Saturday, September 29, 2012

1982 - Hebe Camargo Via Satélite

Jornal do Brasil
31/10/1982
Autora: Débora Chaves
A LOURA TRAZ DE VOLTA O ETERNO SORRISO
Louríssima - embora as raízes escuras de seu cabelo a traiam periodicamente - Hebe Camargo, 54 anos e 38 de profissão, volta à televisão com suas lágrimas e seu sorriso aberto, depois de dois anos afastada dos vídeos. E a própria TV Bandeirantes que a acolhe de volta - exatamente na data de aniversário de sua sumária demissão pelo então diretor-geral Walter Clark - com um programa semanal, ao vivo, de duas horas, aos domingos. E o Hebe, Satélite Brasileiro, que estréia no dia 21, às 20h.

Mais magra e de cara nova pela plástica recente, Hebe volta com um pro- grama literalmente igual ao que saiu do ar, a não ser por um quadro chamado Missão Márcia de Windsor que ela prefere manter em segredo, mas garante ser temporário, "como quem paga um compromisso espiritual".

Eu acho que em televisão ninguém inventa nada, tudo se copia e agora eu mesma estou me copiando, com um quadro de mulheres bem no estilo do meu O Mundo é das Mulheres, criado em 1953. No resto, quero aumentar o ritmo, com entrevistas mais curtas, e comentar os fatos da semana.

Relembrando os tempos de comediante de Hebe - quando, ao lado de Golias, ela fazia minicomedinhas do tipo Romeu e Julieta e Cleópatra - Hebe, Satélite Brasileiro traz ainda outra faceta da apresentadora: seu lado de cantora.

Sou até um pouco frustrada por não poder voltar a cantar, mas o público pede tanto que, se eu conseguir consertar minha voz com a Madalena de Paulo, que curou a rouquidão da Elis Regina, eu canto - assegura.

Concorrendo diretamente com o público do Fantástico, da TV Globo, Hebe, Satélite Brasileiro, pretende exatamente isso: criar uma opção para o telespectador das noites de domingo.

O que eu quero é tentar tirar esse vício do público, que tem que deixar de ser preguiçoso. Levanta e troca de canal para ver o que está acontecendo! Quem sabe é melhor, né? A Globo é muito poderosa e já tem seu público cativo, mas, mesmo assim, vou tentar - garante.

Assediada pela TVS, Bandeirantes e Globo desde fevereiro, Hebe custou a se decidir, mas acabou optando pela já conhecida Bandeirantes porque lá existe mais liberdade para o apresentador.

Gosto de ficar à vontade e fugir um pouco do esquema do programa. Quando o Nilton Travesso, da Globo, veio me mostrar o projeto, um programa semanal nas tardes de sábado, além de eu não gostar do horário, fiquei com medo da Globo querer me cercear. Eu sou uma pessoa que vive de emoção. Se a entrevista me comove, eu abro a boca mesmo - afirma.

Mas eu vou poder rir? - perguntou Hebe a Travesso. Sem resposta positiva, a apresentadora preferiu ficar onde já é conhecida e respeitada. E para contra-atacar o programa global, que ela define como "um programa feito para os estrangeiros que moram no Brasil", Hebe vai fazer de seu Hebe, Satélite Brasileiro um programa bem tupiniquim.

Com a ajuda do satélite novo da Bandeirantes, quero aproximar meu programa dos outros Estados, com personalidades famosas de cada região e matérias de reportagem dos fatos mais importantes não só de São Paulo, como de todo o Brasil. Depois que o programa se firmar, pretendo inclusive fazê-lo de vez em quando em diferentes Estados, especialmente no Rio, onde existe uma conhecida antipatia pelas coisas feitas em São Paulo - explica.

Enquanto o programa não estréia, Hebe pensa nas roupas que usará para aparecer no vídeo. "Eu me preocupo muito com a maneira que eu vou entrar na casa das pessoas. Quando vejo um artista se apresentando de camiseta, tenho a impressão de que ele não tomou banho", diz.

Vaidosa - "adoro quando as pessoas vão no Carlucho, meu cabeleireiro, pedir para ele fazer um penteado igual ao meu" - Hebe recusa o rótulo de sofisticada, embora more numa mansão no Morumbi - com o marido, Zélio Ravagnini, bem-sucedido comerciante - ao lado da de Sílvio Santos, e goste de usar jóias em profusão.

- Gosto de estar bem penteada e bem vestida e tenho certeza de que a mulher que me assiste gosta de me ver assim. Mais do que nunca, é hora de voltar para trazer uma mensagem de otimismo. Meu público se projeta em mim justamente porque eu sou uma pessoa de origem humilde que venceu na vida. Eu posso falar porque já passei por momentos muito difíceis - conclui.


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