Friday, February 24, 2012

1986 - Dona Beija Vence a Globo


Jornal do Brasil
25/5/1986
Míriam Lage, Cleusa Maria e Ricardo Soares
A TELEVISÃO ESTÁ MUDANDO COM O EROTISMO QUE VEIO DE ARAXÁ
Comentava-se, três anos atrás, que Adolpho Bloch estava a ponto de cometer a sandice definitiva de sua vida. Montar uma emissora de televisão para concorrer com a Globo era o mesmo que decretar falência. Ele insistiu. Com a mesma firmeza que, em 1952, resolveu lançar a revista Manchete num mercado dominado por O Cruzeiro, que chegou a imprimir 700 mil exemplares no seu pico. Oito anos mais tarde, Manchete tinha mais leitores do que a concorrente. Na sexta-feira, 16 de maio, a novela D. Beija - outra das "insanidades" do comandante das empresas Bloch - batia a Globo em seu horário nobre, no Rio, pique de uma audiência que se tem mostrado firme em várias capitais do pais.

Foi profética a frase de Zevi Ghivelder, diretor da Manchete. Quando a emissora começava a operar, ele dizia:

- Conheço muito bem a história de David e Golias.

Queria calar a boca dos agourentos que viam a televisão como a cova da empresa. Exatamente como David, a direção da Manchete acreditava que não existia um gigante tão forte que não valesse a pena tentar enfrentá-lo. Durante seus dois primeiros anos de vida, a Manchete foi um adversário pesado para a Bandeirantes, Record, TVS e TVE. Com a Globo mexeu muito pouco. Até porque, em 1985, só deu Roque Santeiro no ar, desestimulando qualquer investida. Mas a Manchete se armou e, no dia 31 de março, disparou sua funda contra Golias, arremessando D. Beija em direção à linha dos shows globais. Causou uma mossa maior do que esperava.

Adolpho Bloch não se cansa de repetir que não quer o primeiro lugar de audiência. Contenta-se com o segundo, denunciando, com isso, sua firme intenção de manter um pé firme no mercado brasileiro de televisão. Continuará a investir milhões de cruzados para colocar no vídeo da Manchete um bom produto, empenhando-se, pessoalmente, nos projetos das novelas. Mesmo sem querer o primeiro lugar, está disposto a enfrentar a Globo com suas próprias armas porque, diz ele, essa é a melhor fórmula de se fazer televisão no Brasil.

Ao colocar D. Beija no ar, a Manchete não inventou nada. Pelo contrário, copiou, sem pudor, o que a Globo vinha fazendo há anos.

- A novela teve uma técnica aprimorada desde os tempos da Tupi e Excelsior, formando atores, diretores, toda uma geração habituada às câmeras. A Globo usou o que já existia, dando uma beleza plástica que lhe foi possível graças aos equipamentos modernos. A Manchete repetiu a história: pegou o que estava pronto e aprovado, deu seu próprio toque de aprimoramento e jogou no ar. Deu certo - raciocina Rubens Furtado, superintendente comercial da Rede Manchete.

As outras emissoras tentaram trilhar esse caminho, sem sucesso.

- A Manchete foi a única que se preparou para competir com a Globo. Do ponto de vista de equipamento, diria que é uma estação up to date, sua imagem chega a todas as repetidoras com excelente padrão de qualidade. Tanto que a Globo já fez trocas de equipamentos para não ficar atrás - conta Furtado.

Para disparar o petardo D. Beija contra a Globo, a Manchete precisou mais do que bons equipamentos e investimentos de Cz$ 20 milhões. Teve de desafiar a tese de que novela era um gênero caduco, às vésperas de desaparecer do vídeo. Furtado pensa exatamente o inverso: a novela dará certo por muitos anos.

- Somos a oitava economia do mundo, mas apenas dois ou três brasileiros se beneficiam desse processo. A maioria não tem dinheiro para teatro, cinema e restaurantes e fica em casa vendo televisão. Enquanto formos pobres, a novela está salva.

Parece ter razão. A exemplo do que aconteceu ano passado com Roque Santeiro, a trama de uma novela volta a ser assunto em conversas informais. D. Beija toma o lugar da viúva Porcina no jogo de adivinhação "com quem ela vai ficar?" Discutia-se o tema numa manhã de sábado no sofisticado salão do cabeleireiro Renault, no Copacabana Palace. Foi, ainda, D. Beija a responsável pela rápida dispersão de um grupo de surfistas que tomava sucos naturais na Polis Sucos, em Ipanema. Pegaram suas pranchas e correram para casa; entusiasmados com a beleza da cortesã de Araxá. O que, aliás, comprova as primeiras impressões de uma pesquisa que está sendo feita pela MPM sobre o comportamento de jovens entre 15 e 24 anos, no Rio e em São Paulo. As respostas dos questionários indicam que, para esse público, Selva de Pedra e D. Beija empatam em qualidade. Há quem diga, no entanto, que o erotismo de D. Beija exerce um fascínio todo especial sobre a curiosidade jovem.

De fato, é a primeira vez, em novela, que se vê o chamado nu total. Feminino e masculino. Diante de tal liberalidade, os conservadores preferem fechar os olhos. É o caso das mulheres de Santana - aquelas guardiães da moral cristã das famílias paulistas - que se recusam a acompanhar a novela. O juiz José Geraldo Barreto da Fonseca - aquele que conseguiu impedir a exibição do filme O Ultimo Tango, em São Paulo - garante que sua televisão é desligada às 20h. A sexóloga Marta Suplicy examina essas reações com bom humor. E chega a comparar as mulheres de Santana às personagens repressoras e caricatas do arraial de Araxá. Assistiu a vários capítulos e não alia o sucesso de D. Beija à carga erótica de algumas cenas.

- Esse apelo não está sendo levado. Pode, quando muito, estar exercendo um fascínio, ajudando a manter o padrão de audiência. Mas não é determinante. Acho que o sucesso tem mais a ver com o apelo de Beija para temas como intransigência, hipocrisia e dupla moral. A trama da novela, apesar de situada há um século, é atual. Acredito, até, que deva existir uma grande audiência junto ao público feminino, porque trata da discriminação contra as mulheres - avalia a sexóloga.

Cláudio Petraglia, superintendente de programação da Rede Bandeirantes, manifesta opinião parecida. Acha que o personagem de D. Beija tem muito de Scarlet O'Hara, a heroína de ...E o Vento Levou.

- Um personagem feminino, que enfrenta as regras sociais, vinga-se dos homens, é irresistível para as mulheres. E como são elas que mandam na televisão, o sucesso é certo. Ao contrário de Marta Suplicy, no entanto, Petraglia acha que a Manchete está exagerando nas cenas eróticas. E isso, no seu entender, é uma arma de dois gumes: atrai numa primeira fase para, depois, enfraquecer a credibilidade. Por isso, Petraglia acredita que D. Beija não é um marco na briga das emissoras brasileiras pela audiência. É apenas um sucesso.

- Não acredito que essa novela signifique uma mudança de hábito do espectador brasileiro. É só um fenômeno.

Um fenômeno nunca antes registrado pelo Ibope. As concorrentes sempre atacaram a Globo em outros horários, jamais em seu imbatível reinado noturno. - De segunda a sábado, no horário nobre, jamais tinha visto alguém chegar tão perto da Globo" -, comenta Carlos Augusto Montenegro, diretor-executivo do Ibope. O mais importante, na sua opinião, é que desde 31 de março os índices de audiência da novela subiram em todo o país. Mesmo em São Paulo, onde a Manchete costuma ter dificuldade com o público. Montenegro avalia que D. Beija representa uma mudança no hábito brasileiro de ver televisão, salutar para todos, até mesmo para um instituto de pesquisa que nunca se livra de acusações de trabalhar com uma amostragem viciada.

- Nossa amostra não mudou e, com ela, detectamos a fantástica audiência de Roque Santeiro, o deslocamento do público para D. Beija e o aumento de aparelhos ligados em Anos Dourados, índices só alcançados na época em que a Globo exibia a novela das 22h - diz Montenegro.

Esses índices, evidentemente, mexem com o anunciante. Se D. Beija é sedutora para o público, poderá ser, também, para o anunciante. Essa é a constatação do diretor de Planejamento e Pesquisa da MPM, Sérgio da Matta. Se a Rede Manchete conseguir manter o surpreendente índice de audiência, haverá novas cartas em jogo. O que, provavelmente, balançará o monopólio da TV Globo. Afinal, o mercado de mídia carioca nunca ofereceu muita opção, o que torna o custo para o anunciante o mais caro do país.

- Esse dado novo será mais um instrumento de negociação quando se discutirem os contratos do anunciante com as emissoras, no final do ano. As agências poderão oferecer a seus clientes uma melhor negociação, o que não é possível quando se trata com quem detém o monopólio - arrisca-se ele.

A Manchete sente os reflexos dessa mudança de regras no mercado publicitário.

- Já não é tão difícil convencer o anunciante a apostar na nossa programação. Mas poderíamos estar melhor, não fosse a cautela das empresas diante das mutações econômicas que o país atravessa. De qualquer forma, o anunciante descobriu uma segunda opção na televisão brasileira.

O anunciante e o público. Graças a uma certa senhora de Araxá.

NÃO VIRAM E NÃO GOSTARAM - SÃO PAULO - O juiz José Geraldo Barreto da Fonseca, que em novembro do ano passado conseguiu, através de um mandado de segurança, proibir a exibição na cidade de São Paulo do filme Último Tango em Paris pela TV Bandeirantes, não acompanha a série Dona Beija da Rede Manchete porque em sua casa a televisão é desligada às 20h. "Já ouvi comentários de conhecidos de que a novela é boa, mas tem algumas cenas um pouco fortes", comentou o juiz que tem 10 filhos e não concorda com a temática da maioria das novelas exibidas na televisão brasileira.

- Li alguma coisa também sobre uma cena em que a atriz Maitê Proença aparece nua andando a cavalo. Não sou contra a nudez desde que ela seja necessária e esteja dentro do contexto da história. Neste caso, porém, acho que a cena seria mais correta se fosse uma novela sobre Lady Godiva - observou ele.

Juiz do Tribunal de Alçada Criminal, 44 anos, católico, José Geraldo Barreto da Fonseca considera-se, no entanto, incapacitado de fazer qualquer análise do programa, pois não viu nenhum capítulo. Mas justificou sua atitude em impetrar mandado de segurança contra Último Tango em Paris (que também não viu) como uma "atitude de pai de família". Seu mandado baseou-se no descumprimento do Código de Menores que proíbe a exibição na TV de filmes impróprios para menores de 18 anos.

Além disso, a própria propaganda do filme nos jornais era muito apelativa, o que, pelo menos, não acontece com Dona Beija pelo que sei". Seus 10 filhos - entre 18 anos e 11 meses - não vêem televisão após 20h porque não lhe agradam os programas exibidos depois desse horário. Independentemente de terem apelo erótico ou não, eles não me agradam. Raras vezes assisto a alguma coisa que me interessa depois das 22h quando todos estão dormindo", afirmou o juiz.

As "senhoras de Santana" - bairro da zona norte de São Paulo - que ficaram conhecidas há três anos por sua cruzada pela morai e bons costumes (com apoio do então ministro Abi-Ackel) não querem ouvir falar em Dona Beija. Elas desligaram o telefone e não atenderam a qualquer pedido de entrevista sobre a novela.

Em tom agressivo, Dona Helena, uma das lideres do movimento, concedeu alguns minutos e disse estar "muito feliz com a imprensa". Garantiu não ter visto um capítulo sequer de Dona Beija e nem estar interessada em perder seu tempo diante das cenas exibidas pela Manchete.

Maria Helena Maluf, outra "senhora de Santana", recusou-se a qualquer tentativa de entrevista e colocou seu marido ao telefone: "Meu senhor, sou esposo dela e posso lhe afiançar que ela não vê a novela."

NASCE UMA HEROÍNA - Dona Leonor Maia, 62, viúva, uma filha, dois netos, moradora do Leme, jamais foi o tipo de espectadora que gruda na televisão na hora da novela. Nem mesmo no auge da bem amada Roque Santeiro. Com D. Beija, porém, seu comportamento mudou: " Sou capaz de dispensar passeios ou de voltar para casa correndo para não perder o capitulo da novela". Da estréia até hoje, ela só perdeu um dia. E ficou aborrecida com isso.

A novela está muito interessante, muito bonita. É uma história que aconteceu de verdade, embora esteja romanceada. E depois, há todas aquelas vestimentos de época, os figurinos são muito bem feitos, estão maravilhosos. Estou empolgada mesmo. A Maitê está muito bem, ela não é só bonita, não. Para mim, está no nível das grandes estrelas. Não cheguei a ler qualquer livro sobre Dona Beija. Mas escutei muitas histórias, quando meu marido era vivo e fomos passar 20 dias em Araxá. Agora vou procurar ler todos os livros que falem dela, para ver o que é que foi agregado à história verdadeira.

Para a época em que viveu - acrescenta:

- Dona Beija foi uma mulher de muita vontade própria, enfrentava tudo, era corajosa e de temperamento forte. Foi uma Joana D'Arc, muito valente. O erotismo da novela, para dizer a verdade, não está me chocando. Em outras novelas há cenas mais violentas. Mesmo no capítulo em que ela apareceu nua com o Marcelo Picchi foi focalizada de uma maneira bonita. Não é chocante ou grosseira. Não há cenas de cama com os homens que ela escolhe a cada noite, só com os dois amigos de infância, ainda assim não chocam. Ela tem um porte fino e se veste até que discretamente para uma mulher-dama, como diziam naquele tempo. Sua sensualidade está apenas no olhar.

Gilson Pereira, 23 anos, mensageiro, morador de Bangu: "Ache que D. Beija é uma novela muito instrutiva porque mostra muita coisa da realidade que fica escondida por baixo dos panos. Mostre até onde vai a dignidade das pessoas, como elas reagem diante do que D. Beija faz, seu jantares, seu nudismo e sua facilidade de encantar os homens".

Maria José Martins moradora do Leblon cinco filhos, seis netos:

"Gosto de histórias antigas, verdadeiras. A novela é ótima, porque revela a falsidade incrível das mulheres do Arraial. Todas queriam fazer o que D. Beija faz, só não têm coragem. Vida do sertão - eu conheço bem - é uma hipocrisia. Nessa história a única pessoa honesta é D. Beija, as cirscunstâncias é que a tornaram assim. O que ela fez foi se aproveitar da situação e por que não haveria de se aproveitar?"

Leir Rodrigues de Miranda, 42 anos, casada, uma filha, moradora de Bonsucesso e cabeleireira em Copacabana:

- "Gosto, porque acho o tema interessante e gosto do conteúdo. Eu só via novela na Globo, agora passo de Selva de Pedra para D. Beija, porque também não tem outra coisa melhor no horário."

Luzinete Maria de Santana, 52 anos, doméstica no Jardim Botânico e residente em Caxias:

- "Gosto muito, uai. Acho bonita e é uma história antiga que aconteceu no Brasil. Todo caso que se passou, eu gosto de assistir. Vejo também Sinhá Moça. Vejo qualquer canal é só ter uma coisa que me interesse."

A NUDEZ SEM PECADO - Não fossem as 12 horas diárias de trabalho, Maitê Proença não teria reclamações de D. Beija. Jogou uma cartada arriscada, aceitando o segundo papel de época em menos de um ano, o que poderia lhe render a desagradável classificação de atriz de um único personagem. Dois meses depois da estréia, ela tem certeza de que não errou na escolha: o público rende homenagens à cortesã de Araxá, acompanhando seu desempenho todas as noites.

O sucesso da novela é creditado a vários fatores:

- Retrata a nossa história e isso é importante para um povo desmemoriado e sem informação. A novela está indo ao ar exatamente num momento em que o país está interessado, em se conhecer melhor. Mas acho que faria sucesso em qualquer época porque a história de D. Beija é um conto de amor em que aparece uma sociedade que repudia valores morais que não são os seus. Essa discussão é sempre atual, mexe com o público - diz ela.

Mesmo esperando uma boa repercussão junto ao público, Maitê Proença confessa que o sucesso da novela foi além de sua expectativa:

Estou agradavelmente surpresa. É sempre bom saber que o público reconhece um trabalho bem feito. Acho que, para chegarmos, a esse ponto, muito contribuiu a direção de Herval Rossano que tem a mão certa para o sucesso. Mas nada disso seria possível sem a coragem da Manchete, encarando a realização de uma novela desse porte.

D. Beija não mudou apenas a rotina do dia-a-dia da atriz. Transformou-se num marco em sua carreira profissional. Chegam, diariamente, a sua casa, propostas de trabalho, de comerciais e filmes e peças de teatro. Os fãs mandam cartas num tom bem diferente daquelas que recebia quando era contratada da Globo.

Não são cartas de tiete, de pessoas deslumbradas por mim. Os fãs, agora, escrevem para falar de meu trabalho. A qualidade das cartas melhorou.

Estar nua em cena não comprometerá, segundo Maitê Proença, esse olhar mais sério do público.

As cenas de nu estão sendo feitas com muita classe, sem a menor vulgaridade. A novela passa um clima muito sensual e, pessoalmente, acho a sensualidade uma coisa muito bonita. Nas cenas que apareço sem roupa o tratamento estaria próximo de um quadro renascentista, sem clima para estímulos sexuais. Tenta oferecer apenas uma visão plástica para o espectador. E isso não é apelação ou pecado.

O MARIDO APAIXONADO - Casado com a atriz Maitê Proença há quatro anos, o empresário Paulo Marinho, 34, tem visto todos os capítulos da novela Dona Beija. Para ele, essa produção da Manchete é um trabalho rigorosamente cuidado nos mínimos detalhes, e o papel de sua mulher, a melhor atuação em Tv que ela teve até hoje. O erotismo e a nudez de Maitê em algumas cenas não lhe trazem qualquer perturbação ou ciúmes. Afinal, confessa ele, além de não ser ciumento por natureza; quando assiste à novela, está vendo Dona Beija e não sua mulher Maitê Proença.

- Eu acho que, para uma história de época, é uma produção extremamente cuidadosa. O sucesso incontestável da novela está muito em função desse cuidado que tiveram na produção, desde os menores detalhes até a escolha do elenco e do tema. Estou assistindo à novela porque acho que está interessante. As várias histórias paralelas - como a hipocrisia que se revela no relacionamento do juiz com sua mulher e o amor proibido do músico com a mulher do promotor - estão sendo muito bem escritas. Esses, para mim, são dois ganchos importantes que correm paralelamente à história principal e atraem o interesse do público. Nas cenas de nudismo, senti certo exagero quando ela dá três voltas, a cavalo, na praça do Arraial. Poderia ter sido uma volta só. A cena foi uni pouco longa e acho que exageraram um pouquinho na mão, nesse momento. A idéia da cena era uma brincadeira no Arraial. Com Beija dando uma volta no cavalo, bastava. Forçaram um pouco a barra. Se você não tiver esse olho crítico (a Maitê tem), corre o risco de parecer que está querendo apelar para atrair o interesse dos telespectadores.

De qualquer modo, normalmente não sou ciumento, não tenho nem um pingo de ciúme. Vaidoso eu sou' sim, mão não por estar casado com uma mulher bonita, e sim por Maitê ser uma mulher incrível, a beleza está incorporada à sua personalidade, não dá para separar. O que posso dizer é que estou muito feliz com o sucesso dela.

Acho que se eu tivesse conhecido Dona Beija eu também me apaixonaria por ela. Para mim, o que ela tem de mais encantador é o comportamento bem ousado para a época. As outras mulheres viviam, como as do Arraial vivem, o casamento era para procriar, até permitiam que os maridos tivessem amantes. O que me encanta no personagem é esse comportamento ousado. Acho muito legal também sua relação de amizade com os homens. Como ela não tem amigas, porque é discriminada pelas mulheres, consegue se relacionar com os homens - com muitos deles ela nem transa - no mesmo nível de igualdade.

1976 - Baixarias na TV


Jornal do Brasil
29/2/1976
Paulo Maia
O DESAFIO DA ESFINGE
Um antigo mito na história das comunicações sociais precisa ser revisto, com urgência. Durante este meio século de reinado absoluto da televisão, o templo máximo do lazer na sociedade consumista de nossos tempos, se tem acreditado, sistemática e inquestionavelmente que a cultura de massas se destina a baixar o máximo possível o teor de informação de suas mensagens, aumentando violentamente o teor da redundância, para se atingir mais gente de mais baixo nível intelectual.

O sucesso (inclusive empresarial) de Sílvio Santos, no Brasil, tem sido usado com alta freqüência para demonstrar a força das mensagens vazias para as audiências das classes B e, principalmente, C. Segundo os mesmos argumentos, para os públicos de classe A, de nível cultural e poder aquisitivo mais altos, já existem os teatros, os cinemas, os discos, as óperas, os livros e outros galhos da frondosa árvore da indústria cultural massiva.

Esse é, contudo, um argumento falho e falso em sua essência. Há um fundo de verdade nessa retórica boba, mas ela não é absoluta, una e indivisível, devendo, ao contrário, ser vista em conjunto no complexo real que envolve como uma teia de aranha essa questão. Se o público da chamada classe C tem necessidade de televisão e essa necessidade deve ser suprida com uma programação simples e fluente (mas nem por isso idiota), também as outras camadas de público merecem atenção.

Os homens de comunicação no Brasil têm medo da palavra elite, que lhes parece uma inacessível esfinge cheia de segredos mortais. Na realidade, esse medo é uma forma de disfarçar seu comodismo. Porque a lógica e o bom senso não estão ao seu lado na argumentação mais fácil do sucesso quantitativo de audiência. Afinal, se considerarmos que a indústria cultural - a televisão em particular - é sustentada por anúncios, só nos resta entender que um público consumidor a alimenta. Ninguém vai precisar aqui reunir conceitos sociológicos ou econômicos para demonstrar que alguns produtos da sociedade de consumo, justamente os mais caros e mais sofisticados, só são consumidos por, uma elite econômica e cultural,' existente em qualquer sociedade em que prevaleça uma economia de mercado num sistema capitalista.

Assim, as listagens de audiência do IBOPE não estão dizendo Uma verdade tão absoluta como parece à primeira vista. Atrás delas, existe uma realidade mercantil, muito além de seus diagnósticos apressados e simplórios. Numa simplificação grosseira, em que nos arriscamos para melhor deixarmos explicitada a questão, é natural que se leve lazer ao operário e à população de renda baixa em geral, mas, numa indústria cultural, não se deve esquecer de vender um produto ao seu público natural, cujo poder aquisitivo é mais alto e cujas chances de consumir são maiores. Não se trata evidentemente de uma questão ideológica, muito menos de uma tese cultural. Aqui está feita, na medida do possível, uma constatação meramente mercadológica que, apesar de sua franqueza abusada, demonstra muito bem em que castelos de areia repousam os mais gratos axiomas da comunicação massiva e da indústria cultural brasileira, principalmente nas matrizes de Rio e São Paulo.

Quanto ao conteúdo e à forma da programação em si, os ideais populistas dos que conduzem a locomotiva da cultura de massas brasileira são meros preconceitos imbecis. É claro, não se pode contestar o baixo nível de informação das classes populares. Afundá-las mais ainda na areia movediça de uma comunicação oca, sem qualquer miolo de informação, pode ser, porém, o caminho mais fácil para o sucesso, mas nunca será o meio mais responsável de conduzir esse público por mensagens mais proveitosas.

Acreditar que a destinação da televisão para um público, o mais extenso, o menos culto e o mais pobre possível, é a única saída mercadológica possível e inteligente para a indústria cultural da televisão é a mesma coisa que pensar que o chamado respeitável público tem a obrigação de agradecer pelas maciças doses diárias de estupidez que lhe são injetadas através do facho luminoso do televisor.

A descoberta das outras opções é o desafio da esfinge, com fascinantes enigmas que urgem ser decifrados.


1983 - O Povo na TV


O Estado de S. Paulo
1/1/1983
A PARTICIPAÇÃO PLANEJADA
"O programa ajuda a pessoa, é uma utilidade pública, mas apenas para uma ou outra pessoa e não muitos".

A colocação de Carla, de 15 anos, moradora de Nova Cachoeirinha, define, com sabedoria, a natureza do programa "O Povo na TV", levado ao ar pela TV-S. de segunda a sexta, de uma as seis da tarde, em oito Estados brasileiros.

Da mesma forma que Carla, milhares de telespectadores assistem ao desenrolar dos quadros, que tratam desde a perda de animais de estimação, parentes, até mortes e violências.

Como confessa um assíduo espectador, "é um programa de muita utilidade, porque traz para fora muita coisa que está no fundo da terra. Se não houvesse este programa, não tínhamos a quem reclamar".

'O POVO NA TV'

"A televisão estava alienada da vontade do povo, mas agora está voltando para servir ao povo".

"O 'Povo na TV" é a procuradoria geral do povo".

Através de expressões como estas, o programa procura autodefinir-se, sugerindo até ser o responsável pelo acesso à TV daqueles que até agora foram impedidos de nela participar.

Como é possível constatar, a população responde a esses apelos: diariamente são milhares as pessoas que se acotovelam nas imediações do estúdio, na tentativa de levar ao programa seus dilemas: desde a ausência absoluta dos direitos mínimos até conflitos familiares afetivos e sociais, em geral.

Além disso, também é grande o número de pessoas que procura o programa em busca das curas milagrosas do professor Lengruber, ou simplesmente em busca de participação no auditório.

Entretanto, como esta alta demanda de causas populares é tratada pelo programa, pelos apresentadores, pela produção?

REIVINDICAÇÕES

Quando os casos caracterizam-se por reivindicações, geralmente já levadas ao poder público inutilmente, os apresentadores acionam as mesmas autoridades procurando solução.

As instituições manifestam-se publicamente e comprometem-se a atender às solicitações, justificando a inoperância anterior como um pequeno desajuste do sistema. Com isso, o programa tenta, reiteradamente, recuperar o crédito às instituições, já desmoralizadas diante da população. Os erros são atribuídos a indivíduos "incompetentes" ou "preguiçosos", nunca ao caráter verdadeiro e classista das instituições.

Assim, o programa tenta ser uma ponte de conciliação entre o "povo" e as autoridades. Os antagonismos de classe são camuflados e substituídos por uma falsa fraternidade, denominada pelo programa como "legião de amigos".

OS AMIGOS

Entre os mais ilustres amigos do programa, estão o presidente Figueiredo, a Rota, a presidente da LBA, o delegado do Deops paulista, os ministros e autoridades em geral, até as pessoas mais simples, trabalhadores e outros.

Os momentos iniciais da apresentação são coroados pela "Canção da Fraternidade", como tentativa de irmanar a todos. Wilton Franco, o apresentador principal, comanda a música e todos cantam de mãos dadas, enquanto o apresentador expressa votos de esperança aos desvalidos e agradece ao presidente pelo direito de expressão, concedido por sua benevolência.

A aproximação do programa com o poder é tão flagrante que são rotineiros os elogios ao PDS, os ataques às oposições e a disposição das autoridades em comparecer ao programa.

O PROGRAMA E A POLÍCIA

Wagner Montes, o "chicote do povo", é o responsável pela apresentação dos casos relacionados com a "justiça". Pessoas simples levam ao programa os mais variados dramas, envolvendo brigas familiares, roubos, violências cometidas por vizinhos, desconhecidos e pela polícia.

Assumindo o papel de juiz das causas, Wagner Montes chega ao ponto de sugerir a morte para aqueles que julga criminosos irrecuperáveis, e de convocar a Rota para agir mais rigorosamente no combate aos crimes. São também constantes as manifestações silenciosas em apoio ao esquadrão da morte, quando, por exemplo, o seu símbolo é localizado pelas câmeras.

Ao som de um rugido de metralhadoras, o apresentador apropria se de valores caros às classes populares como a honestidade, a solidariedade, a justiça, para transformá-los em artifícios emocionais e distorcê-los com argumentos em favor de punições drásticas para os "criminosos" Em nenhum momento, o programa contempla as razões mais profundas da violência.

Quando a violência parte da polícia, o programa tenta resgatar a imagem da instituição, transferindo os erros aos indivíduos. As autoridades superiores são chamadas para manifestar sua discordância com tais atos e prometem providências imediatas. O programa, como se vê, poupa a instituição maiores críticas e evita desmascaramento do seu caráter ostensivamente repressivo.

O PROGRAMA E A RELIGIÃO

Se por um lado, "O Povo na TV" utiliza um discurso muito próximo àquele utilizado pelas CEBs, ele é acompanhado por uma prática que o nega, como por exemplo, no que se refere ao direito dos pobres.

Na sua intenção de dar voz aos pobres, as CEBs priorizam o coletivo e a organização das classes trabalhadoras, enquanto o programa destitui a reivindicação do seu caráter coletivo e transforma-a em concessão ao indivíduo isoladamente.

A linguagem do programa é penetrada pela religiosidade popular, que se manifesta através de provérbios, citações bíblicas, apelos a outras crenças, além dos quadros destinados à devoção e fé do povo, como a hora da Ave-Maria, e as curas do professor Lengruber.

O programa recupera a visão de que a ordem natural e social decorrem da vontade divina e só por ela podem ser modificadas. Assim, perante as dificuldades, só resta rezar a Deus.

Ao contrário desta prática, as CEBs buscam atingir uma nova linguagem, intrinsecamente libertadora e reveladora do real, que possibilite a conscientização do povo enquanto agente de mudança social.

O programa capta a importância e a relação que as classes populares mantêm com os "santos", para reforçar a idolatria e adoração das imagens.

No momento da reza, uma imagem de Nossa Senhora é colocada no palco para ser beijada e consagrada com flores, ao som da Ave-Maria e das reflexões do apresentador, Wilton Franco tenta impor uma relação de mediação entre o povo e o sagrado, procurando impedir que as pessoas relacionem com o seu cotidiano.

São também constantes as criticas à igreja mais progressista, responsável, segundo programa, pelo abandono das pessoas à igreja".

PARTICIPAÇÃO PLANEJADA

Tais pressupostos, combinados com uma visão dos direitos dos pobres, permite compreender o caráter estratégico do "Povo na TV" no atual momento político brasileiro.

Justamente no momento em que toda sociedade se organiza e reivindica um espaço maior de expressão e participação nas decisões do poder e nos meios de divulgação, surge um programa autodenominando-se "porta-voz do povo".

Exatamente quando se cristaliza a necessidade de solidariedade da grande maioria, como caminho fundamental para a construção de uma nova sociedade surge o programa.

Baseando-se na retorica da defesa dos direitos humanos coletivos, o programa continua a perseguir o cumprimento dos direitos individuais, tentando, assim, dissolver a força do coletivo.

Ao tentar constituir-se como ponte entre o poder e a população, o programa está, na verdade, dissimulando a compreensão da desigualdade social, que produz os conflitos levados ao palco. Suas soluções (obtidas através de um perfeito entendimento com o poder) são individuais quando os problemas são coletivos; sua resposta aos dramas familiares é o julgamento moral e condenação de pessoas; sua receita para a violência é a punição drástica para os envolvidos.

A articulação das lutas comunitárias para a conquista de uma sociedade mais justa, é uma questão intocada pelo programa.

"O Povo na TV" coloca-se como espaço aberto para a antecipação (para isso faz uso do esquema de auditório, de grande peso popular), mas faz deste espaço a tradicional prática assistencialista e paternalista, fundada numa fraternidade que esconde os antagonismos de classe.

A RECEPÇÃO POPULAR

No entanto, tal projeto de manipulação popular, não pode ser entendido de forma absoluta. Se o poder pode controlar a emissão das mensagens, ele não pode controlar a sua recepção. Neste sentido, o "Povo na TV", como qualquer outro programa, apresenta contradições.

Observa-se, em cada programa, por exemplo, a evidente inoperância das instituições, o descrédito e a revolta do povo em relação à forma como elas estão constituídas.

Nos freqüentes apelos do programa à "legião de amigos", vemos que se exploram determinados valores eminentemente populares, como a solidariedade. As pessoas se mobilizam motivadas por um valor que lhes pertence e não por desejo do programa. O apelo ao espírito comunitário traz em si um potencial organizativo, cuja liberação pode ocorrer a qualquer momento.

Embora o programa use todos os seus recursos para minimizar as reivindicações coletivas, os grupos que dele participam usam o programa para expor suas queixas e fazer suas críticas, e assim manifesta o seu descontentamento.

Os limites deste projetos de manipulação dos anseios populares no entanto, são muito claros: apesar do majestoso planejamento de uma famosa agência de propaganda e da presença de Sérgio Malandro e Wagner Montes (apresentadores do programa), no comício do presidente Figueiredo, no dia 8 de novembro, no Rio de Janeiro, as cem mil pessoas presentes não deixaram por menos - manifestaram-se com estrondosas vaias.


1977 - Gabi e Dercy



Tuesday, February 21, 2012

1981 - TV Guaíba de Porto Alegre


Folha da Tarde de Porto Alegre
31/10/1981
''PARA SER REPÓRTER É PRECISO SER CRIATIVO E PERDIGUEIRO''
João Francisco é repórter do Departamento de Esportes da TV Guaíba. Ele começou há vinte anos na profissão, mas por falta de tempo para conciliar com suas outras atividades teve que abandonar tudo e ficar afastado de jornal, rádio e televisão durante dez anos

"Eu me afastei por força das circunstâncias", diz ele, "mas nunca me desvinculei totalmente do esporte porque é uma coisa que eu gosto de fazer; apenas esperava uma oportunidade para poder conciliar as coisas e voltar à televisão".

Há dois anos apareceu esta oportunidade e João Francisco foi trabalhar no Departamento de Esportes da TV Difusora, embora dentro da programação daquela emissora fizesse outro tipo de cobertura, além da esportiva.

E agora faz parte da equipe de esportes do canal 2. Solicitado a fazer uma comparação entre os jogadores do futebol de outros tempos e os de agora, João Francisco comenta que o nível deles melhorou muito e que, por tabela, o trabalho dos repórteres também cresceu. "Agora nós não precisamos perguntar sempre as mesmas coisas porque eles já falam sobre diversos assuntos", diz ele.

Essa semana, quando a Seleção Brasileira esteve em Porto Alegre, João Francisco fez várias entrevistas com os jogadores e diz que gosta de trabalhar com, o pessoal da Seleção, pois é quem tem mais consciência do papel que a imprensa representa, até para eles estarem na posição em que estão.

Comenta que muita gente considera que o trabalho de repórter esportivo é um trabalho fácil. Para ele, "além de ser tão importante quanto outro tipo de reportagem qualquer, está tratando de um assunto que praticamente cem milhões de brasileiros entendem: e tu tens que saber o que tu estás falando".

Que é preciso para ser um bom repórter esportivo, a Folha da Tarde perguntou a ele. ''Precisa ser criativo e perdigueiro, pois os dirigentes de clubes procuram esconder da imprensa até as coisas mais óbvias. Eu até entendo algumas posições que eles tomam, porque enquanto as coisas não estão com o preto no branco, a divulgação apressada de uma notícia pode prejudicar todo um trabalho".

AUTOMOBILISMO - Na opinião de João Francisco, a cobertura que a TV Guaíba vem dando às provas automobilísticas realizadas em Tarumã e Guaporé vem contribuindo para aumentar o público nos autódromos - e isso é comprovado por números. A TV Guaíba é responsável pela motivação que faltava ao automobilismo do Rio Grande do Sul.

João Francisco diz que gosta de fazer esse tipo de cobertura parque "a gente encontra muitas facilidades para abordar os assuntos com as pessoas mais indicadas para abordá-los. Esses profissionais têm consciência de que o automobilismo precisa ser divulgada", conclui.

1965 - Grade da Globo


TV Globo - canal 4 de 26 de Abril de 1965
10:45 Padrão: Com Música Moon River, de Henri Mancini
10:50 Estréia da TV Globo: Inauguração e primeira transmissão aberta do canal 4
11:00 Uni Duni-Tê: Estréia, com Tia Fernanda
12:00 Gato Félix, Hércules e Cia.: Desenhos animados
12:30 Tele Globo: Noticiário com Hilton Gomes, Teixeira Heizer e Íris Lettieri
13:00 Nasce um Herói: Filme
13:30 Contos de Amor: Acorrentadas
14:00 Sempre Mulher: Programa feminino, com Célia Biar
14:30 Romance na Tarde: Filme de longa-metragem
16:30 Festa em Casa: Com Paulo Monte
17:00 Capitão Furacão: Com Pietro Mário e Elisângela
18:00 Rin-Tin-Tin
18:30 Rua da Matriz: Primeira novela da história da Rede Globo
19:00 Tele Globo: Noticiário
19:30 Ilusões Perdidas: Novela produzida na TV Paulista-SP
20:00 Musicalíssima: Comédia musical apresentando Forrobodó, de Luíz Peixoto
21:00 Os Defensores: Filme
22:00 Zig Zag: Programa de prêmios diretamente do auditório, com Renato Consorte
22:30 Show da Noite: Musical, com Gláucio Gil
23:30 Se a Cidade Contasse: Reportagem

1981 - Jornalismo Forte da Bandeirantes


Jornal do Brasi
19/4/1981
José Neumanne Pinto
TELEJORNALISMO DA BANDEIRANTES
Menos técnico e mais talento para competir com a Globo

SÃO PAULO -: Sem os recursos tecnológicos de sua concorrente, a Rede Globo de Televisão, a Bandeirantes resolveu apostar no homem como matéria-prima fundamental para os produtos de seu Departamento de Telejornalismo. Isso vale principalmente para o carro-chefe de sua programação noticiosa, o Jornal Bandeirantes, que ancorou nos vídeos brasileiros dia 6 de abril último com uma inusitada figura, a do comentarista, que os norte-americanos chamam de anchorman, palavras inglesa ainda sem tradução adequada para o português.

O novo esquema, que inclui a contratação de comentaristas exclusivos (Carlos Castelo Branco deverá comentar politica, Newton Carlos já faz o comentário internacional e Márcio Guedes encarrega-se da opinião esportiva), tomou corpo quando Walter Clark assumiu a direção-geral da rede e resolveu apostar no jornalismo e no esporte. Com um olho em sua falta de recursos (o telejornalismo da Bandeirantes custa à empresa cerca de 2 milhões de dólares por ano, ou seja, Cr$ 160 milhões, 10% do custo do telejornal da Globo, segundo os cálculos da emissora paulista) e outro na concorrente, Walter Clark cunhou a fórmula de um "jornalismo que não seja substantivo em excesso", como é o da Globo.

- Isso tem muito a ver com o próprio espírito das duas casas. Evidentemente tem muito a ver com os proprietários das empresas. O Sr Roberto Marinho não gosta de adjetivos. O Sr João Saad tem atração especial pelas polêmicas. Isso faz a diferença entre as duas emissoras. Por isso, podemos dizer que trabalho aqui com independência total. No dia do julgamento de Lula na Justiça Militar, fiz uma comparação entre os noticiários da Globo e da Bandeirantes. A Globo deu a notícia e a repercutiu com o Promotor e o advogado de defesa dos lideres sindicais condenados. De Lula e seus companheiros apareceram apenas imagens. Nós demos Lula e outros sindicalistas falando além de tudo o que a Globo tinha dado. Há uma grande diferença aí, não? - aponta Paulo Mário Mansur, que dirigiu o departamento de Telejornalismo da TV Globo - Canal 5 - de São Paulo durante oito anos, passou quatro tomando conta de sua Assessoria de Imprensa e, antes de Walter Clark assumir a direção geral da Rede Bandeirantes de Televisão, assumiu o telejornalismo da rede comandada pelo canal 13 de São Paulo.

Há muitas outras diferenças entre o Jornal Nacional, telejornal da Globo no horário nobre (19h45m) e o Jornal Bandeirantes, que vai das 19h30m às 20h. Se a Globo tem seis vezes o número de jornalistas em atividade carregando suas câmaras e empunhando seus microfones e gasta 10 vezes mais com um esquema que inclui correspondentes no exterior, especialista em economia da imprensa brasileira (escreve na Folha de São Paulo e em O Globo e na própria TV Bandeirantes); se a Globo atingiu um grau de limpeza da imagem no vídeo que as duas ilhas de produção e montagem do telejornal da Bandeirantes ainda estão longe de conseguir - o jogo da rede dirigida por Walter Clark é apostar na opinião e apoiar-se numa maior flexibilidade, capaz de interromper sempre a programação para dar uma notícia ao vivo. Por enquanto, as maiores dificuldades para se adotar um esquema assim são as condições materiais (a rede dispõe de apenas 150 profissionais em suas emissoras). Mas - pelo menos - a intenção já existe.

- A Globo tem condições técnicas de interromper, em rede, sua programação normal a qualquer momento para transmitir uma notícia importante. Só não faz isso constantemente porque não quer. Nós temos de fazer um grande esforço nesse sentido, como foi feito no furo internacional que lhes demos, o atentado recente contra o Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Aliás, naquele dia, a Globo nos bloqueou o satélite norte-americano. A sorte é que recebemos diariamente uma transmissão de satélite gerada em Londres e demos antes - diz Paulo Mário Mansur.

Além do atentado contra Reagan e da descida do Columbia, transmitida ininterruptamente durante uma hora e meia na tarde da última terça-feira, a Bandeirantes não tem condições de falar num esforço contínuo de pôr no ar notícias ao vivo. Por enquanto, a vitória que seu Departamento de Telejornalismo pode comemorar é a de, enfim, a televisão brasileira haver-se libertado do padrão Globo, rico, mas assético, também na transmissão de notícias, feita, como bem define Walter Clark, de forma luxuosa, mas excessivamente substantiva.

A nova fórmula da Bandeirantes apóia-se numa linguagem mais informal dos textos, numa edição mais relaxada, na costura existente entre as matérias, ligadas umas às outras, como se fizessem parte de uma corrente, mas principalmente nos comentários inseridos no pé das notícias.

O Jornal Nacional, da concorrente, é muito tenso e joga no ar uma quantidade excessiva de notícias num prazo muito curto, levando o telespectador comum normalmente a esquecer o noticiário que acaba de ver. A notícia na Bandeirantes, em seu novo esquema, tem mais tempo e, assim, é transmitida de forma a fazer com que o telespectador saiba o que está vendo e ouvindo.

Além disso, a edição do Jornal Nacional funciona como uma espécie de colagem em que as notícias não se sequenciam umas às outras. Ao mosaico global, a Bandeirantes preferiu adotar a fórmula de costurar uma notícia à outra, a exemplo do que fazia a extinta TV Excelsior - canal 9 - de São. Paulo no tempo do Show de Notícias (início dos anos 60). Essa forma é aproximada das edições "Coordenadas" dos jornais impressos.

O comentário, como a adoção da corrente e o ritmo mais solto e descontraído da edição, serve não apenas para, de alguma forma, adjetivar o noticiário, como pretende o novo Diretor Geral, mas também para ajudar a fixar a notícia na cabeça do telespectador. Quando o Embaixador Roberto Campos foi ouvido quarta-feira passada, o acréscimo de um comentário rápido de Joelmir Betting funcionou, conforme pretendem os telejornalistas da Bandeirantes, como uma espécie de cola fixadora da notícia que acaba de ser dada na mente do telespectador.

O encarregado de servir de pião nesse caso foi o jornalista Joelmir Betting:

- Encontramos em Joelmir seriedade profissional, perfeita adaptação ao veículo eletrônico e as qualidades de um bom narrador -explica Paulo Mário Mansur. Com uma agradável voz metálica, seu estilo de frases curtas e irônicas e o conhecimento de causa de quem já foi editor de economia de mercado de jornal (Folha de São Paulo), Betting é a tentativa brasileira Mais aproximada de repetir o sucesso de Walter Cronkite, que acaba de se aposentar nos Estados Unidos, justamente na função que a telev. si" brasileira pretende inaugurar.

Duas vezes por semana Paulo Mário Mansur espera contar com a colaboração fixa de Carlos Castelo Branco, do JORNAL DO BRASIL. A opinião internacional foi resolvida com a manutenção de Newton Carlos, segundo Mansur, agora menos prolixo e mais contido. Como Márcio Guedes foi localizado no Departamento de Esportes da TV Bandeirantes - Canal 7 - do Rio para gravar o comentário esportivo, sempre que for exigido no jornal.

O objetivo de Paulo Mário Mansur é adotar a fórmula de Walter Cronkite por inteiro e não parcialmente. Cronkite reunia numa mesa os editores de cada seção, fazendo com que cada um deles apresentasse seu noticiário próprio enquanto o anchorman cuidava de "costurar" o telejornal como um todo. Por enquanto, reconhece, a Bandeirantes não tem recursos para isso. Mas, enquanto não é possível, ele pretende ter um quadro de cerca de 20 jornalistas especializados em diversos setores à disposição para fazer Comentários esporádicos sobre os assuntos de sua especialidade. A Bandeirantes lhes pagará cachês por participação e evitará contar com uma grande equipe assalariada, a exemplo do que faz a CBS.

Mas a Bandeirantes ainda não adotou a fórmula completa de Cronkite também em relação ao "pião". Os editores, segundo o modelo norte-americano, acompanham todo o processo de produção do telejornalismo. Joelmir Betting entra em contato com o noticiário apenas uma hora antes de ir para o ar, quando o processo de produção chega a seu final.

Esse processo obedece à seguinte ordem:

1 - Durante a noite e a madrugada, um pauteiro prepara, para estar pronto às 4h, o roteiro do que deverá ser o noticiário das 19h30m. Enquanto isso, é produzido o jornal Primeira Edição, uma versão do Hoje da Globo, que vai ao ar às 13h, com o noticiário sobre artes e espetáculos. A pauta tem de prever o que vai ao ar às 19h30m, em rede nacional, mas também as pequenas (três minutos) edições dos jornais locais atenção, no ar em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, às 18h, 19h, 21h e 23h.

2 - A pauta é transmitida, às 6h, por telex às emissoras de outras cidades.

3 - Às 7h, a chefia de reportagem recebe a pauta, checa as indicações de horários e a atualiza. Começa então o processo de produção, quando as equipes compostas por cinegrafista, repórter, iluminador e técnico de som saem às ruas.

4 - O processo de edição começa às 15h, quando o produtor da chefia de reportagem verifica a qualidade técnica de cada teipe produzido, sabendo se é possível ou não levá-lo ao ar. Esse é o processo definido por Paulo Mário Mansur como de "limpeza da área para edição".

Também neste horário a chefia de reportagem reúne-se com os seis editores (um deles é o chefe) e a editora internacional para discutir o pré-espelho. A editora internacional leva à reunião a pauta do satélite. O tempo é distribuído, cada editor (ao contrário do jornal, não há editores de áreas determinadas) recebe sua cota no noticiário e terá de administrar com a produção a pauta de recebimento das matérias produzidas pelos estados e encaminhados à central de VT.

5 - Somente às 18h45m começa a ser recebido o noticiário transmitido pelo satélite de Londres. Joelmir deve ter chegado há 15 minutos.

6 - As 19h, prontos os noticiários local e nacional, na dependência da chegada do internacional ("este é o nosso calcanhar de aquiles. Por isso, todos aqui aguardam ansiosamente o verão, quando na Europa os calendários são antecipados em uma hora", diz Mansur), Joelmir Betting e o apresentador Ferreira Martins já estão a postos no estúdio. "Joelmir tem uma incrível capacidade de memorização", define Mansur.

7 - O Jornal Bandeirantes vai ao ar diariamente, às 19h30m, ao vivo e em quatro blocos, separados por comerciais. Desde as 19h15m é iniciada a contagem regressiva, mas, a qualquer momento, o jornal pode ser alterado com alguma notícia espetacular, entre um bloco e outro, quando o telespectador está vendo o comercial.

- Nossas equipes de reportagem são jovens. Estão sendo formadas no dia-a-dia. A maioria de nossos repórteres é gente recém-formada pelas escolas de Comunicação. Preferimos essa gente, pois, você sabe, não é fácil formar um profissional. Esses jovens saem de escolas que não têm equipamentos, não têm câmaras nem estúdios. Então, é preciso escolher, no meio desse material humano, aqueles que realmente servem, têm talento para a profissão - diz Mansur.

Para Paulo Mário, as diferenças entre a imprensa e os meios de comunicação eletrônicos são tão grandes que dificilmente um repórter de jornal se dá bem fazendo televisão.

No jornal, o repórter entrega a matéria a outro e vai embora. Na televisão, ele tem contato com outro tipo de material e outros tipos de profissionais: iluminadores, cinegrafistas, técnicos de som, produtores e editores. E acompanha o processo de confecção de sua matéria até o fim - explica. Mesmo assim, informa, prefere profissionais com currículo em imprensa para chefiar a redação, a reportagem e para editar as matérias.

Os jornais impressos servem também de parâmetro para avaliação da qualidade do material apresentado à noite pelo anchorman e pelos locutores, repórteres e comentaristas no vídeo. O princípio do Departamento de Telejornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão é o de que pelo menos 60% das notícias dadas em primeira página pelos principais jornais brasileiros tenham sido editadas na noite anterior por sua equipe.

Depois de quatro anos fora da televisão, Paulo Mário Mansur acha que só agora está-se livrando do padrão globo, ideal em termos de técnica, de volume e de acabamento, mas não de conteúdo.

- Quando eu cheguei à Bandeirantes, minha obsessão era fazer como a Globo. Ficava desesperado quando via que não havia condições para isso. Hoje, a ordem é "fazer diferente" da Globo. Se nossos locutores também são bem-vestidos, isso não quer dizer que estejamos seguindo o padrão globo de guarda-roupa. Ferreira Martins costuma vestir-se bem, normalmente. O mesmo acontece com Joelmir. Mas há uma diferença fundamental da Globo. Não estamos preocupados demais com a moda. Se a moda altera a lapela do paletó, Cid Moreira é obrigado a fazer o mesmo. Conosco não acontece isso - diz.

Nos quatro anos que passou fora da TV, Paulo Mário observou muito o telejornalismo produzido no Brasil. E reconhece que a Bandeirantes tem feito pouco para resolver dois problemas jamais solucionados nos jornais apresentados diariamente pela televisão:

1) Há uma pequena proporção de fatos mostrados por imagens. A grande maioria das imagens gravadas é de gente falando.

2) Essas imagens são sempre feitas em ambientes internos, quase nunca ao ar livre, em imagens externas.

- Reconheço que esses defeitos continuam existindo. Mas os atribuo à juventude e à inexperiência das equipes de reportagem que dirijo. Tentamos corrigir tais erros com um esquema de criação que pretendemos instalar. Também acreditamos que possamos dar uma colaboração maior, à televisão brasileira forçando a Globo a se comportar como nunca fez, levando, direto ao vivo, imagens ao ar com notícias acontecidas no decorrer do dia. Isso aconteceu, por exemplo, no caso do incêndio do Edifício Grande Avenida, em São Paulo, e no da eleição do Presidente da Câmara dos Deputados, Nélson Marchezan. Não tinha acontecido antes de Walter Clark falar em nossas prioridades, pelo menos com constância.

1972 - Grade na Guanabara


Sábado, 2/9/1972 – Estado da Guanabara
FONTE: Amiga nº 121, Bloch Editores

10:45 – AULA DE ALEMÃO
11:00 – SESSÃO SUPER–HERÓIS
12:00 – AMARAL NETTO, O REPÓRTER – reprise a cores. Direção geral: Chucho Narvaez
13:00 – JORNAL HOJE

13:30 – HELLO CRAZY PEOPLE – musica pop com Big Boy (Newton Alvarenga Duarte), a cores. Direção: Paulo Araújo.

14:00 – GLOBO FANTÁSTICO – documentário a cores
15:00 – CAMPEÕES DE BILHETERIA – filme a programar

17:00 – SHOW DA GIRAFA – Variedades com Murilo Néri e Sandra Bréa. Direção: Augusto César Vannucci, Mário Lúcio Vaz e Arnaldo Artilleiro. Produção de Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli.

19:00 – O PRIMEIRO AMOR – novela de Walter Negrão. Direção: Walter Campos e Régis Cardoso. Supervisão: Daniel Filho.

19:55 – JORNAL NACIONAL – a cores

20:15 – SELVA DE PEDRA  – novela de Janete Clair. Direção: Daniel Filho e Walter Avancini. Co–direção: Reynaldo Boury e Milton Gonçalves. Supervisão de Daniel Filho.

21:00 – PREMIÈRE MUNDIAL  – longa metragem a cores
22:30 – AMARAL NETTO, O REPÓRTER – programa inédito a cores
23:30 – CABURÉ, A CORUJINHA NACIONAL – longa metragem
01:00 – SÁBADO A NOITE NO CINEMA – longa metragem



TV TUPI, canal 6
10:00 – TV EDUCATIVA
11:20 – CRÔNICAS DE AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE
11:30 – SALA DE ESPERA
11:50 – A VOZ DO PASTOR – religioso
12:00 – AÉRTON PERLINGEIRO SHOW
16:00 – PROGRAMA HAROLDO DE ANDRADE
18:00 – SIGNO DA ESPERANÇA – novela de Marcos Rey. Direção: Carlos Zara
18:45 – NA IDADE DO LOBO – novela de Sérgio Jockyman. Direção: Carlos Zara e Wálter Avancini
19:30 – REDE NACIONAL DE NOTÍCIAS
19:50 – A PANTERA COR–DE–ROSA  – desenho a cores
20:00 – BEL–AMI – novela de Ody Fraga. Escrita por Ody Fraga e Teixeira Filho. Direção: Henrique Martins.
20:30 – VOCÊ PAGA O SHOW
22:30 – CINEMA MILIONÁRIO – longa metragem
00:30 – POLTRONA 6


TV RIO, canal 13
11:10 – TV EDUCATIVA
11:40 – ESPECIAL 13
12:40 – HISTÓRIAS DO VELHO OESTE
13:05 – PERDIDOS NO ESPAÇO  – seriado
14:00 – VIVA O CIRCO
15:00 – THUNDERBIRDS  – seriado

16:00 – CINEMA B: O Céu em Toda Parte (Sally and Saint Anne). EUA, 1952. Direção: Rudolph Maté
Comédia: Ann Blyth é Sally O'Moyne, protagonista desta história sentimental (e também humorística) versando sobre religião.

17:45 – BATMAN – seriado a cores
18:15 – PLUFT–PLUFT  – seriado a cores

18:45 – AS AVENTURAS DE HUCKLEBERRY FINN – seriado a cores

19:00 – SOL AMARELO – de Raimundo Lopes. Direção: Zéluiz Pinho e Waldemar de Moraes. Supervisão: Carlos Manga. Produção da TV Record.

19:30 – REPÓRTER REI
19:45 – RIO DÁ SAMBA – com João Roberto Kelly
19:50 – O TEMPO NÃO APAGA – novela de Amaral Gurgel. Direção: Waldemar de Moraes. Produção da TV Record.

20:50 – PALMA DE OURO: O leão está solto (Fluffy). EUA, 1965. Direção: Earl Bellamy 



Comédia: Tony Randall (26/02/1920 – 17/05/2004) encara o professor de bioquímica Daniel Potter numa universidade americana e (em meio às confusões que cria por causa de um leão) namora Janice Claridge (Shirley Jones, do seriado A FAMÍLIA DÓ–RÉ–MI).

23:00 – OS GUERRILHEIROS – seriado

00:00 – CENSURA ESPECIAL: Vingança diabólica (L’Homme aux Clefs d’Or). Direção: Léo Joannon (21/08/1904 – 28/03/1969).
O veterano ator Pierre Fresnay (4/4/1897 – 9/1/1975) é Antoine Fournier, o homem das chaves de ouro neste policial francês de 1956. Ao seu lado a famosa Annie Girardot conhecida dos brasileiros pelo filme MORRER DE AMOR (Mourir d'aimer – 1971 em que fazia Danièle ). Neste fime Annie intrepreta Gisèle Delmar / Lewarden.




1977 - Grade do Rio


Grade do dia 17 de fevereiro de 1977 
Canal 2 (TVE)

19:05 - abertura com a cronica de fernando leite mendes
19:15 - conversa de orelhão
19:20 - grandes mestres da pintura
19:35 - marcia e seus problemas
19:50 - aprenda a cuidar do seu filho
20:05 - imagens
20:20 - conhecimentos gerais
20:35 - conversa vai, conversa vem
21:00 - dossie
22:00 - a resposta
22:20 - conversa vai, conversa vem
22:30 - 1977
23:00 - opus

canal 4 - Tv Globo

10:15 - padrão a cores
10:30 - vila sesamo III
10:58 - globinho
11:00 - joão da silva
11:30 - mundo animal
11:58 - globinho
12:00 - globo cor especial
13:00 - hoje
13:30 - vejo a lua no ceu (reprise)
13:58 - globinho
14:00 - sessão da tarde
16:00 - sessão aventura (flipper)
16:58 - globinho
17:00 - show das cinco (trio calafrio)
17:30 - faixa nobre (super amigos)
18:00 - a sombra dos laranjais
18:45 - tom e jerry
19:00 - estupido cupido
19:45 - jornal nacional
20:10 - duas vidas
21:00 - chico city
21:55 - jornalismo eletronico
22:00 - o bem amado
22:30 - kojak (episodio a cilada)
23:40 - amanhã
24:00 - Coruja Cororida (filme Tempestade sobre Washington)

canal 6 - Tv Tupi

11:00 - TVE - circuito nacional
11:30 - ingles com fisk
12:00 - agropecuaria
12:45 - rede fluminense de noticias
13:00 - operação esporte
13:30 - panorama
13:55 - roberto milost
14:00 - sergio bittercount informal
14:15 - dr armando lenga
14:30 - entre aspas
14:45 - o texano
15:15 - az do espaço
16:15 - ramar das selvas
16:15 - capitão aza - (com os desenhos - o homem aranha, ultraman, stingray e speed racer)
18:25 - gente inocente
18:55 - tchan - a grande sacada
19:35 - o esporte com joão saldanha
19:38 - o grande jornal
20:00 - o julgamento
20:50 - quinta especial
22:00 - petrocelli (seriado)
23:00 - j. silvestre
24:00 - informe financeiro
00:05 - longa metragem (servidão humana)

canal 11 - Tvs

17:00 - conhecer
18:00 - a empregada maluca
20:00 - o valente bonitão
21:00 - o vale da violencia

canal 13 - Tv Rio

14:40 - abertura
14:45 - tv ciencia
15:00 - aula de frances
15:15 - primeira edição
15:45 - um show de mulher
16:45 - utilidade publica
17:15 - um show de mulher
18:15 - plim, plim e o magico de papel
19:00 - jornal rio
19:30 - cartão vermelho
20:00 - ivon gente
21:00 - os caminhos da magina
22:00 - show do grande rio




1980 - Grade de programação para o Rio de Janeiro

Sexta-feira, 04 de abril de 1980.

REDE GLOBO - Canal 4

07h45 - TELECURSO 2º GRAU
08h00 - TV EDUCATIVA
08h30 - TELECURSO 2º GRAU - reprise
08h45 - SÍTIO DO PICAPAU AMARELO - reprise do episódio da véspera
09h15 - FILMOTECA GLOBAL
10h45 - GLOBINHO
11h00 - O MUNDO ANIMAL
11h30 - A FEITICEIRA
12h00 - GLOBO COR ESPECIAL - Zé Colméia / Os Quatro Fantásticos
13h00 - GLOBO ESPORTE
13h15 - HOJE
13h45 - À SOMBRA DOS LARANJAIS - reprise da novela
14h30 - OS GRANDES HERÓIS DA BÍBLIA - Moisés e os Dez Mandamentos
16h30 - SESSÃO AVENTURA - Yogue e Minipolegar
17h15 - GLOBINHO
17h30 - SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
18h00 - OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO
18h50 - JORNAL DAS SETE
19h00 - CHEGA MAIS
19h50 - JORNAL NACIONAL
20h15 - ÁGUA VIVA
21h10 - SEXTA SUPER
22h35 - FESTIVAL 15 ANOS - Comédia Especial: O Inspetor Geral
23h35 - JORNAL DA GLOBO
00h00 - SESSÃO DUPLA - A Múmia Ananka / A Soldo da Corrupção

REDE TUPI - Canal 6

07h25 - MOBRAL
07h45 - O DESPERTAR DA FÉ
08h15 - JESUS, A VERDADE QUE LIBERTA
08h45 - INGLÊS COM FISK
09h00 - PROGRAMA SAMUEL DE MELLO
09h30 - CAMINHOS DA VIDA
09h45 - CLUBE 700
10h45 - PROGRAMA JOSÉ SALEME
12h00 - OPERAÇÃO ESPORTE
12h15 - JORNAL DO RIO
12h30 - AQUI E AGORA
18h00 - OLIMPOP
18h50 - BONANZA
19h40 - REDE TUPI DE NOTÍCIAS
20h00 - A VIAGEM - reprise da novela
21h00 - FILME
23h00 - INFORME FINANCEIRO
23h05 - LONGA METRAGEM - Angélica e o Rei (3ª parte)



TV BANDEIRANTES - Canal 7

10h30 - MOBRAL
10h45 - PULLMAN JR. - reprise
11h15 - A CONQUISTA
11h45 - DEVLIN, O MOTOQUEIRO
12h15 - GUERRA, SOMBRA E ÁGUA FRESCA
12h45 - BANDEIRANTES ESPORTE
13h00 - JORNAL BANDEIRANTES - PRIMEIRA EDIÇÃO
13h30 - PROGRAMA ROBERTO MILOST
15h00 - MATINÉE - O Milagre
16h30 - DESENHOS - Pernalonga, Gasparzinho e Popeye
17h00 - PULLMAN JR.
17h40 - ATENÇÃO
17h45 - JORNADA NAS ESTRELAS
18h45 - ATENÇÃO
18h50 - PÉ-DE-VENTO
19h40 - ATENÇÃO
19h45 - O TODO-PODEROSO
20h40 - JORNAL BANDEIRANTES
21h00 - MOACYR FRANCO SHOW
22h00 - HAVAÍ 5-0
22h55 - ATENÇÃO
23h00 - CINEMA NA MADRUGADA - A História de David

TVS - Canal 11

10h00 - PROGRAMA EDUCATIVO
10h30 - AVENTURAS AOS QUATRO VENTOS
11h00 - COZINHANDO COM ARTE
11h15 - JORNAL DA MANHÃ
12h00 - SESSÃO DESENHO
12h30 - O VIRA-LATA
13h00 - BEN, O URSO AMIGO
13h30 - JONNY QUEST
14h00 - DOM PIXOTE
14h30 - GATO FÉLIX
15h00 - A PANTERA COR-DE-ROSA
15h30 - PICA-PAU
16h00 - A TURMA DO PICA-PAU
16h30 - MAGUILA, O GORILA
17h00 - POPEYE
17h30 - OS JETSONS
18h00 - JONNY QUEST
18h30 - A TURMA DO PICA-PAU
18h45 - GEMINI MAN
19h45 - PICA-PAU
20h00 - GUNSMOKE
21h00 - SESSÃO DAS NOVE - A Espada e a Cruz
23h00 - BARNABY JONES




1978 - Grade de programação para o Rio de Janeiro

Rio - Segunda-Feira 11 de Setembro de 1978
GLOBO - CANAL 4

07:30 - TELECURSO 2° GRAU
07:45 - TVE
08:15 - TELECURSO 2° GRAU
08:30 - SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
09:05 - DANIEL BOONE
10:05 - VIAGEM AO FUNDO DO MAR
11:05 - O MUNDO ANIMAL
11:35 - GLOBINHO
11:50 - GLOBO COR ESPECIAL
12:50 - GLOBO ESPORTE
13:00 - HOJE
13:30 - LOCOMOTIVAS - NOVELA (REPRISE)
14:00 - SESSÃO DA TARDE: TRÊS ESTRELAS E UM CORAÇÃO
16:00 - TOM E JERRY
16:45 - O PLANETA DOS MACACOS
17:15 - GLOBINHO
17:30 - SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
18:00 - GINA - NOVELA
18:45 - HB 78
19:00 - PECADO RASGADO - NOVELA
19:45 - JORNAL NACIONAL
20:05 - DANCIN' DAYS - NOVELA
20:55 - PLANETA DOS HOMENS
21:55 - JORNALISMO ELETRÔNICO
22:00 - SINAL DE ALERTA - NOVELA
22:30 - AMANHÃ
22:50 - CINEMA ESPECIAL: A QUADRILHA
01:00 - CORUJA COLORIDA: O DECANO

TUPI - CANAL 6

09:00 - TVE
09:45 - INGLÊS COM FISK
10:00 - CLUBE DOS 700
11:00 - REDE FLUMINENSE DE NOTÍCIAS
11:15 - DESENHOS
11:30 - ULTRASEVEN
12:00 - OPERAÇÃO ESPORTE
12:30 - PANORAMA POP
12:45 - MUITO PRAZER DOUTOR
13:00 - COISAS DA VIDA
14:00 - ERAMOS SEIS - NOVELA (REPRISE)
14:40 - DESENHOS
15:30 - CAPITÃO AZA
16:30 - PLIM PLIM, O MÁGICO DE PAPEL
17:30 - PINOQUIO
18:00 - ZORRO
18:30 - DESENHOS
18:50 - SALARIO MINIMO - NOVELA
19:30 - O DIREITO DE NASCER - NOVELA
20:10 - RODA DE FOGO - NOVELA
20:40 - GRANDE JORNAL
21:00 - CINERAMA 78: PERIPECIAS CANINAS
23:00 - SESSÃO MÉDICA
23:05 - INFORME FINANCEIRO
23:10 - OPERAÇÃO ESPORTE ESPECIAL
00:10 - M.A.S.H

BANDERANTES - CANAL 7

11:30 - RIN TIN TIN
12:00 - REINO SELVAGEM
12:30 - DESENHOS
13:00 - PRIMEIRA EDIÇÃO
13:20 - POPEYE
13:30 - PROGRAMA EDNA SAVAGET
15:00 - XÊNIA E VOCE
16:15 - OS MONKEES
16:45 - FAMILIA DÓ-RÉ-MI
17:15 - PULLMAN JR
17:45 - FLIPPER
18:15 - HANNA BARBERA
18:45 - MARY TYLER MOORE
19:15 - JORNAL BANDEIRANTES
19:45 - O FUGITIVO
20:55 - CINEVISÃO: MALLORY INDICAÇÃO
23:00 - JOGO RÁPIDO
23:05 - FUTEBOL COMPACTO
00:00 - CINEMA NA MADRUGADA: COMO VIVER COM TRÊS MULHERES

TVS - CANAL 11

12:00 - PICAPAU
12:30 - LIGEIRINHO
13:00 - BATMAN
13:30 - JORNADA NAS ESTRELAS
14:00 - PAPALEGUAS
14:30 - AS AVENTURAS DE GULLIVER
15:00 - SUPER 6
15:30 - FAMÍLIA ADAMS
16:00 - PICAPAU
16:30 - FRANKENSTEIN JR
17:00 - A PRINCESA É O CAVALHEIRO
17:30 - ZÉ COLMEIA
18:00 - KROFFT SUPER SHOW
19:00 - OS INVASORES
20:00 - SESSÃO BANG BANG
21:00 - SESSÃO DAS NOVE: DOMINGO SANGRENTO
23:00 - SESSÃO POLÍCIAL

TVE - CANAL 2

15:30 - ERA UMA VEZ
16:30 - TELECURSO 2° GRAU
16:45 - APRENDA A CUIDAR DO SEU FILHO
17:30 - GINÁSTICA
18:00 - STADIUM
18:15 - SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
18:45 - ARCO - ÍRIS
19:30 - TELECURSO 2° GRAU
19:45 - ARCO - ÍRIS
21:00 - OPUS
22:00 - CENA ABERTA
22:30 - 1978
23:30 - LIÇÕES DE VIDA
23:35 - COISAS NOSSAS

Sunday, February 12, 2012

1981 - TVs Guaíba e Pampa versus Gaúcha

Gazeta Mercantil
18/3/1981
Jane Filipon
A DIVISĂO DA AUDIĘNCIA
Todas as quatro televisőes do Rio Grande do Sul neste início de ano estăo empreendendo modificaçőes em suas programaçőes e investimentos em novos equipamentos. O alvo das emissoras menores é conseguir, numa primeira etapa, a divisăo mais eqüitativa do mercado quase todo concentrado em torno da bem estruturada Televisăo Gaúcha (programaçăo da Rede Globo). Durante todo o ano de 1980, a Gaúcha manteve uma média de 60% de audięncia, na grande. Porte Alegre, e liderança quase absoluta no interior do estado, onde conta com nove estaçőes retransmissoras e apenas a concorręncia da Televisăo Difusora (da Rede Bandeirantes). TV Guaíba e TV Pampa, sem ligaçőes com redes nacionais, ainda năo atuam em áreas interioranas.

MUDANÇAS - A Guaíba, da Empresa Jornalística Caldas Júnior, foi a emissora que introduz modificaçőes mais substanciais, porque passou a ocupar 45% de sua linha de programas com produçőes locais (antes era 35%), o restante do espaço ocupado com filmes e desenhos. A Guaíba, que atualmente ocupa a última posiçăo com 4% de audięncia, perdendo para TV Pampa que, segundo o IBOPE, tem 24,6% da preferęncia do público e para a Difusora com 8%, antecipou seu horário de entrada no ar para as 9h30 (durante dois anos a programaçăo iniciava-se ŕs 16 horas).

PERSONALIZAR - "Nesses dois anos de presença no mercado", afirmou a este jornal o diretor de programaçăo, Sérgio Reis, "tivemos como principal objetivo de nosso trabalho personalizar a estaçăo como uma emissora eminentemente local e fora de rede, tendo, porém, como público-alvo o sexo masculino." Nesta nova arrancada e com um faturamento triplicado (Cr$ 24 milhőes mensais segundo a empresa), a programaçăo foi estratificada de forma tradicional (pela manhă, infanto-juvenil, do meio-dia ŕs 14 horas, eminentemente feminina; para crianças ŕ tarde; e no começo da noite um programa de informaçőes, comentários e esportes), encerrando com filmes.

A briga pela audięncia feminina no horário das 12 horas se dará basicamente entre tręs emissoras: TV Gaúcha, TV Guaíba e TV Difusora. Programas neste horário se mantęm em bons níveis de audięncia no interior e em Porto Alegre, porque o hábito de a família se reunir em casa, ao meio-dia, ainda permanece. Reis acha, porém, que na capital' a presença maior neste horário é fundamentalmente, feminina e por isto entra com programa exclusivamente nessa linha. "Nas demais emissoras se justifica porque cobrem todo o estado. Pode ser, portanto, um programa bem mais variado que o nosso, pois os homens do interior ainda almoçam em casa", explicou ele. A Televisăo Gaúcha, segundo seu diretor executivo, Fernando Miranda, pretende mexer no seu jornal do almoço, buscando novos cenários e maior descontraçăo, pois está no ar há 10 anos, praticamente sem alteraçőes fundamentais.

PUBLICO - O público-alvo da programaçăo da Gaúcha năo será, porém, modificado. Isto porque a pesquisa encomendada ŕ Marplan, para introduzir inovaçőes, caso fossem necessárias, constatou que, das 12 ŕs 13 horas, 49% de seus telespectadores săo homens e 51%, mulheres, e, "săo superado, a Gaúcha das 13 ŕs 14 horas, 45% do público é masculino e 55%, feminino. A Gaúcha pretende, este ano, produzir, ainda, pelo menos dois casos especiais com artistas gaúchos e há uma idéia, ainda embrionária, de fazer um noticioso pela manhă, A linha de programaçăo da TV Difusora năo sofrerá grandes ajustes, estando reservada para a emissora a transmissăo dos novos programas da Bandeirantes.

EQUIPAMENTOS - A TV Pampa parece ter encontrado sua linha: desenhos e filmes. Mas o diretora presidente, Otávio Dumet Gadret, e o diretor de programaçăo, Gilberto Lessa, também estăo pensando em alterar a fórmula, embora tenha dado certo, pois, com menos de um ano de atuaçăo, ficaram com a segunda posiçăo. Enquanto em dois anos a Pampa anuncia que estará cobrindo todo o estado e a Guaíba, ainda este ano, 70% do Rio Grande do Sul, com este tipo de expansăo superado, a Gaúcha parte para outros investimentos: um novo prédio de 1.700 m2 para instalaçăo da área técnica e operacional; compra de cinco câmaras portáteis mais atualizadas e tręs unidades de, microondas portáteis.

1981 - Balanço Televisivo

Jornal do Brasil
4/1/1982
Maria Helena Dutra
1981 NA TELEVISĂO
Prós e contras (como sempre) num ano de muito movimento

Estando a vida lá fora cada vez mais cara e perigosa era óbvio que a televisăo em 1981, como nos anos anteriores, cada vez mais conquistasse espaço no tempo carioca. Isto é, mais público e repercussăo. Fazendo jus ŕ preferęncia, mesmo que um pouco forçada em alguns casos, ela ofereceu bastante movimento. Com entretenimento para todos os níveis de escolaridade e bem mais informaçőes, pois passou a perguntar muito mais do que antes.

E como recebeu algumas respostas, chegou mesmo a se atrever a esboçar alguns contornos de nossa realidade. Em branco, apenas, permaneceu sua funçăo educacional e cultural, pois os quatro canais em atividade, até o estatal, continuam pensando apenas em resultados imediatos de audięncia.

Estes mostraram ainda o total predomínio da Rede Globo que a lamentar só teve mesmo duras derrotas vespertinas. Sua média, em quase dois milhőes de lares com televisăo do Grande Rio, é de 34% com piques de 70 ou mais no horário nobre. Mas seu ano, no geral, năo foi dos mais brilhantes. De bom ofereceu mesmo uma diversificada cobertura esportiva: a novela Baila Comigo, pela sinceridade do autor e perfeiçăo de elenco; Bem Amado, que permanece sua melhor série e nossa melhor ficçăo política; Som Brasil, apesar de matutino o nosso lado caipira começa a ser reconhecido; e os especiais de fim de ano, A Paixăo Segundo Nélson Rodrigues e, grande destaque, Morte e Vida Severina.

No degrau intermediário, alguns lances. A melhora do Sítio do Picapau Amarelo, vamos ver se continua assim; os Trapalhőes de sempre; Viva o Gordo, meio repetitivo, mas criou alguns bordőes; Globo Revista, que apesar de levar muito mais Governo do que Oposiçăo, relançou a entrevista política na estaçăo que antes só lia decretos; Plumas e Paetęs e Jogo da Vida duas bobagens bem realizadas; e o inteligente Globinho.

Mas teve também muitos percalços. TV Mulher esvaziou de vez, o mesmo acontecendo com Globo Repórter. Catástrofe foi o ano do Planeta dos Homens e Chico Total. Engraçado é que o primeiro só apresentou um bom programa, que foi o último, e o segundo igualmente apenas um, que foi o primeiro.

Na parte musical năo acertou uma. MPB-81 e Show do Męs năo deixaram a menor lembrança e a série Grandes Nomes acabou sem ninguém perceber. Nas novelas, deu déficit. Pois mostrou uma boa, duas razoáveis e cinco ruins, mesmo. Este o caso de Coraçăo Alado, só ralou; O Amor é Nosso, ou o fracasso foi de-es; As Tręs Marias, transformar o Ceará em Baixo Leblon e Suíça, só podia dar no que deu; Ciranda de Pedra, Săo Paulo de 1947 com estética americana dos anos 30; Brilhante, chega a dar pena; e Terras do Sem Fim, em que puseram uma barcaça do Mississipi no mar alto de Ilhéus sem dar desastre.

Mas o pior deles na estaçăo foi o cancelamento de Amizade Colorida, série com apenas 10 títulos. Năo tanto pela censura das senhoras paulistas, mas porque realmente năo sabiam o que fazer do Edu Homem. Plantăo de Policia era melhorzinho, mas Obrigado Doutor só foi esquisito. Nas importaçőes supérfluas, nos infringiram o horror de Dallas, seu mais doloso feito do ano.

Depois de ter sido apenas um exibidor de velhos filmes e enlatados, a TV Studios este ano montou e amarrou uma programaçăo nacional de feitio popularesco e sensacionalista. Com isto, Wilton Franco, rezando a Ave Maria, e O Homem do., Sapato Branco, agredindo desnutridos loucos, se solidificou em segundo lugar com média de 14 pontos e piques de até 30.

Muito esporte, desfile de Misse, J. Silvestre exumando programas dos anos 60, humorismo grosso e filmes de caratę é pornochanchadas nacionais contribuíram para o sucesso. Sempre liderado pelo programa dominical do dono da casa. Um conglomerado de atraçőes que pode fazer chorar quem permanece acreditando em dignidade humana, mas que é comprovadamente uma política comercial exata e certa. Por isso, o fato mais importante do ano e talvez o que mais vá marcar a televisăo de 1982.

Ano que também deverá ser o de limite para as experimentaçőes do mito Walter Clark na direçăo de programaçăo da Bandeirantes. Este ano, nada deu certo. Imitando a Globo sem seus recursos e infra-estrutura e, pasmem, a Educativa no nível de realizaçăo, mal se equilibra no terceiro lugar com média de 3 pontos e pique no máximo de 10. Ao contrário da definiçăo, mesmo que braba, de Sílvio Santos, o canal 7 permanece sem personalidade e continua impenetrável mistério qual o tipo de espectador que quer atingir e qual estratégia adota.

No esporte teve suas intençőes barradas pela Globo, mais rica, mas no jornalismo năo investe e bons comentaristas năo bastam para esconder a pobreza de imagens.

Canal Livre este ano năo teve o brilho de 80, pelo excesso de equívocos na escolha de entrevistados e perguntadores. Cidade Aberta fechou porque quis fazer TV Mulher em estilo Tupi. ETC, depois de empolgante entrevista com D Helder Câmara, virou papo de Zona Sul, sem legendas, para os năo iniciados, e 90 Minutos encrencou firme por ser um Fantástico diário produzido ao jeito da TV Rio.

Nas novelas só se salvou com Os Imigrantes, mas seu segundo ano é duvidoso, pois o autor Benedito Rui Barbosa parece que largou o barco e voltou ŕ sua terra natal. Isto é, outra estaçăo. O mesmo aconteceu com Ivani Ribeiro, que se despediu dos Adolescentes agora tutelados por Jorge Andrade. Com ambos, os meninos năo cresceram. Tal e qual a Chatuba de Dicró parece difícil ficar na Bandeirantes pois também Nelson Mota e sua Mocidade Independente duraram mínimas ediçőes.

Para fora foram também algumas de suas atraçőes populares, como Edna Savaget e Hebe Camargo, mas nenhum prestígio as substituiu. Chacrinha se tornou peripatético e acabou 'rendendo pouco aos domingos. Bom mesmo, apenas, produziu o seriado Dona Santa, um raro encontro de conteúdo com exata forma.

Quem subiu este ano foi a Educativa. Embora tenha a ínfima média de 0,8% tem dado piques de 8 a 7 em alguns horários nos quais chega a ficar em terceiro lugar. Uma vitória para a estaçăo que era totalmente desconhecida do público e este, ao menos, sabe que existe um Canal 2 no seu televisor. Muito pelo esporte que foi intenso e bem realizado, tanto no campo amador como no perene futebol, que lhe dá muitos espectadores no domingo.

MAS também tem outros atrativos. A extenuante cobertura do carnaval, este ano meio abagunçada. Mais acertado foi cancelar programas tipo Decisăo Pública em favor de produçőes melhor realizadas. E trazer também produçőes paulistas, da Cultura, que em média foram fracas, mas apresentaram alguns bons momentos no Teleromance. Em igual linha, alternando méritos com bobagens, foram os programas Um Nome na História, Os Astros, Água Viva, Catavento, Sábado Forte e Os Músicos, Mas apenas o alinhamento destes títulos mostra que houve esforço na estaçăo para atingir um público específico de classe média. Pena a bobagem que fez em Tempo Quente e Primeira Página, repletas de discussőes estéreis, que fizeram a emissora perder muitos espectadores notívagos. Teve um dos melhores programas do ano, Aquarela do Brasil, e um grande equívoco, Interiores, que, apesar de sua boa linguagem televisiva, perdeu-se por acreditar que jornalismo se improvisa.

Apesar deste e outros percalços, o ano, como foi demonstrado, teve realmente movimento. Que em 1982 deve ainda crescer mais, pois dois novos canais finalmente serăo inauguradas. Público todos sabem que văo ter. Resta desejar se seis estaçőes saberăo o que fazer com ele.

1974 - Bandeirantes e a Música

Revista Amiga TV
4/9/1974
Osvaldo Mendes
TV VAI AO TEATRO COM BOSSA
Marcando sua investida decidida na formaçăo de uma Rede Nacional a partir do próximo ano, a TV Bandeirantes inaugurou o seu teatro em Săo Paulo, com um espetáculo que foi também o reencontro de vários nomes importantes da música popular brasileira atualmente. Elis Regina, Chico Buarque, Maria Betânia, Rita Lee e Tim Maia fizeram o público explodir em aplausos no show de inauguraçăo, no último dia 12. E a reaçăo entusiasmada das quase 1.200 pessoas presentes confirmou para o diretor-artístico da emissora, Cláudio Petráglia, a esperança depositada na iniciativa. "Muita gente - diz Cláudio - queria saber se nós, com o Teatro Bandeirantes, pensávamos trazer de volta aqueles tempos eufóricos dos festivais no Teatro Paramount. Na verdade, é para a frente que se anda. Năo queremos reviver nada. Por isso o Teatro Bandeirantes, um dos pontos de partida para a nossa Rede Nacional de Televisăo, abrirá suas portas a todas as manifestaçőes, sejam elas de música, teatro ou balé, dando chance inclusive aos novos, dentro do possível."

Diante da euforia do público, Joăo e José Saad, diretores da TV Bandeirantes, pareciam ver confirmadas também as suas expectativas. Joăo Saad, que já dissera que "em Săo Paulo falta uma grande casa de espetáculos", explicava: "Sem dúvida existe aqui o Teatro Municipal, mas ele ainda representa a casaca e o status. Apesar de todo esforço que se tem feito para popularizar o Municipal, só a juventude aderiu. No momento năo existe nada no gęnero do Teatro Bandeirantes. Vai ser uma experięncia nova. Queremos, antes de tudo, oferecer qualidade a um público potencialmente culto e bastante inteligente."

E a questăo da qualidade é a principal preocupaçăo tanto de Cláudio Petráglia como de Roberto de Oliveira, empresário responsável pelos espetáculos a serem apresentados no novo teatro. Ambos afirmam que năo se trata de mais um auditório de televisăo em Săo Paulo. "O Teatro Bandeirantes - diz Roberto de Oliveira - será o ponto de partida para a Rede Nacional, que entra no próximo ano para ser a grande surpresa da televisăo nesta década. E só o que eu posso adiantar. Inicialmente estamos preocupados em definir uma linha de qualidade. Quanto ŕ programaçăo, será a mais variada possível. A nossa empresa, a Clark, fica com toda a direçăo artística do teatro, que estará aberto a tudo, inclusive rock, balé, música latino-americana etc."

1986 - O embrião da MTV Brasil

Jornal do Brasil
4/1/1986
ROBERTO CIVITA DIZ QUE CONCESSĂO DE CANAL DE TV FOI UM BOM PRESENTE
Săo Paulo - Com surpresa, mas considerando ter recebido "um interessante presente de ano novo", o diretor da Editora Abril, Roberto Civita, informou ontem que ainda năo foi definida a linha de programaçăo para o canal de TV em UHF, concedido ŕ Abril Vídeo, que funciona como divisăo de televisăo da empresa.

- Mas isso será conversado nos próximos dias, com várias pessoas, especialmente com o diretor da Abril Vídeo, Roger Karman, que está passando férias no exterior - acrescentou.

Roberto Civita năo lembra detalhes do processo de licitaçăo: "ela foi feita em 1984, envolvendo outros 11 ou 12 concorrentes e nunca mais ouvimos falar nada", mas garantiu que a Abril atenderá aos requisitos da concessăo assinada pelo presidente José Sarney no último dia 30, elaborando um projeto de programaçăo em seis meses.

- Isso năo é problema. Só năo sei ainda o que vamos colocar nesse programa. Fomos apanhados de surpresa e ainda teremos que analisar o assunto para dar a melhor destinaçăo ŕ emissora - observou.

A Abril, de acordo com o decreto de concessăo, terá dois anos para colocar a emissora no ar, mas isso poderá fazę-lo na metade desse tempo, já que a Abril Vídeo reuniu boa experięncia durante os dois anos e meio em que alugou espaço na TV Gazeta até novembro último, quando năo houve acordo para renovaçăo do contrato. No momento, depois de ter dispensado cerca de 70 funcionários, a Abril Vídeo dedica-se ŕ produçăo de comerciais e planeja produzir programas especiais a partir de uma nova sede no bairro de Pinheiros.

A empresa terá que importar novos equipamentos, específicos para a faixa de UHF (ultra high frequency) e, dependendo da definiçăo quanto ŕ linha de operaçăo, a instalaçăo da nova emissora custará um mínimo de um milhăo de dólares. Em princípio, a área de abrangęncia do canal se limitará ŕ cidade de Săo Paulo, diferentemente dos canais comuns que atuam em VHF (very high frequency). Mas a empresa poderá solicitar novas concessőes para retransmitir sua programaçăo a outros estados.

Roberto Civita năo quis confirmar o retorno dos profissionais dispensados pela Abril Vídeo em novembro: "năo dá para fazer televisăo ou qualquer outro veículo de comunicaçăo sem gente, mas primeiro teremos que ver em que direçăo vamos atuar para entăo definir o tipo de profissionais necessários -afirmou.

1983 - Boni versus Silvio Santos

Folha de S. Paulo
1/1/1983
Boni versus Silvio Santos

Quando Sílvio Santos inaugurou sua emissora de televisăo, há 19 meses, o superintendente da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, achava que a impertinęncia do homem do baú năo duraria muito. "Ele dizia que estaríamos acabados em tręs meses", lembra Luciano Callegari, vice presidente do Sistema Brasileiro de Televisăo. Năo foi isso que aconteceu: a TVS conquistou em um ano o segundo lugar de audięncia (com índices raramente alcançados por outras emissoras, até entăo) e em determinados horários — no período da manhă, por exemplo, roubou ŕ Globo o monopólio do primeiro posto. Mas Sílvio Santos quer mais: contratou recentemente (ao que se comenta, por um salário de oito milhőes) aquele que é considerado o melhor locutor brasileiro de telejornais, Sérgio Chapelin, que estréia no começo de maio como apresentador de "O Show é o Limite". Um jornalista que afirma ter visto o contrato diz que o salário é de cinco milhőes. Estaria também de contrato assinado com Cidinha Campos, campeă de audięncia nos áureos tempos da Record — iniciando ao mesmo tempo uma nova etapa de conquista de outras estrelas, globais e avulsas.

Marília Gabriela, Vera Fischer, Dina Sfat, Juca de Oliveira, Renata Sorrah, Leonardo Villar e Baby Garroux, entre outros, estariam na lista de contatos já iniciados pela direçăo da TVS — embora a emissora năo admita o ato. "Só posso dizer que ninguém deve brincar com a gente", alerta Callegari. "Năo temos nenhum gęnio por aqui, mas todo mundo trabalha sério, com empenho. Aos poucos, estamos realizando nossos sonhos." O próprio Chapelin, aliás, era uma dessas velhas fantasias. Desde que a TVS começou a funcionar, Sílvio Santos pensava em contratá-lo para ser o primeiro locutor do telejornal da casa, o "Noticentro". As negociaçőes foram iniciadas, mas a TVS cometeu um erro fundamental: "Deixamos que ele pensasse no assunto. E a Globo conseguiu convencę-lo a ficar", lembra Callegari. Desta vez, a pressăo foi direta: "Apresentamos o contrato pronto e ele assinou logo sem pestanejar".

Verdade que, além do salário de Cr$ 8 milhőes que, segundo se comenta, passará a receber mensalmente, Chapelin achou irresistível uma das cláusulas do contrato proposto pela TVS: sua liberaçăo para participar de comerciais, o que a Globo năo permitia. "Isso garante a ele uma retirada extra muito boa, já que seu nome é hoje um sucesso", diz o vice-presidente da emissora.

A cadeia de contrataçőes iniciada com Sérgio Chapelin e Cidinha Campos deve ajudar a TVS a manter o segundo lugar no Ibope, destaca Luciano Callegari, e em alguns casos até mesmo o primeiro posto poderá ser conquistado, e mantido. Mas, diz ele, é importante năo sonhar alto demais — ao menos por enquanto. "Quem năo reconhece a força da Globo năo entende de televisăo. Ela tem os melhores profissionais, uma estrutura muito bem montada e leva o trabalho a sério — tanto que suas novelas ganham em qualidade dos filmes americanos feitos para TV."

Ainda assim, aproveitando falhas e deslizes da Globo e incrementando sua programaçăo "voltada para o povo", a emissora de Sílvio Santos espera entrar na briga direta pelo primeiro lugar "dentro de dois anos, dois anos e meio", segundo Callegari. E conta, a seu favor, com a experięncia desenvolvida no trato com o público das classes C e D — fonte onde a própria Globo se abasteceu, quando iniciou sua ascensăo no final dos anos 60. Na época, predominava na emissora os chamados programas populares e os campeőes de audięncia eram "Dercy de Verdade", "TeleCatch", "Programa Sílvio Santos", os novelőes cubanos, argentinos e mexicanos, o "jornalismo" de "Amaral Neto, o Repórter", além dos agora recuperados "Discoteca do Chacrinha" e "Balança Mas Năo Cai". Aos poucos, a Globo foi sofisticando seu produto final — e é justamente isso que a TVS pretende fazer daqui para a frente: "Melhorar a qualidade sem deixar de atender ao nosso público", diz Luciano Callegari. Tudo se repete tediosamente, completaria Abelardo Barbosa, o filósofo Chacrinha.

Followers