Friday, May 10, 2013

1971 - Novo jornal da Tupi

Jornal do Brasil
12/1/1971
Autor: Valério Andrade
TELEJORNAL
Até agora, o novo noticiário da Tupi não logrou suprir a lacuna deixada pelo Repórter Esso.



Não conhecemos os dados do IBOPE em relação ao telejornal do canal 6, mas suspeitamos de que a escalada dos pontinhos ainda não começou. Telespectadores têm manifestado o seu descontentamento ante o trabalho coletivo que vem sendo empreendido pelos repórteres associados. E as críticas são procedentes.

O fato é que, em termos de telejornalismo, a fórmula consagrada pelo Repórter Esso já se achava obsoleta. O progresso verificado no campo das telecomunicações, com a conseqüente eliminação do espaço geográfico, passou a exigir um novo enfoque jornalístico. A fórmula do telejornal narrado por um único locutor, prisioneiro do estúdio, já não mais atendia às necessidades de nossa época.

Havíamos chegado à época dos jornais de integração nacional.

Entre nós, o informativo da Globo salienta-se como um exemplo vitorioso. Tecnicamente perfeito, evidenciando absoluto domínio visual e sonoro em seu sistema operacional móvel, que conjuga a imagem de vários Estados, o Jornal Nacional espelha com êxito a nova fórmula.

Por alguma razão, talvez de ordem técnica, o fato é que o informativo associado ainda não logrou atingir o dinamismo e a mobilidade geográfica alcançados pelo Jornal Nacional. O progresso registrou-se num único setor: a retransmissão para outros Estados pela Embratel. Mas, basicamente, a estrutura interna do noticiário continuou a mesma. Apenas aumentou o número de locutores: a ação permanece confinada no estúdio da Tupi, aqui no Rio.

Sob esse aspecto, convenhamos, o Repórter Esso e Gontijo Teodoro davam conta do recado. E na metade do tempo. O novo telejornal da Tupi ainda não descobriu o ritmo certo. Mostra-se prolixo e enfadonho em sua meia hora. Por outro lado não existe uma progressão emocional, tal qual a existente no seu antecessor, capaz de conservar o telespectador em suspense, enquanto esperava a notícia final. E mais: falta-lhe charme.

Não basta que se leia o noticiário com a eficiência exigida pelo rádio. Além desse aspecto, a televisão tem de levar em conta a imagem do locutor e a reação que ele (ou ela) provoca junto ao público. Com exceção de Correia de Araújo, que sabe imprimir dinamismo ao texto e já criou uma imagem positiva no vídeo, o telejornal da Tupi ressente-se de uma figuração atraente.

E a presença feminina, que deveria ser um trunfo, alcançou resultado oposto. É difícil resistir à animosidade provocada pela ostensiva presunção de uma locutora que enfrenta, lá de cima de sua auto-suficiência, o telespectador como um adversário. Ou alguém a quem ela está fazendo o favor de informar...


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