Thursday, May 13, 2010

1973 - Surge Sandra Bréa

Cartaz
25/1/1973
Mariza Cardoso
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AS CONFISSŐES DE SANDRA BRÉA




Quando a TV Globo começou a dar chamadas para a novela "O bem-amado", de Dias Gomes, todos queriam saber quem era a moça morena que contracenava com o conhecido Paulo Gracindo. Quando souberam que a moça morena era Sandra Bréa, poucos acreditaram.

Aos 20 anos, com os cabelos especialmente pintados para o papel, Sandra tem sua grande oportunidade na TV. É o primeiro nome feminino da novela que estreou esta semana e atua ao lado de nomes consagrados, como Paulo Gracindo e Jardel Filho. Muito confiante em seu trabalho, ela pretende aproveitar a oportunidade que lhe deram.

Năo é a primeira novela que faço. Estreei em "Assim na terra como no céu", onde fazia Babi. Em seguida fiquei na linha de shows da Globo, até pegar um pequeno papel em "Bicho do mato".

Cinema e teatro - Se ela năo ficou conhecida por seus trabalhos anteriores na TV, o mesmo năo pode ser dito em relaçăo ao teatro e cinema.

- Já participei de tręs filmes: "Um uísque antes, um cigarro depois", de Flávio Tambellini, foi minha primeira experięncia cinematográfica. Meu primeiro papel de importância, contudo, foi em "Cassy Jones, o magnífico sedutor", que está passando no Roxy (Rio) atualmente.

Nele, trabalho ao lado de Paulo José.

Seu outro filme foi com Pedro Rovai, "Os mansos", onde faz o principal papel num dos episódios.

Em teatro estreei profissionalmente em "Plaza Suite", dirigida por Joăo Betencourt, trabalhando ao lado de Fernanda Montenegro e Jorge Dória. Em seguida participei de "Aqui, oh!". Até que Vitor Berbara me chamou para fazer o primeiro papel de "Liberdade para as borboletas", com o Gracindo Jr.

A revelaçăo - Mas o maior sucesso até agora foi na participaçăo pequena que faço em "Regina, mon amour", no Canecăo.

Nesse espetáculo, onde as maiores atraçőes seriam Regina Duarte e Wanderlei Cardoso, a crítica năo se cansou de elogiar o trabalho de Sandra Bréa.

Faço um quadro com Miéli, o "Money, money", onde apresentamos uma caracterizaçăo de Liza Minelli e Joel Grey, no filme "Cabaret".

Modesta ao extremo, ela afirma que as pessoas só văo ao Canecăo por causa de Regina. Atualmente ela está de licença no show, recuperando-se de uma enfermidade.

Apesar de estar na Globo há tręs anos, Sandra esperava sua grande chance:

- "O bem-amado" foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para mim. O papel (Telma) é ótimo e acho que estou amadurecida artisticamente para fazę-lo, pois do contrário eu teria recuado, como já fiz algumas vezes.

No início, a América - Com apenas dois anos de idade, Sandra Bréa foi morar nos Estados Unidos com seus pais. Aos cinco voltou e aprendeu a falar portuguęs.

Começou sua carreira amadoristicamente aos treze anos, e com 17 estreava profissionalmente. Além de atriz, Sandra taquigrafa em tręs línguas: portuguęs, inglęs e francęs.

Estudei muito, sabe? Fiz nove anos de piano clássico, dois de canto lírico e tręs de violăo. Sou uma pessoa muito simples e tento fazer tudo da maneira mais correta e normal, evitando complicaçőes. Acho que a vida é constituída de fatores que se apresentam e que se criam.

Casada há apenas quatro meses, com o engenheiro Eduardo Espínola, sua vida năo mudou em nada.

Nosso casamento foi feito em casa com a família reunida. Sou filha única de pais divorciados e minha măe, que era inspetora de bordo da Varig, nunca teve os padrőes burgueses da sociedade brasileira.

Obrigada a fazer constantes viagens, a măe de Sandra acabou internando-a num colégio de freiras.

- Mas nas horas em que realmente precisava de alguém, minha măe năo falhava. Tive muitas paixőes, mas depus que conheci meu marido, entendi que os outros năo passaram de um erro de cálculo. Meu marido é o responsável pelo meu equilíbrio e aprimoramento profissional. Ele é genial.

"Adoro ser dona de casa" - A vida de Sandra é dedicada ŕ TV e ao show do Canecăo. Mas, quando năo está presa a nenhuma dessas atividades, é uma perfeita dona de casa. Ela conta:

- Sou a dona de casa mais megera que existe. Minha casa é limpinha, das oito da manhă até meia-noite. Adoro cozinha pregar botăo na camisa do meu marido e fazer entalhe em madeira. Mas também gosto de ir ŕ praia, dar uma saidinha para ir ao teatro ou ao cinema. Só que ainda prefiro ficar em casa ao lado de Eduardo. Conversamos muito, vemos TV, jogamos batalha naval e namoramos.

Mas a organizaçăo de Sandra Bréa vem desde a época em que morava sozinha.

- Minha casa sempre foi organizada. Antes de casar, quem chegasse pensaria que a mesa estava sempre posta, ŕ espera de alguém. Penso que a casa da pessoa é um reflexo dela mesma. Por pior que seja a situaçăo, emocional ou financeira, nossa casa tem que estar em ordem, com tudo no lugar certo.

Há dias Sandra teve um problema com sua gravidez, perdendo a criança, e que ainda a faz ficar em casa, para recuperar-se. Isso obrigou-a a pedir licença no Canecăo e dar uma pausa nas gravaçőes de "O bem-amado". Mas ela sabe que tudo vai melhorar e que 73 pode ser seu grande ano.

DOCE E AGRESSIVA, ELA É TELMA, FILHA DO BEM-AMADO - Com seus primeiros capítulos gravados em Salvador (BA), "O Bem-Amado", novela de Dias Gomes, já começa a despontar como um campeăo de audięncia, seguindo o exemplo de "Bandeira 2", última novela do famoso autor. Em "O Bem-Amado", Sandra Bréa vai viver Telma, uma mulher de 22 anos, filha do personagem mais importante da cidade, Odorico Paraguassu (Paulo Gracindo). Sandra explica Telma:

- A açăo se passa numa cidadezinha do interior baiano, com todas as suas superstiçőes e tabus. Acontece que Telma, filha de Odorico, năo foi criada pelo pai, e nunca morou na cidadezinha. Ela viveu em Salvador e lá obteve todas as experięncias que uma mulher pode ter na vida. Sua vida livre na capital começa a entrar em choque com o ritmo que encontra em Sucupira, a cidadezinha imaginada pelo autor. Sandra diz que, a partir desse instante, seu personagem começa a se perder psicologicamente:

- Telma tem uma necessidade incrível de viver, mas no interior, fica encucada, quase que perdida em seus ideais. O personagem é, ao mesmo tempo terno agressivo. Esse tipo de atitude é Lima defesa para se salvar de uma série de coisas.

O conflito - A ligaçăo de Telma com o pai, Odorico, é a mais agressiva possível. Candidato a prefeito de sua cidade, Odorico ficou viúvo cedo e a filha é a razăo de sua vida.

- O pai é o grande trauma da vida de meu personagem. Ela năo o odeia, mas năo consegue se identificar com ele, por várias razőes. Criada longe do pai. Telma é muito mais inteligente e culta que ele.

A única pessoa com quem Telma se identifica em Sucupira é médico, Juarez Leăo (Jardel Filho). Animada com seu novo trabalho, Sandra, que se considera uma mulher bem vivida, diz que se identifica com Telma. E justifica:

- Como ela, acho importante a pessoa ter toda experięncia de vida possível, para saber enfrentá-la. Eu, pessoalmente, consegui me encontrar. Adoro minha profissăo, amo meu marido e penso em ter uma família super feliz.

2 comments:

  1. SEMPRE FUI, E CONTINUO SENDO, GRANDE FÃ DE SANDRA BREA. ALÉM DE SUA BELEZA ELA SEMPRE VIVEU DE MANEIRA AUTÊNTICA, SENDO ELA MESMA, MESMO TENDO QUE ENFRENTAR AS CRÍTICAS E OS JOGOS DE INTERESSE DOS FALSOS ARTISTAS. TENHO UM VÉU QUE SANDRA BREA USAVA PARA FAZER MOMENTOS DE ORAÇÃO PARTICULAR NA IGREJA N. SRA. DA CONCEIÇÃO DE PEREIRAS - SP. ELA MUITO AMIGA DA ESPOSA DO TAXISTA QUE A LEVAVA E BUSCAVA EM SÃO PAULO. FICAVA EM SEU SÍTIO EM PEREIRAS. DEU O VÉU E UMA GRANDE CORRENTE DE OURO PARA A ESPOSA DO TAXISTA QUANDO VENDEU O SÍTIO E NÃO VOLTARIA MAIS PARA LÁ. Marcelo Prado:
    mh-prado@uol.com.br

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    1. Marcelo Prado, procuro parentes ou os detentores da imagem de Sandra Brea, para um documentario. Vc sabe onde eu posso obter esta informacao?

      lasangrelatina@gmail.com

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