Sunday, August 26, 2012

1988 - Léo Jaime e Clodovil

O Globo
Data de Publicação: 9/7/1988
Autor: Leo Jaime
O SHOW JÁ TERMINOU
Demitido da TV Manchete, Clodovil fala sobre os motivos que o desligaram da emissora e sai do ar

Entrevistar um amigo é uma coisa complicada por vários motivos. Primeiro porque sabemos quase tudo sobre ele, daí fica difícil escolher os temas e fica difícil, também, selecionar o que é da intimidade e o que pode ser revelado. E quase que um processo de censura. Eu reparei isso na medida em que fui me tornando amigo de um entrevistador, que hoje é meu entrevistado.

Das suas qualidades não é preciso falar. Todo mundo está careca de saber. Talvez só não saibam que ele, em breve, estará em cartaz com cantor. E para susto de muitos, não estará mais em cartaz em seu programa na TV Manchete, a partir de sexta-feira da semana que vem.

E aqui, com vocês: Clodovil Hernandez, "Clô" para os íntimos, e me'rmão para mim. Meus amigos, o babado hoje é dos grossos.

LEO - Da última vez que nos vimos, você estava empenhado em achar um apartamento e se mudar definitivamente para o Rio. Além disso estava por estrear um programa noturno, além de continuar com o vespertino "Clô, para os íntimos". Parece que o panorama mudou um pouco.

Clodovil - Isso é igual ao país em que vivemos. É igual ao tempo: ontem o dia estava lindo, hoje o céu está desabando. Claro que não foi por acaso, porque nada é por acaso. Se eu estou falando disso pra você, aqui e agora, é porque as coisas deveriam acontecer assim. Eu não queria acabar o meu programa. Também não tenho nenhuma queixa a fazer à empresa Manchete. Minhas queixas sempre foram feitas no ar, e isso nunca incomodou à direção da casa. Mas as coisas vinham caminhando para isso já há algum tempo.

LEO - O programa noturno, por que é que foi cancelado?

Clodovil - Tudo começou quando o Jaime Monjardim entrou para a direção artística da Manchete, com todo o seu talento, pra inovar, mudar a cara da Manchete. Tanto que, pra renovar, ele ressuscitou o programa do Miéle, que, aliás nunca deveria ter saído do ar, e também o "Sem limites", com o Luiz Armando Queiroz no lugar do J. Silvestre. No entanto, ele resolveu achar que eu sou demodé, e disse que queria fazer uma série de alterações no meu programa.

LEO - Que tipo de alterações?

Clodovil - E eu que sei? O problema é exatamente esse, há algum tempo que eu venho fazendo o papel de marido traído. Sou sempre o último a saber. Fui saber que teria um programa às noites de quarta-feira através de um amigo. Ninguém me consultou antes mesmo de divulgar o projeto. Depois, também à minha revelia, resolveram mudar o programa de dia e de proposta, mudando para domingo à noite, para concorrer com o "Fantástico". Eu seria o apresentador, e costuraria as notícias. Não topei fazer o programa. Preferia o projeto anterior, que, no entanto, foi descartado, por acharem que não tinham condições de fazer um programa tão luxuoso - isso é o que eles queriam para mim, frise bem, idéia deles e adiariam até o final do ano o projeto. Por mim o programa da tarde já estava ótimo, eu melhoraria algumas coisas, mas detalhes, e não pedi programa nenhum, embora assumindo o projeto, fosse lutar para fazer o melhor. Daí que depois de eu ter divulgado por toda parte que iria fazer o programa, resolveram adiar o projeto, ou cancelar que é o que está mais evidente agora, e eu só fui saber disso depois que a imprensa já tinha noticiado. A minha palavra fica em jogo, pois foi eu que, sem contrato, divulguei o programa. Mas lealdade é uma coisa meio fora de moda ultimamente, e eu chiei muito com isso.

LEO - Essas coisas todas aconteceram com a modificação na direção da TV. Esses projetos não eram da nova direção?

Clodovil - E, mas tem coisa no passado. Nos tempos do meu programa na Bandeirantes, sugeriram o Jaime Monjardim para dirigir o programa. Só que na época ele estava empenhado em vender um tape que ele mesmo tinha produzido sobre sua mãe, a Maysa. Eu achei aquilo de extremo mau gosto e rejeitei a idéia. Ainda bem que eu estou saindo da manchete agora, porque do jeito que eu ando somatizando com os problemas que venho tendo lá, ia acabar arrumando uma doença mortal, ia morrer lá e ele ainda ia fazer um tape meu pra vender por aí, que nem ele fez com a própria mãe. Cruz credo.

LEO - Seu programa tem como marca o improviso, o fato de você sair falando o que te dá na telha, inclusive tornando o programa num dos raros espaços da televisão para a espiritualidade, deve te dar um sentimento de perda muito grande. Como é que você está?

Clodovil - Depois de ter perdido minha mãe, qualquer outra perda é menor. Essa é uma das melhore coisas que a Manchete me proporcionou: poder desabafar esse meu processo extremamente doloroso no vídeo, dividindo com os espectadores minhas dores e dúvidas. Fiz do povo meu confessionário. E uma pessoa, em especial, me ajudou muito nesse processo - a Sônia Israel, que foi produtora do programa, e lutou para que eu tivesse espaço para discutir essas coisas no vídeo, com os espectadores.

LEO - A impressão que fica para quem te assiste, é que você trata o público como se fosse uni amigo muito íntimo.

Clodovil - Porque eu converso com eles. Quando faço uma pergunta, dou um tempo para que eles pensem na resposta. E a inclusão da espiritualidade com mais uma das coisas que me aproximava das pessoas, foi, como tudo que eu faço, uma coisa puramente intuitiva. Foi acontecendo naturalmente, na minha vida e no programa. O fato de perder esse contato com o público é uma coisa que me entristece muito, mas eu sei que para onde eu for poderei contar com eles, afinal já passei por outras emissoras, sempre com sucesso. Mas a gota d'água que provocou a minha saída da Manchete, foi o fato de estarem cortando a conclusão do programa. A tal da censura interna. Isso me feriu muito, pois eu sei que apesar de ser bem sucedido em outras áreas, eu vim aqui para essa terra com a função de falar pras pessoas, minha realização é essa. De todas as coisas que eu faço, a mais importante para mim era exatamente o papo no final do programa, onde eu poderia falar sobre qualquer coisa, desde contar piadas até falar sobre vida e morte. Talvez em outro lugar eu não possa fazer isso.

LEO - E quais são os próximos projetos?

Clodovil - Em televisão não penso em nada por agora, preciso dar um tempo pra assimilar tudo o que está acontecendo.

LEO - Mas vão chover convites, afinal, você é um dos maiores ibopes da manchete, e absoluto no seu horário. É que nem mulher bonita quando separa do marido. Fica assim de gavião.

Clodovil - E, mas eu só sei como é que eu vou ficar mesmo, depois que gravar o último programa, daqui a pouco. Há tempos que eu venho pensando em fazer um programa vespertino, ao vivo, aos domingos. Entre quatro e seis da tarde. Mas não acho que seja a hora de pensar nisso. Agora eu estou começando a preparar um show intimista, e quero viajar com ele. Você não quer dar apoio a uma criança desamparada e me ajudar a montar esse show?

LEO - Claro, me'rmão, o que é que você me pede chorando, que eu não faço sorrindo? Dá aí algumas dicas do repertório e do clima do show.

Clodovil - Eu quero fazer um show escancarado. Músicas muito românticas, tipo: Michel Legrand, Gershwin, Luís Melodia, Roberto Carlos, e até uma do Herbert e da Paula Toller, "Nada por mim". E vou mesclar isso com piadas, com um tipo de humor mais escancarado também, que é mais possível num show intimista.

LEO - Mas eu sei que você, além de ter uma voz bastante agradável, e ser muito afinado, tem um desejo antigo de cantar. Porque resolveu desencantar só agora?

Clodovil - O tesão já é antigo, mas só agora é que eu perdi o medo.

LEO - E a moda, a quantas anda?

Clodovil - Continua indo muito bem. As mesmas clientes e o mesmo sucesso.

LEO - E o lance de mudar para o Rio?

Clodovil - Não sei, será? Em Ubatuba eu sei que não vou continuar. Depende muito do lugar em que eu vá trabalhar. Agora eu sou free lancer, é só pagar o michê. Agora eu vou fazer porta de motel.

LEO - Esse já é o tipo de coisa que não caberia na boca de uma mulher que acabou de se separar do marido.

Clodovil - Eu nunca me casei. Eu não me caso com nada. Eu fui é demitido sem aviso prévio, o que é bem diferente.

LEO - E por que é que você nunca se casou?

Clodovil - Um casamento para ser legal, seria um casamento onde as pessoas tivessem um nível de cumplicidade e lealdade, onde não precisassem nem de uma escova de dentes para cada um. A lealdade, que é a chave de tudo, é muito mais possível entre amigos. São raros os casais que tem um relacionamento nesse nível.

LEO- Vai ver que é por isso que, geralmente, o casal tende a ficar restringindo as amizades. Amigos, muitas vezes são uma ameaça. Mas isso não seria também um tipo de preconceito? Agora, olhe para aquela câmera, e diga com toda a sinceridade: você é uma pessoa difícil de se trabalhar?

Clodovil - Sou. Gente sem talento sofre na minha mão. Gente com valor, por mais humilde que seja, trabalha junto. Pra esses eu não sou nenhum pouco complicado. Eu sou é perfeccionista. Até pra cozinhar em casa eu faço o melhor que posso. Terminando o programa agora, eu sei que muita coisa se perdeu entre a preparação e o acabamento. Mas a maioria das entrevistas foram ótimas, o programa foi um grande sucesso. O que acontecia de bom e de ruim era do conhecimento do público, isso desnuda a mim e a quem trabalha, ou trabalhou comigo. Um dos produtores, por exemplo, jogava os cartões numa gaveta e não mandava as flores. Eu sou uma pessoa difícil de se trabalhar. Sou sincero, honesto e não puxo saco de ninguém.

LEO - O que mais você gostaria de dizer para finalizar? Clodovil - Bom, agora entram nossas estrelas comerciais, mas eu não volto, viu?

Dito isto, saímos do Rio Palace em direção à TV Manchete, onde ele iria gravar os dois últimos programas. Eu estou entre as pessoas que sentirão a falta de um programa querido. Mas torço para que tudo fique bem. A poeira ainda não baixou, e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Já perdemos o Chacrinha há alguns dias, acho que não podemos nos dar a esse luxo. Ou será que nós temos tantos homens brilhantes, a ponto de não precisarmos mais desses expoentes? Seja como for, até a próxima. E obrigado, lê, por ter me dado esse prazer.

1981 - Guaíba Ao Vivo

Folha da Tarde
Data de Publicação: 31/10/1981

''A PRODUÇÃO É A ESPINHA DORSAL DE UM PROGRAMA''
Maria Helena é produtora do quadro de Fernando Vieira no Guaíba ao Vivo, que a TV2 apresenta de segunda a sábado, a partir das 19h30min.

Maria Helena trabalha há dois anos e meio em rádio, onde vem acumulando experiência em vários setores: começou com reportagem geral, passou pela economia, aeroporto e politica.

Atualmente, para poder conciliar rádio e televisão fazer reportagem geral. Para ela, é importante trabalhar tanto em rádio quanto em televisão mas "a tv oferece mais condições de futuro - já que o rádio está um pouco estático - a tv é mais envolvente e é onde o mercado de trabalho também é maior, inclusive por exigir um número maior de tarefas."

Com relação ao quadro de Fernando Vieira, Maria Helena o considera gostoso de produzir, "é movimentado, exige bastante criatividade e é uma coisa que tem muito a ver comigo''.

Além de fazer a produção do quadro, Maria Helena faz as externas e todo o trabalho de edição, acompanhando o desenrolar do programa. Talvez por todo esse acompanhamento é que Maria Helena considere mais que o rádio, embora pense que este crie que a TV acrescenta um embasamento essencial para a profissão de jornalista.

Atualmente, Fernando está realizando um concurso que vai sortear dez cartas para receberem uma viagem ao Rio de Janeiro (fim-de-semana com direito a ingressos aos shows de Roberto Carlos, no Canecão e Simone).

Também está em andamento - e as inscrições encerram no próximo dia 15 - um concurso para modelo fotográfico, em que as vencedoras irão apresentar o programa durante uma semana com Fernando Vieira, vão receber um guarda-roupa completo da marca LEE, e mais outros prêmios, que serão conhecidos posteriormente.

TRABALHO ANÔNIMO - Na opinião de Maria Helena, "o trabalho de produtor é um trabalho anônimo, que serve para embalar não só e apresentador, mas todo o programa. Para mim a produção é a espinha dorsal de um programa embora muitas vezes ela seja ignorada pelo telespectador. Tem muita gente que não sabe que dentro de uma emissora de televisão é necessário produzir, montar editar, etc, etc, etc. É muito fácil ver o programa todo prontinho como chega ao telespectador, mas para nós é o resultado extremamente gratificante de um trabalho de horas e horas"

1973 - TV Difusora X IBOPE

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 17/7/1973

PERDA DE CONFIANÇA LEVA TV A SE DESLIGAREM DO IBOPE NO SUL
Porto Alegre - A Rádio e a TV Difusora, desta capital, desligaram-se do Ibope, porque seus diretores perderam a "confiança na maneira com que estão sendo conduzidas as pesquisas na cidade de Porto Alegre" e por discordarem da sugestão do gerente do instituto de pesquisa de que a programação da empresa deveria ser dirigida à classe C.

Embora a Rádio Difusora esteja, pelos boletins do Ibope, liderando a audiência na capital há oito meses e a TV Difusora seja a segunda na classificação entre os três canais, o chefe de propaganda das duas emissoras, Sr. Marco Antônio Birmfeld, disse que há inconformismo da empresa "com a distorção do quadro existente, porque as pesquisas não são reais".

RUPTURA

A decisão de afastar-se do IBOPE foi adotada pela direção da Rádio e TV Difusora depois que uma carta apontando o seu descontentamento foi enviada ao diretor do instituto no último dia 4, sem obter resposta até ontem. Antes de divulgar publicamente, o seu desligamento, o diretor comercial da Rádio e TV Difusora comunicou a medida a clientes e agências de publicidade.

As causas do afastamento são enumeradas pelo diretor comercial, Sr. José Maurício Pires Alves, em 10 itens, todos comprovados com testemunhos pessoais registrados em cartório. O primeiro documento mostra a declaração da Sra. Maria Valserim Lima, moradora nesta capital, que, ao responder que estava ouvindo a Rádio Difusora, foi aconselhada pelo pesquisador do IBOPE a ouvir outra emissora, a Rádio Caiçara.

Duas outras ouvintes testemunharam as reclamações do entrevistador do IBOPE depois de terem anunciado que escutavam a Difusora.

1970- TV Piratini

O Cruzeiro
Data de Publicação: 5/5/1970
Repórter: Roberto Nazareth
A MELHOR IMAGEM DO SUL
TV Piratini

Cobrindo uma área demográfica de mais de cinco milhões de pessoas, entre rio-grandenses e catarinenses, a TV Piratini vem se firmando no conceito de seus telespectadores como uma das mais dinâmicas emissoras do Sul. Com uma programação variedades, ela procura atingir a todos os gostos, a somente no RS, onde esta sua sede, ela mantém presentemente 78 repetidoras em funcionamento e mais 17 ainda em instalação.

Em Santa Catarina, a penetração da Piratini (que pertence à Rede Associada de TV) se faz em toda a faixa litorânea, alcançando Florianópolis com uma excelente imagem.

A BOA PROGRAMAÇAO

Os pontos de destaque da programação do Canal 5 são: Diário de Noticias na TV, Atualidades Catarinenses: Almoço com Sucessos e o Programa Júlio Rosemberg.

O primeiro é um noticioso que vai ao ar às 19h15m, resumindo os principais fatos do dia em todo o mundo. Atualidades Catarinenses va ao vídeo

aos sábados, às 12h50m, com uma programação dirigida ao público catarinense. Almoço com Sucessos prepara e realiza entrevistas variadas, com pessoas ligadas ao mundo artístico e cultural brasileiro, assim como políticos, homens públicos e administradores. Seu horário: sábado, às 13h15m. No intervalo das entrevistas são apresentados números musicais com artistas locais do melhor gabarito.

Mas o quente da programação está mesmo no domingo, quando o auditório da Piratini lota para receber o público do Programa Júlio Rosemberg, Das 3 às 6 da tarde, uma seqüência vibrante de calouros e cartazes nacionais desfilam no palco, perante as câmeras do Canal 5. Trata-se de um programa dedicado à juventude, e conta ainda com um júri selecionado para analisar o desempenho dos concorrentes.

PEQUENA HISTÓRIA DA PIRATINI

A TV Piratini, Canal 5, começou a funcionar em dezembro de 1959. Através da sua esta

ção geradora em Porto Alegre, 168 comunidades rio-grandenses recebem a imagem e o som do Canal 5, perfazendo, em números redondos, 5.900.000 habitantes. Em Santa Catarina, através de 20 repetidoras, cobre uma área de 1.200000 habitantes.

O DENTE DE LEITE

O campeonato Dente de Leite, promoção da Piratini, que reúne equipes de futebol de crianças, terá sua segunda realização este ano. Foram inscritas 129 equipes somente na Grande Porto Alegre (capital e cidades próximas até 50 quilômetros), das quais foram selecionadas 64 para a etapa classificatória, que se estenderá até setembro. Paralelamente, serão realizados os torneios nas cidades do interior, para apurar o campeão estadual. Este, a exemplo do que foi feito no ano anterior, jogará contra as equipes uruguaias que participam do Baby Football.

Dia 5 de abril, quando da festa de aniversário do Ginásio Beira-Rio, houve o desfile inaugural do certame Dente de Leite com a presença de 62 das 64 equipes selecionadas, que proporcionaram um espetáculo de mais de uma hora diante de grande público.

Agora, os craques mirins iniciam o grande torneio que será desdobrado com jogos todos os domingos em dois estádios, simultaneamente.

Esta é mais uma das grandes promoções da Piratini, que ajuda, assim, o futebol brasileiro na sua indispensável renovação de valores.

1979 - Inaugurada a TV Guaíba

Coojornal
Data de Publicação: 1/1/1979
Repórter: Lenora Vargar
UMA TV CONTRA DUAS DITADURAS
Está no ar, desde o dia 10 de março, a quinta emissora de televisão de Porto Alegre - a TV Guaíba, canal 2, de propriedade do mais tradicional grupo jornalístico do Rio Grande do sul, a Companhia Caldas Júnior (Correio do Povo, Folha da Manhã, Folha da Tarde e Rádio Guaíba).

Adiado duas vezes em função de inúmeras dificuldades, o lançamento não se deu em condições ideais. A nova emissora, investimento entre 60 e 70 milhões de cruzeiros, entra no ar com menos de um terço das suas necessidades reais de equipamentos, com uma programação pensada em 40 dias e cobrindo apenas uma parte do horário normal.

Por trás dessas dificuldades, porém, uma proposta sempre sonhada e raras vezes oferecidas aos profissionais brasileiros de TV: a independência do jugo imposto pelas cadeias nacionais, controladas por emissoras do Rio e São Paulo. Até quando a TV Guaíba manterá sua pretensão inicial é uma questão que a própria equipe, embora confiante se coloca.

É questão fechada pelo diretor-presidente da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Breno Caldas, a não filiação a qualquer rede. "Isso nos dá independência com o público, liberdade para colocar cada programa no horário que lhe é conveniente e não nos rabichos de tempo da transmissão nacional. Temos liberdade para mudar a programação à hora que acharmos interessante", assegura o diretor de programação, Clóvis Prates.

A pretensão vai ao ponto de a direção da Caldas Júnior, como já faz com a Rádio Guaíba, desprezar por completo o Ibope, o IVC (Instituto Verificador de Circulação) ou qualquer tipo de aferição padronizada. "Não estamos preocupados em competir com a novela, com a audiência massificada, mas em oferecer uma opção ao telespectador. Queremos um público intelectualmente mais elevado', expõe Prates. Ele acredita que a Guaíba conseguirá uma boa fatia desse público, "que tem sede de diálogo com o televisor".

Limitada pela falta de equipamento, a equipe foi obrigada a dividir a programação em fases. Na fase I - a atual nada mais do que uma etapa experimental, que deve durar até junho, está sendo veiculada produção local e nacional (programas comprados da TV 2 Cultura, da TV Sílvio Santos e das distribuidoras internacionais). Os programas locais onde predominam os temas políticos, econômicos ou esportivos - procuram valorizar o debate, ingrediente um tanto esquecido pelas nossas televisões de pós-64. Neste primeiro mês, a Guaíba tem colocado ao espectador temas tão polêmicos como a inflação, a denuncia vazia, o seqüestro do casal de uruguaio em Porto Alegre. "Em horário nobre, já temos mais produção local que a soma das outras emissoras (Piratini, Gaúcha, Difusora e a TV Educativa, estatal)", calcula Prates.

As chefias contratadas pela Caldas Júnior contam com dois outros valiosos trunfos para quem pretende fazer uma TV independente e de qualidade: carta branca da direção e tempo para elaborar os programas. Um terceiro elemento indispensável: bons salários, pelo menos para o mercado local. Um repórter de quatro horas ganha Cr$ 9.000,00, passando a Cr$ 9.600,00 em maio, informa Prates, também responsável pelas contratações, enquanto um da TV Difusora, por exemplo, recebe hoje Cr$ 4.300,00.

Com orgulho, Prates e Nelci Castro, o gerente de produção, afirmam que a ênfase para a programação local causou um tumulto (no bom sentido) no apertado mercado profissional gaúcho.

"Da Gaúcha, tiramos quinze profissionais, da Difusora treze, só para as áreas de produção e de programação (repórteres, cinegrafistas, editores de imagem, diretores e outros), ganhando desde 20% a mais até o dobro. Tem gente que quer vir por menos ou pelo mesmo salário, por estar descontente com seu emprego", afirma Prates. Ciaton Selistre, gerente de telejornalismo, atesta: "Tenho mais de sessenta fichas preenchidas de candidatos a minha área, uma loucura. A TV Gaúcha elevou os salários para poder segurar o pessoal".

Embora pagando o equipamento norte-americano, que ainda não tem data certa para chegar, mas é aguardado para maio/junho, a emissora adquiriu outros que não condizem com a sua filosofia de operação. "O problema", diz o gerente de produção, "não é botar uma emissora no ar, mas sustentá-la, corno estamos fazendo". O ideal, segundo ele, seria começar em julho, pois a preparação de uma nova emissora leva no mínimo seis meses. Por enquanto, a TV Guaíba opera com uma estação móvel equipada com quatro câmeras (duas fixas e duas semiportáteis), 1 câmera portátil e 2 filmadoras.

Para a fase II, quando os norte-americanos e japoneses já tiverem enviado as sete câmeras portáteis com vt (vídeo teipe) e as três ilhas de edição de vt, a Guaíba entrará com os noticiosos, programas do dia-a-dia e ampliará a cobertura esportiva, itens considerados como o filé da empresa Caldas Júnior.

O desafio mais difícil que a Guaíba enfrenta neste começo é na área comercial. No meio publicitário, há um consenso de que o mercado não comporta quatro emissoras comerciais, que pelo menos uma irá sucumbir na disputa. Acrescente-se a isso os quase quinze anos, de domínio absoluto do mercado pela TV Gaúcha, canal 12, integrante da Rede Globo, que gera até mesmo os pacotes de espaços publicitários a serem divididos pelas suas filiadas, em cada praça.

"O trabalho tem sido duro, eu posso dizer", confessa um dos diretores do departamento comercial, Paulo Russomano, profissional com mais de trinta anos de experiência neste ramo. Entrando em março, a Guaíba ficou fora das verbas normais das agências e, por ser nova, sua programação ainda não captou a confiança dos mídias, embora elogiada pelos publicitários. O departamento comercial tem lutado para conseguir as verbas adicionais das agências. "Tem ainda a mudança de Governo, em que o pessoal está pensando onde e como vai aplicar o dinheiro", acrescenta Russomano.

Para tentar uma brecha,a Guaíba saiu com uma tabela abaixo do mercado, válida para estes três primeiros meses, e dela não se afasta, segundo orientação rígida da direção. "Perdemos negócio mas não vendemos por menos". Os concorrentes, porém, já contra-atacaram: com exceção da TV Gaúcha, que está tranqüila, as outras emissoras deram ampla flexibilidade às suas tabelas, chegando a reduzi-las à metade. Também barganham com o alcance de suas transmissões, enquanto a Guaíba, ainda está medindo até onde vai a sua imagem.

No contra-ataque estão previstas também mudanças nas programações. A TV Piratini, canal 5, terceira colocada em audiência no estado, prepara uma serie de novos programas não só para a TV como para a Rádio Farroupilha, que receberá 21 programas bolados pelo seu novo diretor de programação, Flávio Alcaraz Comes. Em relação à audiência, a Guaíba sofrerá mais um impacto: desde o dia 4 de abril está no ar a novela das 20 horas da Bandeirantes, retransmitida no Rio Grande pela TV Difusora. "Já pensou nós no meio disso tudo"? - pergunta. Russomano.

Estas questões, porém, não preocupam os escalões mais altos da empresa, unânimes em afirmar que a Guaíba briga pelo segundo lugar. "Só fixaremos metas após estudar o comportamento dos três primeiros meses", garante o diretor do Departamento comercial, Ênio Berwanger. Uma certeza pelo menos todos manifestam - a de que o grande pique virá no segundo semestre, quando o filé for ao ar.

1976 - Zora Yonara na TVS

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 26/3/1978
Autor/Repórter: Maria Helena Dutra
HORÓSCOPOS E FRALDAS
A TVS proporciona pouca matéria de reflexão. a não ser as inevitáveis falhas de dublagem, pois sua programação é quase totalmente enlatada. Mas sempre restam algumas produções nacionais, como o diário Horóscopo, que Zora Yonara apresenta às 9 da noite - e patrocinado por uma fábrica de fraldas. A dose fica mais ainda surrealista porque a voz dramática da

astróloga sempre nos faz temer terríveis desgraças em nosso signo, o que muito raramente acontece, pois ela distribui benesses e sortes para todo o Zodíaco. A falta de originalidade da coisa toda fica mais patente na programação visual, se é que podemos chamar assim, da pequena produção. Ela tem todas aquelas bolas peripatéticas que envolvem hoje as aberturas da Rede Globo.

1974 - Campanha Eleitoral na TV

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 20/10/1974
[carta]
UM LEITOR VÊ A CAMPANHA NA TV
Como mero observador da campanha eleitoral pela televisão, não posso deixar de transmitir aos eleitores desse conceituado Jornal algumas considerações sobre o espetáculo circense levado ao ar no dia 11 p.p., sexta-feira, no horário noturno gratuito do T.R.E.

São espetáculos como o então realizado que levam a população a desacreditar o processo eleitoral e quem sabe se não foi exatamente esse o propósito de quem produziu aquele programa? Afinal, já está mais do que provado que o desinteresse dos eleitores, traduzido por abstenções e anulações de votos, beneficia amplamente a facção política dita majoritária.

Mas vamos aos fatos: um homem de televisão, que tornou-se conhecido por divulgar as obras dos últimos Governos federais - principalmente as ligadas à área sob responsabilidade de um Ministro que aspirava à Presidência da República - discursou durante quase sessenta minutos, em tom e gestos ridiculamente teatrais, tentando com tal oratória tapar os buracos deixados pela artilharia inimiga na plataforma eleitoral de seu Partido.

Com hilariante "seriedade'', onde não faltaram os indispensáveis socos na mesa e as carrancas bem estudadas, o "homem-de-TV", travestido no político que um dia foi, atacava membros do Partido adversário por todos os meios imagináveis, numa lamentável aula de baixa-política, a popular ''politicagem''. Confesso que cheguei a sentir pena do desesperado canastrão ... Mas muito mais pena senti da nossa frágil Democracia, já tão carente de boas figuras para defendê-la.

O ''homem-de-TV'' não conseguia esconder o seu despeito e a sua inveja por um colega de Câmara do outro Partido, que havia sido o mais votado nas eleições cariocas de 1970, tirando assim o ''status'' que lhe parecia garantido. O título de ''mais votado'', que em 70 escapou-lhe das mãos, era importantíssimo para alimentar a sua vaidade desmedida. Até mesmo as críticas, algumas justas, que o ''homem-de-TV" fazia ao Governo da Guanabara perdiam-se no meio da enxurrada de tantas baboseiras e trejeitos

Em certo trecho da grotesca explanação, o "homem-de-TV" mandou que focalizassem uma enorme mesa repleta de objetos cuja fabricação, segundo ele, dependia de petróleo. E deu-se o clímax: numa curiosa mistura de leiloeiro, camelô e Chacrinha Barbosa o candidato mostrava cada objeto, um a um, como que num leilão, só faltando gritar os pregões ou perguntar para o público: ''Vocês querem isso? Vocês querem aquilo?". (Desculpo-me aqui com o amigo Chacrinha pela comparação, pois ele apresenta em seus programas uma imbecilidade sincera e consciente, dois adjetivos que não podemos usar no caso do show do ''candidato-homem-de-TV).

E tem mais: desprezando a inteligência dos que o assistiam, o candidato a Chacrinha, digo, o deputado, vangloriava-se de levar o povo às praças públicas para ouvir a mensagem política de seu Partido. No entanto, o que se via no vídeo eram praças que normalmente já têm grande afluência de público à noite, com grandes telas onde projetavam-se filmes. Ora, é sabido que "O povo quer pão e circo'', i. e., alimentação e diversão: já que a primeira está difícil, voltamo-nos para a segunda. E quem não conseguiria reunir uma multidão numa praça se acenasse com cinema de graça? Alguém em sã consciência acredita que o povo afluiria às praças para ouvir o ''candidato-homem-de-TV'' se esse não usasse como pano-de-fundo os seus filmes e documentários?

E assim foi até o fim:, abusando da inteligência e da paciência do público, o "candidato-homem-de-TV" aos poucos atolava-se nas próprias gaiatadas e arrastava o nome de seu Partido que, espero, não tenha tido nada a ver com o lamentável show - para o descrédito e o ridículo. Nem a revista Veja, que há pouco tempo desmascarou um de seus embustes, escapou dos ataques desesperados do candidato...

Há dias eu condenava, entre alguns amigos, o recurso do voto nulo ou em branco como voto de protesto. Diziam-me eles que a política nacional estava desmoralizada, dominada por aproveitadores de toda espécie. Após algumas horas de conversa, consegui convencer-lhes de que nem tudo estava perdido, e assim evitar que anulassem seus votos. Agora, estou torcendo que aqueles meus amigos não tenham ligado os seus televisores no dia 11, às 22h 30m, pois se o fizeram, acho que será preciso mais algumas horas de verborragia para desfazer-lhes, novamente, a idéia do voto nulo. E dessa vez não sei se conseguirei. - [aa.] - Rio de Janeiro.

1972 - Novos Programas da Globo

O Globo
Data de Publicação: 31/10/1972

REDE GLOBO DE TELEVISÃO ANUNCIA NOVOS PROGRAMAS
O novo edifício de doze andares, já em construção na esquina das Ruas Von Martius e Pacheco Leão, no Jardim Botânico; os novos equipamentos; e os lançamentos de programas e transmissões especiais foram os principais assuntos focalizados por Válter Clark Bueno, ao anunciar, ontem, o plano de expansão da Rede GLOBO de Televisão para 1973.

Em coquetel que reuniu artistas, empresários e jornalistas no Teatro da Lagoa, o vice-presidente da Rede GLOBO de Televisão, Válter Clark, revelou detalhes da nova programação, projetos especiais e investimentos, de acordo com um plano de expansão iniciado este mês, cuja execução se prolongará até dezembro do próximo ano.

Exibindo pesquisas sobre alcance e penetração dos canais da Rede GLOBO de Televisão em todo o País, Válter Clark expôs aos empresários a nova tabela de preços para os anunciantes e explicou o funcionamento dos avançados equipamentos adquiridos pela rede: AVR-I - o mais moderno equipamento de vídeo-tape do mundo; além do Brasil, somente a Alemanha Ocidental e os Estados Unidos o possuem -, o "Master Control" - para maior segurança das programações comerciais - e outros. Falou, também, sobre as programações da Rede GLOBO no Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife.

Lançamentos - Depois de uma serie de novos programas iniciados este mês, a TV GLOBO lançará, em novembro, novas atrações, entre as quais uma novela de Maria Clara. Machado, às 18 horas. Em janeiro, terão inicio "O Zorro", "Dyke Van Dyke", "Novo Show de Jô Soares", "Encontro Com a Imprensa", "Nova Disneylândia" e "VT Show".

Para abril, estão previstos os lançamentos de "Animal World", "Missão Quase Impossível", "Speed Gonzalez", "Abbot e Costello", "Mickey Mouse", "Festival Hanna Barbera", "Mary Tiller Moore", "Jackson Five", "Jogo Perigoso do Amor", "Sessão Nostalgia" e "Protectors".

Especiais - O calendário dos eventos especial da Rede GLOBO prevê a transmissão, dia 5, das corridas de Fórmula II, em Interlagos; dia 19, em Córdoba, Argentina; e dia 26, em Buenos Aires. Em 6 de dezembro, será transmitido o lançamento da. Apoio XVI e, em fevereiro, o Grande Prêmio Brasil e o Grande Prêmio da Argentina de Automobilismo.

Em março, o Canal 4 transmitirá o Grande Prêmio Rio Grande do Sul, Fórmula I, e o carnaval, seguindo-se em maio, os Grandes Prêmios da Espanha (dia 1) e da Bélgica (dia 19). Em junho, predominarão transmissões de futebol, com Brasil x Marrocos, dia 3; Brasil x Tunísia, dia 6; Brasil x Itália, dia 9: Brasil x Áustria, dia 13; Brasil x URSS, dia 21; Brasil x Alemanha, dia 22; Brasil x Suécia, dia 25; e Brasil x Escócia, dia 29. Em julho, transmissão do Grande Prêmio Automobilístico da. França, dia 1, e, nos dias 4, 8 e 11, dos jogos do Brasil contra Inglaterra, Suíça e França. No dia 14, Grande Prêmio Fórmula 1 da Inglaterra. Em agosto, os Grandes Premies da Alemanha, dia 5; Áustria, 18; e Suécia, dia 26. Em setembro, Grande Prêmio da Itália, dia 9, e VIII Festival Internacional da Canção, além dos Grandes Prêmios de Automobilismo do Canadá e dos Estados Unidos.

Na série GLOBO-Shell Especial, serão apresentados "O Jovem e o Velho", "O Negro na Cultura Brasileira", "A Mulher", "Futebol", "O Rio São Francisco", "Fauna e Flora", "Mineração", "O Mar", "Brasil Ano 2 000", "Turismo", "Imigrantes" e "Festas Populares".

1968 - Festival da Record

Revista: VEJA
Data de Publicação: 11/9/1968

FIGAS X VAIAS
Cantores invocam todos os santos quando o público é de festival

Num canto escuro do palco, parado numa perna só, Caetano Veloso observa o movimento. Tuca chora e treme, apertando a mão de todo mundo. Márcia acendeu uma vela no camarim, mas por segurança telefona para casa: "Mamãe, acenda uma vela para mim". Nos bastidores dos teatros e estúdios de televisão há sempre um desfile de manias, amuletos e superstições. Cynara e Cybele estão sempre remexendo na bôlsa em busca de um patuá, amuleto de couro costurado, que trouxeram da Bahia. E seguindo recomendação do seu pai-de-santo elas só vestem verde em suas apresentações de festival. Elis Regina também tem uma fôrmula parecida: "Repito na final o mesmo vestido com que ganhei a semifinal. Acaso ou não, dei sorte em dois festivais". Jair Rodrigues nunca sobe no palco sem antes plantar uma das famosas "bananeiras".

Coragem em doses - "Para enfrentar a platéia da TV Record tive que tomar três doses de conhaque", revela Nana Caymmi. Chico Buarque de Holanda bebe seu uísque em silêncio, praguejando contra o traje: detesta o "smoking". Maysa prefere vodca, Simonal uísque estrangeiro sem gêlo. Clementina de Jesus vermute. Caymmi e Vinícius de Morais continuam bebendo no próprio palco. Quem não acredita em amuletos e coisas do gênero é um pai-de-santo profissional: João da Baiana, sambista da velha guarda, não usa fórmulas mágicas: "Prefiro um bonito cravo vermelho na lapela".

Vaias famosas - Na opinião de muitos cantores, as vaias estimulam as superstições e as doses alcoólicas. Essas vaias são assunto mesmo fora do Brasil. O compositor amerciano Johnny Mandel (autor de "The Shadow of Your Smile") fêz parte do júri no último Festival Internacional da Canção no Maracanãnzinho e agora, evocando sua experiência carioca, grava nos Estados Unidos "As Vaias do Rio". A cantora negra Ella Fitzgerald, convidada para o próximo Festival, escreveu a Augusto Marzagão: "Preocupam-me as notícias que recebi sôbre artistas vaiados no Brasil".

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