Wednesday, June 16, 2010

1971 - Tupi Pós-Repórter Esso

Jornal do Brasil
12/1/1971
Valério Andrade
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TELEJORNAL
Até agora, o novo noticiário da Tupi năo logrou suprir a lacuna deixada pelo Repórter Esso.

Năo conhecemos os dados do IBOPE em relaçăo ao telejornal do canal 6, mas suspeitamos de que a escalada dos pontinhos ainda năo começou. Telespectadores tęm manifestado o seu descontentamento ante o trabalho coletivo que vem sendo empreendido pelos repórteres associados. E as críticas săo procedentes.

O fato é que, em termos de telejornalismo, a fórmula consagrada pelo Repórter Esso já se achava obsoleta. O progresso verificado no campo das telecomunicaçőes, com a conseqüente eliminaçăo do espaço geográfico, passou a exigir um novo enfoque jornalístico. A fórmula do telejornal narrado por um único locutor, prisioneiro do estúdio, já năo mais atendia ŕs necessidades de nossa época.

Havíamos chegado ŕ época dos jornais de integraçăo nacional.

Entre nós, o informativo da Globo salienta-se como um exemplo vitorioso. Tecnicamente perfeito, evidenciando absoluto domínio visual e sonoro em seu sistema operacional móvel, que conjuga a imagem de vários Estados, o Jornal Nacional espelha com ęxito a nova fórmula.

Por alguma razăo, talvez de ordem técnica, o fato é que o informativo associado ainda năo logrou atingir o dinamismo e a mobilidade geográfica alcançados pelo Jornal Nacional. O progresso registrou-se num único setor: a retransmissăo para outros Estados pela Embratel. Mas, basicamente, a estrutura interna do noticiário continuou a mesma. Apenas aumentou o número de locutores: a açăo permanece confinada no estúdio da Tupi, aqui no Rio.

Sob esse aspecto, convenhamos, o Repórter Esso e Gontijo Teodoro davam conta do recado. E na metade do tempo. O novo telejornal da Tupi ainda năo descobriu o ritmo certo. Mostra-se prolixo e enfadonho em sua meia hora. Por outro lado năo existe uma progressăo emocional, tal qual a existente no seu antecessor, capaz de conservar o telespectador em suspense, enquanto esperava a notícia final. E mais: falta-lhe charme.

Năo basta que se leia o noticiário com a eficięncia exigida pelo rádio. Além desse aspecto, a televisăo tem de levar em conta a imagem do locutor e a reaçăo que ele (ou ela) provoca junto ao público. Com exceçăo de Correia de Araújo, que sabe imprimir dinamismo ao texto e já criou uma imagem positiva no vídeo, o telejornal da Tupi ressente-se de uma figuraçăo atraente.


E a presença feminina, que deveria ser um trunfo, alcançou resultado oposto. É difícil resistir ŕ animosidade provocada pela ostensiva presunçăo de uma locutora que enfrenta, lá de cima de sua auto-suficięncia, o telespectador como um adversário. Ou alguém a quem ela está fazendo o favor de informar...

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