Saturday, January 2, 2010

1969 - Cidinha Campos

VEJA
Data de Publicação: 3/12/1969





CIDINHA SEM PERIGO
Cidinha vive se arriscando no seu "Dia D". Mas a liderança do programa na tabelinha do IBOPE está garantida

O homem subia e descia pela parede, montado numa lambreta. Depois convidou uma mocinha que assistia ao número de acrobacia: ''Você quer dar uma volta comigo?". A moça aceitou. Lá em cima ele avisou: ''Não respire fundo nem incline a cabeça pra frente que você cai". Esta semana, a mesma moça. Cidinha Campos apareceu no seu programa "Dia D" - levado ao ar às 8 e meia da noite de segunda-feira, pela TV Record de São Paulo - voando num planador. Mas ela também já entrevistou um domador dentro de uma jaula de leões e permitiu que um atirador derrubasse, com um tiro, um alvo colocado sobre sua cabeça. Cidinha Campos nunca fugiu dos riscos que corre em uma das melhores partes do "Dia D": ''Os perigos da Cidinha". Esse sacrifício garante, em grande parte, o sucesso da mais recente realização da Equipe A do Canal 7. O ''Dia D" - iniciado há três meses com 16% de IBOPE e ocupando um modesto décimo lugar de audiência - vem disputando há quatro semanas os dois primeiros lugares. Na semana passada estava em segundo, com 28,9% de IBOPE, e mostrava Cidinha entrevistando Pelé depois do milésimo gol - ela foi a única mulher a entrar nos vestiários.

Quem é Cidinha - Nasci num empório, em São Paulo. no dia 5 de setembro. Em casa fui a única felizarda que teve uma parteira. Minha mãe era uma portuguesa forte que não queria preocupar meu pai com os pequenos problemas de um parto; então. todos os filhos (quatro) nasceram sozinhos". Cidinha Campos parece ter enfrentado situações estranhas desde que nasceu: "Nesse dia meu pai estava trabalhando no empório; minha parteira me embrulhou numa fralda e me entregou a minha irmã mais velha - então com seis anos - para que eu fosse mostrada a ele". Começou sua "carreira artística" cantando, ainda pequena, no Clube Papai Noel, da TV Tupi. Fez secretariado e concluiu o curso de piano no Conservatório Musical de São Paulo. Hoje, pressionada pelas exigências do "Dia D", toca violão, acordeão, marimba, garrafa e serrote. Já trabalhou até em novelas, mas só começou a ficar conhecida após sair na ''Família Trapo'', do Canal 7. As pontas em ''Hebe'' e o ''Programa Cidinha Campos", só seu, a prepararam definitivamente para o "Dia D".




A volta ao estúdio - A principal característica do "Dia D'' é a ausência do auditório. Quando o auditório da Record, na Consolação, pegou fogo, a Equipe A (Antônio Augusto Amaral de Carvalho, Nilton Travesso, Manuel Carlos - marido de Cidinha -, Raul Duarte e Edmundo Margherito) notou, num retrospecto, que todos os programas obedeciam a um mesmo esquema: havia o público presente e o ângulo das câmaras não mudava. "Com o "Dia D'' promovemos a volta da TV ao estúdio". Basicamente, ele é um show jornalístico,vive mais da reportagem. Quase todas as semanas Cidinha Campos viaja. Esta semana ela irá ao Ceará, para entrevistar um menino que faz milagres. O ''Dia D'' já avança também para as reportagens internacionais. Em dezembro Cidinha estará na Inglaterra acompanhando Caetano Veloso e Gilberto Gil; em janeiro, na França e Itália, cobirá o Festival de San Remo e o do MIDEM. Em fevereiro está programa da uma viagem aos Estados Unidos. E há dois planos mais ousados: fazer o Natal do ''Dia D'' no Vietnam e acompanhar um safári na Africa.

Imagem e movimento - Os números musicais entre as reportagens são valorizados por efeitos técnicos: fundo em movimento, cortes fazendo o artista aparecer apenas num pequeno quadrado ou círculo dentro de uma paisagem. multiplicação de imagens, etc. Os efeitos são conseguidos acionando-se os botões de um painel eletrônico. Todas as emissoras de televisão tem sua ''mesa de cortes'' ou ''sweet,' (nome dado ao painel), mas é difícil arranjar um técnico que saiba manejá-la. A da Record. capaz de produzir uns oitenta efeitos. estava encostada há três anos. As músicas são todas dubladas (isso dispensa orquestras e conjuntos) e não se constrói um único cenário.

Para a Equipe A, o sucesso do ''Dia D", que venceu facilmente em São Paulo o programa de Dercy Gonçalves, apresentado no mesmo dia e mesmo horário. prova uma coisa: 0 tabu de que ''só programas ruins dão IBOPE" não existe.

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