Thursday, January 21, 2010

1973 - A Volta da Radionovela

VEJA
Data de Publicação: 1/1/1973

A VOLTA AO RÁDIO




Poderia ser uma gravação de 1957, mas não era: na última segunda-feira, às 14 horas, exatamente como há quinze anos, depois do prefixo musical, a voz do locutor proclamou as virtudes do "sabonete das estrelas" e "orgulhosamente" anunciou o primeiro capítulo de "A Noite do Meu Destino", com o galã Paulo Gracindo.

Numa tentativa de melhorar a sua audiência na Guanabara (está em quinto lugar), a Rádio Nacional, senhora absoluta do público na década de 50, resolveu, aproveitando o sucesso alcançado na TV pelo seu contratado há 25 anos, reapresentar a sua linha de novelas do passado. A idéia foi de Daisy Lucidi, heroína daqueles tempos, que ogora volta a fazer o par romântico com Gracindo. Ela, há pouco mais de um mês, assumiu a direção do departamento de novelas da estação. "A Nacional tem ainda hoje um elenco de mais de quatrocentos atores e a sua tradição em novelas é muito grande. Desde que TV começou a tirar a nossa audiência, deixamos a novela de lado e apelamos para um outro tipo de programação, que, no fim, se revelou infrutífera'' - diz ela. Agora, diante dos apelos saudosistas dos ouvintes, requisitamos o Gracindo."

Lá vai ele - Afastado do rádio desde 1971, Gracindo não esconde o seu entusiasmo. Primeiro, porque trabalhar no rádio é mais fácil que na TV: "Não preciso me maquilar nem estudar o script durante horas". Depois, como Luís Henrique em "A Noite do Meu Destino", ele acredita que poderá reeditar os sucessos dos velhos tempos do rádio (o maior deles como Albertinho Limonta, em "O Direito de Nascer"). A novela é a história de um camponês que vai trabalhar na fazenda dos aristocráticos Marcondes de Romero e se apaixona pela herdeira Paulina, cujo pai, dom Eduardo, não aceita o romance.

"Uma novela como tantas outras, cheia de intrigas, romances e desilusões, que permanece atual e não precisou ser modificada. Vocês vão ver, amanhã ou depois todo mundo estará me apontando na rua - 'Lá vai o Luís Henrique' -, como acontecia com o Albertinho e, mais recentemente, com o Tucão, na TV" - promete Gracindo. Com ele está Péricles do Amaral, o diretor de programação da Nacional: "Novela é o que dá Ibope em TV. E TV só dá audiência depois das 18 horas. Pela manhã e à tarde o público está disponível".




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