Sunday, March 31, 2013

1969 - Cobertura da Morte de Costa e Silva

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 21/12/1969
Autor: Valério Andrade



DE OLHA NA HISTÓRIA
A cobertura do funeral do Presidente Costa e Silva representa um esforço de reportagem que merece ser registrado.

A transmissão direta foi realizada pela Globo e a Tupi. As demais estações se limitaram a registrar o fato em seus respectivos telejornais.

No conjunto da cobertura, do ponto-de-vista jornalístico, o Canal 4 ofereceu um trabalho mais amplo e completo. Foi o último a suspender as transmissões do cemitério São João Batista, enquanto, simultaneamente, a sua narrativa era valorizada pelo som direto, de boa qualidade.

O ponto mais fraco, tanto da Globo como da Tupi, está no relato verbal dos acontecimentos.

Nas transmissões diretas, não importa a televisão ou o assunto, esse tipo de falha vem-se repetindo sistematicamente; até mesmo um repórter tarimbado como Hílton Gomes, 100% integrado no mecanismo do telejornalismo, ainda incorre no velho erro: dizer (e repetir, várias vezes) o óbvio - o que a câmara está mostrando.

Até hoje, nossa televisão ainda não conseguiu livrar-se do vírus verbal, herdado do rádio, e difundido pelos locutores esportivos .

Todo mundo que lida com cinema conhece e respeita o poder da imagem. A turma da TV, entretanto, mostra-se insegura a esse respeito, preferindo apelar para o rádio, esquecendo que o seu meio de comunicação é um filhote precoce do cinema.

No caso da transmissão do funeral do Presidente, salvo as informações de praxe, e uma ou outra observação adicional, o próprio assunto pedia silêncio, suportava pausas verbais. A música, pouco usada pela 4, complementaria a imagem, criando uma atmosfera adequada, emocionalmente envolvente.

No setor do telejornal, coube ainda, ao Canal 4, em seu informativo da noite (19h40m), o mérito de ter feito a melhor cobertura sobre a morte de Costa e Silva, dedicando-o inteiramente ao assunto: em seleção criteriosa apresentou os flagrantes mais expressivos da cobertura ao vivo, suprimindo, inclusive, as partes supérfluas do relato.

Enquanto, no Canal 6, o Repórter Esso optou por outra linha. Não mudou a estrutura habitual do programa, mas, em compensação, focalizou aspectos (cenas da cidade, bancos fechados, etc.) correlacionados e decorrentes da morte do Presidente. A última notícia, porém, foi dedicada ao funeral: teve a duração de cinco minutos. E o texto, como de hábito, foi informativo, conciso, jornalístico.

Portanto, graças ao trabalho dos Canais 4 e 6, o carioca teve um painel completo sobre a morte do Presidente Costa e Silva, enquanto a televisão, mais uma vez, foi notícia ao registrar a História.

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