Sunday, January 20, 2013

1985 - Martha Suplicy Ataca José Serra no TV Mulher

VEJA
Data de Publicação: 6/11/1985

DESACORDO NO AR
Eleição gera tumulto no programa TV Mulher

Acostumados ao tom ameno com que a atriz Irene Ravache, 41 anos, conduz a entrevista que marca o encerramento do programa TV Mulher, exibido pela Rede Globo no horário matutino, os telespectadores foram surpreendidos, na segunda-feira passada, com uma invasão do estúdio e um princípio de bate-boca político. A confusão, que retardou o término do programa e alterou a sobriedade do chamado padrão Globo de qualidade, envolveu Irene, seu entrevistado, o economista José Serra, 43 anos, secretário do Planejamento do governo paulista, e a sexóloga Marta Suplicy, dona do quadro Conversando sobre Sexo, que entrou no ar inesperadamente.

José Serra encerrou sua entrevista falando sobre as eleições municipais. "Eu queria dizer, encerrando, que a eleição em São Paulo é muito importante para a consolidação da democracia no Brasil", afirmou o economista, do PMDB. Nesse momento, ele era atentamente observado por Marta, 40 anos, casada com Eduardo Matarazzo Suplicy, candidato do PT à prefeitura de São Paulo. "Por falar em eleições, a Marta Suplicy está aqui atrás das câmaras", disse Irene Ravache, que tinha a intenção de lembrar que ela, a sexóloga e Serra haviam se encontrado numa festa, há alguns meses. Irene, no entanto, não conseguiu terminar a frase, pois Marta aproveitou a deixa e foi para a frente das câmaras.

"Os telespectadores me desculpem por eu estar sem maquilagem, mas eu gostaria de dizer que discordo da importância que se quer dar à eleição em São Paulo", afirmou a sexóloga, defendendo sua tese com a mesma impetuosidade com que combate o machismo.

Enquanto os técnicos do estúdio se entreolhavam espantados, sem saber o que fazer, Marta continuou seu discurso, afirmando que as idéias sustentadas por Serra não eram verdadeiras. Irene tentou contornar a situação. "Ora, Marta, você está sempre bonita, mesmo sem maquilagem", disse a atriz. Serra, elegantemente, observou que a discussão era importante. Com 1 minuto de atraso, o TV Mulher acabou com a saída de Marta da frente das câmaras e Irene Ravache dando um bom-dia aos telespectadores.

"Achei um absurdo que o Serra aproveitasse um programa de entrevista para fazer campanha pelo voto útil", argumenta a sexóloga. "Pensei que a Marta tivesse entrado para cumprimentar o secretário", lembra Irene Ravache, que votou no PT em 1982 e pretende votar no PMDB em novembro. Houve conversas na direção da Globo sobre o episódio e, no final, decidiu-se não recriminar Marta Suplicy. "Nesta época está todo mundo quente com o assunto das eleições", explica Nilton Travesso, 50 anos, diretor da Central Globo de Produções em São Paulo. Na Globo, continua valendo a regra de que apenas os jornalistas estão impedidos de aparecer nos horários gratuitos. Antônio Britto, por exemplo, fez um acordo no sentido de não aparecer nos programas da Globo até as eleições, para poder gravar algumas propagandas

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