Friday, January 1, 2010

1970 - Hebe e Sílvio

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 20/8/1970
Autor: Valério Andrade




IMAGENS PAULISTAS
Na televisão paulista, Sílvio Santos é o ídolo dominical e Hebe Camargo uma espécie de embaixatriz da classe média.

O telespectador paulista não só resiste à maratona santista como ainda consegue deixar-se seduzir pelo espertalhão Risadinha. Há anos vem carregando (na cuca) e mantendo (com $) aquele lendário Baú da Felicidade que transformou Sílvio em milionário.

Sílvio Santos é um fenômeno tipicamente paulista. Pois, entre outras coisas, virou ídolo sem ser jogador de futebol, cantor da jovem guarda ou artista de telenovela. Produto (ao que parece) de Vila Isabel, tirou curso completo de camelô pelas ruas do Rio, o que, naturalmente, serviu para exercitar-lhe resistência vocal que lhe permite falar (sem parar) mais de oito horas consecutivas.

Por alguma razão especial, o programa de Sílvio Santos não tem conseguido repetir no Rio os pontos que semanalmente o IBOPE lhe garante em São Paulo. Na seleção semanal dos campeões de audiência, e inclusive nas que a Globo lidera os 10 primeiros lugares, o programa de Sílvio permanece de fora, lá embaixo na gangorra da opinião pública.

Em relação ao fenômeno Sílvio Santos, como se vê, o carioca mostra-se esquivo e sem o comodismo do paulista. Quanto a Hebe Camargo, não se pode afirmar com precisão a aceitação do seu show doméstico pelo público carioca em termos de audiência. Pois, ao contrário de Sílvio, ela esbarra na limitação do canal 13, que, como se sabe. retransmite (com atraso) o seu programa.

Hebe Camargo faz o que há de mais quadrado em matéria de TV a começar, é claro, pelo cenário: E sala de visitas. Hebe é a dona da casa. Com charme pré-fabricado, recebe os convidados, rindo com tudo e para todos, compondo a imagem da senhora educada e artificialmente simpática. Esquecendo-se de que televisão deixou de ser local, e numa irritante preocupação em fazer média com a platéia, Hebe explora ao máximo o bairrismo e o provincianismo do auditório e dos espectadores.

A tônica do Hebe Camargo Show é essencialmente voltada para o conceito tradicional da classe média paulistona. Usa e abusa dos chavões de comunicação, que a mantêm no cargo de porta-voz das pessoas que vão ao auditório na esperança de receber flores da Hebe.

Há algum tempo, as flores de Hebe andaram murchando graças à impetuosidade e desinibição profissional de Cidinha Campos. A rivalidade entre as duas ficou célebre nos corredores da TV Recorde. E, na guerra do IBOPE, a então jovial repórter do Dia D conseguiu arrancar alguns pontos da maternal anfitrioa. Hoje a cantora Maísa resolveu entrar no jornalismo e Cidinha Campos quis fazer o programa mais pretensioso da TV paulista: Cidinha 70.

O novo Dia D, à la Maisa, merece um registro à parte, enquanto Cidinha 70 (após sua pomposa e frustrada estréia) deve ser revisto, com especial atenção.

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