Friday, February 24, 2012

1986 - Dona Beija Vence a Globo


Jornal do Brasil
25/5/1986
Míriam Lage, Cleusa Maria e Ricardo Soares
A TELEVISÃO ESTÁ MUDANDO COM O EROTISMO QUE VEIO DE ARAXÁ
Comentava-se, três anos atrás, que Adolpho Bloch estava a ponto de cometer a sandice definitiva de sua vida. Montar uma emissora de televisão para concorrer com a Globo era o mesmo que decretar falência. Ele insistiu. Com a mesma firmeza que, em 1952, resolveu lançar a revista Manchete num mercado dominado por O Cruzeiro, que chegou a imprimir 700 mil exemplares no seu pico. Oito anos mais tarde, Manchete tinha mais leitores do que a concorrente. Na sexta-feira, 16 de maio, a novela D. Beija - outra das "insanidades" do comandante das empresas Bloch - batia a Globo em seu horário nobre, no Rio, pique de uma audiência que se tem mostrado firme em várias capitais do pais.

Foi profética a frase de Zevi Ghivelder, diretor da Manchete. Quando a emissora começava a operar, ele dizia:

- Conheço muito bem a história de David e Golias.

Queria calar a boca dos agourentos que viam a televisão como a cova da empresa. Exatamente como David, a direção da Manchete acreditava que não existia um gigante tão forte que não valesse a pena tentar enfrentá-lo. Durante seus dois primeiros anos de vida, a Manchete foi um adversário pesado para a Bandeirantes, Record, TVS e TVE. Com a Globo mexeu muito pouco. Até porque, em 1985, só deu Roque Santeiro no ar, desestimulando qualquer investida. Mas a Manchete se armou e, no dia 31 de março, disparou sua funda contra Golias, arremessando D. Beija em direção à linha dos shows globais. Causou uma mossa maior do que esperava.

Adolpho Bloch não se cansa de repetir que não quer o primeiro lugar de audiência. Contenta-se com o segundo, denunciando, com isso, sua firme intenção de manter um pé firme no mercado brasileiro de televisão. Continuará a investir milhões de cruzados para colocar no vídeo da Manchete um bom produto, empenhando-se, pessoalmente, nos projetos das novelas. Mesmo sem querer o primeiro lugar, está disposto a enfrentar a Globo com suas próprias armas porque, diz ele, essa é a melhor fórmula de se fazer televisão no Brasil.

Ao colocar D. Beija no ar, a Manchete não inventou nada. Pelo contrário, copiou, sem pudor, o que a Globo vinha fazendo há anos.

- A novela teve uma técnica aprimorada desde os tempos da Tupi e Excelsior, formando atores, diretores, toda uma geração habituada às câmeras. A Globo usou o que já existia, dando uma beleza plástica que lhe foi possível graças aos equipamentos modernos. A Manchete repetiu a história: pegou o que estava pronto e aprovado, deu seu próprio toque de aprimoramento e jogou no ar. Deu certo - raciocina Rubens Furtado, superintendente comercial da Rede Manchete.

As outras emissoras tentaram trilhar esse caminho, sem sucesso.

- A Manchete foi a única que se preparou para competir com a Globo. Do ponto de vista de equipamento, diria que é uma estação up to date, sua imagem chega a todas as repetidoras com excelente padrão de qualidade. Tanto que a Globo já fez trocas de equipamentos para não ficar atrás - conta Furtado.

Para disparar o petardo D. Beija contra a Globo, a Manchete precisou mais do que bons equipamentos e investimentos de Cz$ 20 milhões. Teve de desafiar a tese de que novela era um gênero caduco, às vésperas de desaparecer do vídeo. Furtado pensa exatamente o inverso: a novela dará certo por muitos anos.

- Somos a oitava economia do mundo, mas apenas dois ou três brasileiros se beneficiam desse processo. A maioria não tem dinheiro para teatro, cinema e restaurantes e fica em casa vendo televisão. Enquanto formos pobres, a novela está salva.

Parece ter razão. A exemplo do que aconteceu ano passado com Roque Santeiro, a trama de uma novela volta a ser assunto em conversas informais. D. Beija toma o lugar da viúva Porcina no jogo de adivinhação "com quem ela vai ficar?" Discutia-se o tema numa manhã de sábado no sofisticado salão do cabeleireiro Renault, no Copacabana Palace. Foi, ainda, D. Beija a responsável pela rápida dispersão de um grupo de surfistas que tomava sucos naturais na Polis Sucos, em Ipanema. Pegaram suas pranchas e correram para casa; entusiasmados com a beleza da cortesã de Araxá. O que, aliás, comprova as primeiras impressões de uma pesquisa que está sendo feita pela MPM sobre o comportamento de jovens entre 15 e 24 anos, no Rio e em São Paulo. As respostas dos questionários indicam que, para esse público, Selva de Pedra e D. Beija empatam em qualidade. Há quem diga, no entanto, que o erotismo de D. Beija exerce um fascínio todo especial sobre a curiosidade jovem.

De fato, é a primeira vez, em novela, que se vê o chamado nu total. Feminino e masculino. Diante de tal liberalidade, os conservadores preferem fechar os olhos. É o caso das mulheres de Santana - aquelas guardiães da moral cristã das famílias paulistas - que se recusam a acompanhar a novela. O juiz José Geraldo Barreto da Fonseca - aquele que conseguiu impedir a exibição do filme O Ultimo Tango, em São Paulo - garante que sua televisão é desligada às 20h. A sexóloga Marta Suplicy examina essas reações com bom humor. E chega a comparar as mulheres de Santana às personagens repressoras e caricatas do arraial de Araxá. Assistiu a vários capítulos e não alia o sucesso de D. Beija à carga erótica de algumas cenas.

- Esse apelo não está sendo levado. Pode, quando muito, estar exercendo um fascínio, ajudando a manter o padrão de audiência. Mas não é determinante. Acho que o sucesso tem mais a ver com o apelo de Beija para temas como intransigência, hipocrisia e dupla moral. A trama da novela, apesar de situada há um século, é atual. Acredito, até, que deva existir uma grande audiência junto ao público feminino, porque trata da discriminação contra as mulheres - avalia a sexóloga.

Cláudio Petraglia, superintendente de programação da Rede Bandeirantes, manifesta opinião parecida. Acha que o personagem de D. Beija tem muito de Scarlet O'Hara, a heroína de ...E o Vento Levou.

- Um personagem feminino, que enfrenta as regras sociais, vinga-se dos homens, é irresistível para as mulheres. E como são elas que mandam na televisão, o sucesso é certo. Ao contrário de Marta Suplicy, no entanto, Petraglia acha que a Manchete está exagerando nas cenas eróticas. E isso, no seu entender, é uma arma de dois gumes: atrai numa primeira fase para, depois, enfraquecer a credibilidade. Por isso, Petraglia acredita que D. Beija não é um marco na briga das emissoras brasileiras pela audiência. É apenas um sucesso.

- Não acredito que essa novela signifique uma mudança de hábito do espectador brasileiro. É só um fenômeno.

Um fenômeno nunca antes registrado pelo Ibope. As concorrentes sempre atacaram a Globo em outros horários, jamais em seu imbatível reinado noturno. - De segunda a sábado, no horário nobre, jamais tinha visto alguém chegar tão perto da Globo" -, comenta Carlos Augusto Montenegro, diretor-executivo do Ibope. O mais importante, na sua opinião, é que desde 31 de março os índices de audiência da novela subiram em todo o país. Mesmo em São Paulo, onde a Manchete costuma ter dificuldade com o público. Montenegro avalia que D. Beija representa uma mudança no hábito brasileiro de ver televisão, salutar para todos, até mesmo para um instituto de pesquisa que nunca se livra de acusações de trabalhar com uma amostragem viciada.

- Nossa amostra não mudou e, com ela, detectamos a fantástica audiência de Roque Santeiro, o deslocamento do público para D. Beija e o aumento de aparelhos ligados em Anos Dourados, índices só alcançados na época em que a Globo exibia a novela das 22h - diz Montenegro.

Esses índices, evidentemente, mexem com o anunciante. Se D. Beija é sedutora para o público, poderá ser, também, para o anunciante. Essa é a constatação do diretor de Planejamento e Pesquisa da MPM, Sérgio da Matta. Se a Rede Manchete conseguir manter o surpreendente índice de audiência, haverá novas cartas em jogo. O que, provavelmente, balançará o monopólio da TV Globo. Afinal, o mercado de mídia carioca nunca ofereceu muita opção, o que torna o custo para o anunciante o mais caro do país.

- Esse dado novo será mais um instrumento de negociação quando se discutirem os contratos do anunciante com as emissoras, no final do ano. As agências poderão oferecer a seus clientes uma melhor negociação, o que não é possível quando se trata com quem detém o monopólio - arrisca-se ele.

A Manchete sente os reflexos dessa mudança de regras no mercado publicitário.

- Já não é tão difícil convencer o anunciante a apostar na nossa programação. Mas poderíamos estar melhor, não fosse a cautela das empresas diante das mutações econômicas que o país atravessa. De qualquer forma, o anunciante descobriu uma segunda opção na televisão brasileira.

O anunciante e o público. Graças a uma certa senhora de Araxá.

NÃO VIRAM E NÃO GOSTARAM - SÃO PAULO - O juiz José Geraldo Barreto da Fonseca, que em novembro do ano passado conseguiu, através de um mandado de segurança, proibir a exibição na cidade de São Paulo do filme Último Tango em Paris pela TV Bandeirantes, não acompanha a série Dona Beija da Rede Manchete porque em sua casa a televisão é desligada às 20h. "Já ouvi comentários de conhecidos de que a novela é boa, mas tem algumas cenas um pouco fortes", comentou o juiz que tem 10 filhos e não concorda com a temática da maioria das novelas exibidas na televisão brasileira.

- Li alguma coisa também sobre uma cena em que a atriz Maitê Proença aparece nua andando a cavalo. Não sou contra a nudez desde que ela seja necessária e esteja dentro do contexto da história. Neste caso, porém, acho que a cena seria mais correta se fosse uma novela sobre Lady Godiva - observou ele.

Juiz do Tribunal de Alçada Criminal, 44 anos, católico, José Geraldo Barreto da Fonseca considera-se, no entanto, incapacitado de fazer qualquer análise do programa, pois não viu nenhum capítulo. Mas justificou sua atitude em impetrar mandado de segurança contra Último Tango em Paris (que também não viu) como uma "atitude de pai de família". Seu mandado baseou-se no descumprimento do Código de Menores que proíbe a exibição na TV de filmes impróprios para menores de 18 anos.

Além disso, a própria propaganda do filme nos jornais era muito apelativa, o que, pelo menos, não acontece com Dona Beija pelo que sei". Seus 10 filhos - entre 18 anos e 11 meses - não vêem televisão após 20h porque não lhe agradam os programas exibidos depois desse horário. Independentemente de terem apelo erótico ou não, eles não me agradam. Raras vezes assisto a alguma coisa que me interessa depois das 22h quando todos estão dormindo", afirmou o juiz.

As "senhoras de Santana" - bairro da zona norte de São Paulo - que ficaram conhecidas há três anos por sua cruzada pela morai e bons costumes (com apoio do então ministro Abi-Ackel) não querem ouvir falar em Dona Beija. Elas desligaram o telefone e não atenderam a qualquer pedido de entrevista sobre a novela.

Em tom agressivo, Dona Helena, uma das lideres do movimento, concedeu alguns minutos e disse estar "muito feliz com a imprensa". Garantiu não ter visto um capítulo sequer de Dona Beija e nem estar interessada em perder seu tempo diante das cenas exibidas pela Manchete.

Maria Helena Maluf, outra "senhora de Santana", recusou-se a qualquer tentativa de entrevista e colocou seu marido ao telefone: "Meu senhor, sou esposo dela e posso lhe afiançar que ela não vê a novela."

NASCE UMA HEROÍNA - Dona Leonor Maia, 62, viúva, uma filha, dois netos, moradora do Leme, jamais foi o tipo de espectadora que gruda na televisão na hora da novela. Nem mesmo no auge da bem amada Roque Santeiro. Com D. Beija, porém, seu comportamento mudou: " Sou capaz de dispensar passeios ou de voltar para casa correndo para não perder o capitulo da novela". Da estréia até hoje, ela só perdeu um dia. E ficou aborrecida com isso.

A novela está muito interessante, muito bonita. É uma história que aconteceu de verdade, embora esteja romanceada. E depois, há todas aquelas vestimentos de época, os figurinos são muito bem feitos, estão maravilhosos. Estou empolgada mesmo. A Maitê está muito bem, ela não é só bonita, não. Para mim, está no nível das grandes estrelas. Não cheguei a ler qualquer livro sobre Dona Beija. Mas escutei muitas histórias, quando meu marido era vivo e fomos passar 20 dias em Araxá. Agora vou procurar ler todos os livros que falem dela, para ver o que é que foi agregado à história verdadeira.

Para a época em que viveu - acrescenta:

- Dona Beija foi uma mulher de muita vontade própria, enfrentava tudo, era corajosa e de temperamento forte. Foi uma Joana D'Arc, muito valente. O erotismo da novela, para dizer a verdade, não está me chocando. Em outras novelas há cenas mais violentas. Mesmo no capítulo em que ela apareceu nua com o Marcelo Picchi foi focalizada de uma maneira bonita. Não é chocante ou grosseira. Não há cenas de cama com os homens que ela escolhe a cada noite, só com os dois amigos de infância, ainda assim não chocam. Ela tem um porte fino e se veste até que discretamente para uma mulher-dama, como diziam naquele tempo. Sua sensualidade está apenas no olhar.

Gilson Pereira, 23 anos, mensageiro, morador de Bangu: "Ache que D. Beija é uma novela muito instrutiva porque mostra muita coisa da realidade que fica escondida por baixo dos panos. Mostre até onde vai a dignidade das pessoas, como elas reagem diante do que D. Beija faz, seu jantares, seu nudismo e sua facilidade de encantar os homens".

Maria José Martins moradora do Leblon cinco filhos, seis netos:

"Gosto de histórias antigas, verdadeiras. A novela é ótima, porque revela a falsidade incrível das mulheres do Arraial. Todas queriam fazer o que D. Beija faz, só não têm coragem. Vida do sertão - eu conheço bem - é uma hipocrisia. Nessa história a única pessoa honesta é D. Beija, as cirscunstâncias é que a tornaram assim. O que ela fez foi se aproveitar da situação e por que não haveria de se aproveitar?"

Leir Rodrigues de Miranda, 42 anos, casada, uma filha, moradora de Bonsucesso e cabeleireira em Copacabana:

- "Gosto, porque acho o tema interessante e gosto do conteúdo. Eu só via novela na Globo, agora passo de Selva de Pedra para D. Beija, porque também não tem outra coisa melhor no horário."

Luzinete Maria de Santana, 52 anos, doméstica no Jardim Botânico e residente em Caxias:

- "Gosto muito, uai. Acho bonita e é uma história antiga que aconteceu no Brasil. Todo caso que se passou, eu gosto de assistir. Vejo também Sinhá Moça. Vejo qualquer canal é só ter uma coisa que me interesse."

A NUDEZ SEM PECADO - Não fossem as 12 horas diárias de trabalho, Maitê Proença não teria reclamações de D. Beija. Jogou uma cartada arriscada, aceitando o segundo papel de época em menos de um ano, o que poderia lhe render a desagradável classificação de atriz de um único personagem. Dois meses depois da estréia, ela tem certeza de que não errou na escolha: o público rende homenagens à cortesã de Araxá, acompanhando seu desempenho todas as noites.

O sucesso da novela é creditado a vários fatores:

- Retrata a nossa história e isso é importante para um povo desmemoriado e sem informação. A novela está indo ao ar exatamente num momento em que o país está interessado, em se conhecer melhor. Mas acho que faria sucesso em qualquer época porque a história de D. Beija é um conto de amor em que aparece uma sociedade que repudia valores morais que não são os seus. Essa discussão é sempre atual, mexe com o público - diz ela.

Mesmo esperando uma boa repercussão junto ao público, Maitê Proença confessa que o sucesso da novela foi além de sua expectativa:

Estou agradavelmente surpresa. É sempre bom saber que o público reconhece um trabalho bem feito. Acho que, para chegarmos, a esse ponto, muito contribuiu a direção de Herval Rossano que tem a mão certa para o sucesso. Mas nada disso seria possível sem a coragem da Manchete, encarando a realização de uma novela desse porte.

D. Beija não mudou apenas a rotina do dia-a-dia da atriz. Transformou-se num marco em sua carreira profissional. Chegam, diariamente, a sua casa, propostas de trabalho, de comerciais e filmes e peças de teatro. Os fãs mandam cartas num tom bem diferente daquelas que recebia quando era contratada da Globo.

Não são cartas de tiete, de pessoas deslumbradas por mim. Os fãs, agora, escrevem para falar de meu trabalho. A qualidade das cartas melhorou.

Estar nua em cena não comprometerá, segundo Maitê Proença, esse olhar mais sério do público.

As cenas de nu estão sendo feitas com muita classe, sem a menor vulgaridade. A novela passa um clima muito sensual e, pessoalmente, acho a sensualidade uma coisa muito bonita. Nas cenas que apareço sem roupa o tratamento estaria próximo de um quadro renascentista, sem clima para estímulos sexuais. Tenta oferecer apenas uma visão plástica para o espectador. E isso não é apelação ou pecado.

O MARIDO APAIXONADO - Casado com a atriz Maitê Proença há quatro anos, o empresário Paulo Marinho, 34, tem visto todos os capítulos da novela Dona Beija. Para ele, essa produção da Manchete é um trabalho rigorosamente cuidado nos mínimos detalhes, e o papel de sua mulher, a melhor atuação em Tv que ela teve até hoje. O erotismo e a nudez de Maitê em algumas cenas não lhe trazem qualquer perturbação ou ciúmes. Afinal, confessa ele, além de não ser ciumento por natureza; quando assiste à novela, está vendo Dona Beija e não sua mulher Maitê Proença.

- Eu acho que, para uma história de época, é uma produção extremamente cuidadosa. O sucesso incontestável da novela está muito em função desse cuidado que tiveram na produção, desde os menores detalhes até a escolha do elenco e do tema. Estou assistindo à novela porque acho que está interessante. As várias histórias paralelas - como a hipocrisia que se revela no relacionamento do juiz com sua mulher e o amor proibido do músico com a mulher do promotor - estão sendo muito bem escritas. Esses, para mim, são dois ganchos importantes que correm paralelamente à história principal e atraem o interesse do público. Nas cenas de nudismo, senti certo exagero quando ela dá três voltas, a cavalo, na praça do Arraial. Poderia ter sido uma volta só. A cena foi uni pouco longa e acho que exageraram um pouquinho na mão, nesse momento. A idéia da cena era uma brincadeira no Arraial. Com Beija dando uma volta no cavalo, bastava. Forçaram um pouco a barra. Se você não tiver esse olho crítico (a Maitê tem), corre o risco de parecer que está querendo apelar para atrair o interesse dos telespectadores.

De qualquer modo, normalmente não sou ciumento, não tenho nem um pingo de ciúme. Vaidoso eu sou' sim, mão não por estar casado com uma mulher bonita, e sim por Maitê ser uma mulher incrível, a beleza está incorporada à sua personalidade, não dá para separar. O que posso dizer é que estou muito feliz com o sucesso dela.

Acho que se eu tivesse conhecido Dona Beija eu também me apaixonaria por ela. Para mim, o que ela tem de mais encantador é o comportamento bem ousado para a época. As outras mulheres viviam, como as do Arraial vivem, o casamento era para procriar, até permitiam que os maridos tivessem amantes. O que me encanta no personagem é esse comportamento ousado. Acho muito legal também sua relação de amizade com os homens. Como ela não tem amigas, porque é discriminada pelas mulheres, consegue se relacionar com os homens - com muitos deles ela nem transa - no mesmo nível de igualdade.

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