Thursday, May 13, 2010

1969 - O Funeral de Costa e Silva

Jornal do Brasil
21/12/1969
Valério Andrade
=============



DE OLHO NA HISTÓRIA
A cobertura do funeral do Presidente Costa e Silva representa um esforço de reportagem que merece ser registrado.

A transmissăo direta foi realizada pela Globo e a Tupi. As demais estaçőes se limitaram a registrar o fato em seus respectivos telejornais.

No conjunto da cobertura, do ponto-de-vista jornalístico, o Canal 4 ofereceu um trabalho mais amplo e completo. Foi o último a suspender as transmissőes do cemitério Săo Joăo Batista, enquanto, simultaneamente, a sua narrativa era valorizada pelo som direto, de boa qualidade.

O ponto mais fraco, tanto da Globo como da Tupi, está no relato verbal dos acontecimentos .

Nas transmissőes diretas, năo importa la televisăo ou o assunto, esse tipo de falha vem-se repetindo sistematicamente; até mesmo um repórter tarimbado como Hílto Gomes, 100% integrado no mecanismo do telejornalismo, ainda incorre no velho erro: dizer (e repetir, várias vezes) o óbvio - o que a câmara está mostrando.

Até hoje, nossa televisăo ainda năo conseguiu livrar-se do vírus verbal, herdado do rádio, e difundido pelos locutores esportivos .

Todo mundo que lida com cinema conhece e respeita o poder da imagem. A turma da TV, entretanto, mostra-se insegura a esse respeito, preferindo apelar para o rádio, esquecendo que o seu meio de comunicaçăo é um filhote precoce do cinema.

No caso da transmissăo do funeral do Presidente, salvo as informaçőes de praxe, e uma ou outra observaçăo adicional, o próprio assunto pedia silęncio, suportava pausas verbais. A música, pouco usada pela 4, complementaria a imagem, criando uma atmosfera adequada, emocionalmente envolvente.

No setor do telejornal, coube ainda, ao Canal 4, em seu informativo da noite (19h40m), o mérito de ter feito a melhor cobertura sobre a morte de Costa e Silva, dedicando-o inteiramente ao assunto: em seleçăo criteriosa apresentou os flagrantes mais expressivos da cobertura ao vivo, suprimindo, inclusive, as partes supérfluas do relato.

Enquanto, no Canal 6, o Repórter Esso optou por outra linha. Năo mudou a estrutura habitual do programa, mas, em compensaçăo, focalizou aspectos (cenas da cidade, bancos fechados, etc.) correlacionados e decorrentes da morte do Presidente. A última noticia, porém, foi dedicada ao funeral: teve a duraçăo de cinco minutos. E o texto, como de hábito, foi informativo, conciso, jornalístico.

Portanto, graças ao trabalho dos Canais 4 e 6, o carioca teve um painel completo sobre a morte do Presidente Costa e Silva, enquanto a televisăo, mais uma vez, foi notícia ao registrar a História.




No comments:

Post a Comment

Followers