Wednesday, December 5, 2012

1982 - Ibope Feminino

Jornal do Brasil


Data de Publicação: 6/6/1982

Autor: Benevenuto Netto
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MULHER QUASE NÃO VÊ MULHER. PODE?



Curiosíssimo tudo isso. Porque sempre pensei que a televisão brasileira dedicasse pouco tempo de sua programação à telespectadora do sexo feminino. Que a mulher sendo como é, quem passa mais tempo em casa, e, portanto, com maior potencialidade para se colocar em frente à telinha, ela e as crianças mereciam mais atenção de nossas emissoras.


Puro engano. Neste pequeno levantamento de audiência dos novos programas femininos ora no ar, descubro quão pouco o sexo frágil quer ver seus assuntos discutidos na TV ou pretende até alguma exclusividade de programação.


Com que base afirmo isso? Bem, simplesmente com a convicção que os números me dão.

Veja bem. Se o TV Mulher tem 402 mil pessoas assistindo, ali estão masculinos e femininos. Com o Nova Mulher, a mesma coisa, ou seja, 120 mil entre homens e mu lheres. Sei que, do primeiro, apenas 64% são mulheres. Do segundo, 24%. Ao todo, sabe quanto dá? São 257 mil 280 mulheres vendo o TV Mulher e 28 mil 800 curtindo o Nova Mulher. Ora, se há, no momento, segundo o IBOPE, 3 milhões 124 mil 748 mulheres com mais de 13 anos, moradoras em residências com aparelhos de TV no Rio, e se, dessas apenas 286 mil 80 compõem o público dos dois programas femininos mais vistos, fica fácil, pois, confirmar que as mulheres não estão prestigiando os programas a elas dedicados.


Por quê? Por que mais mulheres não vêem mulheres? Tal uma conclusão difícil, que deixo aos entendidos em artimanhas e dengos da ainda misteriosa audiência de televisão.



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