Wednesday, May 29, 2013

1971 - Especial Moacyr Franco

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 12/11/1971
Autor: Valério Andrade
MOACIR FRANCO Nº 3
O vilão número um do cinema brasileiro, José Lewgoy, estava atuando no palco-auditório da Globo no papel de um ladrão que é roubado por Moacir Franco. De repente Lewgoy, fugindo ao script, pronunciou aquela famosa (e às vezes última) frase: "Estou sentindo cheiro de fumaça". E foi o que se viu.

Apesar do incêndio, da destruição do palco em que estava sendo gravado, o Especial foi concluído e levado ao vídeo no da certo. Dos três programas de Moacir Franco apresentados dentro da programação de Sexta-Feira Nobre, este último mostrou-se muito aquém do nível habitual dessa linha de produção. É evidente que a fatalidade perturbou e prejudicou a marcha do espetáculo. Mas, alem disso, algo está falhando na elaboração global dos Especiais de Moacir Franco.

O programa de estela foi realmente muito bom, visualmente brilhante, dinâmico e inventivo. A idéia de remontar a entrevista, conservando as respostas e mudando as perguntas, é um desses achados que dão extraordinária vitalidade à rotina. E a personalidade de Armando Marques, por tudo que se sabe, encaixou-se como uma luva ao objetivo humorístico desse engenhoso quadro. Igualmente funcional foi a introdução em cena do mendigo de Me Dá um Dinheiro Aí, devidamente caracterizado e denunciando a exploração que seu criador tem feito dele...

O último programa de Moacyr Franco, contudo, já começou a dar sinais de exaustão criativa e perigoso acomodamento. Ao contrário do que ocorre com os Especiais de Elis Regina, que buscam na linguagem cinematográfica a mobilidade inexistente no palco, os de Moacir Franco vêm optando pela fórmula dos quadros de auditório. Outra coisa irritante: o uso dos aplausos em off. Na introdução feita por seu filho Guto, após cada observação humorística, a platéia invisível desmanchava-se em risos e palmas.

A presença de Pelé, a começar pelo suposto e falso telefonema entre Edson Arantes do Nascimento e uma assistente da produção, foi literalmente desperdiçada em termos de solução visual. As cenas filmadas com Pelé no estádio vazio, intercaladas durante o número cantado por Moacir Franco, apenas ilustram primariamente a letra de Pelé Agradece. Aparentemente, a idéia era alcançar o efeito das cenas de Elis no Maracanãzinho vazio, mas, na verdade, a execução não foi além da intenção.

Excluindo a bem sucedida entrevista com Chacrinha, feita naquele esquema da de Armando Marques, o 3.º Especial de Moacir Franco teve raros momentos dignos de nota. Vejamos como - sem a ameaça das chamas - será o seu retorno em dezembro.

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