Sunday, January 20, 2013

1983 - Terceiro Aniversário do TV Mulher

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 10/4/1983
Autora: Martha Baptista
O QUE A TELEVISÃO ESTÁ DANDO À MULHER?
Três anos de TV Mulher. Uma façanha, se compararmos a trajetória da aniversariante à de outros programas seus contemporâneos, como o Delas e Nova Mulher que, apesar de elogiados, tiveram vida curta na TVE e Bandeirantes, respectivamente. Hoje, o programa comandado por Marília Gabriela na TV Globo, de segunda a sexta-feira, das 8 às 11h, reina praticamente sozinho (a Bandeirantes tem Ela, que por enquanto não é transmitido para o Rio, e a TVS acaba de lançar A Mulher é um Show, nas noites de terça-feira) sobre um público imenso e a cada dia mais ávido de informações.



Mas a presença da mulher no vídeo não se limita aos programas ditos femininos: ela ainda é a pièce de résistance da publicidade na TV e presença dominante em novelas e seriados. Será que a TV realmente acompanhou a evolução do público feminino? Terá sido parte atuante e fundamental nessa transformação? Aqui, cinco mulheres com presença marcante no mercado de trabalho, a maioria militante do movimento feminista, analisam a relação mulher x TV, tendo TV Mulher como ponto de partida.

São elas as cineastas Ana Carolina (Das Tripas Coração) e Leilany Fernandes (o curta-metragem Tempo Quente, sobre mulheres de uma comunidade carente), a socióloga Moema Toscano, a escritora Heloneida Studart e a Deputada estadual Lúcia Arruda, do PT. Todas foram unânimes em apontar o avanço que TV Mulher representou, principalmente por trazer ao vídeo um tema até então considerado tabu: o da sexualidade, através da sexóloga Marta Suplicy. Lúcia Arruda lembrou que o quadro quase foi tirado do ar há pouco tempo como uma prova da resistência ainda existente em alguns setores da sociedade.

Mas, não faltaram críticas ao TV Mulher. Ana Carolina, por exemplo, diz que o programa "repousa" sobre algumas características femininas negativas, como o interesse pela astrologia e pelas receitas culinárias, definidas por ela, como "pilares da bobagem". Leilany acha que, embora tenha conquistado um espaço social e político, TV Mulher tem seus "pecadilhos": o de estar pautado sempre em cima de "grandes mulheres", ou seja, a melhor atriz, a mais bela mulher, sem abrir espaço para as pessoas comuns.

A ex-Deputada Heloneida Studart critica o horário diurno de TV Mulher e dos programas femininos em geral, fruto, em sua opinião, do fato deles tratarem a mulher como uma pessoa excluída do mercado de trabalho.

- Já está na hora de ser criado um programa feminino à noite para atender à população feminina que trabalha. Esse programa deveria ser elaborado por mulheres e tratar de assuntos políticos e econômicos, enfim, todos os problemas do mundo com um enfoque feminino, porque a mulher não é inferior ao homem, mas diferente - sugere.

Já Moema Toscano tem outra visão: dividindo em três estágios a relação mulher x TV no Brasil, propõe como o quarto momento a chegada a uma programação única para ambos os sexos, já que o movimento feminista luta pela "integração plena da mulher na sociedade".

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