Saturday, September 29, 2012

1982 - Hebe e o FMI

Jornal do Brasil
5/12/1982
Autora: Maria Helena Dutra
HEBE E A NOVELA PROIBIDA AO FMI
Complicou. Hebe Camargo é uma tradição e pessoa das mais importantes da televisão brasileira. Iniciou carreira como cantora, fez seu nome no rádio paulista e chegou ao prestígio nacional na televisão. Com O Mundo É das Mulheres, na periclitante TV Continental do Rio de Janeiro, e depois com seu famoso programa semanal de entrevistas na TV Record. Sucesso total, chegou a ser motivo de pretensioso livro sociológico, grande audiência e auditórios repletos. Muitos não gostavam de seu jeito de só perguntar o supérfluo e demonstrar quase total desconhecimento sobre a obra e o trabalho do entrevistado. Restrições que poderiam ser justas na época, mas que não afetaram um estilo afinal precursor da maioria dos trabalhos similares da televisão de hoje.

Com o esvaziamento da Record, resistiu até quando agüentou, foi parar na Tupi com maltratada produção. Realizou depois pequena temporada na Bandeirantes, bem a seu estilo, e ali foi retirada de maneira muito descortês pelo então diretor-geral Walter Clark, para dar lugar a atração de prestígio. Que nunca apareceu. Agora retornou vitoriosa à mesma estação, no seu habitual horário domingueiro. Mas quis, ou sua produção achou, que tinha que voltar renovada e moderninha. Deu-se mal. De bom mesmo na estréia só teve a entrevista com Clodovil, bem ao seu jeito, e um quadro musical coordenado por Ronnie Von, que neste setor tem feito bons trabalhos. Mas o resto, desculpem o termo mas não tem sinônimo, foi totalmente hilário. Hebe resolveu entrar no palco cantando e dançando tal e qual Liza Minelli. Adivinhem os resultados. A Missão Márcia de Windsor tem boas intenções, mas não é este o caminho da caridade. A falecida atriz realmente muito ajudou o leprosário de Itaboraí, só que em silêncio e com eficiência. Agora a campanha foi lançada bem naquele estilo sensacionalista que há muito em televisão perdeu a credibilidade. Além disso, os contatos entre os diversos estúdios da Bandeirantes em algumas Capitais brasileiras eram feitos através de telefone. Brincadeira, já que a própria estação passou um mês fazendo total propaganda de sua ligação nacional e simultânea por satélite.

Que podia ter sido desligado durante a cena cômica do programa. Pois assim pouparia lágrimas dos espectadores diante de tanta indigência em humor e precariedade de realização. Outra bobagem foi Hebe doar plaquinhas para um bando de ausentes, incluindo no pacote o Presidente da República e Sílvio Santos, seu patrão proprietário da estação. O que poderia ser simples, amenas entrevistas repletas de risos e exclamações sobre as gracinhas gerais, acabou ficando apenas penoso.


No comments:

Post a Comment

Followers