Sunday, February 12, 2012

1972 - Jornal Feminino na TV Rio

Revista Cartaz
24/8/1972
TV PARA A MULHER
A partir de outubro, sete mulheres terăo uma missăo importante na TV Rio: todas as sextas-feiras, durante hora e meia, Marilda Pedroso vai liderar a equipe que apresentará o "Jornal Feminino", com intençőes de integrar a mulher no meio social.

Marilda vai produzir e dirigir o programa. Para isso já formou sua equipe, que contará com Odete Lara, Marta Alencar, Pink Wainer, Elisa Fuks, Rose Lancreta e Rose Marie Muraro. Ela conta:

- Este será um programa que qualificará a mulher, e a moda em si năo nos interessara muito. Apesar de ser um jornal essencialmente feminino, será voltado para situar a mulher no meio social. Vamos ensinar-lhes seus direitos, colocar a necessidade da participaçăo política, libertaçăo sexual. e outros problemas do gęnero.

Marilda Pedroso, que é mulher do novelista e teatrólogo Bráulio Pedroso, frisa que sua equipe e seu jornal năo devem ser confundidos com o movimento de libertaçăo da mulher. E explica:

- Năo temos nada com o "women's lib", inclusive nem temos condiçőes sociológicas para tal. O programa năo pretende atacar o homem, mas integrá-lo com a mulher,

Marilda já atuou em novelas e teatro. Recentemente produziu "Woyzeck", de Buchner, e sentiu que a crítica comparava seu trabalho ao de um homem.

- Com o nosso programa vamos mostrar que a mulher também tem cabeça, sua moral tem que ser ditada por ela, e năo pelos homens, como tem acontecido até agora.

O "Jornal Feminino" irá ao ar ŕs 22,30 horas, e sua equipe trabalha há um męs. O programa só será lançado quando tiver quatro ediçőes prontas, e mais quatro em fase de elaboraçăo.

Casada há nove anos com Bráulio Pedroso, Marilda diz que o marido tem o dom da ficçăo.

- Eu já năo sou uma boa escritora. Escrevo bem jornalisticamente, sou mais uma mulher de açăo. Quero mostrar ŕs mulheres um tema que acho importante: elas precisam entender que seu corpo năo serve apenas para ter filhos. Ele é parte de um todo, onde o cérebro tem tanta vez quanto o dos homens.

É só.

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