Thursday, December 27, 2012

1972 - Futebol na TV

O Globo


Data de Publicação: 17/11/1972

Autor: Artur da Távola


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O CAMPEONATO NACIONAL NA TV



No país do futebol a televisão ainda não conseguiu traduzir, nem de longe, o que rádio e imprensa conseguiram. Há um obstáculo básico: a proibição das transmissões diretas. Aí esbarra tudo. A emoção futebolística é muito intensa. Paroxística, diria um teórico. A taxa de tensão se esgota nos noventa minutos, restando pouca disponibilidade para renovar-se nos requintados, isto é, nos teipes posteriores ao jogo. Estes ficam em geral para a curtição dos torcedores do time vencedor, desejosos de reviver alegrias. Mas tira' audiência das emissões.



Impossibilitada de reproduzir o momento do jogo, a televisão deixou de dedicar ao futebol a atenção, o cuidado, a busca de recursos técnicos e inovações dispensados a outros de seus campos, novela e telejornalismo principalmente.



Mas o Campeonato Nacional está ai, na reta de chegada. Dois canais cobrem os jogos como podem, o 3 e o 6. Este passa teipes. Aquele, em dias sem jogos no Maracanã, realiza o saudável esforço de transmitir partidas ao vivo de outros Estados.



A falta de desenvolvimento do jornalismo desportivo na televisão (pelas razões expostas) ainda nos submete a coberturas deficientes, antiquadas, palavrosas, radiofônicas, ao estilo de um tempo no qual a especialização engatinhava nos meios de comunicação. Louvo o esforço da Tv Rio. Mas sua equipe de narradores é de lascar! Idem seus cameramen e diretor de Tv, desacostumados ao desporto, quase sempre atrasados, principalmente nos chutes a gol. Quando a narração é de locutores dos Estados então, a tragédia é total. Palavrório desnecessário, regionalismo, frases enormes, absoluto desconhecimento das características visuais do meio. Estão fazendo rádio de quinze anos atrás. Nem meu bom e competente amigo Luís Mendes escapa. Narra e comenta ao mesmo tempo, canta as jogadas, opina, reclama, leva minutos comentando um fato enquanto o jogo já está em outro. É imagem para um lado (ela, sim, a verdadeira dona da nossa atenção) e som para outro, com evidente baixa da taxa de informação e cansaço para o telespectador. Ou narra ou comenta: os dois, não dá!



Na Tupi está o José Cunha, hoje um bom narrador para a Tv. Sabe atuar no subsídio ao entendimento do telespectador. Já as reportagens de campo da Tupi são uma lástima! Seu responsável (reparem) apenas se limita a repetir o que o Cunha acabou de dizer.



E a Globo? Fica fora da bronca? Não. Ela não empresta ao futebol maior destaque em sua programação. O que é pena. Como pena foi ter desistido da experiência do "Futebol Compacto" antes de tê-la desenvolvido. Futebol ainda é problema não resolvido dentro de sua vitoriosa trajetória.



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