Sunday, January 20, 2013

1980 - Xênia Bier se Acerta com a Bandeirantes

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 29/2/1980
Autor: Luis Henrique Romagnoli
XÊNIA NÃO VAI PARA A GLOBO, PELO MENOS ATÉ JUNHO
SÃO Paulo - "Foi tudo num clima muito emocional. Choramos, xingamos e brigamos tudo a que tínhamos direito. No fim, fiquei". Bem ao seu estilo, foi assim que Xênia Bier descreveu sua reunião com a diretoria da Rede Bandeirantes, na qual ela decidiu aceitar a proposta de apresentar um programa semanal noturno. Pelo menos até junho, quando vence seu contrato.




Com isso termina, pelo menos por enquanto, a novela Xênia-Bandeirantes que começou na semana passada, quando ela ficou sabendo pelas chamadas na TV que seu programa havia mudado de horário. Seu último programa na semana passada reuniu centenas de fãs endoidecidos que pediam que ficasse. A campanha prossegue até hoje. Xênia diz que seu clube já arrecadou mais de 20 mil assinaturas pedindo a sua permanência no horário vespertino, onde já passou dos treze anos.

As pichações "Queremos Xênia" foram vistas em vários pontos da cidade, até mesmo em frente ao prédio onde ela mora na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Recostada em almofadas com reproduções de cenas da "Guerra dos Dalmatas" de Walt Disney, Xênia confessa que quase aceitou a proposta da Rede Globo:

- Eu estava magoada e ia partir para aquela de revanchismo. "Ah é? Pois então eu vou pra Globo". O Nilton Travesso esteve aqui em casa e me convidou para fazer aquele programa matutino que eles vão lançar. Ele me garantiu que eu teria toda a liberdade e era justamente por isso que eles queriam que eu fosse para lá. Pelo meu jeito. Até a Globo já está notando que de um jeito ou de outro, existe uma abertura. Há dois anos quem falasse de Luis Carlos Prestes ou Arraes ia preso. Agora é tão normal falar neles como em modess.

Ela quase ia. "Pelo desafio", disse. "Mas eu não consegui dormir naquela noite. Dai para entrar em acordo com a Bandeirantes não foi tão difícil. O programa deverá entrar no ar em duas semanas, às sextas-feiras, às 22 horas.

Xênia, porém, fez uma exigência à Bandeirantes: "não quero nada de especial, plumas, paetês, porque eu me afogo nisso tudo. A Globo que inventou isso está querendo humanizar a programação. Não quero nada pasteurizado, mas também sem subdesenvolvimento apenas uma coisa natural. Quero que seja ao vivo; se o microfone cair, caiu; se eu espirrar, que o espirro entre no ar".

Muita gente desconfia que a entrada de Xénia no horário noturno possa vir a ser uma ameaça ao doce reinado dominical de Hebe. Mas Xênia afasta esta possibilidade: "São dois estilos diferentes. O público da Hebe foi chamado pelo Ricardo Bandeira de "desempregados da vida". E é isso mesmo. O público da Hebe não quer ser mexido; está estabilizado e apenas quer ver sua fada-madrinha. E a Hebe lhes dá isso, com aquela euforia toda, aquele deslumbramento. A Hebe é uma mulher bem-sucedida. Eu sou ao contrário, a maldita, a Geni da televisão".

- Eu mexo com as pessoas, eu futuco, e me futuco. Eu quero mexer. Eu sou assim, meio anarquista. Eu também me olho muito, me questiono muito. Por isso eu troco muita informação com meu público.

E esse público é muito variado. Durante a entrevista, ligaram para se informar sobre os rumos de Xênia gente tão oposta como o colunista social Tavares de Miranda e o cartunista Henfil. Para este já foi feito um convite para participar do primeiro programa e até para uma atuação fixa. "Henfil é ótimo. Ele me mandou um cartão lindo, me deu a maior força. Se ele participar do programa, vai ficar ótimo".

Xênia faz questão de desmentir que seu público seja apenas o feminino: "No Rio é meio a meio, homens e mulheres. Meu público jovem também é muito grande. Os universitários tinham muito preconceito contra mim. Mas depois de algum tempo, eles jogaram a toalha, principalmente depois que eu fiquei ao lado deles nas passeatas que eles fizeram. E eu também ganhei os estudantes pelas mães. Eles começaram a notar que suas mães se tornaram mais compreensivas, mais abertas e me descobriram".

- Isso não quer dizer que eu faça a cabeça do meu público. Acho isso de fazer a cabeça muito fascista. Falam também que eu sou líder. Eu tenho capacidade de liderança, mas não neste sentido fascista de atrair os seguidores. Eu quero é despertar idéias, mesmo que seja contra mim. O resto é populismo".

Xênia acredita que vai fazer sucesso no seu novo horário, mas não liga para os indicadores de audiência: "Ninguém acredita mais neste negócio chamado IBOPE. O Carlos Imperial está sendo processado porque comprou IBOPE. Eu não acredito mais". Além do novo horário na TV, Xênia vai estrear em abril um programa diário pela Rádio Globo de São Paulo, no mesmo esquema de suas tardes no estúdio da Bandeirantes.





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