Thursday, December 27, 2012

1989 - Chega ao Brasil a TV por Assinatura

Gazeta Mercantil


Data de Publicação: 29/3/1989
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CANAL +



SÃO PAULO — Com o nome de Canal +, entrou em operação ontem à tarde a primeira emissora brasileira de televisão por assinatura — aquela que o telespectador só pode sintonizar depois de acoplar um decodificador a seu aparelho. Com programação exclusivamente esportiva, transmitida 24 horas por dia, via satélite, pela rede americana ESPN (Entertainment Sports Programing Network), o Canal + poderá ser captado nos 38 municípios da Grande São Paulo, onde se acredita haver 3,5 milhões de casas com televisores, o que significa perto de 14 milhões de telespectadores.



Durante um período de testes que se estenderá por cerca de 45 dias, qualquer aparelho com UHF, além daqueles servidos por antenas parabólicas, poderá mostrar os programas da nova emissora, bastando sintonizar o canal 29. Depois desse mês e meio, porém, o sinal será codificado — só os assinantes, então, poderão recebê-lo. Para isso, será preciso comprar, na emissora, um decodificador, que vai custar NCz$ 150 para residências e NCz$ 1 mil para edifícios, e instalar uma antena de UHF, cujo preço ainda não está fixado.



Pela assinatura propriamente dita se vai pagar NCzS 15 mensais. Graças ao decodificador, que vem acompanhado de controle remoto, qualquer aparelho — mesmo os que não têm UHF — poderá captar as imagens do Canal +. O áudio virá dos Estados Unidos em português, em tradução simultânea, mas quem possuir televisor estéreo terá também a opção do original em inglês.



O empresário André Dreyfuss, presidente da Super Canal — a empresa que durante cinco anos vai representar com exclusividade a ESPN no Brasil —, explica que a codificação do sinal da emissora será feita gradativamente, "de forma que o Canal" permanecerá no ar, diariamente, em aberto, por algumas horas, para que todos os telespectadores da Grande São Paulo possam conhecer o novo serviço". Dreyfuss, de 34 anos, é um novato no ramo das comunicações. As empresas com que trabalhou até agora estavam ligadas, fundamentalmente, ao mercado financeiro.



Inicialmente, sô os moradores do quadrilátero compreendido entre as avenidas Paulista, Rebouças e Brigadeiro Luiz Antônio e pela rua Estados Unidos, na região dos Jardins, poderão fazer assinaturas. Em outros pontos da capital e municípios vizinhos, esclarece Dreyfuss, a chegada do Canal + vai depender da demanda — "as regiões que apresentarem o maior número de pedidos serão as primeiras". Mas será preciso, nesse caso, pagar uma taxa de urgência, de valor ainda não estipulado.



A opção por uma programação exclusivamente esportiva, segundo Dreyfuss, se explica pela tendência, cada vez mais nítida em todo o mundo, de segmentação do mercado. "Nos Estados Unidos, nada menos de 115 milhões de pessoas vêem os programa da ESPN", garante ele, "e no Brasil algumas emissoras já têm horários segmentados com programação esportiva, seja em dias, seja em horários específicos". O público visado pelo Canal +, diz Dreyfuss, é, explicavelmente, composto por uma maioria de homens: 75%. Mas o cardápio da ESPN inclui itens capazes de seduzir também as mulheres, como aulas de ginástica.



Ambos os sexos poderão se regalar, nos próximos dias, com automobilismo, golfe, luta livre, musculação, boxe, surfe, turfe, pesca, basebol, boliche e até mesmo uma corrida de caminhões e tratores em Kansas City. O diretor comercial da Super Canal, Laurindo Chinelatto, informa que a empresa brasileira não se limitará a comprar material da ESPN. "Tentaremos vender para ela bons produtos esportivos da televisão brasileira", promete ele. Chinelatto admitia, ontem à tarde,que o Canal + ainda não havia fechado contratos com anunciantes. "Mas quanto a isto estamos tranqüilos", dizia, "pois não faltará quem queira embarcar no nosso veiculo".



O Canal + da França — que tem mantido contatos no Brasil com a Editora Abril —, no qual a nova emissora se inspirou para tirar não sô seu nome como seu logotipo (são igualzinhos), é uma TV a cabo com programação totalmente diferente. Ela se dedica a filmes de longa-metragem, que exibe quase ao mesmo tempo em que eles estão sendo lançados no cinema. Roger Karmann, vice-presidente corporativo da Abril e responsável por seu setor audiovisual, explicou que a empresa, que também pretende entrar no mercado com uma TV para assinantes, não tem qualquer representação do Canal + francês no Brasil e que os contatos que tiveram visavam fundamentalmente à obtenção do know-how de uma experiência bem sucedida.



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