Sunday, April 24, 2016

TV Mulher... zinha

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 13/04/1980
Autora: Maria Helena Dutra
INFORMAÇÃO É SEMPRE PROBLEMA

Para quem? Os primeiros programas da TV Mulher, de nove ao meio dia na Rede Globo, mostram o padrão de sempre, a produção cuidada, fluência entre seus múltiplos quadros e direção eficiente e profissional de Nilton Travesso. Todo um esforço dirigido, de acordo com os anúncios e entrevistas dos seus produtores, a mulher da classe média baixa porque os integrantes da Alta estão, neste horário, dormindo, trabalhando fora do lar ou levando e apanhando filhos em colégios, cursos, natação e tudo mais que a turma desta classe inventa para tirar a paz das crianças. Então seria urna apresentação diária planejada para concorrer e tirar público dos dominantes programas radiofônicos tipo Haroldo de Andrade e Cidinha Campos no Rio, e shows da manhã de São Paulo já que a TV Mulher é transmitida apenas para estes dois Estados. E para as suas habitantes mais tipicamente domésticas e caseiras.

Mesmo assim, complicou. É que toda a linguagem e a informação do programa é visivelmente sofisticada para este tipo de público. Os ensinamentos estéticos, jurídicos, educacionais e editoriais são finíssimos mas, me parece, muito pouco práticos. Fala-se de inflação sem dizer o que é isto e de cuidados extremamente caros para qualquer beleza. O apogeu desta linha é Panela no Fogo que trata de culinária.

Na estréia a imagem de belíssima frigideira e uma voz em off que dizia: Encha-a completamente com manteiga. Estão brincando. O pratinho tinha ainda molho de poisson, sem tradução, lagosta e uvas, daquelas bem pequenas, de casca cortada uma a uma. Delírio. Em outra edição, um cuscus paulista cujos ingredientes devem estar custando muito.

Será que é outro programa apenas para sonhar? A exceção ao onirismo vigente é Clodovil que se dirige mesmo às mulheres que não podem ser freguesas de seu atelier e revela também ser o único a ter senso de humor no programa inteiro. Abaixo da média, três registros: A péssima fôrma como entrevistadora da boa apresentadora Maria Gabriela, a educadora Fanny Abramovich que se balança tanto que chega a enjoar o fraco estomago matinal da espectadora e seus nés depois de cada três ,palavras e o final mentiroso mostrando mulheres gerindo toda a parte operacional de urna televisão ao mesmo tempo que os créditos , fixados em cima desta imagem, mostram a verdade. Apenas, entre 47 nomes da parte técnica, nove são femininos. Para elogio maior, a inclusão de cena da novela Pé de Vento, da Bandeirantes, entre os destaques diários da TV. Para piche total, reprisar também nesta produção uma novela. Será que não tem outras armas?

TV Mulher Faz Sucesso

O Globo
Data de Publicação: 13/04/1980

PUBLICITÁRIOS CUMPRIMENTAM ROBERTO MARINHO
Nosso companheiro Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, recebeu a seguinte carta da agência Alcântara Machado, Periscinoto Comunicações Ltda.: "Prezado Sr. Dr. Roberto Marinho, "Depois do incontestável sucesso do programa "Globo Rural", a gente se vê agradavelmente surpreendido com a enorme repercussão e o indiscutível êxito da "TV Mulher". "Isso vem provar de forma categórica, que a televisão até ontem considerada um veículo para divertir e alienar-se transformou, nas mãos dos mestres da Globo, numa verdadeira ferramenta de comunicação, que está prestando um utilíssimo e oportuno serviço para toda a comunidade. "Na verdade, estes dois programas, somados a outros da Globo, vem demonstrando que a televisão já está cumprindo o seu verdadeiro destino, deixando de ser um simples acessório nos lares, para se transformar num conselheiro, num orientador, num educador e sobretudo num grande amigo. "Por isso, os nossos maiores parabéns pela "TV Mulher". "E que novas e agradáveis surpresas idênticas continuem acontecendo. "Para isso, a Globo tem toda nossa torcida. "Cordialmente, Alex Periscinoto"

TV Mulher

 O Globo
Data de Publicação: 06/04/1980

AMANHA, NO AR, TV MULHER

Nesta segunda, estréia TV Mulher, um programa criado e produzido especialmente para você, com direção de Nilton Travesso e editoria de Rose Nogueira. Moda, decoração, comportamento sexual, debates, entrevistas, educação dos filhos, trabalho, estética, culinária, noticiário, prestação de serviços, direitos da mulher, tudo em linguagem simples e objetiva.

Diariamente, das 9 ao meio-dia de segunda a sexta, você vai conversa; com Marília Gabriela, Ney Gonçalves Dias, Fanny Abramovich, Clodovil, Malu Maia, Marilu Torres, Afanazio Jazadi, Ala Zerman, convidados especiais e muitas outras pessoas que estão presentes no dia a dia da mulher. Contribuindo para tornar sua vida mais prática, mais agradável.

EDITORIAL

Marilia Gabriela vai abrir o programa sempre com um assunto quente, do momento, que venha mobilizando a opinão pública.

NEY G. DIAS COMENTA

Os assuntos apresentados por Marília Gabriela serão comentados por Ney G. Dias, em linguagem simples e direta.

BOLSA DE MERCADORIAS

Os preços do dia de gêneros de primeira necessidade. Você pode programar melhor suas compras acompanhando a bolsa de mercadorias.

PANELA NO FOGO

Cozinheiros dos principais restaurantes da cidade vão ensinar a você pratos variados, do trivial aos mais sofisticados.

POLÍCIA

Informações úteis, noticiário policial, tudo que interessa à mulher dos grandes centros urbanos, preocupada com a segurança da sua família.

SPT- SERVIÇO DE PROTEÇÃO A TELESPECTADORA

Informações sobre o dia a dia de sua cidade de seu bairro. Como está o trânsito, locais en que há falta de luz, farmácias de plantão funcionamento de colégios.

SPT é um serviço que, além de informar, participa de soluções, como um elo entre o povo e as autoridades.

FLASH BACK

Una informação e outra, você vai relembrar os sucessos que todo mundo cantou, fatos e circunstâncias que marcaram aqueles momentos.

COMPORTAMENTO SEXUAL

A psicóloga Marta Suplicy vai esclarecer dúvidas, promover debates, abordar assuntos relacionados com o comportamento sexual do ser humano.

A MULHER NO MUNDO

Mulheres que são e fazem noticias, que determinam caminhos, modificam comportamentos. Um retrato diário do que faz e pensa a mulher moderna.

CLAQUETE

Os bastidores da TV. A informação sobre seu ídolo preferido. A vida profissional e pessoal dos artistas, do jeitinho que você gosta.

O DIREITO DA MULHER

Ney Gonçalves Dias, assessorado por advogados, está à sua disposição para explicar direitinho assuntos trabalhistas, divórcio, separação, pensão alimentícia, herança e todos os aspectos legais que definem seus direitos em casa e no trabalho.

ESTÉTICA

Receitas para tratamento de celulite, limpeza de pele, cabelo, saúde do corpo em geral. TV Mulher vai ajudar você diariamente a manter sua beleza.

O MELHOR DA TV _ _

Atitude inédita na televisão: você vai rever o melhor programa de televisão apresentado, no dia anterior, em qualquer emissora do país.

O QUE HÁ PRA CRIANÇA

A psicóloga Fanny Abramovich vai orientar você sobre uma melhor compreensão do temperamento e da personalidade de seus filhos.

CLODOVIL

Vestidos fáceis de fazer, aproveitamento de roupas velhas com um toque de novo, atualização do seu guarda-roupa. Clodovil vai deixar você elegante e bem vestida, de maneira prática e econômica.

PONTO DE ENCONTRO

A entrevista do dia. Depoimentos de mulheres que desenvolvem as mais diversas atividades profissionais. O lado pessoal e familiar de personalidades femininas que se destacaram na arte, na musica, na politica.

DICAS DE HOJE

Teatro, cinema, shows. O que está acontecendo na vida cultural e artística da cidade. Os bons programas.

PALAVRA DE MULHER

Aqui, áudio e vídeo estão à sua disposição. Você é parte integrante do programa, falando de seus anseios, dos problemas do dia a dia de seus relacionamentos, de sua vida.

SAÚDE DAS CRIANÇAS

As terças e quintas, pediatras de renome falarão sobre problemas de saúde que podem ser prevenidos e tratados em casa. Conselhos práticos sobre amamentação, higiene e limpeza pessoal, alimentação correta e informações que vão deixar você mais tranqüila com a saúde das crianças.

TV Mulher No Ar

O Globo
Data de Publicação: 30/03/1980

NASCE UMA NOVA TELEVISÃO

Numa época em que se discute a posição da mulher na sociedade, o que é feminismo e o que é feminino, constata-se que a grande maioria das mulheres brasileiras ainda vive uma rotina semelhante de suas avós. Ainda é dentro de lar que se desenvolve a maior parte de sua vida, sempre às voltas com mil problemas. Como solucioná-los, como dialogar? Um novo programa vai preencher esta lacuna.

A mulher que, mesmo trabalhando em dupla jornada dentro e fora de casa é sempre pressionada pelo preço cada vez mais alto da alimentação, palma problemas dos filhos, dc marido, pelo solitário e repetitivo serviço doméstico, formará o público de "TV Mulher". Sua estréia será no próximo dia 7, ás 9 horas, no Rio e em São Paulo. De segunda a sexta, durante três horas, essa mulher será objeto e sujeito de um programa ao vivo que, mais do que isso, se propõe a ser uma nova televisão dentro da Rede Globo. Para. Nilton Travesso, diretor geral do programa, ela precisa de diálogo: "basicamente vamos nos dirigir a mulher que não trabalha fora, que tem dificuldade de conseguir emprego, que é desassistida, que não tem fácil acesso é informação. No seu dia-adia, o máximo de diálogo que ela consegue é com a empregada, sua companhia mais constante:

Uma extensa lista de dados novos ou de retomadas de caminhos aparece em "TV Mulher", A começar pelo fato de ser um programa ao vivo, em plena época do videotape. Nilton não se preocupa com isso: "tenho 25 anos de televisão, na maioria com programação ao vivo. Nós precisamos nos aproximai mais do público, errar um pouco, cometer gafes". Outra novidade é que esta é uma produção nascida, formada e acabada em São Paulo, com uma ou outra exceção, e com uma equipe praticamente virgem em televisão. "A TV também nunca dedicou sua programação diurna a uma determinada faixa", lembra Nilton, "e aí surgiu a idéia de um programa para a mulher, num horário em que ela não tem opção na TV. Seu hábito matinal é o rádio. Então, vamos nos aproximar desta linguagem radiofônica de forma que o público não precise ficar preso ao vídeo. O programa não terá uma linguagem de imagem. A mulher poderá assisti-lo sem parar as tarefas de casa''.

Tudo isso acontecerá dentro de uma verdadeira casa rústica, que foi criada no palco da Globo-SP, pela "Art de vivre". Gente descontraída senta pelo chão, se encosta num sofá ou fica na mesa. O tora é de absoluta intimidade: "você não poda invadir um programa desses com acrílicos e brilhos", diz Nilton, "Esfria. A mulher se distancia. Por isto, idealizamos um ambiente simples e humano. Dentro disto. vamos procurar um tom informal, descontraído de casa mesmo Nossa meta é a mulher , e conversar com ela sobre seus problemas cotidianos, seus filhos, seu marido, receitas de bolos, legislação que diz respeito à mulher. Vamos dar atenção integral a ela, que é a nossa meta".

EM TRÊS HORAS, TUDO QUE INTERESSA AO MUNDO FEMININO - "TV Mulher" terá 20 sessões sobre assuntos diversos, além de exibir a reprise de unia novela, em suas três horas de duração. Marília Gabriela, sua apresentadora principal, abrirá o programa com um editorial sobre temas que estão nas manchetes dos jornais, traduzidos para o universo doméstico, isto é, mostrando suas conseqüências no mundo da mulher. "Bolsa de mercadorias" vai mostrar o que está acontecendo em relação aos preços dos produtos de primeira necessidade. A sessão "Panela no fogo" será apresentado por Marilu Torres Travasso que terá três entradas no programa. Afanazio Jazadi apresentará "Polícia", com o noticiário policial que se refere à mulher, alertando-a também para as armadilhas que são montadas para ela, como os famosos "contos do vigário".

Com duas entradas diárias, o "Serviço de proteção ao telespectador" atenderá a qualquer solicitação do público. Ney Gonçalves Dias dividirá com Marília Gabriela sua apresentação. As reclamações serão apuradas e colocadas no ar, além de se cobrarem as soluções. "Flash-back' vai pega" um aspecto novo do número musical. Antes de mostrá-lo, será contada a história da música, "Comportamento sexual". com a psicóloga Marta Suplicy, irá ao ar três vezes na semana, levantando temas de interesse da mulher, em relação aos filhos, ao marido e à ela mesma. "Saúde da criança" se revestirá com esta sessão. "A mulher no mundo" será um documentário curto. Hildegard Angel vai falar sobre os bastidores da TV, em "Claquete". "Novela" apresentará uma reprise do gênero. Consultas jurídicas serão atendidas em "O direito da mulher". Ala Szerman dará dicas para a beleza feminina em "Estética". Trechos de programas serão mostrados em "O melhor da TV". A programação infantil estará em "O que há para a criança", com Fanny Abramovich. A dos adultos estará em "Dicas de hoje". Clodovil dá nome à sua sessão de moda feminina. Uma entrevista diária será feita em "Ponto de encontro". O entrevistado será sempre uma pessoa de destaque, homem ou mulher, que falará de sua vida. Eventualmente, poderá aparecer uma pessoa não conhecida que tenha vivido experiências incríveis. Em "A mulher com a palavra", ela vai falar o que quiser, de segunda à quinta. Na sexta, o homem terá o mesmo direito. O "Boa tarde", uma mensagem curta retirada de um dos temas abordados no dia, encerrará "TV Mulher".

Estreia o TV Mulher

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 05/03/1980

AS ATRAÇÕES PARA A MULHER NAS MANHÃS DA GLOBO

A nova programação da Globo ainda não está inteiramente definida, sabendo-se apenas que, na área de jornalismo e programação orientada para a mulher, está acertado novo programa, produzido pela primeira vez em São Paulo. Trata-se do TV Mulher, de segunda a sexta, das 9 às 12h, com Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias, com estréia prevista para 7 de abril. Durante as três horas do programa, exibido em rede, o telespectador terá um editorial e um comentário sobre o melhor assunto do dia, uma bolsa de mercadorias, uma receita — Panela no Fogo — um serviço de proteção ao espectador e meia hora de novela. Contará ainda com os conselhos da psicóloga Martha Suplicy sobre comportamento sexual. Uma seção, A Mulher no Mundo, falará do direito da mulher visto por advogados, e mais Melhor na Televisão (em qualquer canal), o que há para crianças, apresentado por Fanny Abranovich, dicas, entrevistas e uma seção fixa em Clodovil. A saúde das crianças também será focalizada e, nas sextas-feiras, haverá um debate sobre o comportamento sexual. O homem também terá um espaço para os seus problemas, ocupado, no resto da semana, pela seção a mulher com a palavra.

Saturday, February 20, 2016

Sílvio Santos Vem Aí!

Revista: Cartaz
Data de Publicação: 22/06/1972

AGORA É GUERRA!
A TV de Sílvio Santos vem aí

Sílvio Santos está no Japão se preparando para a nova guerra da televisão: em 22 dias vai conhecer e comprar os mais modernos equipamentos para gravação de vídeo-tape e montagem do que se pode chamar de a primeira emissora particular de televisão do Brasil, a Central Sílvio Santos de Produções Artísticas. Por 20 mil cruzeiros mensais, ele deixou alugado em São Paulo os estúdios de Vila Guilherme, da falecida TV Excelsior, onde pretende produzir não só o seu programa de domingo, mas novelas e espetáculos musicais para vender aos principais canais. Sílvio em Tóquio aproveitará para dar entrevista a um canal de TV japonesa e, antes de voltar, passará pela Europa e Estados Unidos. vendo o que de mais moderno se faz e descansando.

SÍLVIO A JATO

Seus últimos dias em São Paulo foram estafantes: teve que apresentar o programa dominical, deixar gravado 30 programas de rádio e manter várias reuniões com sua equipe de produção para acerto dos novos projetos. Uma semana antes da viagem, esteve em Brasília tentando ser recebido pelo ministro Higino Corsetti, das Comunicações, para se informar da proibição quanto aos programas ao vivo, mas não foi atendido. Sílvio deixou sua equipe de advogados encarregada de tentar o contato com o governo, com um plano que elaborou para atender às exigências do ministro Corsetti de gravação em tape de seu programa dominical.

TV SÍLVIO SANTOS

Com a aparelhagem comprada no Japão e os estúdios de Vila Guilherme, Sílvio pretende gravar o programa no próprio domingo, às nove horas da manhã. Das nove ao meio-dia seria feita a primeira parte e o censor do governo iria executando o seu trabalho de censura. Ao meio-dia, censurado, o programa entraria no ar, enquanto Sílvio e sua equipe iriam gravando mais três horas no estúdio, e assim por diante. Esse esquema permitiria ao programa Sílvio Santos não perder o sabor de atualidade, de reportagens bem atuais. Para o esquema funcionar é necessária apenas a palavra final do ministro.

Além do programa, nos estúdios de Vila Guilherme, Sílvio pretende fazer até mesmo concorrência às novelas da TV Globo. Vai contratar um elenco milionário de artistas, técnicos, autores e diretores, mas até agora não pode adiantar nenhum nome. Seu objetivo é além de vender as novelas para as televisões brasileiras, passar a exportar para Argentina, Uruguai e Chile. No estúdio, a novela já sairá dublada em castelhano e,depois, o escritório de Sílvio Santos Produções Artísticas em Buenos Aires se encarregará da colocação no mercado latino-americano.

ARTISTAS CONTRATADOS

Para a produção de shows. e musicais, a Central Sílvia Santos já tem contratados vários artistas dos mais badalados: Wanderley Cardoso, Agnaldo Rayol, Paulo Sérgio, Antônio Marcos e Vanusa, entre outros. Esses artistas já estão trabalhando dentro do esquema do Baú da Felicidade, que financia shows para clubes do interior em São Paulo e do Brasil. Os artistas recebem o cachê no mesmo dia da apresentação e o clube ou entidade promotora paga a produção ao Baú da Felicidade em dez suaves prestações mensais. Sílvio, apesar de cansado nas vésperas de sua viagem, mostrava-se bastante entusiasmado com os planos de sua Central de Produções: "Não só porque a concorrência vai elevar o nível da TV brasileira, mas principalmente porque vai aumentar o campo de trabalho ainda um pouco limitado".

Enquanto estiver ausente, o programa Sílvio Santos será apresentado em rodízio por vários companheiros, sendo certo somente que Leo Santos, seu irmão, deverá apresentar pelo menos um. Mesmo depois da volta de Sílvio e de passar a ser gravado em tape, o programa não sofrerá nenhuma modificação radical. "Uma mudança radical não me interessa. Meu público, mesmo quando alguma mudança é feita para elevar o nível, não aceita a coisa assim de sopetão, e qualquer mudança tem que ser feita aos poucos".

Xênia Bier na Globo?

 Jornal do Brasil
Data de Publicação: 29/02/1980
Autor: Luis Henrique Romagnoli
XÊNIA NÃO VAI PARA A GLOBO, PELO MENOS ATÉ JUNHO

SÃO Paulo - "Foi tudo num clima muito emocional. Choramos, xingamos e brigamos tudo a que tínhamos direito. No fim, fiquei". Bem ao seu estilo, foi assim que Xênia Bier descreveu sua reunião com a diretoria da Rede Bandeirantes, na qual ela decidiu aceitar a proposta de apresentar um programa semanal noturno. Pelo menos até junho, quando vence seu contrato.

Com isso termina, pelo menos por enquanto, a novela Xênia-Bandeirantes que começou na semana passada, quando ela ficou sabendo pelas chamadas na TV que seu programa havia mudado de horário. Seu último programa na semana passada reuniu centenas de fãs endoidecidos que pediam que ficasse. A campanha prossegue até hoje. Xênia diz que seu clube já arrecadou mais de 20 mil assinaturas pedindo a sua permanência no horário vespertino, onde já passou dos treze anos.

As pichações "Queremos Xênia" foram vistas em vários pontos da cidade, até mesmo em frente ao prédio onde ela mora na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Recostada em almofadas com reproduções de cenas da "Guerra dos Dalmatas" de Walt Disney, Xênia confessa que quase aceitou a proposta da Rede Globo:

- Eu estava magoada e ia partir para aquela de revanchismo. "Ah é? Pois então eu vou pra Globo". O Nilton Travesso esteve aqui em casa e me convidou para fazer aquele programa matutino que eles vão lançar. Ele me garantiu que eu teria toda a liberdade e era justamente por isso que eles queriam que eu fosse para lá. Pelo meu jeito. Até a Globo já está notando que de um jeito ou de outro, existe uma abertura. Há dois anos quem falasse de Luis Carlos Prestes ou Arraes ia preso. Agora é tão normal falar neles como em modess.

Ela quase ia. "Pelo desafio", disse. "Mas eu não consegui dormir naquela noite. Dai para entrar em acordo com a Bandeirantes não foi tão difícil. O programa deverá entrar no ar em duas semanas, às sextas-feiras, às 22 horas.

Xênia, porém, fez uma exigência à Bandeirantes: "não quero nada de especial, plumas, paetês, porque eu me afogo nisso tudo. A Globo que inventou isso está querendo humanizar a programação. Não quero nada pasteurizado, mas também sem subdesenvolvimento apenas uma coisa natural. Quero que seja ao vivo; se o microfone cair, caiu; se eu espirrar, que o espirro entre no ar".

Muita gente desconfia que a entrada de Xénia no horário noturno possa vir a ser uma ameaça ao doce reinado dominical de Hebe. Mas Xênia afasta esta possibilidade: "São dois estilos diferentes. O público da Hebe foi chamado pelo Ricardo Bandeira de "desempregados da vida". E é isso mesmo. O público da Hebe não quer ser mexido; está estabilizado e apenas quer ver sua fada-madrinha. E a Hebe lhes dá isso, com aquela euforia toda, aquele deslumbramento. A Hebe é uma mulher bem-sucedida. Eu sou ao contrário, a maldita, a Geni da televisão".

- Eu mexo com as pessoas, eu futuco, e me futuco. Eu quero mexer. Eu sou assim, meio anarquista. Eu também me olho muito, me questiono muito. Por isso eu troco muita informação com meu público.

E esse público é muito variado. Durante a entrevista, ligaram para se informar sobre os rumos de Xênia gente tão oposta como o colunista social Tavares de Miranda e o cartunista Henfil. Para este já foi feito um convite para participar do primeiro programa e até para uma atuação fixa. "Henfil é ótimo. Ele me mandou um cartão lindo, me deu a maior força. Se ele participar do programa, vai ficar ótimo".

Xênia faz questão de desmentir que seu público seja apenas o feminino: "No Rio é meio a meio, homens e mulheres. Meu público jovem também é muito grande. Os universitários tinham muito preconceito contra mim. Mas depois de algum tempo, eles jogaram a toalha, principalmente depois que eu fiquei ao lado deles nas passeatas que eles fizeram. E eu também ganhei os estudantes pelas mães. Eles começaram a notar que suas mães se tornaram mais compreensivas, mais abertas e me descobriram".

- Isso não quer dizer que eu faça a cabeça do meu público. Acho isso de fazer a cabeça muito fascista. Falam também que eu sou líder. Eu tenho capacidade de liderança, mas não neste sentido fascista de atrair os seguidores. Eu quero é despertar idéias, mesmo que seja contra mim. O resto é populismo".

Xênia acredita que vai fazer sucesso no seu novo horário, mas não liga para os indicadores de audiência: "Ninguém acredita mais neste negócio chamado IBOPE. O Carlos Imperial está sendo processado porque comprou IBOPE. Eu não acredito mais". Além do novo horário na TV, Xênia vai estrear em abril um programa diário pela Rádio Globo de São Paulo, no mesmo esquema de suas tardes no estúdio da Bandeirantes.

Xênia Bier no Rio de Janeiro

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 01/01/1978

QUEREM MAIS

Visitas pessoais e até abaixo-assinados já chegaram a TV Guanabara pedindo que o programa de Xenia Bier volte a ser apresentado integralmente no Rio. É que atualmente a estação cortou suas mesas redondas com médicos e outros convidados, passando apenas o longo recado da apresentadora sobre todas as coisas da vida. Isto mostra que o peculiar desempenho desta veterana apresentadora paulista de televisão - ela fica sozinha, em dose, falando incessantemente para uma câmara fixa sem mais nenhum recurso tecnológico - realmente interessou a platéia carioca. Talvez porque seja uma coisa muito diferente do costumeiro. Tanto que ela chega a realizar algo inédito na TV brasileira como gastar todo o seu tempo, quase trinta minutos, falando sobre a Rede Globo. Juro, é verdade. É a primeira crítica de televisão que usa a própria máquina para isso. Pouco comenta de sua estação, também não é louca, mas passa horas julgando detalhes, estilos e "mensagens" das novelas globais. Ataca muito, principalmente interpretações do elenco, mas defende comportamentos de personagens como se fossem íntimos dela e do público. Parece que tem razão porque faz sucesso e prova que a telenovela é mundo tão fechado que até muda as normas de comportamento da concorrência.

TV Guaíba em 1981

Folha da Tarde
Data de Publicação: 31/10/1981

''PARA SER REPÓRTER É PRECISO SER CRIATIVO E PERDIGUEIRO''

João Francisco é repórter do Departamento de Esportes da TV Guaíba. Ele começou há vinte anos na profissão, mas por falta de tempo para conciliar com suas outras atividades teve que abandonar tudo e ficar afastado de jornal, rádio e televisão durante dez anos

"Eu me afastei por força das circunstâncias", diz ele, "mas nunca me desvinculei totalmente do esporte porque é uma coisa que eu gosto de fazer; apenas esperava uma oportunidade para poder conciliar as coisas e voltar à televisão".

Há dois anos apareceu esta oportunidade e João Francisco foi trabalhar no Departamento de Esportes da TV Difusora, embora dentro da programação daquela emissora fizesse outro tipo de cobertura, além da esportiva.

E agora faz parte da equipe de esportes do canal 2. Solicitado a fazer uma comparação entre os jogadores do futebol de outros tempos e os de agora, João Francisco comenta que o nível deles melhorou emito e que, por tabela, o trabalho dos repórteres também cresceu. "Agora nós não precisamos perguntar sempre as mesmas coisas porque e. les já falam sobre diversos assuntos", diz ele.

Essa semana, quando a Seleção Brasileira esteve em Porto Alegre, João Francisco fez várias entrevistas com os jogadores e diz que gosta de trabalhar com, o pessoal da Seleção, pois é quem tem mais consciência do papel que a imprensa representa, até para eles estarem na posição em que estão.

Comenta que muita gente considera que o trabalho de repórter esportivo é um trabalho fácil. Para ele, "além de ser tão importante quanto outro tipo de reportagem qualquer, está tratando de um assunto que praticamente cem milhões de brasileiros entendem: e tu tens que saber o que tu estás falando".

Que é preciso para ser um bom repórter esportivo? Folha da Tarde perguntou a ele. ''Precisa ser criativo e perdigueiro, pois os dirigentes de clubes procuram esconder da imprensa até as coisas mais óbvias. Eu até entendo algumas posições que eles tomam, porque enquanto as coisas não estão com o preto no branco, a divulgação apressada de uma notícia pode prejudicar todo um trabalho".

AUTOMOBILISMO - Na opinião de João Francisco, a cobertura que a TV Guaíba vem dando às provas automobilísticas realizadas em Tarumã e Guaporé vem contribuindo Para aumentar o público nos autódromos - e isso é comprovado por números. A TV Guaíba é responsável pela motivação que faltava ao automobilismo do Rio Grande do Sul.

João Francisco diz que gosta de fazer esse tipo de cobertura parque "a gente encontra muitas facilidades para abordar os assuntos com as pessoas mais indicadas para abordá-los. Esses profissionais têm consciência de que o automobilismo precisa ser divulgada", conclui.

Marília Pêra em 1975

Amiga TV
Data de Publicação: 08/01/1975
Autor: Rogaciano de Freitas
MARÍLIA: UM FILHO PARA CURTIR
Ela está tranqüila e faz planos para depois do parto

Marília Pera não tem mais tempo para pensar em TV: agora é a vez do bebê. Televisão, só de vez em quando e, teatro, fica só para depois que ele nascer: "Depois de grávida, só à base de cachê, porque tão logo terminaram as gravações de Supermanuela pedi rescisão de contrato com a Globo. Não estava mais agüentando trabalhar. Precisava parar para dar uma pensada na carreira, quando pintou a gravidez. Também não pretendo ir para outra emissora, Enquanto puder vou trabalhando por cachê, fazendo trabalhos leves. O processo de gravações estava muito cansativo para mim." A respeito de futuros trabalhos em teatro, Marília ainda vai pensar: "Gracindo Júnior me procurou outro dia para me convidar a dirigir um espetáculo que ele pretende fazer. Trata-se do monólogo Corpo a Corpo. Tive de pedir alguns dias para pensar porque nunca dirigi. Será uma experiência nova, que estou inclinada a aceitar. Fora isso, recebi uma proposta para trabalhar na peça Pano de Boca, de Fauzi Arap, com nove personagens. Eu faria uma delas. Estou lendo, é uma peça interessante porque fala de gente e coisas de teatro. Mas isso é só para depois do parto.- Com seis meses e meio de gravidez, Marília Pêra, está passando muito bem. "Esta gravidez está sendo excelente, sem problema nenhum. Na primeira, apesar de ter passado bem durante todo o período de gestação, tive de trabalhar até 15 dias antes de Ricardo nascer. Hoje, felizmente, estou mais tranqüila, não tive enjôos, não engordei e meu peso só aumentou por causa da barriga. Não sei porque, mas as pessoas dizem que toda gestante fica nervosa. Comigo aconteceu justamente o contrário. Estou tranqüilíssima. Acho que as pessoas só ficam nervosas quando a cuca já está meio confusa." Assim como Marília, toda a família está curtindo a chegada do bebê: "Acho às vezes muita graça porque Joaninha, a filha de Nélson Mota, passa todos os fins de semana aqui com a gente e a toda hora fica querendo sentir se o bebê está mexendo. Depois, brinca com meu filho Ricardo César, de 13 anos, dizendo que este bebê é só irmão dela. Essas alegrias todas têm transformado minha gravidez na coisa mais maravilhosa que existe."

1974 - As Novelas do Ano

Revista: Amiga TV
Data de Publicação: 01/01/1975
Autor: Artur da Távola
1974: BALANÇO DAS TELENOVELAS DA GLOBO
Fim de ano é época de balanço. Devagar, um assunto a cada semana, irei traçando uma panorâmica, tanto dos canais como de setores dos mesmos. Hoje o tema é novela e teleteatro na Globo. Como andou a produção da rede líder neste ano de 1974?

Em termos de teleteatro, a Globo caiu em relação a 73. Nesse ano ela realizava um Caso Especial a cada quinze dias. Em 74, sob o argumento de dar mais tempo para melhor elaborar os trabalhos, ela realizou apenas um por mês. Mas os realizou sem diferenças artísticas significativas em relação a 73. Claro, nesse setor houve uma evolução: usar só autores nacionais, com textos especialmente escritos. Isso é evolução em relação ao excesso de adaptações, levando, ainda, a vantagem de formar, preparar, experimentar, gerar, novos autores especializados em TV. Tem outra vantagem: melhor espelhar realidades brasileiras. Caiu a produção de teleteatros, nada obstante os levados ao ar tenham sido de boa qualidade. Onde a Globo deixou de evoluir foi tanto na duração (cinqüenta minutos é muito pouco, mas isso não entra na cabeça do Boni) e na freqüência: uma vez por mês não é suficiente para fixar o gênero, nem criar hábitos no telespectador. A realizá-lo nessa base, só com programas realmente especiais de mais de uma nora de duração, dando a autores, diretores e atores, reais condições de criatividade e tempo, em vez de serem obrigados ao clichê imposto pelas limitações dos tais cinqüenta minutos de duração. No campo da telenovela, a emissora continuou em sua trilha. Aqui podem ser apontados alguns pontos falhos: o infinito troca-troca de diretores, jamais criando uma unidade nas obras (exceção de O Espigão); outro, a deficiência do mise-en-scene de Fogo Sobre Terra. Se a gente comparar os recursos e o trabalho de produção de Fogo Sobre Terra com o realizado em novelas anteriores da emissora em seu principal horário, vai verificar enorme diferença.

Por exemplo: comparar com Irmãos Coragem que teve um tipo de movimentação e ambientação repleto de analogias, Fogo Sobre Terra foi totalmente inferior em termos de produção, locais, externas, tomadas, ritmos etc. É coisa que não se refere nem à obra, nem aos atores: refere-se à empostação da produção. Posso garantir que as constantes mudanças de direção e o fato de o canal não ter que conquistar o que àquela época tinha que conquistar, tenha sido um dos fatores de menor intensidade e qualidade de produção da obra. Fora desses pontos negativos tanto no teleteatro como na telenovela, resta, ainda um, a anotar. a política de renovação da emissora, mudando vários atores de seu cast, sem dúvida já começa a revelar algumas pessoas. Possivelmente se expanda em 75. Mas em 74, vários atores, hoje fora do vídeo na Globo, fizeram falta. Ainda não foram substituídos à altura. O mais, foram acertos. O maior de todos pode ser considerado O Espigão, tanto em termos de obra quanto de produção. Fogo Sobre Terra foi sucesso de positivos. Vários. Mas entrou, como eu disse antes, naquele joguinho responsável pela queda na produção: os caras cuidam os primeiros vinte capítulos, criam uma imagem, e depois mandam brasa descuidadamente. Corrida do Ouro foi sucesso total em todos os pontos, da concepção à Criação. O Rebu é cedo para fâlar. Mas em termos de produção foi outro sucesso do canal. Ainda na linha dos êxitos: vários teleteatros do Caso Especial.

Que a Globo, com a responsabilidade da liderança e ainda com fôlego para mantê-la por mais alguns anos, cuide e atente para estes detalhes. Senão, um belo dia pinta outro Beto Rockfeller e lhe tira a dianteira.

Friday, October 23, 2015

Nova Logomarca da Bandeirantes

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 06/04/1981

O ''OLHO'' DA BANDEIRANTES

SÃO PAULO - Primeiro foi um pavão, símbolo adequado, mas muito figurativo. Mais figurativo ainda era o pequeno bandeirante, parecido demais com o indiozinho da Tupi. Finalmente, uma agência de publicidade criou o "olho", até hoje o símbolo da Rede Bandeirantes de Televisão, mas agora o olho (antigamente, duas salsichas envolvendo uma bola) ganhou novo design.

O símbolo já está no ar, a anunciar a nova programação, principalmente a do Departamento de Jornalismo, que vai estrear amanhã, em Rede. E também tem um autor: o designer, diretor de arte, arquiteto e artista plástico paulista Sérgio Fridman Roberg, que impôs seu conceito, mesmo concorrendo com pré-projetos de famosos desenhistas industriais brasileiros, como Aloísio Magalhães e Alexandre Wollner.

O novo visual da Bandeirantes começa justamente com o esquema de reformulação iniciado a partir da compra de 17 milhões de dólares em equipamentos na Europa e coroado com a contratação de Walter Clark como o novo diretor-geral da Rede de Televisão. O logotipo, segundo explicou Sérgio Roberg, vai ser usado em tudo o que refletir a empresa, desde os veículos, até vinhetas, fachadas, papelaria, uniformes de funcionários etc. Segundo ele, "a idéia é a de se criar um verdadeiro programa de identidade visual como todas, as grandes corporações têm".

- A idéia inicial era a de se mudar completamente o visual existente, mas foram realizadas pesquisas que indicaram que a Bandeirantes tinha um bom conceito junto ao público. uma imagem de confiabilidade e que se ainda não tinha conseguido uma boa programação, ela sem dúvida viria. Por isso, optei por um aperfeiçoamento do visual existente - contou Roberg.

O símbolo anterior da Bandeirantes, além do aspecto de salsicha, tinha o problema de ser muito semelhante ao da Globo. Além disso, era considerado de difícil reprodução e não tinha um fácil significado aparente. As letras usadas para a identificação, em caixa alta, eram consideradas muito pesadas. Por isso, Roberg fez o título em caixa baixa sob um olho mais fácil de ser reproduzido.

- O primeiro passo foi estabelecer um conceito. A idéia era a de se aproximar o vídeo do espectador, que já está cansado de ver um mundinho separado do dele, piscando (Globo). Daí a idéia do olho, porque assim o vídeo cria vida, está observando o observador, dialogando com ele, Junto à idéia foi somado um lettering (letreiro) de formas modernas e arrojadas - disse o designer.

Para chegar à solução final, Sérgio Fridman Roberg fez mais de 370 modelos e passou três meses tentando aperfeiçoar o desenho, procurando uma forma de aproximá-lo cada vez mais do conceito que julgava acertado. Para fazer isso, contou com a experiência de quem trabalhou, como diretor de arte de agências 'de publicidade, obteve premiações internacionais como desenhista industrial e viu muitos trabalhos seus publicados em livros e revistas especializadas da Europa e dos Estados Unidos.

Sérgio Fridman Roberg foi o primeiro designer brasileiro a exportar um projeto de desenho industrial inteiramente realizado no Brasil, o da K.A. International Corp., levado para 27 países de sete idiomas diferentes. Criador de embalagens, tem escritório em São Paulo.

1981 - Jornalismo da Bandeirantes

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 16/08/1981
Autor: Alberto Beuttenmuller
A BANDEIRANTES É NOTÍCIA
Seis horas diárias de jornalismo no vídeo

SÃO Paulo - A TV Bandeirantes parece ter descoberto no jornalismo e na realidade do cotidiano seu principal veio para alcançar o todo-poderoso Ibope e vencer a guerra, a cada dia mais acirrada, com sua principal rival - é a TV Globo. Assim, a emissora paulista dividiu sua estratégia em três segmentos - telejornalismo, divisão de realidade e divisão de ficção (novelas). Para conseguir chegar a bom termo nessa sua campanha, depois da contratação de Walter Clark, uma espécie de Napoleão da TV brasileira, graças ao sucesso alcançado na Globo, chegou a vez de Sérgio de Souza, anteriormente responsável pelo Fantástico, e agora novamente às voltas com um programa semelhante, onde se mesclam música, humor e jornalismo. Na última quarta-feira, era a vez de José Trajano assumir o departamento de esportes da rede, dizendo que o enfoque principal da emissora será para o esporte amador, "aliás tradição que a Bandeirantes vem mantendo, com as coberturas de basquete, vôlei, Fórmula-1, entre outros eventos desportivos."

A abertura política do Presidente Figueiredo, segundo Joelmir Betting, "é a grande oportunidade que nós, jornalistas, temos de conquistar a televisão brasileira, criando o hábito, no espectador, da informação e do comentário político e econômico". Joelmir Betting descobriu-a e aproveitou-se da informação do dia-a-dia para fazer seus comentários econômicos numa linguagem simples, criando assim um tipo novo de telejornalismo. Após a notícia, lida pelo fluente e sóbrio Ferreira Martins - outro profissional que a Globo perdeu para a Bandeirantes - Joelmir explica como aquele manchete ira afetar o bolso do espectador, em apenas 40 segundos. A Bandeirantes terá, a partir de agora, cerca de seis horas diárias de jornalismo, seja noticiário, sob o comando de Sílvia Jafet, seja reportagem, agora sob comando de Sérgio de Souza, diretor do Departamento de Realidade, responsável por Cidade Aberta, Canal Livre e os novos programas. Paulo Mário Mansur continuará sendo o diretor responsável pelo Departamento de Telejornalismo de toda a Rede Bandeirantes, além de articulador da nova estratégia.

Paulo Mário Mansur passou 10 anos na Globo, entre São Paulo e Rio, nos seus 21 anos de jornalismo, notadamente o de rádio e TV. Em jornal, só trabalhou no Diário do Comércio e na Folha de S. Paulo. Em sua nova função de diretor responsável por todo o telejornalismo da Rede Bandeirantes, ele explica que "houve um deslocamento na programação do lazer para o jornalismo. Assim temos o noticiário do cotidiano, o Jornal Bandeirantes, O Repórter e os vários Atenção. Agora, teremos ainda reportagens nos demais programas, como Cidade Aberta e nos programas que estão sendo criados em equipe. Iremos reformular a programação da para torná-la mais ágil, logo após recebermos os novos equipamentos de tape, quando poderemos sair com a camará na mão. Toda essa mudança de salas deve-se à criação da Central Técnica de Jornalismo, onde ficará toda a estrutura jornalística da Bandeirantes. As redações ficarão agrupadas, mas independentes entre si".

Pelas mudanças, sente-se que até a novela Os Adolescentes, de Ivani Ribeiro, em fase de gravação, e que entrará em setembro no ar, terá um cunho realista e atingirá a juventude e seus problemas psicológicos. Essa novela segue a linha de realismo da emissora.

Instalado no quarto andar da Bandeirantes, em sua sala atapetada - só no quarto andar existem tapetes na emissora -Walter Clark parece mais um jogador de xadrez que, a cada momento, mexe uma peça em busca do xeque-mate. Sua advertência é de que toda essa mudança "não será a toque de caixa, pois ha muito por fazer. Creio que dentro de dois anos (embora isso também seja perigoso dizer, a emissora estará em pleno funcionamento. Pretendemos fazer um programa de entrevistas, às 23h, sempre em debates com convidados. Mas precisamos ainda acertar a programação da tarde e da nova faixa das 20 às 22h. Como se vê, há muito ainda para se fazer."

Walter Clark é cuidadoso quando fala dos novos planos, pois sabe que em televisão só vale aquilo que o espectador vê e que tais modificações sempre acontecem com lentidão. Mas a Bandeirantes continua com novidades, incluindo-se a possibilidade de contratar Osmar Santos, o mais famoso locutor de futebol do país e que pertence aos quadros da Rádio Globo. Ninguém quer comentar o fato, pois, de certa maneira, Osmar Santos pertence à Organização Globo e, por isso mesmo, pode haver alguma dificuldade para sua contratação. Sabe-se que há um emissário cuidando disso, segundo informaram Paulo Mário Mansur e outros funcionários da Bandeirantes.

Sérgio de Souza já se encontra na Bandeirantes há uma semana. O namoro, como se vê, acabou em casamento, pois de há muito a Bandeirantes queria tê-lo em seus quadros. Seus planos são contados aqui com certa cautela, a mesma cautela sentida em Walter Clark, o que demonstra uma certa sintonia de atitudes entre os dois amigos. O principal projeto é um programa semelhante ao Fantástico da Globo, onde se irão mesclar humor, música e jornalismo. O maestro Júlio Medaglia será o responsável pela parte musical. Para o setor de humor, estão pensando em Millôr Fernandes, embora isso pareça mais um sonho para Sérgio de Souza, já que todos acreditam ser bastante difícil a vinda do humorista. Para o horário das 20h às 21h30m, haverá uma programação baseada em reportagens, alguma coisa gravada e acontecimentos recentes, mas também mesclados a música e humor, pois a Bandeirantes acredita que há público para esse horário. "Nem todos vivem de novelas", como diria Joelmir Betting.

O programa Cidade Aberta, um tanto descosido, sem ritmo, que se vai arrastando tarde afora, sofrerá mudanças básicas, segundo informou Sérgio de Souza, que agora dirige a própria Rose Nogueira, a responsável pelo programa. O visual também deverá sofrer modificações, já que ninguém mais agüenta essas salas de espera de consultório médico em que se tornaram esses programas. Sérgio de Souza tem muito cuidado no que fala, pois as coisas ainda estão em projetos e "precisamos usar de muita criatividade para compormos determinadas coisas e compormos outras". Um projeto que deverá merecer bastante atenção de Sérgio de Souza será o programa de 23h, de debates, diariamente, mas que ainda não tem data certa, pois estão no campo da discussão de como será, quais os temas a serem abordados, qual a linguagem. O esporte, departamento que estará também sob o comando geral de Sérgio de Souza, passará por algumas modificações. A principal é o novo diretor - José Trajano - um editor esportivo com passagens nos principais jornais e revistas brasileiros. Trajano fez questão de frisar que sua linha será de total apoio ao esporte amador - basquete, vôlei, etc., sem se esquecer, obviamente, dos grandes acontecimentos do esporte profissional, como automobilismo, principalmente a Fórmula-1.

O jornalista Joelmir Betting é, sem dúvida, o padrão do telejornalismo da Bandeirantes. Sóbrio, com uma linguagem exemplar e fácil, sem perder o estilo fluente, consegue dar seu recado econômico de maneira que todos entendam. "A TV deixou de ser teatro de variedades para ser teatro de revistas. Depois passou a ser uma vitrola mágica (tempo dos festivais) e acabou cineteatro, com filmes e novelas. Agora chegou a vez de tornar-se informação e realidade." Joelmir Betting acredita que precisamos aproveitar a abertura política e a crise econômica, que obrigaram a todos ficarem atentos ao noticiário, e partirmos para a informação jornalística. Segundo ele, tentar passar 20 notícias em 15 minutos é dar "informação de isopor", pois ninguém fixa nada. O ideal é colocar seis notícias importantes e comentá-las. Depois da manchete, sempre vem o comentário econômico. Assim, o telespectador fica sabendo "o que influirá economicamente em seu bolso, por exemplo, o tiro que o Reagan tomou nos Estados Unidos." Joelmir Betting acredita que o telejornalismo, aos poucos, está deixando de ser uma janela de novela para ter seu próprio valor e sua linguagem. "Precisamos criar o hábito do debate, do comentário político e econômico, com uma linguagem fácil, que todos entendam". Betting conseguiu ganhar a confiança do espectador, pois se um Ministro tentar esconder alguma coisa, ele não se faz de rogado e toca na ferida. Há pouco tempo deixou todo mundo preocupado quando disse que o gasto com o uso do automóvel deixou de ser 6% para uma família composta de casal jovem e dois filhos com menos de 10 anos, índice de 1970, para, em 1980, atingir 17%. Essa foi a crise do automobilismo brasileiro, mas ninguém quer entender. As famílias estão procurando gastar menos com o uso de seus carros, por isso está havendo desemprego e as fábricas terão de baixar seus índices de produtividade. Afinal, o Brasil é um país pobre e não têm sentido tais gastos. Talvez esta crise seja realmente a saída para a realidade. "Atualmente", complementa o comentarista econômico, "o gasto com o uso do automóvel é o terceiro item que mais pesa na família, são dados colhidos em fontes seguras", diz ainda. "Como a família brasileira está bloqueando o carro, deixando de usá-lo - atualmente uma família tem um carro e meio, jamais três ou quatro como era no passado - houve a crise de São Bernardo. O uso do carro ficou caro."

Com essa linguagem simples, sem arroubos, sem palavras rebuscadas, Betting consegue prender o espectador em seu comentário econômico, caso único no jornalismo nacional e hoje modelo de todos os comentaristas, que estão deixando de lado os nomes para falar abertamente. Hoje, ele escreve para 22 jornais (cerca de 1 milhão de pessoas), fala em rádio (2 milhões de ouvintes) e na Bandeirantes, para 12 milhões de pessoas em todo o Brasil, vendo-o e ouvindo-o atentamente. E a Bandeirantes começa a ser opção maior para aqueles que queiram fugir da noveletas, em busca de uma programação mais inteligente - este é o desejo de todas da emissora, segundo Betting.

Globo rouba toda equipe de humor de Sílvio Santos

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 20/12/1981

A TVS SE VÊ FORTE AO PERDER ''REAPERTURA''

A contratação, pela TV Globo, de toda a equipe do programa Reapertura, que a TVS transmite nas noites de quarta-feira, não representa qualquer perda substancial para a emissora do animador Sílvio Santos. Pelo menos é o que afirma o diretor do Sistema Brasileiro de Televisão, Moyses Weltman. Ele anuncia uma nova atração na TV S, já para o início de 1982: a Turma da Mônica - Mônica, Cebolinha, Cascão e outros - do artista Maurício de Souza, autor da mensagem de fim de ano da emissora.

- O Reapertura - diz Moyses -é exibido apenas uma vez por semana. Sua ausência, assim, não significará uma alteração importante na nossa programação. Além disso, haverá tempo para uma substituição adequada, pois o contrato dos artistas, técnicos e operadores - a Globo só faltou levar o rapaz que serve cafezinho - vai até março. E eles, como bons profissionais, vão cumpri-lo até lá.

Com uma tranqüilidade assegurada pelo segundo lugar em audiência no Rio e em São Paulo, Moyses Weltman assegura que já se foi o tempo em que a TVS, dependia de um ou dois programas. E, pesquisas do IBOPE nas mãos, mostra os números com os quais a Globo tem de se defrontar.

No caso do Reapertura garante - a perda é muito mais de caráter sentimental do que comercial.

A filosofia de programação da TV S permanecerá a mesma, segundo o diretor do SBT:

Continuaremos dando espaço ao artista brasileiro, lançando novos talentos e relançando antigos profissionais.

Weltman diz que os salários oferecidos pela TV Globo à equipe de Reapertura são irresistíveis. E cita exemplos: Paulo Celestino via ganhar Cr$ 1 milhão, Geraldo Alves Cr$ 600 mil, Tutuca Cr$ 400 mil e assim por diante:

- Nós não quisemos entrar no leilão que se caracterizou em determinado momento.

As propostas da emissora revela concorrente em foram feitas - revela Weltman - em novembro, quando Reapertura completava um ano e três meses de apresentação:

- O programa se transformou num sucesso, em nossos termos. A Globo, todo-poderosa, tem o maior elenco de artistas. No humor, tem Chico Anísio, Agildo Ribeiro, Jô Soares. Por que levaria os nossos humoristas, os que há um ano e meio estavam na rua da amargura, fazendo greve para receber os salários atrasados em outra emissora? Ela passou o maior recibo do crescimento da TVS, está incomodada porque até há pouco tempo não tinha concorrente.

Dizendo que a imprensa foi irônica com esses humoristas quando a TVS os contratou, chamando-os de "rebotalho da Tupi", Weltman ressalta que a contratação simultânea de todo um elenco é coisa difícil de acontecer:

- O caso mais parecido ocorreu no início da década de 60, quando a TV Excelsior, com o dinheiro da exportação do café, levou metade da TV Rio em 24 horas. O mais recente é o da contratação dos Trapalhões, levados da TV Tupi para a Globo.

A TVS, segundo Weltman, não pretende uma revanche. Não pensa em tirar ninguém da Globo, embora saiba que lá há profissionais que, mesmo contratados, não atuam.

Não vamos entrar na loucura de inflacionar salários ou propiciar leilões.

1981 - Jogo da Vida

O Globo
Data de Publicação: 08/11/1981
Autor: Artur da Távola
JOGO DA VIDA - PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Telenovelas são um mistério, ainda, por mais que se lhe conheçam muitas peculiaridades, fórmulas etc. Umas pegam de imediato; outras, demoram a pegar; terceiras, jamais pegam.

Parecem pessoas. Há pessoas imediatas: logo passam os elementos de sua simpatia. Há pessoas mediatas, aos poucos sendo descobertas pelos demais. Há pessoas que jamais transmitem elementos favoráveis ao julgamento empático.

"Jogo da Vida" já havia "pegado" no segundo capítulo. Ao fim da primeira semana já incendiara o interesse do público. Isso de "pegar", em telenovela independe de qualidade, proposta, elenco, direção, etc. Uma grande parte de seus mecanismos de comunicação ainda são secretos.

"Brilhante", por exemplo, só agora começa a "pegar". Tem ótimo elenco, direção, boa história, produção, mistério, elementos clássicos do folhetim, tem tudo. Mas custou a pegar. "O Amor é nosso" idem, inclusive uma proposta de alta qualidade e seriedade. Jamais pegou. "Marron Glacê" foi pegando aos poucos e ao fim incendiara o interesse dos telespectadores.

"Jogo da Vida" "pegou" de imediato. Tenho procurado estudar esse fenômeno. Não tenho, ainda, respostas prontas. Parece-me ser algo ligado a uma imediata assimilação empática dos personagens. O grande público não resiste muito tempo sem definir simpatias, antipatias, preferências, identificações fáceis do papel e dos símbolos representados pelos personagens.

E necessário que os símbolos representados pelos personagens estejam dentro dos marcos de expectativa e conhecimento dos telespectadores.

Outro elemento fundamental pa. ra a novela "pegar" de imediato é começar não no começo mas no meio de uma história. Exemplo: a separação de Jordana (Glória Menezes) e o marido (Paulo Goulart) com que não é casada mas vive há mais de vinte anos. Esta separação já está em fase de acabamento quando a novela começa. As histórias pegam assim pelo meio, aquecem a trama. Idem, o caso de ''Badaró" (Carlos Vereza) que já aparece fugindo da policia. Idem o da irmã dele (Rosamaria Murtinho), que não quer que se saiba ser da família de um marginal.

O fato de "pegar" rápido, porém, não diz dos méritos totais de uma novela. É um dos elementos. Os demais surgirão (ou não) do andamento da obra. É cedo para analisar.

Sylvio de Abreu, o autor, mesmo quando apenas substituía outros, como aconteceu quando do enfarte de Cassiano Gabus Mendes, no meio de "Plumas e Paetês", revelara-se, já um ótimo construtor de situações cômicas. Isso ressalta no clima solto e alegre, indispensável para o agrado do telespectador das sete da noite.

Os atores estão muito bem. Talvez Paulo Goulart ainda tenha que definir a linha de seu personagem. Percebe-se o ótimo ator tateando entre fazê-lo caricato ou apenas levemente cômico e algo romântico (a mim me parece melhor este caminho). Lúcia Alves anda querendo repetir a Veroca de "Plumas e paetês". Deve cuidar. Carlos Vereza e Cláudio Correia e Castro já estão sensacionais no papel. Conseguiram compor os personagens de imediato. Isso é essencial. Maitê Proença parece que tomou vitaminas. De "As três Marias" (novela na qual estreou na Rede Globo) para agora, deu impressionante salto de beleza e densidade de atuação. Ótima, igualmente, desde o primeiro capitulo em que apareceu. Elizangela como a menina sonsa que se faz e boba.

Talentosíssimos os letreiros. Cenografia e vestuário muito bons.

TV Guaíba - Fala Produtor

Folha da Tarde
Data de Publicação: 31/10/1981

''A PRODUÇÃO É A ESPINHA DORSAL DE UM PROGRAMA''

Maria Helena é produtora do quadro de Fernando Vieira no Guaíba ao Vivo, que a TV2 apresenta de segunda a sábado, a partir das 19h30min.

Maria Helena trabalha há dois anos e meio em rádio, onde vem acumulando experiência em vários setores: começou com reportagem geral, passou pela economia, aeroporto e politica.

Atualmente, para poder conciliar rádio e televisão fazer reportagem geral. Para ela, é importante trabalhar tanto em rádio quanto em televisão mas "a tv oferece mais condições de futuro - já que o rádio está um pouco estático - a tv é mais envolvente e é onde o mercado de trabalho também é maior, inclusive por exigir um número maior de tarefas."

Com relação ao quadro de Fernando Vieira, Maria Helena o considera gostoso de produzir, "é movimentado, exige bastante criatividade e é uma coisa que tem muito a ver comigo''.

Além de fazer a produção do quadro, Maria Helena faz as externas e todo o trabalho de edição, acompanhando o desenrolar do programa. Talvez por todo esse acompanhamento é que Maria Helena considere mais que o rádio, embora pense que este crie que a TV acrescenta um embasamento essencial para a profissão de jornalista.

Atualmente, Fernando está realizando um concurso que vai sortear dez cartas para receberem uma viagem ao Rio de Janeiro (fim-de-semana com direito a ingressos aos shows de Roberto Carlos, no Canecão e Simone).

Também está em andamento - e as inscrições encerram no próximo dia 15 - um concurso para modelo fotográfico, em que as vencedoras irão apresentar o programa durante uma semana com Fernando Vieira, vão receber um guarda-roupa completo da marca LEE, e mais outros prêmios, que serão conhecidos posteriormente.

TRABALHO ANÔNIMO - Na opinião de Maria Helena, "o trabalho de produtor é um trabalho anônimo, que serve para embalar não só o apresentador, mas todo o programa. Para mim a produção é a espinha dorsal de um programa, embora muitas vezes ela seja ignorada pelo telespectador. Tem muita gente que não sabe que dentro de uma emissora de televisão é necessário produzir, montar, editar, etc, etc, etc. É muito fácil ver o programa todo prontinho como chega ao telespectador, mas para nós é o resultado extremamente gratificante de um trabalho de horas e horas"

1981 - Eduardo Mascarenhas na TV

Jornal do Brasil
Data de Publicação: 27/10/1981
Autora: Maria Lúcia Rangel
A INTIMIDADE PARA MILHÕES DE ESPECTADORES

Na casa dos pais do psicanalista Eduardo Mascarenhas, nunca se conheceu a depressão. O clima sempre foi de permanente vibração pela vida. Seu avó, precursor talvez do temperamento de neto, era chamado de "mosquito elétrico". Mas não foi exatamente um mosquito elétrico que aguardava, minutos antes de entrar no ar, a estréia do programa Interiores. No apartamento da Lagoa, cercado de um grupo de amigos, garçons passando todo o tempo champanha gelado e canapés, Eduardo Masceranhas demonstrava, pelo olhar ansioso, a insegurança normal de quem se está dedicando a uma nova profissão. Circulou entre a sala e o quarto - onde colocou estrategicamente as duas televisões coloridas - tentando captar os comentários - poucos - dos amigos durante a transmissão. Encerrado o programa, os telefones espoucaram e ninguém se furtou a falar de Interiores. A aprovação foi quase geral, inclusive da própria entrevistada, Danusa Leão que, abraçando o anfitrião, comentou: "A única coisa da qual você vai depender é de pessoas que digam as coisas, porque você nos coloca inteiramente à vontade." Tão à vontade que Cacá Diegues, já entrevistado - Eduardo já tem 10 programas prontos - afirmou ter achado a experiência fascinante: "Nunca ninguém havia conseguido abordar a minha vida pessoal como ele."

- Realmente, fiquei tenso logo que o programa foi para o ar - admite Eduardo em meio à festa. -Posteriormente, fui sentindo que alcançava os propósitos pretendidos por Fernando (Barbosa Lima), Maurício (Shermann) e eu, ou seja, urna linguagem televisiva.

O diretor de cinema Neville D'Almeida brinca ser Eduardo "o J. Silvestre da alma", enquanto um jornalista afirma que "o bom entrevistador tem que ser psicanalista." Eduardo ri:

- Fiquei feliz, sim, quando percebi que tinha possibilidade de fazer Danuza falar o que podia. E também quando senti que minha presença era vivificadora e vivenciadora das possibilidades reais do entrevistado. Eu não estava nem encaminhando, nem intimidando, a pessoa que estava comigo, mas funcionando rigorosamente como psicanalista, aquele que se retrai para possibilitar a vida, que silencia para possibilitar a fala.

Foi exatamente este o ponto comentado por Roberto D'Avila, o entrevistador de Canal Livre, na TV Bandeirantes:

- Gostei de Interiores exatamente porque não poderia ter sido feito por um jornalista. Mascarenhas, além das perguntas, fez comentários. Se o programa não chega a ser psicanalítico, trata do existencial.

Para Eduardo, a diferença fundamental entre o jornalista e o psicanalista é, exclusivamente, de media:

- Na realidade, o clima do programa é o mesmo de um consultório psicanalítico, ao nível possível de uma transmissão televisiva.

O ambiente vermelho representa o interior, o sangue, a vida, o útero - idéia de Maurício Shermann. Já a lembrança dos dois tempos é de Mascarenhas, assim como õ verde que indica os intervalos, "anúncio da esperança". Interiores, ele admite, é simbólico todo o tempo:

- É mais uma tentativa de trazer o interior de Ingmar Bergman - apesar de ele não ser um apaixonado pelo diretor sueco - nórdico, para o interior embodeado brasileiro, esperançoso, caloroso, alegre e tropical. O importante é conseguir o nível de revelação profunda sem deboches, sem climas pornochanchadescos, sem imprensa marrom, sem escândalo, sem perguntas maliciosas, sem armadilhas ou intrigas. É uma demonstração de que, através do respeito, muito mais do que através da malícia, se pode alcançar a verdade e os níveis mais profundos da vida.

E, se em sua opinião, o psicanalista é o jornalista da alma, há certos aspectos para ele difíceis de abordar: "Não existe apenas a alma."

Uma das poucas críticas dos amigos foi quanto ao ritmo do programa, um pouco lento. O cineasta Arnaldo Jabor considera que está exatamente aí a maior qualidade de Interiores:

- Ele devolve à televisão o espaço democratizado para a pessoa falar como quer e não dentro da tiranis do timing. Porque há certos ritmos narrativos que são totalmente fascistas.

Jabor parodia o critico francês Luc Moullet, que diz ser a moral uma questão de travellings:

- Eu acho que a liberdade é uma questão de ritmo e de espaço livre. Você não pode circunscrever uma idéia a um tempo pré-determinado. Outra coisa importante é que a vida social, atualmente, tem que ser psicanalizada. E o Eduardo está fazendo a psicopatotologia da vida cotidiana brasileira. Isto por si só já é importante.

A psicanalista Eleonora Barbosa Mello também foi tomada por esta impressão. Ela considerava praticamente impossível Mascarenhas ocupar uma função psicanalítica:

- E durante todo o tempo, o que mais notei foi seu compromisso grande com a verdade. Ficou mais na escuta do que procurando aparecer como estrela. Foi um belo programa sobre uma mulher e acho que os demais também darão certo.

A visão profissional do cineasta Cacá Diegues registrou o surgimento, pela primeira vez na televisão brasileira, de um programa baseado na montagem:

- Tenho medo de dizer a palavra "cinematográfico" porque não existe diferença entre cinema e televisão. A TV é outra forma de fazer cinema. Além disso, durante uma hora, não assisti a um psicanalista, mas a um astro da televisão, uma pessoa transando este veículo.

Chamaram atenção dos cineastas presentes na casa do psicanalista os enquadramentos corretos, a cabeça dourada da entrevistada que em certos momentos parecia estar apoiada na moldura do aparelho e as mãos de Mascarenhas. Em meio às despedidas, Rui Solberg, profissional de audiovisuais, fez o comentário bem-humorado: "Enfim, alguém nos fez justiça." Falava mais como homem do que como profissional. Danuza havia se mostrado toda feminina. Nem um pouco feminista.

1981 - Primeira Novela de Sylvio de Abreu.

 O Globo
Data de Publicação: 25/10/1981

UMA NOVELA DIVERTIDA QUE PODE ATÉ CHEGAR À LOUCURA!

A partir de amanhã, às 19 horas, a Rede Globo vai mostrar uma nova trama, que valoriza o ser humano, encara seus problemas com muito humor e tem como regras fundamentais a luta, a esperança e a coragem. Seu nome: "Jogo da vida". A idéia básica surgiu de um conto - já publicado de Janete Clair. Juntos, Janete e Sylvio de Abreu criaram a sinopse. Dai para frente, sem perder o contato com a autora - ''se eu tenho a possibilidade de recorrer a ela, por que não?" -, Sylvio desenvolveu sua novela, a quarta que escreve para a TV. Entre suas propostas iniciais, está a de dividir a história em três fases. As duas primeiras, ele define como uma comédia humana, "uma grande preparação psicológica, em que os personagens se transformam em gente de verdade". A terceira já será uma comédia maluca mesmo, onde o autor fará as pessoas "enlouquecerem atrás de uma herança desaparecida".

A estréia de amanhã traz novidade em termos de novela: é a primeira vez que um autor - Sylvio de Abreu trabalha a partir da idéia de outro - Janete Clair. Ainda de férias, Janete aproveita seu tempo para brincar com o único neto, Ricardo, de 1 ano, enquanto se prepara para viver uma experiencia inédita em sua carreira: ser apenas espectadora de um trabalho seu.

- Vai ser ótimo acompanhar "Jogo da vida" sem nenhuma preocupação de autora. Nunca havia feito uma coisa assim. Sempre levo meus trabalhos até o fim. Mas o Sylvio é competentíssimo e achou o tom ideal para transformar minha história em uma novela alegre e de ritmo rápido, como convém ao horário das sete.

No original, eram apenas oito os personagens. Sylvio criou muitos outros e desenvolveu suas tramas. No centro de tudo, um casal, que se separa assim que a novela começa: Silas e Jordana. Neles, especialmente, o autor fundamenta a "questão feminina", que será um dos pontos mais destacados na história:

- "Jogo da vida" é uma novela para a mulher. O homem, inclusive, adquire um certo papel de vilão. Comparando o Silas e a Jordana, ele é o vilão e ela é a mocinha. Mas ela também tem erros. Submeteu-se ao marido, atrelou sua vida à dele durante 18 anos de convivência. Os dois começaram juntos, pobres. Jordana ajudou Silas a subir, mas não se ajudou. Ele procurou se aprimorar, estudou, enquanto ela continuou valorizando o passado. Até ser abandonada, aos 42 anos, por causa de uma menina de 20, que sabe se comportar, se vestir, e é uma boa presença para Silas, melhora seu status.

Entra aí o valor principal deste jogo: a luta Sozinha, Jordana é, força,da a se refazer, procurar caminhos próprios, reformular seus valores. Acaba indo trabalhar com d. Mena, uma velhinha excêntrica, e solitária, dona de grande fortuna, mas que vive num cortiço.

- Quatro sobrinhos que a abandonaram são o que resta de sua família. Eles não sabem que ela tem um milhão de dólares escondidos, além de um velho casarão. Quando os personagens descobrem a existência desse dinheiro, partem para a caça. A novela vira uma comédia louca!

Mas isto só vai acontecer lá pelo capítulo 100, segundo Sylvio. Até lá, sua maior preocupação é humanizar os tipos que criou:

- A novela é engraçada, mas com um outro tipo de humor, Mais próximo dei neorealismo, onde eu posso simular o singelo, o mágico, o simples. Existe uma intenção, é claro, um ponto de partida bastante sério. Lógico que tenho propostas! Mas elas aparecem dentro da comédia. E, para a gente achar uma coisa engraçada e ao mesmo tempo séria, é preciso acreditar nos personagens. Por isso, estamos tentando colocar humanidade dentro dos personagens. Quando o público passar a aceitá-los, eu posso partir para a comédia maluca. Faço as pessoas enlouquecerem atrás do dinheiro. Se eu pusesse isso de cara, no início da trama, ia fazer uma novela de brincadeira, cairia no erro de uma comédia superficial. Então optei por fazer primeiro uma preparação psicológica dos personagens, para o público entender o que cada um quer. Um verdadeiro quem é quem.

Em cima deste "quem é quem", Sylvio mexe com faixas etárias e sociais diferentes. Das histórias da mulher de classe média, de mais de 40 anos, e da velhice de d. Mena, surge a problemática dos jovens, que vão habitar o velho casarão, transformado em pensionato por Jordana. E é claro que o autor não pára por aí:

- Outro destaque é o Etevaldo, um homem de cerca de 60 anos, que sofre do coração e acredita que vai morrer. Tem a Beatriz, que não assume a vida, a filha, o amor, e vive sozinha, passiva. E também a Loreta, que já é um outro tipo de mulher. Os personagens femininos têm grande força na novela.

Mas é quase impossível falar de todos. Para cada um, Sylvio tem uma proposta, onde pretende discutir meros temas. Pau. lista, 38 anos, diretor e autor de roteiros cinematográficos, ele só faz questão de frisar que seu trabalho não tem a pretensão de se aprofundar em termos sociológicos:

- O que eu quero é levar "Jogo da vi" da" com muito humor, escrever uma história divertida de assistir. Eu acho que, para fazer uma novela que diga alguma coisa, não preciso, necessariamente, escrever uma obra sisuda. Posso ser profundo, mesmo na diversão.

PRINCIPAIS PERSONAGENS

Conhecedor de seu trabalho, Sylvio de Abreu sabe que, "no decorrer de uma novela, mil coisas podem acontecer". Por enquanto, tudo que tem é "uma história, um monte de personagens e uma trilha que eles estão seguindo, mas nada pode ser planejado com rigidez". Quer dizer, muita coisa pode mudar em "Jogo da vida" mas, basicamente, os tipos que ele criou serão assim:

- Jordana (Glória Menezes) - Alegre, extrovertida, boa mãe, amigo e excelente caráter, diz tudo que lhe vem à cabaça. Depois que enriquece, se inibe um pouco, com medo a cometer alguma gafe, mas mesmo assim comete várias. Esforça-se para melhorar e acompanhar a ascensão do marido, mas não consegue. Quando ele a abandona, sofre muito, pois o ama com grande intensidade. Só volta a ser otimista quando começa o construir um pensionato.

- Silos Ramos Cruz (Paulo Goulart) - Marido de Jordana. É simpático, educado e, ao mesmo tempo, machista, egoísta e ciumento. Só pensa em si e no seu próprio bem-estar. Depois que subiu na vida, passou a acreditar muito nos aparências. Freqüenta ótimas ambientes, tem amizades influentes e sente uma certa vergonha da esposa. Decide abandoná-la por absoluto e completo paixão por uma jovem de 20 anos, Carla.

- Lívia Ramos Cruz (Débora Bloch) - Filho de Jordana a Silas. Foi pobre na infância e não quer deixar de aproveitar tudo que o dinheiro pode oferecer. Admira o pai e gosta da mãe, embora preferisse que ela fosse diferente. Sofre com a separação dos dois e custa a aceitar a ligação de Silos com uma de suas melhores amigas.

- Oswaldo Ramos Cruz (Gracindo Júnior) - Irmão de Silos e seu testa-de-ferro nos negócios. Homem bom, até meio ingênuo, é mais tolerante com sua mulher do que Silos com Jordana.

- Rosana Ramos Cruz (Maria Zildo) - Mulher de Oswaldo. É o oposto de Jordana, a quem admira. Não faz muito boa idéia dos homens em geral. Confia desconfiando. Extremamente ciumento, está sempre atento ao marido, pois não quer perdê-lo de jeito nenhum. Cuida do cosa o do filho, Valdinho (Felipe Saddy), sem exageros. Trabalha numa empresa, como assistente social.

- Filomena Madureiro (Norma Geraldy) - É a grande chave da novela, conduzindo, desde o inicio, o fio principal da história. Desequilibrada, exótica, excêntrica, veio de família pobre, mas casou com um conde alemão. Só que ninguém acredita nela. Sente uma profunda magoa por ter sido abandonado pelo que lhe resta da família. Seu sonho é reabrir o pensionato, no antigo casarão que tem, poro fazer com que as mulheres voltem a ser femininas, embora acredite que elas têm todo o direito de conquistar um lugar melhor no sociedade.

- Beatriz Madureira (Débora Duarte) - Sobrinha de d. Mena, mãe de Ingrid (Cássia Fourreaux). Mulher difícil, introspectiva e amarga. Não se cuida, vive por viver. Culpa a todos por suas fraquezas. Com a volta do filho, que morou muitos anos no exterior, vai tentar recuperar o tempo perdido.

- Lafaiete Madureira (Carlos Vereza) - Sobrinho de d. Mena, mais conhecido como Badaró. Trapaceiro, sentimental e absolutamente ladino. Procurado pela polícia, por inúmeros delitos. Típico pequeno vigarista, sempre pulando na corda bomba. Quando descobre que sua noiva está casada com um homem rico, resolve dar o golpe de sua vida.

- Loreta Pires de Camargo (Rosamaria Murtinho) - Sobrinha de d. Mena, irmã de Lafaiete. Tem um filho, Eduardo (Ernesto Piccolo), é casado com um homem rico o detesta que lhe lembrem que vem de família pobre. Gostaria de apagar o passado. Não quer nem ouvir falar nos nomes do irmão contraventor e da tia, até saber que ela tem dinheiro. É esnobe, chique e muito bem relacionada no society.

- Álvaro Pires de Camargo (Mouro Mendonça) - Marido de Loreta, pertence a uma família tradicional. Como sempre foi rico, não tem os esnobismos da mulher. Sente um carinho especial por d. Mena o tem pena de sua solidão. Gostaria de encontrá-la, mas Loreta não permite. Na juventude, teve uma ligação muito forte com Guida Rivera. Hoje, é seu amigo, mas ainda não se perdoa de não ter casado com ela, cedendo às pressões familiares.

- Carla Barros (Maitê Proença) - Mimada pelos pais, pertence à classe média baixa, mas foi criado com todos os gostos e conforto das classes mais altas. Sempre teve de tudo o foi preparado para um casamento rico, o que vai conseguir através do relacionamento com Silos. Exigente, sabe que a beleza é um triunfo e usa a sua sem pestanejar. Fútil, alegre e de bom gosto, não é mau-caráter. Apenas sabe aproveitar as oportunidades que aparecem.

- Cacilda Barros (Suely Franco) - mãe de Carla. É despachada, ambiciosa e sempre sonhou com um bom futuro para a filha. Vive discutindo com os vizinhos, é meio reclamona, mas simpática. Usa e abusa da chantagem sentimental para conseguir o que quer.

- Celinho Barros (Ary Fontoura) - Pai de Carla, marido de Cacilda, é o oposta do mulher. Caladão, amigo, não entende como ela consegue arrumar confusão até com o verdureiro. Trabalho numa repartição público há muitos anos e tem como hobby fazer arranjos musicais para bandos do interior. Aliás, foi maestro de uma em sua cidade, antes de se mudar para a capital paulista.

- Adriano Barros Solos (Carlos Augusto Strazzer) - Afilhado de Celinho, advogado, veio do interior para completar seus estudos em São Paulo. É homem de muitas mulheres, está sempre bem acompanhado. Quando se sentir apaixonado por Lívia, vai se achar meio ridículo, gostando de uma garotinha.

- Dr. Etevaldo de Alencastro (Cláudio Corrêa e Castro) - Banqueiro riquíssimo, acredito que tem poucos meses de vida. Quando conhece Clarita, apaixono-se como nunca, uma verdadeira obsessão. Seu relacionamento com ela terá o efeito de um elixir da juventude, mas também trará conflitos.

- Clarita Madeiros (Lúcia Alvos) - Noiva de Rodará, telefonista de uma grande empresa, vai acabar casando com Etevaldo. Sentimental ao extremo, chora até com os recados românticos que ouve ao telefone, no trabalho. Obsecada por vestido de noivo, tem como um de seus divertimentos prediletos assistir a casamentos nos sábados à tarde. A volta de Badaró será um tormento para ela.

- Zelito Bonalutti (Roberto Azevedo) - Enfermeiro, confidente e grande amigo de Etevaldo, é quem tem a incumbência de aproximar Clarita do patrão. Depois do casamento dos dois, trata bem de Clarita, pois percebe que ela gosta realmente do marido.

- Manoel Vieira de Souza (Gianfrancesco Guarnieri) - Dono da padaria da rua em que mora Jordana, por quem é apaixonado. Sincero, ingênuo e sonhador, nasceu em Portugal, mas ama o Brasil, pois foi aqui que cresceu, lutou e conseguiu vencer. É alegre no serviço e muito querido no bairro. Não tom coragem de confessar sua paixão, mas vai ajudar Jordana a abrir o pensionato. Tem grande amor por seu filho de criação, embora implique com algumas de suas atitudes.

- Jerônimo Vieira de Souza (Mário Gomes) - Filho adotivo de seu Vieira, a quem adora. Seu apelido é Gero. Trabalha na padaria, sabe atender os fregueses e é um verdadeiro gala das domésticas do região. Sai com uma por dia. Vive metido em encrencas por causa de mulheres. Tipo gozador, que mexe com todo mundo, vai se transformar no terror das meninas do pensionato.

- Mariúcha (Elisângela) - Filha de uma amiga de Rosana, vem do interior para ficar em sua casa. À primeiro vista, parece uma santa, sempre disposta a ajudar e elogiar as pessoas. No íntimo, é extremamente o oposto. Má, não tem o menor escrúpulo para conseguir tudo o que quer. Usa a mentira como sua grande arma e o rosto de menina como escudo.

- Doris Gumm (Kate Lyro) - Eficiente professora de inglês, chegou há pouco tempo dos Estados Unidos. Dá aulas particulares para Eduardo, filho de Álvaro e Loreta, que costuma vê-la em sonhos de forma provocante, nas situações mais absurdas. É amiga de Beatriz e será uma das do pensionato.

- Guida Rivera (Íris Bruzzi) - Já foi vedete famosa no passado e quase casou com Álvaro. Hoje, sente-se frustrada por ter que trabalhar em pequenos shows noturnos, depois de ter sido uma grande estrelo do teatro de revista. É mulher de muitos segredos.

- Aurélia Creonte (Renato Franzi) - É a locatária de d. Mena, proprietária do cortiço onde a velha senhora aluga um quarto. Mulher esperto, cheio de planos mirabolantes, não perdoa um dia de atraso no pagamento de seus inquilinos. Só Filomena consegue enrolá-la e, por isso, ela tem raiva da velha. Não acredita que Mena tenha dinheiro e, para conseguir o pagamento do aluguel do quarto, começo o vender suas coisas às escondidas.

- Arnaldinho Rombo (Ricardo Petraglia) - Professor de etiqueta do pensionato de Jordana. Muito tímido e recatado, mas só no ambiente de trabalho. Assim que termina suas aulas, torna-se um farrista do pior espécie. Grande freqüentador do noite, é também admirador entusiasmado de Guido Rivera.

- Flávia (Angelina Muniz) - Aluna do pensionato, mente que veio do interior, mas é de São Paulo mesmo. Quer aprender boas maneiras, línguas, etiqueta, tudo que o pensionato pode ensinar. Como não tem dinheiro para isso, arruma emprego como uma dos moças do show de Guida. Tem sonhos de casar e melhorar de vida, mas não acha possível que isso aconteça, se continuar morando com a família. Terá ligação afetiva com Jerônimo, mas vai sofrer ao descobrir que ele não é o tipo que idealizou.

Eliana (Tássia Camargo) - Filha de um fazendeiro riquíssimo do Paraná, vai estudar no pensionato. Muito livre e alegre, torna-se amigo de Lívia. Seus pais são muito severos e, de vez em quando, vão ao pensionato, para ver como tudo funciona ali. Terá ligação forte com Jerônimo, mas cheio de obstáculos.

QUEM É QUEM

GLÓRIA MENEZES - Jordana

PAULO GOULART - Silas Ramos Cruz

DÉBORA DUARTE - Beatriz Madureiro

CARLOS AUGUSTO STRAZZER - Adriano Barros Cruz

GRACINDO JR - Oswaldo Ramos Cruz

MARIAZILDA - Rosana Ramos Cruz

MÁRIO GOMES - Jerônimo

LUCIA ALVES - Clarita Medeiros de Alencastro

MAITÊ PROENÇA - Carla Barros

ARY FONTOURA - Celinho Barros

SUELY FRANCO - Cacilda Barros

ELIZÂNGELA - Mariúcha

RICARDO PETRAGLIA - Arnaldinho Romão

DÉBORA BLOCH - Lívia Ramos Cruz

ÍRIS BRUZZI - Guida Rivera

RENATA FRONZI - Aurélia Creonte

KATELYRA - Doris Gumm

SONIA MAMEDE - Odete

ROBERTO AZEVEDO - Zelito Bonaiutti

ANGELINA MUNIZ - Flávia

ERNESTO PICCOLO - Eduardo Pires de Camargo

CÁSSIA FOUREAUX - Ingrid Madureira

ROSAMARIA MURTINHO - Loreta Pires de Camargo

MAURO MENDONÇA - Álvaro Pires de Camargo

NORMA GERALDY - Filomena Madureiro

CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO - Dr. Etevaldo de Alencastro

GIANFRANCESCO GUARNIERI - Manoel Vieira de Souza

CARLOS VEREZA - Lafaiete Madureira

FELIPE SADDY - Valdinho Ramos Cruz

TÁSSIA CAMARGO - Eliana

Monday, August 10, 2015

1979 - Coojornal sobre a inauguração da TV Guaíba

Coojornal
Data de Publicação: 01/01/1979
Autor: Lenora Vargas
UMA TV CONTRA DUAS DITADURAS


Está no ar, desde o dia 10 de março, a quinta emissora de televisão de Porto Alegre - a TV Guaíba, canal 2, de propriedade do mais tradicional grupo jornalístico do Rio Grande do sul, a Companhia Caldas Júnior (Correio do Povo, Folha da Manhã, Folha da Tarde e Rádio Guaíba).

Adiado duas vezes em função de inúmeras dificuldades, o lançamento não se deu em condições ideais. A nova emissora, investimento entre 60 e 70 milhões de cruzeiros, entra no ar com menos de um terço das suas necessidades reais de equipamentos, com uma programação pensada em 40 dias e cobrindo apenas uma parte do horário normal.

Por trás dessas dificuldades, porém, uma proposta sempre sonhada e raras vezes oferecidas aos profissionais brasileiros de TV: a independência do jugo imposto pelas cadeias nacionais, controladas por emissoras do Rio e São Paulo. Até quando a TV Guaíba manterá sua pretensão inicial é uma questão que a própria equipe, embora confiante se coloca.

É questão fechada pelo diretor-presidente da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Breno Caldas, a não filiação a qualquer rede. "Isso nos dá independência com o público, liberdade para colocar cada programa no horário que lhe é conveniente e não nos rabichos de tempo da transmissão nacional. Temos liberdade para mudar a programação à hora que acharmos interessante", assegura o diretor de programação, Clóvis Prates.

A pretensão vai ao ponto de a direção da Caldas Júnior, como já faz com a Rádio Guaíba, desprezar por completo o Ibope, o IVC (Instituto Verificador de Circulação) ou qualquer tipo de aferição padronizada. "Não estamos preocupados em competir com a novela, com a audiência massificada, mas em oferecer uma opção ao telespectador. Queremos um público intelectualmente mais elevado', expõe Prates. Ele acredita que a Guaíba conseguirá uma boa fatia desse público, "que tem sede de diálogo com o televisor".

Limitada pela falta de equipamento, a equipe foi obrigada a dividir a programação em fases. Na fase I - a atual nada mais do que uma etapa experimental, que deve durar até junho, está sendo veiculada produção local e nacional (programas comprados da TV 2 Cultura, da TV Sílvio Santos e das distribuidoras internacionais). Os programas locais onde predominam os temas políticos, econômicos ou esportivos - procuram valorizar o debate, ingrediente um tanto esquecido pelas nossas televisões de pós-64. Neste primeiro mês, a Guaíba tem colocado ao espectador temas tão polêmicos como a inflação, a denuncia vazia, o seqüestro do casal de uruguaio em Porto Alegre. "Em horário nobre, já temos mais produção local que a soma das outras emissoras (Piratini, Gaúcha, Difusora e a TV Educativa, estatal)", calcula Prates.

As chefias contratadas pela Caldas Júnior contam com dois outros valiosos trunfos para quem pretende fazer uma TV independente e de qualidade: carta branca da direção e tempo para elaborar os programas. Um terceiro elemento indispensável: bons salários, pelo menos para o mercado local. Um repórter de quatro horas ganha Cr$ 9.000,00, passando a Cr$ 9.600,00 em maio, informa Prates, também responsável pelas contratações, enquanto um da TV Difusora, por exemplo, recebe hoje Cr$ 4.300,00.

Com orgulho, Prates e Nelci Castro, o gerente de produção, afirmam que a ênfase para a programação local causou um tumulto (no bom sentido) no apertado mercado profissional gaúcho.

"Da Gaúcha, tiramos quinze profissionais, da Difusora treze, só para as áreas de produção e de programação (repórteres, cinegrafistas, editores de imagem, diretores e outros), ganhando desde 20% a mais até o dobro. Tem gente que quer vir por menos ou pelo mesmo salário, por estar descontente com seu emprego", afirma Prates. Ciaton Selistre, gerente de telejornalismo, atesta: "Tenho mais de sessenta fichas preenchidas de candidatos a minha área, uma loucura. A TV Gaúcha elevou os salários para poder segurar o pessoal".

Embora pagando o equipamento norte-americano, que ainda não tem data certa para chegar, mas é aguardado para maio/junho, a emissora adquiriu outros que não condizem com a sua filosofia de operação. "O problema", diz o gerente de produção, "não é botar uma emissora no ar, mas sustentá-la, corno estamos fazendo". O ideal, segundo ele, seria começar em julho, pois a preparação de uma nova emissora leva no mínimo seis meses. Por enquanto, a TV Guaíba opera com uma estação móvel equipada com quatro câmeras (duas fixas e duas semiportáteis), 1 câmera portátil e 2 filmadoras.

Para a fase II, quando os norte-americanos e japoneses já tiverem enviado as sete câmeras portáteis com vt (vídeo teipe) e as três ilhas de edição de vt, a Guaíba entrará com os noticiosos, programas do dia-a-dia e ampliará a cobertura esportiva, itens considerados como o filé da empresa Caldas Júnior.

O desafio mais difícil que a Guaíba enfrenta neste começo é na área comercial. No meio publicitário, há um consenso de que o mercado não comporta quatro emissoras comerciais, que pelo menos uma irá sucumbir na disputa. Acrescente-se a isso os quase quinze anos, de domínio absoluto do mercado pela TV Gaúcha, canal 12, integrante da Rede Globo, que gera até mesmo os pacotes de espaços publicitários a serem divididos pelas suas filiadas, em cada praça.

"O trabalho tem sido duro, eu posso dizer", confessa um dos diretores do departamento comercial, Paulo Russomano, profissional com mais de trinta anos de experiência neste ramo. Entrando em março, a Guaíba ficou fora das verbas normais das agências e, por ser nova, sua programação ainda não captou a confiança dos mídias, embora elogiada pelos publicitários. O departamento comercial tem lutado para conseguir as verbas adicionais das agências. "Tem ainda a mudança de Governo, em que o pessoal está pensando onde e como vai aplicar o dinheiro", acrescenta Russomano.

Para tentar uma brecha,a Guaíba saiu com uma tabela abaixo do mercado, válida para estes três primeiros meses, e dela não se afasta, segundo orientação rígida da direção. "Perdemos negócio mas não vendemos por menos". Os concorrentes, porém, já contra-atacaram: com exceção da TV Gaúcha, que está tranqüila, as outras emissoras deram ampla flexibilidade às suas tabelas, chegando a reduzi-las à metade. Também barganham com o alcance de suas transmissões, enquanto a Guaíba, ainda está medindo até onde vai a sua imagem.

No contra-ataque estão previstas também mudanças nas programações. A TV Piratini, canal 5, terceira colocada em audiência no estado, prepara uma serie de novos programas não só para a TV como para a Rádio Farroupilha, que receberá 21 programas bolados pelo seu novo diretor de programação, Flávio Alcaraz Comes. Em relação à audiência, a Guaíba sofrerá mais um impacto: desde o dia 4 de abril está no ar a novela das 20 horas da Bandeirantes, retransmitida no Rio Grande pela TV Difusora. "Já pensou nós no meio disso tudo"? - pergunta. Russomano.

Estas questões, porém, não preocupam os escalões mais altos da empresa, unânimes em afirmar que a Guaíba briga pelo segundo lugar. "Só fixaremos metas após estudar o comportamento dos três primeiros meses", garante o diretor do Departamento comercial, Ênio Berwanger. Uma certeza pelo menos todos manifestam - a de que o grande pique virá no segundo semestre, quando o filé for ao ar.

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