uma realidade filtrada através da visão do autor. Mas a crítica não entende isso. Não percebem que a obra de arte não pode ir a reboque do público. Ela só é obra de arte quando rompe com esquemas. E é isso que Saramandaia faz. Ela não repete Gabriela. A idéia que originou Gabriela é rigorosamente diferente da de Dias Gomes. Mas quem ataca Saramandaia fica apenas na superfície, não procura se aprofundar, sentir, então critica sotaque, cenário; enfim, o supérfluo".

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