Sunday, January 20, 2013

1980 - O Começo de Martha Suplicy

O Globo
Data de Publicação: 25/5/1980

A DIFÍCIL ARTE DE FALAR SOBRE SEXO NA TELEVISÃO
O jeito de menina causou alguns problemas a Marta Suplicy nos primeiros anos de sua clínica de terapia sexual: "os clientes insistiam comigo que queriam falar com a doutora. Não acreditavam que era eu, ficavam assustados. Como falar sobre o os mais íntimos e difíceis assuntos sexuais com uma mocinha?" Hoje, no entanto, ela atinge milhões de pessoas com o quadro "Comportamento'' no programa "TV Mulher". Todas as segundas; quartas e sextas, às 9h30m, orienta o público, esperando "ajudar as pessoas a não cometer erros com a própria sexualidade e com a dos filhos, especialmente".

Para isso, é pouco o tempo que dispõe: "em apenas 10 minutos, tento fazer com que questionem tudo que lhes foi ensinado sobre sexo".

Formada em psicologia clínica na PUC, Marta foi para os Estados Unidos. Ficou cinco anos. Fez o curso de pós-graduação na Universidade de Michigan e trabalhou no Hospital dos Veteranos de Guerra, em Palo Alto, enquanto seu marido, o deputado estadual Eduardo Matarazzo Suplicy, dava aulas na Universidade de Stanford. Lá surgiram o interesse pela sexologia e a decisão de abrir uma clínica ao regressar ao Brasil: "surpreendi a todos. Diziam: "você está louca! Aqui, nunca terá clientes". De fato, foi difícil no começo. Aqui, não existe a profissão e, em São Paulo, conheço apenas cinco sexólogos. Mas, através de outros clínicos ginecologistas: começaram a conhecer meu trabalho". Depois de sete anos de clínica, a clientela é grande. No momento, quem quiser marcar uma consulta com ela, terá que esperar até setembro.

Casada há 16 anos, Marta tem três filhos: Eduardo, de 14 anos, André, de 11, e João, de cinco. Trabalhando uma média de seis horas por dia - "além do horário sagrado da terapia que faço há seis anos" - ainda encontra tempo para o curso de pintura, para ler muito - "tenho sempre três ou quatro livros de cabeceira" - e para as reuniões semanais da "Frente das Mulheres Feministas". Em tudo o que faz, o apoio do marido: "ele assiste ao programa e depois discute comigo.

Sempre peço sua opinião antes de levar ao ar um assunto mais controvertido, pois sou muito impulsiva, mais ele tem mais equilíbrio e muito bom senso". As coisas que mais gosta: viajar e correr.-Geralmente, vai ao exterior uma - vez por ano e, sempre que pode, foge com a família para a praia de Picinguaba, em Ubatuba.

Diariamente, uma corrida no Parque do Ibirapuera, ou pelo menos, nos quarteirões próximos a sua casa. Com os filhos, um relacionamento tranqüilo: "entre nós, a única coisa proibida é sair sem avisar onde vai".


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