Thursday, April 15, 2010

1977 - O Fim da TV Rio


Jornal do Brasil
7/4/1977
Míriam Alencar
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A ÚLTIMA EMISSĂO DE TV
- Reabram a TV Rio! Isto năo é um pedido, é uma súplica.

O apelo patético foi feito ontem por Ramon Backx van Buggenhout, superintendente da emissora. Ele tentava reproduzir para a imprensa a situaçăo da TV Rio, que teve cassada a concessăo de seu canal. Depois de um dia exaustivo correndo gabinetes ŕ procura de apoio e soluçăo, o superintendente afirmou só ter tomado conhecimento da medida na manhă de ontem, pelos jornais. Sua primeira providęncia foi ir ao Dentel, onde foi informado de que ainda năo tinham recebido nenhuma comunicaçăo oficial da cassaçăo. Voltando ŕ emissora, onde o aguardavam dezenas de funcionários ávidos de notícias, foi procurado por volta das 14h30m por um representante da Delegacia Regional do Trabalho. O delegado, Sr Luís Carlos de Brito, convocava-o para um encontro que durou até quase o fim da tarde.

- Fiz um apelo ao Ministro do Trabalho mostrando que o problema da TV Rio năo é só dos 147 empregados do corpo estável, mas de um quadro vivo de mais de 600, que, com suas famílias, representam cerca de 2 mil 500 pessoas sem mercado de trabalho. O Sr Luís Carlos de Brito me ouviu com simpatia e prometeu o seu apoio para que a cassaçăo seja revista. Na verdade, durante o tempo em que a emissora esteve paralisada, nem 5% do pessoal que procurou trabalho em outros locais conseguiu emprego. Săo pessoas que tęm até 20 anos de casa. E nós afirmamos com certeza que a TV Rio é viável e recuperável, precisa é de uma administraçăo moderna, como, estávamos tentando implantar, e de voltar ao ar imediatamente.

Inaugurada em 1954, com 23 anos de existęncia, a TV Rio conheceu anos de glória. Teve os melhores programas e as maiores audięncias, e foi a primeira a transmitir em cores. As mudanças constantes de administraçăo levaram-na ŕ situaçăo atual, com um passivo que chega quase aos Cr$ 60 milhőes. Seus empregados năo recebem há quatro meses. A dívida para com os funcionários 77 cerca de 70% entraram na Justiça para receber os atrasados chega a Cr$ 6 milhőes. Com os telefones cortados por falta de pagamento, segundo alguns, por causa da chuva, afirmam outros, a TV Rio necessita de uma receita de Cr$ 6 milhőes a Cr$ 7 milhőes, por męs, para se manter.

Com uma folha de pagamento que atinge os Cr$ 410 mil mensais, e salários que văo de Cr$ 1 mil 200 a Cr$ 20 mil, a emissora esteve fora do ar por 45 dias. O prazo oficial é de 30 dias, mas depois de um apelo ao Dentel, conseguiram mais 15 dias. Para que a emissora voltasse a funcionar, o que aconteceu sábado passado, um grupo de produtores e apresentadores, que se intitulou "comissăo financeira" tirou dinheiro de seu próprio bolso (um total de cerca de Cr$ 800 mil) para, pelo menos, solucionar parcialmente os problemas de pagamento atrasados. Esse grupo é integrado por Henrique Lauffer, Joăo Roberto Kelly, J. B. de Aquino, Anuar Salles, Paulo Monte, Martinho Duarte, Josias Alt e Cláudio Ferreira. Houve quem sé propusesse (o nome foi omitido por Ramon van Buggenhout) a vender uma sua propriedade, no valor de Cr$ 120 mil, para ajudar a TV Rio.

- Desde que assumimos a superintendęncia, em 2 de fevereiro de 1976 - afirma Ramon van Buggenhout - estamos tentando resolver os problemas financeiras. Năo temos dinheiro, ao contrário da TV Globo, para comprar enlatados caríssimos. Por isso, nossa programaçăo passou a ser 80% ao vivo. A concorręncia da TV Globo é sufocante. Ficamos como terceira opçăo, tentando ser uma emissora carioca. Do passado năo podemos falar, pois quando os responsáveis anteriores saíram, levaram até os livros de contabilidade. Eu mesmo năo recebo meu salário (năo disse quanto ganha) há algum tempo e vivo com dificuldade. Quando comecei aqui, tinha tręs carros. Hoje ando com o carro de um de meus filhos.

Ramon van Buggenhout relaciona os acionistas da TV Rio: A. Augusto Amaral de Carvalho - 100 mil açőes; José Salimen - 117 mil 770 açőes; Walmor Bergersch - 117 mil 720; Frei Cyrillo Mattiello - 58 mil 860; Frei Antônio Guizzardi - 241 mil 980 (é o maior acionista); Frei Osébío Borghetti - 58 mil 860; Frei José Pagno - 58 mil 860. Um total de 872 mil açőes.

Durante o dia de ontem o superintendente da TV Rio tentou comunicar-se com os acionistas, que săo do Rio Grande do Sul, e só conseguiu falar com o advogado do grupo, Sr Marquile Scorzelli, que informou já se ter comunicado com todos.

Ontem, ŕs 16 horas, a TV Rio entrava no ar, e assim se manterá até que seu cristal seja retirado e os transmissores lacrados. O superintendente afirmou que a emissora vai entrar com recurso pedindo a revisăo da Cassaçăo, com a esperança de que o Governo veja o problema dos empregados. Caso consiga, pretende "lutar para pagar as dívidas e colocar os salários em dia, com a emissora no ar". Caso ela passe para outras măos, há a esperança de seu pessoal ser aproveitado pelos prováveis futuros donos.

SÓ E SEM SUBSTITUTA

Brasília e Porto Alegre - O Ministro das Comunicaçőes, Sr Quandt de Oliveira, informou ontem que o Ministério năo vai abrir edital para preenchimento do canal vago deixado pela TV Rio. "Mesmo que apareçam interessados" - esclareceu o Ministro. Em Porto Alegre, a diretoria da Rádio e TV Difusora distribuiu nota na qual desmente e vinculaçăo da TV Rio ŕ empresa gaúcha.

DO ALTO DO IBOPE Ŕ MORTE NO 36ş ANDAR

Autor/Repórter: Maria Helena Dutra

Uma estaçăo de televisăo năo morre, definha. Vai sendo esquecida e um dia, năo tem mais recursos para ir ao ar. Sua sobrevivęncia nunca é heróica e seu fim jamais chega a ser glorioso.

Este comentário teórico de Walter Clark Bueno, diretor-geral da Rede Globo de Televisăo, define com precisăo o estágio final da Televisăo

Rio, onde ele trabalhou durante 10 anos, e que aos 21 anos de existęncia chegou a melancólico final. "Se a estaçăo năo for vendida em dois meses" -comentava em meados de 1976 Herman Kyaw, o produtor faz-tudo do canal 13 - "ela vai ter mesmo que ,acabar, pois já chegamos ŕ etapa de falta de peças para reposiçăo, de năo termos mais as coisas mínimas. Assim, se nada for feito, ela fecha sozinha".

Um final que foi por todos aguardado e explicado como a conseqüęncia inevitável de desatinos empresariais que marearam a existęncia da TV Rio. Fundada em 1955, pertencia a concessăo ao grupo Machado de Carvalho, proprietário também da Televisăo Record de Săo Paulo. Por problemas de desentendimentos de família, a estaçăo,carioca foi praticamente doada por Paulo Machado de Carvalho a seu cunhado Joăo Batista do Amaral. Este manteve o controle da estaçăo durante seu apogeu, inicio da década de 60, e no começo da decadęncia quando perdeu a competiçăo para a TV Excelsior e depois Globo, até vendę-la no final dessa década para o grupo da Televisăo Difusora de Porto Alegre. Este grupo, dominado pelos frades capuchinhos, fez um investimento muito forte, na esperança de que o Governo permitisse a entrada do grupo Gerdau na transaçăo. O que năo aconteceu porque este grupo pedia ao mesmo tempo um generoso financiamento governamental para sua siderúrgica no Rio Grande do Sul. Algo que lhe seria negado caso tivesse dinheiro para comprar uma estaçăo de televisăo. Evidentemente, a TV Difusora ficou sozinha no empreendimento, que tentou sustentar durante dois anos. Mas a falta de recursos, e os pesados juros do dinheiro levantado para a compra do equipamento novo, estavam prejudicando muito a emissora do Rio Grande do Sul. Venderam entăo a Rio ao grupo Scorzelli, que contava com a ajuda do Banco Halles; uma semana depois da transaçăo, o Halles estava cassado. Roberto Scorzelli, dono da agęncia de propaganda Artplan, ficou responsável pelas dívidas deste negócio, principalmente a compra de Cr$ 2 milhőes em filmes. Vendeu entăo a Rio para o grupo Vitória-Minas, que acabou. sendo cassada pelo Governo, devido irregularidades em seus negócios imobiliários e de cadernetas de poupança.

Todas essas transaçőes eram feitas sem qualquer autorizaçăo do Governo, que concede o canal. Em 1975, o Sindicato dos Trabalhadores em Radiodifusăo pediu providęncias ao Governo e este, através do Ministério das Comunicaçőes, exigiu que a Televisăo Difusora reassumisse o controle da Rio. Eles entăo colocaram Ramom van Burghenaut na superintendęncia-geral, com a missăo única e específica de tentar a venda da estaçăo. Algo difícil de realizar porque suas dívidas, chegavam a Cr$ 75 milhőes.

Logo que um anúncio Ia ao ar, funcionários ou fornecedores recorriam ŕ agęncia para vincular a conta ao pagamento de suas dívidas, e ninguém tinha coragem de continuar anunciando. Um jornalista afirmou certo dia que o grupo imobiliário Letra estaria interessado em comprar a estaçăo; no dia seguinte, formava-se fila de oficiais de justiça na porta da empresa, já preparados para cobrar dívidas. O negócio foi desfeito antes de começar. A soluçăo encontrada pelos 120 funcionários que ainda restavam na, estaçăo, e que fizeram um pacto entre eles de năo permitir seu fechamento, foi vender espaço para pessoas interessadas em fazer programas. Por absoluta e involuntária ironia, estas pessoas eram chamadas de concessionárias a pagavam o tempo que ocupavam, média mensal de Cr$ 80 mil a Cr$ 90 mil, aos próprios funcionários, que sobreviviam desta maneira. Por isso, a programaçăo passou a ter atraçőes variadas, como jornal sobre agricultura e pecuária, Yvon Curi recepcionando amigos, Wilson Nascimento falando de corridas de cavalos, a Uniăo Espírita Brasileira programando macumba e candomblé.

Os únicos filmes da estaçăo eram em preto e branco. A RCA, que chegou a colocar a estaçăo fora do ar durante quase uma semana por falta de pagamento, levou a câmera colorida, e só os filmes da distribuidora Dife, de Săo Paulo, onde ela, devia menos, podiam ser passados-em preto e branco. Além desses, os filmes fornecidos gratuitamente pelos consultados.

Esta situaçăo forçava a TV Rio a ter 80% de sua programaçăo feita ao vivo, realizada no estúdio sem multa agitaçăo ou dramaticidade, porque se fala e se briga muito pouco num clima sem entusiasmo. Apenas 10 técnicos, se revezavam e os apresentadores, sem nenhuma preocupaçăo de consumo ou de audięncia, iam se revezando e improvisando os programas. Em certa época, parte da tarde, quatro mulheres faziam entrevistas e promoçőes as mais disparatadas. Nem a presença de Caetano Veloso e Vinícius de Moraes, entrevistados no mesmo dia, foi capaz de provocar rebuliço. Foram tratados da mesma maneira que o figurinista desconhecido que lá ia apresentar seus vestidos ou a diretora de uma escolinha que levava um balezinho infantil. O ambiente era lúgubre, apesar de muito limpinho. Público no Ibope dava traço ou seu máximo pique, 7%; ao vivo, nenhum. Também como chegar numa estaçăo que estava praticamente nó 36ş andar de um edifício normal, em alturas desafiantes a qualquer curiosidade.

"O princípio da decadęncia foi quando a estaçăo saiu de sua sede tradicional, o antigo Cassino Atlântico, no final do Posto Seis, em Copacabana, e foi passar uns tempos em Vila Isabel. Depois subiu para cá, montando até um auditório que custou Cr$ 50 mil e raramente foi usado" - dizia Herman, desolado, em sua sala, ŕ beira do precipício de onde se avistava Ipanema e a Lagoa, e do qual era protegido apenas por uma tęnue janela comum.

Enquanto isso, o transmissor, no Sumaré, era mantido na base do esparadrapo. E na estaçăo, faltavam video-tape, filme, caminhăo de externa. Só havia sobrado duas câmeras coloridas, o telecine, duas mesas de corte, uma com efeito eletrônico outra sem, duas mesas de áudio. Tudo operado por pessoas resignadas mas inteiramente desesperançadas de um final feliz para o drama sem glória que eles ajudavam a representar.

Uma história que começou alegre em julho de 55 e se tornou, pelo menos para uma pessoa, radioso início de uma carreira de sucesso. Com 19 anos de idade, Walter Clark Bueno entrou para a TV Rio, em abril de 1956, como assistente de diretor comercial Cerqueira Leite. Para Walter, a ida para a televisăo era apenas um caminho curto-para o cinema, só que ficou nela até hoje, chegando aos 40 anos a ser diretor da Rede Globo de Televisăo.

O primeiro dono da estaçăo, Joăo Batista do Amaral, apelidado de Pipa, hoje retirado numa enorme mansăo em Angra dos Reis, "era um gęnio, sabia que o modelo americano das redes era o futuro da televisăo. Mas năo confiava em ninguém e năo se dava coma família. Recebeu meia dúzia de equipamentos dos Machado de Carvalho e criou a Rio" - historia Clark. Ele foi transformado em diretor comercial com 23 anos. "As pessoas, porém, recusava-se a falar comigo, nenhum empresário acreditava em televisăo ainda. Assim mesmo conseguimos fazer uma programaçăo muito popular e em 1958 chegávamos ao primeiro lugar de audięncia, com o boxe no domingo, o Teatro Moinho de ouro, de Vítor Berbara e humorísticos, como Noites Cariocas, Chacrinha, Big Lar Show, O Riso é o Limite. A estaçăo começou a ter lucro, mas claudicou depois porque faltou a seus donos a conscięncia de equipar, usávamos câmeras de antes da II Guerra Mundial. Além disso em 1963 a TV Excelsior levou todo nosso elenco numa mesma noite, pagando o dobro dos salários. Como a estaçăo ia custar ainda seis meses para ir ao ar, sugeri ŕ direçăo contratar José Bonifácio Oliveira Sobrinho, o Boni, que estava na TV Bandeirantes. Mas eles recusaram e trouxeram de volta Péricles do Amaral, o primeiro diretor artístico da casa. Foi a vitória da fórmula antiga, a única coisa que conseguimos foi realizar a primeira novela diária, da televisăo carioca. A Morte sem Espelhos, de Nélson Rodrigues, com Fernanda Montenegro e Sérgio Brito. Mas o Juiz de Menores implicou e ela só pôde ser transmitida ŕs 11 da noite. Quando a vaca foi pro brejo mesmo, quase dois anos depois, eles aceitaram o Boni, único que sabia tudo sobre produçăo, um dos seis maiores especialistas do gęnero no mundo. Ele só ficou seis meses, mas começamos lá um processo que iria mais tarde irromper na Globo."

É evidente a emoçăo de Clark ao lembrar-se destes tempos duros mas vitais de sua mocidade. Na solidăo de seu enorme escritório, ele lembra que naquela época fazia de tudo. "Brincavam até comigo que no final dos créditos da emissora era preciso colocar os dizeres: Preocupaçăo Geral - Walter Clark. O ambiente era de paixăo coletiva. Em agosto de 1965 terminamos o Direito de Nascer no Maracanăzinho, a primeira grande festa popular da televisăo no Rio."

A Rio se caracterizava nessa época por uma promoçăo agressiva, realizada pelo mesmo Panessa que depois faria a publicidade da Globo. "Foi lá que lançamos a programaçăo por faixas, e começamos a fazer uma correta promoçăo comercial da televisăo, mais perto do marketing." A salda de Boni, foi uma das causas do afastamento do próprio Clark, em 1965. "Eu era tăo arraigado ŕ estaçăo, que fiquei um męs chorando ŕs escondidas, e o dia anterior ŕ assinatura do meu contrato com a Globo foi o pior da minha vida. E assinei este contrato ouvindo e vendo o programa Musikelly da Rio, que era na época campeăo total de audięncia."

Também emocionado foi o depoimento de Joăo Loredo, diretor artístico da Rio, de 1956 a 1960. "Foi a época da estruturaçăo da Rio, mas uma fase muito amadorística, quando tudo era feito na base do vamos fazer e pronto. Uma fase que se estruturou graças ao apoio de comerciantes, como Medina e outros, que levantaram a Rio. E que chegaria ao apogeu em 1960, quando eu já estava fora de lá, com a introduçăo do vídeo-tape no Chico Anísio Show, dirigido por Carlos Manga. A decadęncia da estaçăo foi devida unicamente ŕ sua estrutura empresarial muito familiar e uma geręncia financeira muito peculiar. Os donos compravam casa e a mobiliavam com permutas; tinha-se muito anúncio, mas jamais o dinheiro entrava. A primeira estaçăo de televisăo-empresa no Brasil foi a Globo; por isso acho que a televisăo é hoje muito melhor que antigamente. O único problema de agora é que a programaçăo está demais congelada pelo tape, que está sendo utilizado erradamente. Năo considero muito importante a Rio para a história da televisăo brasileira, porque ela jamais representou o papel da Tupi, a academia dos profissionais, e da Globo, a sua definitiva profissionalizaçăo."

Para Geraldo Casé, veterano profissional de 26 anos de televisăo e filho de Ademar Casé, um dos pioneiros do rádio e da propaganda no Brasil, o enfoque é outro: "A TV Rio foi muito importante, porque foi o apogeu da televisăo romântica, no país. Meu pai tinha a idéia de realizar um programa de variedades na televisăo, um precursor do Fantástico, mas ao vivo, que foi Noite de Gala. Mas a Tupi recusou. Abraăo Medina, dono das lojas Rei da Voz, resolveu topar e fomos fazer o programa na Rio. O único estúdio que tinham - corria o ano de 1955 - era um quarto e sala. E havia apenas uma câmera. Fizemos estúdio novo, evidentemente sem tratamento acústico, o que dava uma reverberaçăo grandiosa, e realizamos um programa sem ritmo, descozido, que durou, na sua primeira audiçăo, mais de tręs horas. Tinha Carlos Thiré, Tom Jobim (ganhava 20 contos, uma fortuna), Vinícius de Morais. Sérgio Porto, o apresentador, năo conseguiu decorar as falas, e por isso ficou depois quatro anos afastado da televisăo e só reapareceu no mesmo Noite de Gala mas de costas para a câmera. Lá estavam Henrique Pongetti, Fernando Sabino, Chico Anísio, Walter D'Avila, Luís Delfino, Elizeth Cardoso e muito mais gente. Saiu tudo baratinado e improvisado, mas o público gostou; Medina, acreditou e chegou até a financiar a compra da segunda câmera, da estaçăo. Noite de Gala viveu 11 anos, foi a mola propulsora de uma época porque marcou o inicio da grande produçăo em televisăo".

Também para Casé a TV Rio começou a acabar devido ŕ estrutura paternalista e familiar da sua direçăo. E ele prefere a televisăo atual, diagnosticando nela o mesmo mal: "O única defeito de hoje é que estăo confundindo apuro técnico com criatividade. Mas também era impossível fazer uma boa televisăo na Rio, porque ela funcionava contra qualquer princípio técnico. As câmeras Dumont eram consertadas, com arame, barbante e esparadrapo. O impacto das primeiras redes, tipo de organizaçăo que barateia todos os custos, acabou com a TV romântica e impôs o modelo industrial."

Com oito anos ininterruptos de crítica de televisăo, Artur da Távola, que já foi da Última Hora e agora é de O Globo, define a história da televisăo brasileira por suas décadas.

"A década de 50 foi a época da implantaçăo, a de 60 a da profissionalizaçăo e a de 70 a da expansăo. A Rio marcou sua passagem na conquista da profissionalizaçăo, mas năo aferiu seus resultados, ela pifa quando a TV Excelsior se implanta. Mas foi na Rio que nasceu o video-tape, que permitiu mudar a produçăo e a instalaçăo definitiva do fenômeno da telenovela. Foi também nela que começaram os grandes investimentos publicitários na televisăo. Enfim, vencida a época heróica, pioneira, a Rio começa a fase de transiçăo para o profissionalismo. Mas esta já chega nacional e por isso pode ser objeto de grandes investimentos. A Rio, năo se tornando rede, começa definhar. Seus donos bem que tentaram, mas năo conseguiram dar este passo empresarial. Também é bom destacar que a Rio foi a primeira televisăo a usar a política como atraçăo nos programas de Murilo Melo Filho, depois nos pronunciamentos de Carlos Lacerda. e mais tarde no Preto no Branco e Pingo nos Is e Encontro com a Imprensa. Os programas políticos eram de auditório, imagine só. Foi ela que começou a sair do estúdio e ir para onde estavam acontecendo as coisas. Daí por que se tornou simpática e preferida do público".




2 comments:

  1. Esta emissora foi a primeira a inaugurar o parque de transmissão do Sumaré no Rio de Janeiro em 1954, embora diversos textos em livros e na internet digam que esta emissora foi inaugurada em junho de 1955 aproximadamente. Vale lembrar que a Tv Rio desde sua fundação era Tv Record só mudando o nome, pois o resto era praticamente o mesmo, incluindo parte dos donos, plástica da programação e parte da mesma. Fiz uma matéria sobre ela, Record e Tupi em meu blog:http://fatosgerais.blogspot.com/2010/02/caracteristicas-comuns-entre-radio-e-tv.html

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  2. A TV Tupi só foi para o Sumaré no final da decada de 50 e antes sua torre era no Pão de açucar.

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