Tuesday, September 21, 2010

1976 - Dias Gomes

Jornal do Brasil
6/9/1976
Lena Farias
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UMA EXPLOSĂO CRIATIVA OU PLAGIÁRIA?
"Saramandaia" no ar

Primeira pergunta: o personagem Joăo Gibăo, com suas asas de escândalo e esta dúvida de ele ser anjo ou demônio - isto é criaçăo de Dias Gomes ou de Garcia Marquez, no conto Um Homem, muito Velho com Suas Asas Enormes?

Segunda: aquela Dona Redonda, explodindo de tăo gorda em cima do povo de uma cidade - isto aconteceu na Saramandaia de Dias Gomes ou na Cajazeiras reinventada por Zé do Norte (o músico premiado de Muié Rendęra; em 1973, ele entregou seus originais de O Lobisomem de Cajazeiras numa emissora de TV, e nunca mais conseguiu encontrá-los - a năo ser em certas situaçőes que a novela Saramandaia está mostrando)?

Terceira: após a explosăo de Dona Redonda, ficou um cheiro de rosas. Autoria de Dias Gomes ou ainda Garcia Marquez, em O Mar do Tempo Perdido? Quarta: o linguajar do Odorico Bem Amado, sucesso das telenovelas de anos atrás, é muito diferente do usado pelo mesmo personagem em 1960, ano em que ele foi criado para o teatro. O Odorico da novela e sua engraçada fala regionalista é criaçăo de Dias Gomes ou de José Candido de Carvalho que, em 1964, publicou O Coronel e o Lobisomem?

Um acusador de Dias Gomes diz: "O Brasil é um pais engraçado, onde o sujeito anoitece burro e acorda gęnio".

Dias Gomes: "Sabe de urna coisa? A televisăo tem o estranho poder de ativar neuroses. A novela faz sucesso e logo aparecem acusaçőes assim".

Voz calma, pausada, gestos contidos, é mesmo Dias Gomes quem dá o tom da entrevista. Mais um encontro que uma entrevista, ŕ noite, no casarăo de uma ladeira que desemboca na Lagoa Rodrigo de Freitas. -"Prefiro falar da minha viagem (dia 9) aos Estados Unidos. É mais importante para mim, que esses assuntos que trouxeram vocę aqui."

É' natural que seja. Seria para qualquer autor, de qualquer parte do mundo: uma vez por ano, a Pennsylvania State University convida um escritor, um dramaturgo de qualquer parte do mundo, cuja obra seja de reconhecida importância universal para, durante 10 semanas, ele realizar um seminário, dar aulas. Seminário cujo tema é a própria obra do artista convidado.

Seria o Teatro de Dias Gomes, que o próprio dramaturgo conseguiu transformar em Dias Gomes e o Teatro Brasileiro, com a intençăo de abrir uma panoramica sobre o assunto e se deter na obra de outros autores brasileiros. Como fim de curso, a sua peça O Berço do Herói, censurada e proibida nos palcos brasileiros, fará a estréia mundial na Pensilvânia, em montagem profissional.

E a televisăo, Dias Gomes? E os problemas de acusaçăo de plágio que vocę vem sofrendo desde a época de O Bem-Amado, e agora mais intensa com Saramandaia?

Dias Gomes exibe urna expressăo cansada ("estou, inclusive fisicamente, cansado, escrevendo tręs capítulos de Saramandaia por dia. Tenho que deixar a novela pronta antes de ir para os Estados Unidos, quinta-feira que vem"). "Sempre que a gente escreve uma novela de sucesso - e Saramandaia é sucesso absoluto - aparecem, pelo menos, uns 30 doidos alegando autoria".

"O Brasil é um país realmente engraçado", diz o jornalista Carlos Silva, estudioso da obra de José Candido de Carvalho, especialista em falares regionais. "O único pais onde, segundo conhecido humorista, o sujeito anoitece burro e acorda gęnio. O caso do Sr Dias Gomes é típico. De engenhoso autor de novelas, passou, nos últimos tempos, a ser considerado um inovador de linguagem nacional, uma ediçăo melhorada e ampliada do saudoso Guimarăes Rosa. E o pior é que o Sr. Dias Gomes acredita piamente nisso. E tanto acredita, que ao expelir a sua conhecida novela O Bem-Amado (1973) deu entrevista a Artur da Távola, dizendo que o linguajar do prefeito Odorico era uma pesquisa sua levada a efeito no Sul da Bahia. Acontece que essa é precisamente uma regiăo trabalhada ficcionalmente por dois grandes romancistas baianos, Jorge Amado e Adonias Filho. E nem Jorge Amado nem Adonias, em nenhum dos seus admiráveis livros, usou em nenhum momento, esse pretenso dizer baiano. E năo usaram, pelo simples motivo de năo existir no Sul da Bahia nem no Sul de coisa alguma um falar corno o de Odorico. Que só existe no livro O Coronel e o Lobisomem, do fluminense José Candido de Carvalho".

Dias Gomes nega que, em qualquer momento, tenha feito tal declaraçăo.

"Eu nunca disse que a linguagem de O Bem-Amado ou de Saramandaia eram faladas em qualquer parte do Brasil, ou, especificamente, no Sul da Bahia. Eu é que estou sempre encontrando pessoas que dizem: "Sabe que vocę fez um trabalho felicíssimo, captou muito bem aquela linguagem do interior. Conheço gente que fala exatamente como o Odorico. E eu respondo que é apenas uma questăo de coincidęncia, que a linguagem de Odorico, o Bem-Amacio, como de Saramandaia é invençăo minha, mesclada com termos do linguajar popular".

"Antes de fazer a novela (Saramandaia era uma peça de teatro que eu estava começando a escrever e se chamava Subitamente os Homens Voaram. Comecei logo depois da interdiçăo do Roque Santeiro)". Dias Gomes esteve no interior de Pernambuco fazendo uma pesquisa. "Tive por cicerone um autęntico senhor de engenho, que se expressava de maneira muito peculiar. Ouvi dele, por exemplo, um verbo inusitado: espingardar.

- Eu uma vez espingardei um cabra safado...

Foi o mote para neologismos corno pistolar, que usei e uso".

Carlos Silva diz, porém, que na primeira versăo de O Bem-Amado, aparecida em 1960, "antes do surgimento da grande mina, O Coronel e o Lobisomem, que o Sr Dias explora até hoje", Odorico falava diferente, sem. invençőes, portuguęs sem distorçőes''.

Citando exemplos:

"Odorico: Diz muito bem D Cotinha Monçăo, dedicada professora do nosso Grupo Escolar; é incrível que esta cidade, orgulho do nosso Estado pela beleza de sua paisagem, por seu clima privilegiado, por sua água radioativa, pelo seu azeite de dendę, que é o melhor do mundo, até hoje năo tenha onde enterrar seus mortos... (Teatro de Dias Gomes, Ed. Civilizaçăo Brasileira, 1972)".

Odorico, o personagem, falava em sono eterno, seio da terra, e haveremos de tę-lo, sem-vergonhice (e năo sem-vergonhista), bem, eu entendi premiá-lo pelo seu trabalho na minha campanha.

"Como se vę", prossegue Carlos Silva, "a linguagem do Sr Dias Gomes era comum, lisa, sem atrativos, quase de relatório. Anos depois com O Coronel e o Lobisomem nas măos, Dias Gomes mudou de tom. Deu para falar em sem-vergonhistas , ladronismo, donzelas militantes, moças de sofá e saleta, finalmęncias. Era um Dias Gomes novo em folha, cheio de novidades, inventivo como ele só. É que o novelista, sem dúvida engenhoso, havia descoberto a mina, na literatura de José Candido de Carvalho. Dessa leitura nasceu um Dias Gomes diferente, que passa, agora, por um inovador da língua portuguesa, fazendo conferęncias sobre o que ele chama de linguagem nova. Rateando um livro que tem hoje mais de 50 ediçőes, além de traduçőes em línguas estrangeiras, o Sr Dias Gomes quer passar um vasto atestado de incultura neste país".

Saramandaia, para Carlos Silva, nada mais é que uma continuaçăo de O Bem-Amado, com todos aqueles achados que fizeram de O Coronel e o Lobisomem um clássico da literatura no Brasil.

"É incrível como um livro tăo popular seja copiado impunemente por novelistas que só săo importantes porque pirateiam a obra alheia. Esses bucaneiros precisam ser contidos através de medidas de proteçăo ao autor nacional. Se em Odorico já havia uma indisfarçável extraçăo de linguagem, em Saramandaia vemos todos os personagens falando do Coronel. Sem a graça do Coronel. Ainda assim, Ponciano de Azeredo Furtado poderia entrar em cena sem se sentir de todo deslocado. Tudo é legitimamente seu e semvergonhistamente copiado pelo Sr Dias Gomes."

Nelson Werneck Sodré, escritor e crítico literário nega esses argumentos:

"A questăo me parece inteiramente descolocada. O Guimarăes Rosa é, aliás, um exemplo raríssimo de fusăo do ficcionista com o lingüista. Ele usa, na formaçăo de palavras novas, quer a fonte erudita, quer a fonte popular. É' o caso também de José Candido de Carvalho. Năo é o caso de Dias Gomes, que usa apenas a fonte popular. Eu năo vejo, entăo, nenhuma semelhança entre um caso e outro caso. Quanto ŕ questăo dos tipos, ainda muito menos. Os tipos de Saramandaia săo inteiramente diferentes daqueles criados por Guimarăes Rosa. E diferentes do Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, criaçăo de José Candido de Carvalho. A distinçăo fundamental deveria ser procurada no conteúdo dessas obras de arte e năo na forma. Eu considero Dias Gomes o maior criador no teatro nacional e, na novela de televisăo, está realizando inovaçőes de profundo interesse."

"Fez de conta o sem-vergonhista que era galo sem rumo, perna sem força, bico caído. Um caçoista, do fundo do terreiro, largou deboche na praça... e especial atençăo prestei a uma pendęncia de terras que sustentou a poder de rabulice, dando ganho de causa ao que era torto. Em duas penadas limpou a escritura de toda a impureza. E o demandista seu amigo ficou possuído de chăo que era seu e que năo era... A velha muito prezou o meu severismo." (O Coronel e o Lobisomem, José Candido de Carvalho, Ed. José Olympio).

O escritor fluminense José Candido de Carvalho năo gosta de falar a respeito de um assunto que parece até incomodá-lo bastante. Ainda assim revela as suas impressőes:

"O que é preciso saber é se o Sr Dias Gomes escreve assim antes do aparecimento de O Coronel e o Lobisomem, lançado na praça em 1964. Repito: se era esse o seu jeităo de dizer, năo há nada a reclamar. Eu é que devo pagar pedágio por ter transitado sem licença pelos falares e escreveres do Sr Dias Gomes. Se a primeira versăo de O Bem-Amado, que é de 1960 e fonte, na forma televisada, da atual linguagem da novela Saramandaia, já trazia essas novidades e invencionices o Sr Dias Gomes está de parabéns. Se, ao contrário, essas novidades săo recentes, pesquisadas na obra alheia, meus pęsames. O ilustre produtor de televisăo escolheu o largo caminho do facilitário, que năo leva a nada."

"Pessoalmente, considero a linguagem do Coronel superada, pois estou trabalhando em novos caminhos da ficçăo. O que sempre me amedrontou, e por isso năo persisti na linha do meu segundo romance, era acabar sendo plagiário de mim mesmo. O que seria um triste fim de carreira."

"Abrindo a janela rapidamente, Maria Redonda despeja sobre eles o conteúdo fétido de uma laca de dez quilos - urina e fezes - acumulado durante trinta dias...

Menino, quem é seu pai?

Meu pai é Nosso Senhor.

Menino quem é sua măe?

Minha măe é a măe do Criador.

Menino, diga onde vai?

Pelo mundo eu vou girar.

Tenho muito que aprender

E o tempo vai me ensinar...

Quem será que está virando bicho aqui em Cajazeiras? - o sofisma recaia sobre algumas pessoas que sofriam de amarelidăo" (O Lobisomem das Cajazeiras, Zé do Norte, 1971).

O paraibano das Cajazeiras, Alfredo Ricardo do Nascimento, só tem esse nome comprido para efeitos civis, administrativos e protocolares. Para efeitos artísticos, ele é Zé do Norte, autor das músicas do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, que ganhou, em Cannes, em 1952, o pręmio de melhor trilha sonora. Entre elas, a estilizaçăo do tema folclórico Mulher Rendeira, regravado 82 vezes, com quase 300 mil cópias vendidas só nos Estados Unidos. É também autor do livro Brasil Sertanejo, histórias sertanejas, curiosidades sertanejas, cantigas do sertăo, mentiras e anedotas, poemas, dialeto sertanejo (Ed. Asa, 1948).

A repórter foi encontrar Zé do Norte na sua casa carioca, o Hotel Primor, na Rua dos Andradas, onde seu Ismael da portaria o apresentou na base do "ô cangaceiro, olha aqui essa moça procurando por ti". Chapéu curto, de feltro, uma pena pequena enfiada no lado direito, uma cruz de ouro grande, cravejada de pedras coloridas, ele começa a falar.

"Olha, eu nunca acusei o Dias Gomes de plágio, nem pensei nisso. E essa história que eu vou entrar na Justiça é mentira. Năo tem isso năo. E olha que eu mesmo nem tinha reparado no caso de Saramandaia parecer com o meu livro. É que eu nem assisto ŕ novela. É um capítulo ou outro, distraído. Aí os amigos começaram a me dizer: olha, Zé, vocę precisa ver isso, seu lobisomem, sua Maria Redonda está tudo na novela."

Espia a repórter com os olhos vivos, alegres, que se apertam quando observam a gente com maior cuidado.

- Comecei a escrever meu livro em 1959, acabei em 1965. Aqui mesmo no Rio, incentivado pelo Roberto Corte Real, que era diretor artístico da CBS.

Ele achava que năo tinha capacidade para escrever um romance de fôlego, "coisa para pessoas de instruçăo superior", conforme pensava na época. Quando ponderou isso com Corte Real, ele limitou-se a responder que "pra essa finalidade é bastante saber ler e escrever, conhecer o que vocę conhece e viver o que vocę viveu".

Foi assim que se iniciou O Lobisomem de Arapiraca. Por que de Arapiraca? "Por nada. Depois eu pensei que era mais interessante contar mesmo o caso de Cajazeiras e fiz O Lobisomem de Cajazeiras, pois esse era um assunto muito farto, que eu conhecia desde menino".

"Os lobisomens" - continua Zé do Norte - ŕs segundas e sextas-feiras cruzavam a cidade. Eles vinham do alto do Cabelăo - hoje bairro do Alto Belo Horizonte - para as capoeiras. E do Boi Morto para a Curicaca."

As andanças dos personagens de Zé do Norte ainda năo estăo editadas. Mas ele dispunha de um original e quatro cópias. Uma delas está na casa da filha Josefina, em Vila Isabel; a segunda, no Conselho Estadual de Cultura da Paraíba, que deverá editar o livro: a terceira, presentemente com a repórter. A quarta cópia desapareceu. Como foi isso, Zé?

"Eu entreguei a cópia para um conhecido meu, de uma rede de jornais e televisăo. Foi em 1973. Eu queria saber se prestava pra novela. Pedi que ele lesse. Um męs depois, voltei, perguntei pelo livro. A resposta me estarreceu: tinha sumido. Seis meses depois, a mesma resposta: nada do livro."

"Todo trabalho de recriaçăo literária de uma linguagem parte da mesma fonte", argumenta Dias Gomes". E o processo de recriaçăo de neologismos é semelhante. Entăo é evidente que tende a cair em resultados semelhantes, em palavras parecidas. No caso de Guimarăes Rosa, no caso de José Candido de Carvalho, no meu ou de outro qualquer autor, a fonte é o linguajar popular, é a criatividade natural do povo, que nós manipulamos. A linguagem de José Candido é criada, como a minha linguagem também é, mas a fonte é o povo. Estou cansado de ouvir, até mesmo em programas populares de televisăo, pessoas dizerem emboramente, até por horamente já escutei. Minhas personagens, antes de 64, falavam de modo diferente, porque, a partir de entăo fui tentado a fazer uni trabalho de recriaçăo de linguagem. E só vim a ler O Coronel e o Lobisomem quando já havia escrito mais da metade de O Bem-Amado para a televisăo. Quanto a Guimarăes Rosa eu conhecia anteriormente e há quem me acuse de sofrer influęncias dele."

"Sabe de uma coisa?" - é Dias Gomes quem pergunta - "a televisăo tem o estranho poder de ativar neuroses. Entăo, toda novela que vai para o ar, tem sucesso, provoca o aparecimento de situaçőes assim. Năo só de pessoas que se julgam autoras, como outras, que se imaginam retratadas nos personagens. Na época de O Bem-Amado, o cronista Mister Eco publicou o estudo de uma filóloga provando que năo havia qualquer semelhança entre o trabalho que eu realizava, o de José Candido e o de Guimarăes Rosa, e cita uma série de 1 mil neologismos que năo aparecem nem em um nem em outro."

A "questăo Saramandaia" fez voltar ŕ tona o velho problema do plágio pela televisăo. O escritor Guilherme Figueiredo cita, entre outros muitos exemplos, dois particularmente significativos:

A minha traduçăo do Tartufo, de Moličre foi totalmente camuflada e apresentada na TV Globo como sendo de outro cavalheiro. Reclamei com a SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - e trataram imediatamente de me pagar. Pagamento feito até ŕ minha revelia, para evitar que a SBAT movesse açăo. E quem assistiu ŕ novela Fogo Sobre Terra, da Sra Janete Clair, mulher de Dias Gomes, reconheceu ali cenas, personagens, fatos e acidentes de minha peça Maria da Ponte (construçăo e derrubada de represa, construçăo e derrubada de urna estátua, e assim por diante). Infelizmente, năo me foi possível colher provas para uma açăo em juízo, pois nem mesmo a Censura guarda os textos de cada capitulo e sim unicamente resumos e sinopses, que năo fazem prova de plágio."

"Cada caso de plágio é um caso. Assim que o autor perceba, que se dirija ŕ sua sociedade arrecadadora. Acredito que a prova testemunhal valha para açăo. Agora, os órgăos oficiais de direitos autorais e a Censura - para isso é que deve existir a Censura, para proteger e năo para castigar os autores - essa comissăo que criaram aí, essa que tem até o Roberto Carlos metido no meio, deveriam exigir que os textos das novelas ficassem registrados, para que o autor ou seus advogados pudessem consultá-los e tirar cópias autenticadas, em caso de necessidade."



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