Sunday, January 20, 2013

1974 - Globo Avançando com as Novelas

Amiga TV
Data de Publicação: 31/12/1974
Autor: Artur da Távola
1974: BALANÇO DAS TELENOVELAS DA GLOBO
Fim de ano é época de balanço. Devagar, um assunto a cada semana, irei traçando uma panorâmica, tanto dos canais como de setores dos mesmos. Hoje o tema é novela e teleteatro na Globo. Como andou a produção da rede líder neste ano de 1974?



Em termos de teleteatro, a Globo caiu em relação a 73. Nesse ano ela realizava um Caso Especial a cada quinze dias. Em 74, sob o argumento de dar mais tempo para melhor elaborar os trabalhos, ela realizou apenas um por mês. Mas os realizou sem diferenças artísticas significativas em relação a 73. Claro, nesse setor houve uma evolução: usar só autores nacionais, com textos especialmente escritos. Isso é evolução em relação ao excesso de adaptações, levando, ainda, a vantagem de formar, preparar, experimentar, gerar, novos autores especializados em TV. Tem outra vantagem: melhor espelhar realidades brasileiras. Caiu a produção de teleteatros, nada obstante os levados ao ar tenham sido de boa qualidade. Onde a Globo deixou de evoluir foi tanto na duração (cinqüenta minutos é muito pouco, mas isso não entra na cabeça do Boni) e na freqüência: uma vez por mês não é suficiente para fixar o gênero, nem criar hábitos no telespectador. A realizá-lo nessa base, só com programas realmente especiais de mais de uma nora de duração, dando a autores, diretores e atores, reais condições de criatividade e tempo, em vez de serem obrigados ao clichê imposto pelas limitações dos tais cinqüenta minutos de duração. No campo da telenovela, a emissora continuou em sua trilha. Aqui podem ser apontados alguns pontos falhos: o infinito troca-troca de diretores, jamais criando uma unidade nas obras (exceção de O Espigão); outro, a deficiência do mise-en-scene de Fogo Sobre Terra. Se a gente comparar os recursos e o trabalho de produção de Fogo Sobre Terra com o realizado em novelas anteriores da emissora em seu principal horário, vai verificar enorme diferença.

Por exemplo: comparar com Irmãos Coragem que teve um tipo de movimentação e ambientação repleto de analogias, Fogo Sobre Terra foi totalmente inferior em termos de produção, locais, externas, tomadas, ritmos etc. É coisa que não se refere nem à obra, nem aos atores: refere-se à empostação da produção. Posso garantir que as constantes mudanças de direção e o fato de o canal não ter que conquistar o que àquela época tinha que conquistar, tenha sido um dos fatores de menor intensidade e qualidade de produção da obra. Fora desses pontos negativos tanto no teleteatro como na telenovela, resta, ainda um, a anotar. a política de renovação da emissora, mudando vários atores de seu cast, sem dúvida já começa a revelar algumas pessoas. Possivelmente se expanda em 75. Mas em 74, vários atores, hoje fora do vídeo na Globo, fizeram falta. Ainda não foram substituídos à altura. O mais, foram acertos. O maior de todos pode ser considerado O Espigão, tanto em termos de obra quanto de produção. Fogo Sobre Terra foi sucesso de positivos. Vários. Mas entrou, como eu disse antes, naquele joguinho responsável pela queda na produção: os caras cuidam os primeiros vinte capítulos, criam uma imagem, e depois mandam brasa descuidadamente. Corrida do Ouro foi sucesso total em todos os pontos, da concepção à Criação. O Rebu é cedo para fâlar. Mas em termos de produção foi outro sucesso do canal. Ainda na linha dos êxitos: vários teleteatros do Caso Especial.

Que a Globo, com a responsabilidade da liderança e ainda com fôlego para mantê-la por mais alguns anos, cuide e atente para estes detalhes. Senão, um belo dia pinta outro Beto Rockfeller e lhe tira a dianteira.

1 comment:

  1. O ACORDO COM A TIME-LIFE FOI APENAS UMA DESCULPA PARA OCULTAR ALGO + GRAVE, QUE ERA A ASSOCIAÇÃO DO DONO DA EMISSORA COM OS MILITARES INSTALADOS NO PODER. O ROBERTO JÁ VIA A DERROCADA DOS ASSOCIADOS, ASSIM SOMENTE ESPEROU A MORTE DE CHATÔ PARA INICIAR SEU REINADO DE CACIQUE DA MÍDIA EM NOSSO PAÍS.

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