Sunday, March 31, 2013

1969 - Brasil sem Copa na TV?

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 2/10/1969




BRASIL ESTÁ AMEAÇADO DE NÃO VER E OUVIR A COPA
Os brasileiros estão ameaçados de não verem a transmissão direta, pela TV, dos jogos da Copa do Mundo de 1972, e as estações comerciais de rádio talvez não o transmitam, porque não chegaram a bom termo as negociações entre as emissoras e o empresário mexicano Emílio Azcárraga.

Tudo em razão do precedente aberto pela FIFA, que, pela primeira vez na história da Copa, negociou a concessão das transmissões com uma empresa particular, a Telessistema Mexicano, de propriedade do Sr. Azcárraga, que está procurando dividir as emissoras nacionais, a fim de obter um melhor preço pelo direito de irradiação e imagem.

O PROBLEMA - Em caso de desacordo total, apenas uma rádio estatal, sem interesse comercial, poderá transmitir diretamente as partidas, segundo as normas que orientaram a FIFA, quando do contrato que fechou com o Sr. Emílio Azcárraga .

Por esse motivo é que os representantes das principais emissoras de rádio e TV do país estiveram reunidos ontem, na sede da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão E a conclusão a que chegaram foi a de que nenhuma delas aceitará exclusividade para a transmissão, que caberá a todas ou a nenhuma.

No inicio da reunião, o Sr. Almeida Castro, representante das emissoras de rádio e TV Associadas, lembrou que a falta de união, tal como é desejada pelo Sr. Azcarraga, fez com que duas estações de televisão de Lima, no Peru, se degladiassem, disputando a compra do direito da transmissão, o que levou uma das empresas a oferecer, ao Telessistema Mexicano, US$ 250 mil, enquanto a outra solicitou um prazo para saber se pode cobrir esta proposta.

Diante de fato tão expressivo, os empresários brasileiros reafirmaram a necessidade de união, sobretudo porque nenhuma emissora nacional de TV teria condições de adquirir, sozinha ou com apenas as congêneres de sua cadeia via microondas, o direito de transmitir os jogos ao vivo.

Foi também levado em conta que talvez Sr. Emílio Azcárraga peça mais que US$ 250 mil pela venda do direito da transmissão, baseado no motivo de que o brasileiro dá grande importância ao futebol. Esta manobra teria por fim fazer dobrar as empresas, responsabilidade nas impondo-lhes, mesmo unidas o com igual responsabilidade nas despesas, uma quantia astronômica.

INTERESSE NACIONAL - Daí a formação de uma comissão - composta dos Srs. Almeida Castro, dos Associados; Válter Clark, da Globo, Flávio Alcarraz Gomes, da TV Gaúcha; e Enéas Machado, representante das emissoras de rádio - que irá ao México para negociar diretamente com o Sr. Azcárraga os preços das transmissões pelo rádio e televisão. A oferta inicial dos empresários será de US$ 264 mil para o direito de transmissão pela TV e de US$ 60 mil para o direito de transmissão pelo rádio.

O total calculado para a transmissão da televisão foi baseado no preço da transmissão da Copa de 1966, em Londres (US$ 220 mil). A este se anexou US$ 44 mil equivalentes a 20 por cento que é a percentagem a mais que completaria o valor justo do direito de trazer a imagem até o Brasil, segundo os empresários. Quanto à transmissão pelo rádio, ficou resolvido que será proposto o mesmo preço pedido pela FIFA em Londres, ou seja, US$ 60 mil. Isto porque, com a transmissão ao vivo pela TV, a irradiação perde muito do seu interesse, razão pela qual faltariam patrocinadores para aceitar o conseqüente alto custo da propaganda.

A comissão terá o direito de, recusadas as suas propostas iniciais, oferecer mais. A tendência é concordar com até 50 por cento sobre o preço da Copa de Londres, com relação à TV. Pelo menos é o que ficou assentado a priori, embora esteja prevista outra reunião, esta secreta, para fixar o limite que não será ultrapassado.

PODER NAS MÃOS - Quando conseguiu a concessão para a transmissão radiofônica e pela TV dos jogos da Copa, o Sr. Emilio Azcárraga designou uma empresa de sua propriedade, a TV Latin Programs sediada no Panamá, para tratar da questão com as emissoras latino-americanas. Esta, por sua vez, designou sua representante no Brasil, a empresa de publicidades Soma, que fez a seguinte proposta aos empresários brasileiros: daria a todos o direito à transmissão, contanto que aceitassem o fato de que os anúncios, tanto para a TV, como para o rádio. fossem apenas de sua responsabilidade. Ficariam assim, as estações de rádio e televisão sem nenhum lucro, que seriam exclusivos da empresa publicitária.

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