Monday, May 10, 2010

1967 - 17 Anos de TV no Brasil

Realidade
1/7/1967
Lúcio Nunes
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NOSSA TELEVISĂO ESTÁ COM DEFEITO
Em 17 anos de vida, a TV brasileira ainda năo aprendeu a fazer nada direito. Agora vive a maior crise de sua história, com dívidas a pagar, programas ruins e um caminho e encontrar

DE VEZ EM QUANDO UM PROGRAMA ENTRE OS ANÚNCIOS

Sentados no chăo da sala, os dois meninos assistem ao filme de mocinho. Săo seis e meia da tarde. Eles chegaram há pouco da escola e ainda vestem uniforme. As lancheiras e os cadernos descansam sobre uma poltrona. Na cozinha, preparando o jantar, a măe está atenta aos sons que vęm da sala, dentro de alguns minutos começa a primeira novela.

O pai também chegou, faz cinco minutos. Está tomando banho e se demorar muito é possível que jante sozinho, com o que já se acostumou, assim como se acostumou com outras coisas: as crianças param mais em casa, a mulher năo faz muita questăo de visitar as amigas, e ele precisa ter sempre alguma coisinha para fazer depois do jantar, pois em dia de semana o chamado horário nobre da televisăo dedica metade do tempo ŕs novelas e aos anúncios. Até dois anos atrás, antes de comprar o televisor, eles costumavam jantar juntos, sem pressa, conversando - a mulher sobre os filhos, os filhos sobre a escola. Algumas vezes iam visitar os parentes, outras vezes iam ao cinema. Hoje isto acontece raramente, aos sábados ou domingos. A televisăo mudou os hábitos da família brasileira.

A televisăo - o maior instrumento de comunicaçăo entre os homens. Há apenas 45 anos, atravessar o Atlântico por ar, ligando Portugal ao Brasil, foi uma aventura que dois portugueses - Sacadura Cabral e Gago Coutinho - realizaram em mais de dois meses e sem testemunhas dos riscos que passaram, num hidroaviăo e fazendo amerissagens forçadas no mar.

Documentário velho no lugar da notícia

Hoje, sentadas em suas salas de visita, milhőes de pessoas vęem os astronautas saindo de suas cápsulas em pleno espaço. Depois de ligar os continentes, por intermédio de satélites a televisăo pőe o cosmo diante do homem. E, acompanhando os avanços da tecnologia, da se prepara para novos aperfeiçoamentos. Nos Estados Unidos e a Europa a transmissăo de espetáculos em cor já existe em escala comercial. Mais um pouco, e o homem năo dependerá mais de horário para assistir ao seu programa preterido. Um aparelho, recém-inventado e pronto para ser produzido a baixo custo, poderá ser ligado ao televisor e gravar numa fita magnética os programas desejados, enquanto se recebe visitas ou se vai ŕs compras.

No Brasil, porém, estamos longe de bem usar a televisăo. No Texas, em fins de 1963, as câmeras estavam presentes quando Lee Oswald era transportado de uma prisăo para outra e, assim, milhőes de americanos viram-no morrer assassinado por Jack. Ruby com um tiro no estômago. No Japăo, um líder socialista é esfaqueado por um fanático religioso durante uma convençăo politica e todo o pais assiste ao crime: a TV estava transmitindo. No Brasil, no instante em que o governador deposto de Săo Paulo regressava ao pais, a TV transmitia receitas de bolo e documentários de 20 anos. Margot Fonteyn, uma das maiores bailarinas do mundo, esteve no Brasil, e a tevę recusou-se a pagar 15 mil cruzeiros novos para mostrar sua arte ao público. Chico Buarque e Nara Leăo emocionaram o pais inteiro com "A Banda", batendo recordes de venda de discos, e tudo quanto a televisăo tirou desse sucesso, que ela mesma favorecera, foi um programa que se esvaziou a curto prazo.

Nossa televisăo informa mal, diverte menos ainda e é insensível ŕ cultura. Produçőes inteligentes e boas coberturas săo raras. Hoje, a TV passa pela pior crise de seus 17 anos de vida. Um levantamento do sindicato dos artistas estimava em cerca de 700 milhőes de cruzeiros velhos o total de salários atrasados em Săo Paulo, no męs de abril passado. Só a Record estava em dia. No Rio, os cálculos para o mesmo męs iam a um bilhăo em atrasados.

- No Brasil, tudo está errado desde o começo - diz Walter Clark, diretor-geral da TV-Globo, da Guanabara.

E como começou? A televisăo transmite as imagens por faixas de ondas-canais - que existem em número limitado. Por isso, estas faixas "pertencem" ao Estado. Na Europa quase toda e nos países do bloco socialista, é o próprio Estado que as utiliza. No resto do mundo, elas săo entregues a empresas que as queiram explorar. No Brasil, o govęrno distribui os canais de graça. Apenas exige, de quem os recebe, o compromisso de explorá-los no interesse público. O Conselho Nacional de Telecomunicaçőes (Contel) encarrega-se de fiscalizar. Com um detalhe: segundo o mesmo Walter Clark, muitos deles foram concedidos "apenas para atender a interesses políticos". Resultado: há televisăo demais no Brasil.

A área metropolitana de Nova Iorque por exemplo, tem um canal para cada 2 milhőes e 200 mil habitantes, enquanto a grande Săo Paulo tem dois canais para o mesmo número de pessoas; e Belo Horizonte, com um milhăo de habitantes, já ganhou quatro canais.

Esta distribuiçăo de concessőes sem muito critério trouxe problemas. O principal deles é econômico. Nos países em que o Estado explora a TV, os recursos vęm de uma taxa cobrada dos proprietários de aparelhos televisores. Na Itália, onde há cerca de sete milhőes de aparelhos, cada um contribui para o Estado com 36 cruzeiros novos por ano; na Bélgica, essa taxa é de 34 cruzeiros novos; na Inglaterra, de 26.

No Brasil, porém, quem sustenta a televisăo é o indiozinho camarada que faz biscoito ou o esquimó que vende geladeiras: săo as milhares de mensagens comerciais que aparecem no vídeo o dia inteiro. Nos Estados Unidos, em 1965, foram empregados mais de 5 trilhőes de cruzeiros velhos (2,5 bilhőes de dólares) em publicidade na TV. No Brasil, no mesmo ano, as 38 emissoras existentes năo faturaram mais que cem bilhőes de cruzeiros. Os canais, portanto, săo muitos para as verbas de publicidade existentes.

Assim, as emissoras precisam brigar com todas as armas por esse "pouco" dinheiro. Como aos anunciantes interessa atingir o maior número de pessoas, a grande batalha é a da audięncia. Ao lado, disso, o preço do tempo vendido aos anunciantes é mantido baixo por uma concorręncia feroz. Em Săo Paulo, uma organizaçăo de corretagem chegou a vender o tempo das emissoras a crédito, com descontos de até 50% sobre os preços de tabela, dando ainda de presente a produçăo dos comerciais necessários. Ainda hoje, um grande anunciante pode comprar tempo na TV por até um quarto do preço de tabela. E o patrocínio exclusivo de programas praticamente năo existe mais.

- Oitenta por cento de nossa receita de publicidade, hoje, vem dos anúncios por intervalo - diz Fernando Severino, diretor-comercial da TV-Tupi, de Săo Paulo.

O anunciante năo se arrisca a empregar toda a verba num programa que ele năo sabe se alcançará boa audięncia. Por isso anuncia nos intervalos. E já que os preços sso baixos, as emissoras precisam do maior número possível de anúncios. Cada vez que um artista canta uma música, é necessário um comercial para pagar o tempo gasto. Assim, um programa, para ir ao ar, precisa encontrar no mínimo 14 anunciantes. O canal-7, Săo Paulo, já chegou até a 19 anunciantes por programa.

VALE ATÉ CONCURSO DE MISÉRIA PARA GANHAR AUDIĘNCIA

Esta emissora paulista, durante uma semana de abril último, colocou no ar 2.482 mensagens comerciais, média de uma mensagem cada dois minutos.

No Rio, acontece a mesma coisa. Apenas a TV Globo mantém algum respeito pela tabela de preços, enquanto as outras vendem o seu tempo com grandes descontos. Os anunciantes perdem com isso. A Frigidaire, há algum tempo, fez um filme de 45 segundos que custou 10 milhőes de cruzeiros e agora arrisca-se a vę-lo empurrado no vídeo junto com outras 14 mensagens, a maior parte das vezes de baixo nível técnico, cansativas.

- O que se faz nessa área é um crime contra o anunciante e contra o público - diz o gerente-comercial de uma grande agęncia de publicidade.

Recentemente, uma portaria do Contel limitou a 15 minutos por hora o máximo de propaganda comercial pela TV. A fiscalizaçăo, porém, cabe ao Departamento de Correios e Telégrafos, que no início tentou aqui com algum rigor. Pouco tempo depois, o diretor de uma emissora paulista dizia que năo poderia obedecer ŕ determinaçăo do Contel, porque as concorrentes năo o faziam, e o DCIT năo fiscaliza "porque năo tem verbas para comprar os televisores de que necessita".

Daí, a avalanche de comerciais, tăo grande que os publicitários gostam de contar a história do telespectador que chegou ao fim da noite certo de que "para a limpeza dos dentes, o melhor é Alka-Seltzer, que contém o aditivo ICA, com açăo detergente e gostinho de uva gelada".

"Năo faço programa para a classe A"

Sem dinheiro e com o tempo tomado pelos comerciais a programaçăo raramente super o nível da mediocridade. É verdade que a televisăo se dirige ao grande público, mas esta necessidade raramente é acompanhada por um esforço de melhorar as produçőes.

- Năo faço televisăo para a classe A - diz Alberto Saad, diretor da Rede Excelsior - Faço para os que ficam em casa, por năo poderem ir a lugar nenhum.

A audięncia no Rio e municípios vizinhos pesquisada polo IBOPE, aponta 60% de pessoas que năo passaram do curso primário. Contudo, os livros de bolso também se dirigem ao grande público e năo deixam de lançar os clássicos da literatura nacional e universal. Mas a televisăo continua apresentando novelas de má qualidade. Em seus 17 anos de vida, ela năo acumulou recursos nem formou bons profissionais. As exceçőes săo poucas.

Na Itália, o romance Os Noivos, de Manzoni, um dos clássicos da literatura mundial, foi apresentado em oito capítulos e custou um bilhăo de cruzeiros. Aqui, 25 capítulos mensais de uma novela custam entre 50 a 60 milhőes. E, quando os gastos com a montagem e direitos autorais ficam muito caros, as emissoras esticam a história para diluir o custo inicial em centenas de capítulos. A novela Redençăo é um exemplo: exigiu a reproduçăo de uma cidadezinha de interior nos estúdios da Vera Cruz, em Săo Bernardo do Campo, Săo Paulo. Ficou caro. Entăo, a emissora -Exelsior - fez a história render mais alguns meses, incluindo novos personagens que apareciam năo se sabe de onde, mudando todo o enredo.

Assim, as novelas saem mais baratas, e por isso ocupam 32% da programaçăo no melhor horário de segunda a sexta em Săo Paulo; 29% em Belo Horizonte; 22% em Curitiba; 24% no Rio. O maior salário de ator é de Sérgio Cardoso, em Săo Paulo: 8 milhőes; Carlos Zara, da Excelsior, onde exerce outras funçőes, ganha 5 milhőes; Francisco Cuoco, da mesma emissora, recebe 3,5 milhőes; Hélio Souto, 2,5 milhőes; Rosamaria Murtinho, 2 milhőes; Eva Wilma, 1,5 milhăo.

Os musicais também săo baratos: cenários pobres estrutura de programas de rádio que se faziam 20 anos atrás. Praticamente, a única novidade é a câmera, que leva ao espectador o que antes ele só veria se estivesse no auditório. Para garantir a audięncia, dois ou tręs cantores de maior popularidade puxam um elenco barato. Chico e Nara sustentavam "Pra Ver a Banda Passar"; Roberto Carlos, Vanderléa e Erasmo Carlos suportam o "Jovem Guarda"; Elis e Jair carregam "O Fino"; Gilberto Gil, Cláudia e Maria Betânia garantiam "Ensaio Geral".

A monotonia acabou matando os musicais. No primeiro trimestre deste ano eles começaram a perder público. E as emissoras, sem espírito empresarial, nunca tiraram deles rendimento nenhum, a năo ser índices de audięncia. Roberto Carlos tem oito carros de luxo, imóveis e participaçăo numa série de outros empreendimentos; Jair Rodrigues comprou imóveis em um bairro valorizado de Săo Paulo; Ronnie Von e Luís Vieira tęm aviăo. Nada disso foi conseguido apenas com os salários pagos pelas emissoras, mas sim com o que lhes renderam os discos e shows no pais inteiro. Durante meses, as próprias emissoras fabricam os ídolos, abrem-lhes o mercado em todos os Estados e depois deixam que a promoçăo de shows fique com o empresário e a venda de discos com as gravadoras.

No fim do ano passado, o Canal 7 de Săo Paulo fundou uma empresa de gravaçăo - AU, Artistas Unidos - mas os grandes cantores, que podiam trazer lucros, já estavam todos presos a contratos com outras gravadoras.

O mundo căo dá nossa TV

No vale-tudo pela audięncia, alguns produtores exploram as feridas da sociedade. Sílvio Santos foi condenado publicamente pelo O | Săo Paulo, jornal da Arquidiocese paulistana, por ter levado ao seu programa alguns suicidas frustrados, que receberam pręmios para contar com detalhes as experięncias que tinham vivido. O mesmo Sílvio Santos promovia um programa, Rainha por um Dia, que mostrava mulheres miseráveis contando seus sofrimentos. Depois, o auditório escolha, batendo palmas, a história mais triste. E a mulher que a tinha contado se transformava em Rainha por um Dia: vestia um manto, punha uma coroa na cabeça e sentava-se no trono, além de ganhar o pręmio maior. As outras ganhavam pręmios de consolaçăo.

Abelardo Barbosa, Chacrinha, até hoje mantém audięncia elevada no Rio, explorando a irreveręncia e o protesto de um tipo com o qual acabou por confundir-se. Mas năo deixa de explorar coisas como o maior nariz, ou a mulher mais gorda, provocando um desfile de deformidades físicas diante das câmeras

Jacinto Figueiras Júnior, que apresentou no Rio e Săo Paulo O Homem do sapato branco, levou prostitutas, ladrőes e homossexuais ŕ televisăo, para fazer sensacionalismo. Recentemente, recolheu nas sarjetas de Săo Paulo alguns marginais, colocou-os diante das câmeras e realizou uma Mesa Redonda dos Mendigos.

Até pouco mais de dois anos, os chamados enlatados batiam recordes de público. Foi o tempo de Richard Chamberlain - o dr. Kildare - e de Vincent Edwards - Ben Casey - que recebiam centenas de cartas por dia, endereçadas as TVs e revistas especializadas.

PARA ONDE VAI ESSA TV EM CRISE?

Outros filmes disputavam com os dois médicos românticos os índices de audięncia: Os Intocáveis, 77 Sunset Strip (policiais), Bonanza e O Fugitivo (aventuras). Estes dois últimos ainda continuam no ar, mas os episódios sso constantemente repetidos e já năo agradam tanto.

Hoje, para a maioria dos homens, o futebol é tudo quanto a TV pode oferecer. Mesmo assim, com a proibiçăo das transmissőes diretas, o interesse năo é muito grande. Os vídeo-tapes exibidos depois dos espetáculos e muitas vezes entram pela madrugada.

Soluçăo: a rede nacional

Assim ‘ arrasta a televisăo no Brasil, hoje. Para tirá-la da crise em que se afunda, seus dirigentes sonham com uma soluçăo: organizá-la em redes de cobertura nacional. "É o caminho natural para vencer nossas dificuldades", diz Fernando Severino, da TV-Tupi de Săo Paulo.

- A Excelsior caminha para a formaçăo de uma rede racionalmente estruturada - diz Alberto Saad.

Walter Clark também sustenta a necessidade das redes nacionais, mesmo considerando que a TV-Globo só tem tręs emissoras - Rio, Săo Paulo e Bauru. Nos escritórios de comando das outras emissoras, porém, já se informa com segurança que a TV-Globo assumiu o controle financeiro da TV-Guajajaras, de Belém, e prepara-se para funcionar também em Belo Horizonte, Recife, Pôrto Alegre e Salvador.

Primeiros passos concretos para a formaçăo das redes nacionais: a criaçăo do Telecentro nas Associadas, com roteiro de custos por toda a cadeia, instalaçăo da Teleproduçőes Globo; e a Central de Produçőes Excelsior. Ŕ TV-Record de Săo Paulo, que ainda se mantém equilibrada, abre-se o caminho dos convęnios com outras emissoras. E as demais, se estiverem em má situaçăo, serăo absorvidas. Ou morrerăo.

O funcionamento em rede criará um mercado obrigatório para as centrais de produçăo.

- O Telecentro das Associadas, no Rio, tem uma verba de 600 milhőes e produz 30 shows mensais - diz Fernando Severino.

Apesar disso, em quase todos os Estados, as Associadas ainda continuam comprando programas de outras emissoras, gastando entre 100 e 150 milhőes de cruzeiros por męs. Em Belo Horizonte, o canal 4 apresentou a novela "O Sheik de Agadir", comprada ŕ TV Globo do Rio; além de "o Fino" e o "Côrte-Rayol Show", da Record de Săo Paulo. Mas já se sabe que as Associadas văo parar de comprar programas dos outros.

Muitas dificuldades pela frente

As dificuldades sso muitas para se chegar ŕ organizaçăo em redes. Para começar, nem sequer se sabe com segurança quantos televisores há. Recentemente o IBOPE informava ao Contel que o Brasil tinha quatro milho~es de aparelhos. Mas, pouco antes disso, uma revista especializada em economia dizia que havia apenas dois milhőes e 200 mil. Agora, o Contel pediu ao IBGE um levantamento geral.

As pesquisas de audięncia também falham. Só o IBOPE se encarrega disso regularmente, assim mesmo limitando-se ao Rio e Săo Paulo. Em outras cidades, as pesquisas sso feitas apenas a pedido de anunciantes, agęncias de publicidade ou emissoras. Na Guanabara, o IBOPE extrai os índices de audięncia computando os municípios vizinhos de Nilópolis, Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita e Niterói - com cerca de 900 mil residęncias, em que há aparelhos de televisăo. Mas em Săo Paulo a pesquisa ficou só no perímetro urbano, sem os municípios vizinhos que formam a Grande Săo Paulo, acusando apenas 700 mil aparelhos. Deste modo, os índices năo podem ser uniforma: Chacrinha, por exemplo, que tem maior público nas camadas populares, sempre comandou a audięncia no Rio, mas em Săo Paulo, onde certamente também é bem recebido, nunca chegou a posiçőes destacadas nas pesquisas.

As redes precisarăo vencer ainda dificuldades legais. Por determinaçăo do governo, uma só organizaçăo năo pode ter mais de cinco emissoras em todo o pais. O prazo da lei para se regularizarem é curto, as dívidas precisam ser pagas, os programas caem cada vez mais. Os homens de televisăo conhecem todos estes obstáculos. Sabem que anúncios bem mais caros - e, portanto, em menor quantidade - aumentariam o faturamento das estaçőes, possibilitando melhorar o nível geral da programaçăo. Para isso, entretanto é imprescindível que se reduza o número de canais pois a verba dos anunciantes é fixa. Com mais dinheiro, nossa TV poderá ate enfrentar a responsabilidade que tem com o país, criando programas verdadeiramente educacionais. Săo esses os problemas. Resta ver, agora, se os homens da televisăo văo saber enfrentá-los.

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